segunda-feira, abril 17, 2006

Lindos Sonhos

Érico Santos : Érico Di Primo Leitão dos Santos - Nasceu, no ano de 1952, em Cacequi, Rio Grande do Sul. Formado em Direito, no final dos anos 70. Nos dados biográficos de Érico, observamos a sua atuação como: advogado, artista plástico, ilustrador, cartunista e desenhista publicitário. Ainda, pode ser incluído a função de procurador autárquico e o exercicio do magistério. Despontou para a pintura nos anos 70, destacando-se em diversos salões e nas mais importantes mostras coletivas e individuais. Seu trabalho está registrado na Igreja do Perpétuo Socorro de Porto Alegre, ao pintar a Via Sacra. Um artista bastante atuante em seu estado. Particpa de júris, é referência obrigatória em livros e revistas especializadas, bem como, palestrante dos mais influentes no panorama das artes no Rio Grande do Sul. Muito aclamado pela crítica. Fonte de Consulta : Artista Net, ArtCanal, Galeria Acrilex e a interessante página oficial do artista Erico Santos

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Olá!
Depois dos momentos de Páscoa, apareço para deixar um pequeno texto de minha autoria. Fizemos uma "festinha" do Coelhinho para Ramom, ficou doidinho, não parava de tanta alegria. Neste domingo comprei o Jornal do Brasil, que está em promoção com o preço de capa bem mais baixo, a metade do valor e um novo formato tipo berliner para bancas de revistas, uma vez que , para assinantes, é apresentado sob o formato standart. Deixei de ser assinante do JB, há muito tempo e nem pretendo voltar a ser. Por curiosidade, comprei no jornaleiro e confesso que não fiquei seduzido pelo novo formato, preço e tampouco, nem os possíveis novos colunistas, não consegui me transformar em leitor. Tentei há duas semanas, por empolgação com a leitura da divulgação do novo jornal O Dia, acabei por comprar, divulgava também, novos colunistas. Achei pura espuma. Não vislumbro como poderá conseguir brigar com O Globo, assim imagino, creio que teria de ter algo a mais. Algo que pudesse atrair os leitores do JB em busca de uma nova imprensa, de um novo jornal. Apareceram os filhotes de O Dia e o Extra, com preço barato e com poucas páginas, todos com matérias chupadas dos jornalões. A equipe de jornalistas, é bem reduzida. Li e não me interessava continuar como leitor. A briga por leitores está bem acirrada. Até o momento sou apenas espectador. Sou um leitor que acompanhou o nascimento, morte e decadência de alguns jornais, principalmente, os alternativos à partir dos anos 60. Esta experiência de observador de começo, agonia e fim de editoras, também estive presente.
Ontem, uma dileta amiga, a escritora paulistana Arlete Meggiolaro, colocou na internet o seu interessante site Orvalho D`Alma que abre espaço para publicação de sua produção literária e de outros escritores. Vale a pena conferir. Sucesso é o que lhe desejo querida amiga.
Desejo uma ótima semana para os amigos leitores e blogueiros.
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Mergulhei no universo de seu corpo
Descobri tantas coisas
de olhos fechados
que acabei sonhando
Lindos sonhos de
Amor.

terça-feira, abril 11, 2006

A Paixão de Neide

Enéas Valle : Nasceu em Manáus, em 10 de junho de 1951. É professor da EBA, escultor e matemático. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Participa com exposições em diversas galerias. Foi co-editado com a Universidade Federal do Amazonas, o livro "Hiperespaço Curvista", prefaciado por Milton Hatoum, conta a trajetória do artista em mais de 30 em plena atividade. Uma das obras bem citada de Enéas é: Geópolis que reúne 12 pinturas do artista e que ficou exposta na Galeria Toulouse. Participa no segmento Engrenajens e Engenhos da exposição Onde você está, Geração 80? Participa da exposição Doze Telas e a Sétima Arte, na Casa de Cultura Laura Alvim.
(Fonte de consulta - Art bonomo, Revista Museu, Galeira Virutal do Jornal Rio Arte, Olhar Virtual/UFRJ, Galeria de Arte da UFF, Galeria Toulouse, BB )
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Olá!
Wilton, Marilene e Ramom, desejam aos amigos leitores e blogueiros uma Feliz Páscoa, repleta de chocolate.

Peço desculpas por não ter postado a continuidade do texto de quarta-feira passada. Deixo este texto pendurado no mural, espero que gostem.

Neide trabalhava no salão de cabeleireiro de Adamastor, seu amigo e patrão. Chegando em casa, esparramou-se no velho sofá, depois de ligar a televisão.Tinha o hábito de deixar a televisão ligada, era a sua companhia, deste modo, não imaginava, estar só. Aguardava este momento com grande ansiedade, pois iniciava naquele dia, a sua novela... Aliás, gostava de todas e em qualquer canal. Mas aquela, que começava, tinha um interesse particular. Trabalhava o galã, que tanto admirava e que para amigas intimas, dizia estar apaixonada. Colecionava fotos e revistas a respeito do ator. Na verdade, ficou apaixonada. O casamento com Juvenal, restou apenas poeira.A todo instante, olhava para o relógio.Irritava com a morosidade dos ponteiros. Estava com fome.A grana curta. Na geladeira, pouca coisa que sobrara da última visita ao supermercado. Restavam dois pacotes de macarrão instantâneo, foi o que acabou comendo, junto com a ilusão. Para não perder um minuto sequer, comia diante da televisão.Quando o artista apareceu, o seu coração começou acelerar. O banho e arrumação da casa, ficaram para depois.Neide morava só, não teve filho em seus sete anos de casamento com Juvenal.

Quando não tinha clientes, ficava no salão, olhando para a televisão de 29 polegadas. Adamastor implicava com ela, dizendo que era uma fanática, não trocava por nada, o seu momento de ficar diante da televisão. Não estava nem aí, para os comentários. Tudo aconteceu durante o frustrado casamento com Juvenal. Quando determinado ator apareceu pela primeira vez na novela, que Neide, começou a sonhar cada vez mais com o ator.O ator, era casado, segundo as fofocas das revistas semanais.Neide, não fazia muita questão do estado civil do artista, achava se ele a conhecesse, ficaria com ela. Muitas vezes, durante a noite, perdia o sono e começava a escrever cartas de amor.Comprava diversos tipos de papéis de carta.Todas acabavam no lixo, nenhuma delas, foram endereçadas ao artista. Ficava envergonhada. Curtia sua paixão em silêncio. Nestas ocasiões, gostava de ouvir Roberto Carlos, em seguida, começava acompanhar a música, cantando.Pensava em ir até a emissora, mas desistia em seguida, não tinha coragem.

Uma vez, conversava com Lina, sua prima, ao telefone, enquanto comia um pacote de balas, confidenciava, que os verdadeiros motivos de sua separação.Abandonei aquele safado, em tom de irritação, continuava convesando com Lina...De um ano pra cá, continuava, agora com um semblante entediado. Lina, não imagina, o sufôco em que eu vivia. Juvenal chegava em casa sempre bêbado, suado e pensava em fazer sexo. A todo momento, levantava minha roupa, era insaciável...Era na cama, no chão, no banho, em pé, de tudo que era jeito. O homem só pensava naquilo, em transar.Sexo e bebida.O ato sexual dele, era selvagem, sem carinho, sem amor, só queria aliviar os seus instintos.Era agressivo, se eu por acaso rejeitasse.Gostava de me ofender. Dorme, não! Neide, quero fazer amor e não guerra. Não me enche! Não estava muito afim de sexo. Juvenal só gozava dentro de mim e mais nada.Eu ficava inerte,doida para acabar o mais rápido possível.Quando era na cama, Juvenal virava de lado e começava a roncar.Lina, minha querida prima, obrigado por me ouvir. Quando você aparecer aqui em casa, prometo que continuo.

Em uma certa manhã, Neide, abriu o armário e começou a colocar as roupas de Juvenal dentro de duas malas, as garrafas que sobraram em uma sacola. Na parte da noite, estava diante da televisão, diante da novela, completamente apaixonada. Pegou uma caneta e começou a escrever mais uma carta de amor.Na mesinha, um pacote de balas.

sexta-feira, abril 07, 2006

A Vizinha

Fúlvio Pennacchi: "Pescadores¨. Nasceu em 1905, na Itália, chegou ao Brasil, em 1929, em discordância com o fascismo. Natural da cidade de Toscana. Mora no Estado de São Paulo. Falece em 1992. aos 87 anos. Participa da I Bienal de São Paulo.(Fonte de Consulta : Arte e Pintura Brasileira, Caros Amigos) Pertenceu ao Grupo Santa Helena, junto de Franciso Rebolo, um dos seus amigos. Realizou o painel clássico , no TRT de São Paulo, na Capela do Hospital das Clínicas, Acervo MAC/Grupo do Santa Helena, Guia Campos). Ao chegar em nosso país, não viveu da pintura; lecionou Desenho no Dante Alighieri e foi proprietário do açougue Boi de Ouro. Pintou afrescos no Hotel Toriba, em Campos do Jordão. Participa ativamente dos cartazes de propaganda nos anos 30. Sua importância na propaganda brasileira, é abordado por estudiosos, como: Annatereza Fabris e Roberto Whitaker Penteado e Gabriel Zellmeister.
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Olá! Hoje é dia da visita de Ramom. Estamos contentes. A presença de meu neto, é um acontecimento, preparo vitaminas ou sucos, também, é o dia de devorar alguns biscoitos e comer muito pouco qualquer outro tipo de alimento. O que se há de fazer. Temos com paciência esperar que os maus hábitos alimentares sejam modificados no decorrer de seu crescimento. Torço pela brevidade desta fase.
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Há dias que estou adiando o momento de escrever, inspiração que é bom, anda sumida, ou melhor, aparece e desaparece por segundos. Percebo, que os dias passam e eu, continuo inerte diante desta máquina. Levanto e me distraio com algo sem muita importância. Depois, procuro o que andei escrevendo, mas ao reler, acho que poderia ser publicado em outro momento, pois, necessitaria de ser reescrito, ou ir direto para uma lata de lixo. São textos esparsos que coloco no fundo do baú.Alguns atuais e outros, nem tanto.O certo, é que tem havido um grande hiato em minhas escritas

Volto e sento nesta cadeira pouco confortável, olho para todos os lados, inclusive para o teto. Penso em buscar assuntos da vida diária, de meu cotidiano. Não demorou muito, meu silêncio é interrompido. A vizinha do andar de cima, arrasta os móveis, que demonstram sinais evidentes de seu distúrbio.O barulho que faz me pertuba. Sempre me incomoda, fico irritado, mas submetido as boas maneiras, ao fino trato, deixo pra lá, não reclamo. A vizinha, uma senhora que vive na companhia de um cão, que também contribui com os seus latidos.Ignoro a raça do canino.

A senhora, me parece, convive bem com o barulho, pelo menos, se estivesse insatisfeita como eu, terminaria com o barulho.Acho que nestes casos, prevalece o individualismo. A falta de respeito pelo outro. São pessoas totalmente voltadas para si. Ela é uma geradora de irritantes momentos que passo a qualquer hora do dia. Sim,para espanto de vocês leitores amigos, até durante a madrugada, a barulhenta senhora, começa arrastar os móveis.Um outro barulho que escuto, é o das corridas que faz dentro do apartamento.Anda ligeiro de um lado ao outro. Incessante são os movimentos dos passos. Estranho hábitos de alguns moradores.Engraçado como o outro, no caso, moradores de um mesmo prédio, dispensam um tratamento nada cortês.Moram por muito tempo no mesmo espaço, se cruzam pelo caminho,sequer, cumprimentam.

Coisa de doido! E cada um com a sua mania. Como não sou médico , não consigo identificar a sua provável patologia. Imagino que ela desenvolve alguma doença, creio ser uma pessoa insone. A mulher não dá uma trégua.Só desce pelas escadas e quando o faz, é de modo barulhento, com os batidas do calçado nos degraus.

Estou convicto que ela, não tem nenhuma preocupação com o ruído que produz.É o tipo de pessoa que faz barulho ao caminhar, percebe-se quando transita pela área comum do prédio; os sinais evidentes demonstram que lá vem ela, sempre sonorizando a sua presença,isto quer dizer, que a garantia do meu silêncio acabou.

Reconheço que a vizinha é parte integrante dos sons urbanos.Copacabana é um barulho só, no momento, escuto, buzinas, sirenes, um som de tv, helicópteros e cachorro latindo. Não possso esquecer, o ruido irritante das ferramentas das diversas obras nos apartamentos, lojas. No outro lado do prédio, um obra da companhia de gás.Como abrem buracos pelas vias públicas.Moro em uma área de elevado índice de poluição sonora, bem na muvuca de Copa.Hoje rolou um tiroteio aqui em Copa, na praça do Lido, com mortos e feridos. O safado do ladrão roubava um apartamento. Acabou vestindo um paletó de madeira e retirou-se para descansar nos quintos dos infernos.Outra loucura, é o comportamento dos motoristas ao encontrarem um caminhão da limpeza urbana, atrapalhando o trânsito, iniciam uma pura manifestação de insanidade, ameaçam os trabalhadores, xingam, buzinam tanto, acham que assim, vão ficar intimidados e abrirem a passagem. É a falta de respeito pelo trabalho do outro, naturalmente pelos ouvidos dos outros.O mais interessante, assim que um inicia a buzina, os demais motoristas na fila, ficam solidários e começam a engrossar o som.Seja ele quem for, que esteja ao volante, não consegue lidar com a diferença e o momentânea obstrução.A impaciência, a intolerância supera o seu status.
Confesso que ainda sobrevivo.Vivemos em uma selva urbana.

Nota: A continuação do texto anterior, O Ciúme, dará prosseguimento na próxima quarta-feira.

quarta-feira, abril 05, 2006

O Ciúme

















Adélio Sarro : Pintor, Muralista e Escultor. Natural de Andradina, interior de São Paulo, nascido em 7 setembro de 1950. Reside em São Bernardo do Campo. Artista autodidata. Trabalho e talento uma combinação perfeita para este artista plástico, filho de agricultores. Trabalhou na roça, foi servente de pedreiro.Iniciou os seus trabalhos na pintura em 1972. Com intensa atividade, em exposições em nosso país e no exterior. O resultado de seu sucesso, é registrado em mais de 2500 obras. Citado em diversos livros de arte, iclusive em textos monográficos. Em sua obra há influências de muralistas, assim, como a forte presença da religião, nota-se um lirismo poético em suas cores e formas. Sua pintura, sua arte, é notada em Aparecida do Norte, em sua Basílica no interior da Capela de São José. Expõe no Espaço Cultural do Aeroporto Internacional de São Paulo. (Fonte de Consulta: Agulha/Revista de Cultura, Oscar D`Ambrosio/Artcanal, Markus Artes/SP, ArteLatina, Prefeitura Municipal de Garça, Karine Jacon Sarro, Portal da Câmara dos Deputados/Noticias de Sarro)
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Olá!
Estou aqui, depois de minha caminhada pelas areias da praia de Copacabana. Caminhando, conversando e ouvindo o barulho das ondas. O sol colado no corpo, o bronzeado tomando conta, invadindo espaços do corpo escondido. Gaivotas sobrevoando o barco cheio de pesca. Corpos indo e voltando da caminhada. Mergulhos. O cenário é maravilhoso, muito singular.
O texto que apresento estava em meu baú, tirei para expor e pendurar no mural, espero que gostem. Agradeço aos amigos, pela presença e os comentários. Um grande abraço para vocês.
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Desde o último Natal que ficara assim. Nem a Missa do Galo, que tanto gostava de assistir, não freqüentava mais. Andava cabisbaixo, não ligava para os amigos, tampouco, para duas ou três amigas galináceas, ou as duas cachorras e uma velha piranha. Os amigos de bar, preocupados , bem intecionados, apelaram e apresentaram a saltitante perereca da vizinha, mas não esboçou qualquer reação. Não acreditaram no que estavam vendo, pois a pererequinha, pela fama conquistada, levantava até defunto. Chico, preferiu ficar na posição de repouso, inerte. De papo pro ar, recolhido em seu canto e encostado no velho saco preto, passava o tempo. As vésperas de Natal, eram sempre preocupantes, ficava tenso, gaguejava e dava de assobiar disfarçando. Certa vez, ao caminhar cambaleante ouviu maldosos comentários que o deixara deprimido. Decepcionado e muito. Ao voltar para casa, encafifado, acabou cochilando e sonhando com Onézia, totalmente depenada, despida.

Onézia, preocupada com o estado de saúde de seu companheiro, mudou a ração alimentar, trocando um punhado de milho por um saco de amendoim e reduziu para uma dose de cachaça, antes de dormir. Pouco adiantou, ou melhor, não surtiu o efeito esperado. No dia seguinte, Chico Peru, soube pelo cumpadre Sabiá, que abriu o bico, espalhando que afogaram o ganso em sua casa. Pronto! Sobrou para Onézia. Muito cabreiro, ficou com uma pulga atrás da orelha. Urubu Malandro e o Macaco Prego, agiram de imediato, combinaram uma reunião, no intuito de ajudar Chico Peru, contrataram o serviço do detetive mais famoso da área.

Ao acordar na manhã seguinte, começou a endurecer com Onézia, que ficou muito contente ao perceber que o seu velho companheiro Chico Peru, não estava mais encostado com preguiça de se levantar. Se ele está assim, querendo endurecer comigo, não vou precisar de dar altas doses de gemadas de ovos de codorna, uma receita caseira de mamãe, que jurou de pés juntos, que papai tomava. Era infalível. Lembro ainda criança, que papai, corria de pau na mão, atrás de mamãe. Mamãe era uma perigosa perua, loura, vivia maquiada e falava francês. Papai, coitado, morreu em um Natal, um pouco tristonho, com os trajes vestidos por mamãe.

Escuta querido, quase que ia esquecendo, vê se pode? Tentando uma conversa, com o seu Peru. Sou, uma perua caseira, fico do poleiro para o fogão, do fogão para o poleiro. E do poleiro para as vitrines do shopping. Só aparecem boatos para atazanar a nossa vida. Da outra vez, você acreditando nos comentários, sempre maldosos, acabou colocando o pinto pra fora. Você perdeu o juizo começou a gorgolejar alto, apontando que a mãe dele, sim, era uma galinha. Fiquei com muita pena.O pintinho foi posto para fora; ficou murcho, caladinho, envergonhado. No frio, sem nenhum agasalho. Você pagou um mico danado. O que se há de fazer, se andaram colocando minhocas em sua caichola.

Só me faltava esta. Chico Peru, não tendo o que fazer, desde que pediu aposentadoria, cismou que estou de caso, que fui apresentada a um pinto novo. Que imaginação, apenas, arrastei uma das asas.Mas não pintou nada, entre nós. Logo eu que não sou de pular a cerca, quer dizer, pulo a que tem nos fundos do quintal, isto é, quando chove muito e fica uma poça bem diante do portão. Como tenho que sair, o jeito é pular a cerca. Meus argumentos não o estavam convencendo. Chegou um momento que começou a segurar o pau, dada a fúria que partiu para cima de mim. Não tive outro jeito, a não ser, segurar o pau.Segurei, com cuidado, estava firme, não tinha como escapar.Chico não parava de se movimentar.Estava agitado.
Que idéia do Peru, esta, em achar que eu fico de cruzamento com outras raças; arrastando as asas para o primeiro que aparece em minha frente. De onde você tirou esta idéia? Reclamei!
(continua)

sábado, abril 01, 2006

O Recado.





















Clóvis Irigaray : "Madona Indígena" - Importante e polêmico artista matogrossense e parte integrante do panorama das artes plásticas de seu estado. Artista de renome nacional e representante de uma linguagem artistica muito interessante e com caracteristícas bem singulares da arte de Mato Grosso, que está em permanente exposição. Autor de uma série intitulada Xinguana, tendo o indio e aculturação como temas eleitos em sua arte.
(Fonte de Consulta: Diário de Cuiabá, Pellegrim Galeria de Arte
/Chapada dos Guimarães, Maxpress net, Gazeta Digital e Acubá).
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Olá!
Dia de sol, aqui em Copa. Hoje é dia de festa, parabenizo minha afilhada Melina Chaves, faz mais um aninho, na verdade, são: duas décadas e trinta e seis meses, que vai ser comemorado com músicas da Xuxa e da Turma do Balão Mágico, além de tortas e guaranás. Melina, não vai ser desta vez, que o padrinho vai lhe presentear com a Bárbie, mas com certeza, será no próximo...
Uma grande noticia, foi a revelação de que Marilene e eu, seremos novamente avós. O segundo, que também será o primeiro (seja Menina ou Menino) seja bem-vindo. Eu e Marilene, estamos com largos sorrisos. A nossa certeza, mais certa, diria cientifica, é que manterá a tradição da familia, será um torcedor do Vasco da Gama.

A confiar pelos sonhos de Marilene, será uma linda menina, é verdade, Marilene, desde de novembro que sonha com Carla, grávida de uma menina.
A nossa torcida, é de que será uma criança: tão linda, tão serelepe, tão inteligente, tão arteira, tão geniosa, tão adorável, tão divertida, tão amiga, quanto o irmão Ramom.

Os vários pombinhos, que ficam na Atlântida, nas imediações do Posto 3, ficaram preocupados, depois de nosso aviso, pois sofrem com a perseguição implacável e frustrada de Ramom ao tentar alcançá-los, imaginaram como seria com o novo refôrço, apavorados decidiram, assim que o parceiro chegar na área, a debandada vai ser geral. Asas, pra que te quero!
Aos pais, os nossos agradecimentos por uma das mais importantes noticias que recebemos, que sem dúvida, é geradora de nossa felicidade.
Aos amigos leitores e blogueiros, os meus agradecimentos pelas visitas e os comentários.
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Mariana estava distraída cochilando, quando foi interrompida por um zumbido de besouro em seu ouvido. Levantou-se rápido, a tempo de pronunciar em voz alta: - Credo!!! Vai para quem te mandou. Diga que não me achou.; eu te arrenego, cruz credo! Levantou e foi passar uma água no rosto. Desde daquela manhã de terça-feira do mês de setembro, que estava dormindo muito mal. Tivera uma discussão com o seu antigo amor, algumas ameaças foram feitas. Um clima nada ameno estava predominando naquele ambiente.
Após, mais uma briga resolveu romper, desta vez, em definitivo com o seu antigo amor. Tudo por causa, do antigo amor dele, que não lhe dava mais sossego. Vivia pertubando, telefonando para conversar sobre o filho, que ora estava mal na escola com as notas baixas, ora estava com febre. Sempre havia um motivo para estar em contato com Zé Carlos. Não aguento mais, confessou certa vez...este papo de ex-mulher. Que saco! À partir dali, não conseguia ficar pensando em outra coisa, senão, na paixão que chegara ao fim. Mariana tinha tomado uma decisão. Estava convicta de que era a melhor. Haveria de buscar uma saída e encontrou.

Em uma conversa ao telefone com Sérgio, seu irmão, lá pelas tantas, citou Mae West: “Quando sou boa, sou ótima. Quando sou má, sou melhor ainda”. Na conversa, deixou transparecer que a relação chegara ao final, caberia a ela, depois de sua decisão, apenas cobrir com uma pá de cal.Disse para Sérgio, que não haveria choro nem vela. Sérgio acostumado, não se importou muito com as queixas da irmã, era um bom ouvinte.
Passados mais de um mês, Zé Carlos, ainda ressurgia das cinzas, para transitar em seus sonhos e nas noites mal dormidas, as insônias, que tanto se queixava para Edinalva, sua amiga psicóloga. Nestas ocasiões, por puro ataques de ciúmes, retirava todas as fotos de seu amor, que havia colocado no painel de cortiça, e guardava, escondidas no fundo de sua gaveta. Prometendo, que ali, deixaria para sempre. Bastava um telefonema de seu amor, para esquecer as promessas feitas ao santo de sua devoção; era assim que o seu relacionamento se prolongava com Zé Carlos. Entre queixas e beijos. Bastava um telefonema, um jantar a luz de velas e flores, para a felicidade aparecer de modo reluzente.

Após, mais uma noite sem dormir , por sentir-se muito só e abandonada, resolveu enviar uma mensagem instantânea para sua antiga amiga e confidente Edinalva. Ficou bastante irritada, ao acessar a internet e não havia conexão. Logo no momento, em que ela mais precisava. Precisava de distração, de uma conversa amiga, um bate-papo em um messenger, uma visita em um blog. Precisava de estar conectada.
Sem sono, não teve outro jeito, pegou o romance de Rita Ferro, que havia comprado em uma feira de livros. Por volta de uma hora da manhã, o telefone toca insistente, ao atender o chamado, percebe que foi desligado. Só pode ser ela, aquela vaca, que parece ter nascido para tirar o meu sono.
Mariana acordada, com idéias estranhas que tomavam maior parte de seu tempo. Precisava entrar em contato com Edinalva, no entanto, apenas a secretária eletrônica funcionava. O sol batia na janela, fechou a cortina, acendeu um cigarro. Desceu rápido, com pressa e sem tempo para mudar de roupa, saiu com a mesma. De bermudas e blusa azul marinho.
Mariana pensou e achou melhor fazer uma visita, em um bairro vizinho, entrou no prédio de número 65, daquela rua sem saída, cumprimentou o porteiro e foi ao sexto andar , no apartamento 602, tocou a campaínha. Uma senhora de óculos e de lenço na cabeça abriu à porta, espantada, convidou-a para entrar. Não precisou, ali mesmo, deixara o seu recado.
Zé Carlos, não conseguiu falar com Mariana, o celular estava desligado, em casa, não atendia.No entanto, gostaria de dizer o que aconteceu com Silvia: Silvia, foi encontrada pelo seu único filho e levada para a emergência do hospital...tinha sido o recado deixado por Zé Carlos e ouvido, por Sérgio no dia seguinte.

quinta-feira, março 23, 2006

QUITANDA // ANO 1

Vitória Basaia : ( Vitória Ligia Viana Basaia de Carvalho) - Ao passear pela web, encontrei com a pintura desta interessante e premiada artista , nascida no Rio de Janeiro, em 1951. Reside em Cuiabá. (Fonte de Consulta : Galeria de Arte Pellegrim/Chapada dos Guimarães, Arte Popular de Mato Grosso, Jornal Rosa Choque, Guia Gay Brasil, Portal do Estado de Mato Grosso) Ao levantar os dados biográficos, a encontrei, como uma artista identificada com a chamada Arte Incomum, detentora de múltiplas técnicas e com a presença de uma linguagem simbólica expressa pelo erotismo. Uma mulher dinâmica, assumiu como conselheira no Conselho de Cultura de Várzea Grande. Escreveu um livro sobre suas técnicas e pesquisa em arte-educação. Desenvolve projetos em reciclagem do lixo, junto a crianças e trabalhadores de rua. Casada com Júlio César de Carvalho, mãe e avó. Vitória é bem atuante em Mato Grosso, uma grande incentivadora das artes. Importante destacar, é uma artista autodidata. Participou de um projeto, convidada pelo o escritor Ricardo Guilherme Dicke.
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Parabéns pra você, nesta data querida...
Penso que, apenas, um simples registro deste momento se faz necessário. Para se compreender como a idéia de blog foi se firmando, amadurecendo junto com o meu desejo de escrever, que não deixo de associar com as minhas limitações de diversas ordens. Na verdade, eu sempre arrumava um jeito de protelar a feitura deste espaço, pois imaginava que assumiria uma feição muito pessoal e com derivações intimistas.Resolvi traduzir e interpretar esta realidade. O resultado foi uma busca no baú, para recolher, catar reminiscências.
Pensei e repensei no decorrer do tempo, que o blog teria de ser assim,como ele é hoje, com a colaração de meu universo, conduzido por uma temática plural, que giraria, à partir de minhas narrativas, combinadas com experiência de vida, através de uma leitura, de um olhar para o meu diário existencial, não importando muito, qual o registro narrativo que predominaria para apresentar ao distinto público. Uma tentativa de se produzir uma escrita diária foi o solo por onde transitei por maior tempo, com o passar dos dias, por motivos diversos, encurtei a minha presença na Quitanda, mas preservei as visitas em blogs e sites.
Uma decisão tomada de imediato, foi abandonar uma postura interpretativa de cunho sociológico, para lidar com uma produção literária veiculadas aos meus textos. Deste modo, fui dando um rosto para o blog. Optei pela cor azul como predominante. pois, é uma cor de meu agrado.
No começo, relutei por bastante tempo, tratei de ler diversos blogs., me debrucei em um interesse maior, nos blogs oriundos da área de comunicação, especialmente, o jornalismo. Foram os primeiros passos dados no sentido de desvendar a blogosfera. Para mim, de imediato, seria um exercicio diário, que começaria a executar de modo que, eu adquirisse uma maior intimidade com os mecanismos da composição de um blog. Não dispunha de vários recursos, no entanto, lancei ao desafio e aos poucos fui obtendo uma satisfação com este convívio, como leitor, visitante e aprendiz.
Tudo mudou com o nascimento de meu neto Ramom, em julho de 2004, sua presença faceira, serelepe, com ares de travesso, diga-se de passagem, foi o maior responsável, pela existência deste espaço. Criou as condições que empurram a minha decisão, de me transformar em blogueiro.Me identifico assim: Sou um blogueiro. Assumi um compromisso comigo e com os eventuais leitores deste espaço, no entanto, inspiração, vontade de escrever, surgem e desaparecem em questão de segundos.A tela ou o papel em branco, diante de mim, é uma dura e triste realidade. Declaro que, nem sempre, este relacionamento, é harmonioso, às vezes, desejava que nem tivesse começado. Esta vontade surge à tona, quando escasseavam idéias e a preguiça assumia integralmente minha conduta. Confesso que resisti e ainda resisto, armado muitas vezes, com a colaboração e o apoio de Marilene, pessoa fundamental deste processo criativo, vou removendo obstáculos e tocando pra frente o blog.
Ainda estou, em um lento processo de aprendizagem, tropeço, caio, levanto e prossigo na caminhada, árdua caminhada rumo ao meu intento. Estar aqui, é sempre, vivenciar uma nova experiência a cada dia.
É muito estimulante ler os amigos blogueiros, receber de braços abertos, novos visitantes e leitores. Criei o espaço, também, com este propósito, conhecer pessoas, conversar e de alguma forma interagir com o mundo blogueiro. Estava diante de uma nova linguagem. Um novo mundo se abriu, timidamente, comecei a viajar pelas ondas da web, atracando no blogger.com, este foi o meu norte.
Confesso que sou mais leitor do que escritor, no entanto, esta condição não impediu que eu fizesse esta experiência, tomando como fio condutor, de alguma forma a minha trajetória de vida. Foi o ponto de partida.Criado o espaço, pensei em vários títulos, o que prevaleceu foi Quitanda do Chaves.
Preferi ficar no âmbito doméstico e elegendo assuntos que estiveram ligados ao meu olhar, aos meus gostos e manias, enfim, ao meu universo de um sujeito da classe média e morador da cidade do Rio de Janeiro, com vivência nos bairros de São Cristóvão, Tijuca, Botafogo e Copacabana.
Ao falar de mim, desdobrei assuntos de interesse imediato, a presença do livro em minha formação e profissionalização.Anos 60, 70 e os seguintes, serão sempre abordados, como um dever de casa, sempre que possível será inserido em post da Quitanda.
Minha atuação no mundo do livro se faz presente no interior da Quitanda, aparecendo como livreiro, divulgador, vendedor pracista, distribuidor e editor.
O mundo das artes plásticas brasileira, é um item obrigatório neste espaço, com interesse básico de divulgar o artista, que estão submetidos sempre ao meu critério subjetivo de beleza e qualidade. Todos para mim, ocupam um lugar privilegiado no panorama das artes, daí a exposição nos corredores da Galeria da Quitanda. Admiro todos os artistas que passaram neste espaço, merecedores dos mais entusiasmados aplausos.
Quero registrar para as fontes consultadas,sempre creditadas, o meu muitissimo obrigado. Recomendo fazer uma visita aos diversos blogs e sites de artistas brasileiros, sempre vale a pena conhecer de perto.
Sou muito grato aos visitantes e amigos blogueiros, as quais, recomendo a visita e a leitura. Acho mesmo que são indispensáveis, interessantes e obrigatórios os seus espaços. Pensando melhor, acho, que é um dos caminhos para entender a nossa realidade e o brasileiro.

terça-feira, março 14, 2006

Papo de 5 ª


Adir Sodré: Nasceu em Rondonópolis, Mato Grosso, em 1962. Em 1977, freqüenta o Atelier Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso. (Fonte de Consulta: Itaú Cultural, Diário de Cuiabá) Pinta nos anos 70, o cotidiano dos bairros populares de seu estado. Revela uma admiração por Henri Matisse. Utiliza temas sociais com humor, emprega cores e elementos de teor erótico. Presentes em obras como: "Falo e Flores", 1986 e "Orgia das Flores", 1987. Adir ocupa um espaço relevante nas artes plásticas do Centro-Oeste, está sempre em exposição. É um artista muito atuante Posted by Picasa

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Olá!
Desde que Marilene ficou aposentada, que à partir do mês de fevereiro, resolvemos caminhar pela areia da praia de Copacabana. Virou nossa rotina, que apenas alteramos no sentido da caminhada, ora, em direção ao Leme, ora, em direção ao Posto 6. Ficamos fixados no Posto 3, às sextas-feiras, que é o dia da visita de Ramom. Vamos os 3, à praia.

O cenário praieiro é deslumbrante, o barulho incessante das ondas, os pescadores com os seus barcos no Posto 6. Alguns nadadores estão presentes nesta paisagem. No céu, gaivotas em círculos se fazem notar.
Andar pela praia oferece oportunidade de encontrar com pessoas que se aproximam do mar, vestidos. Acredito que muitos sejam estrangeiros ou excursionistas. Nos finais de semana, a orla fica lotada de ônibus, principalmente no Leme; quando caminhava pelo calçadão, eu flagrava mais estes momentos. Percebia o estado de felicidade, de alegria, no contato com o mar. Acho que o mar exerce esta atração, os conduz até ele e os seduz. Claro! Acho que produz medo, espanto, sorriso e contentamento. Há momentos em que o mar está bastante revolto, as ondas crescem de tamanho, invade os espaços da areia e a transforma.
Na Pedra do Leme, o Caminho do Pescador, no inicio da praia, uma visão parcial do local, pode ser apreciado no excelente blog Avenida Copacabana, de Jôka, com uma visão sensível e bem humorada de um artista plástico que é na verdade, uma das melhores vias de se conhecer o famoso bairro da zona sul.
No inicio da semana, ao andarmos pela areia, passamos por um turista, de bermuda, junto ao mar e com uma câmera fotográfica. No sentido contrário, três rapazes que pararam próximo ao turista e ficaram tecendo comentários entre si, desconfiamos que estavam escolhendo quem iria abordar o incauto turista. Fica muito difícil neste horário a presença de policiais. Nós ficamos na nossa, ignoramos, resolvemos não arriscar. Como avisar para um turista que ele seria provavelmente assaltado? Pensamos, se fizermos algum sinal, estaríamos facilitando uma possível represália dos rapazes ou um encontro na próxima caminhada que fizéssemos.
Em minhas caminhadas que fazia com mais intensidade pelo calçadão, é raro a presença de policiais, já presenciei diversas pessoas serem assaltadas, muitos idosos e turistas. Ha´uma área perto do Hotel Othon e da discoteca Help, que eu considero extremamente perigosa.
Hoje ao voltarmos para casa, ao atravessar a faixa da areia, encontro uma "sereia", sentada muito tranqüila com os seios à mostra. Olhei de novo para os seios da moça, apenas para confirmar, não ser uma ilusão de ótica; não, não era. Perguntei para Marilene, se ela estava vendo o que eu vi. Confirmou, estava. Esta situação, não é atipica na praia, em alguns espaços, há mulheres e travestis desnudos. Acho a praia um bom observatório para os comportamentos sociais, para a moda, e a divisão de alguns territórios assumidos por determinados grupos. Minha amiga Laura, do famososo e conhecido Caminhar, também tem todo um olhar diferenciado para o bairro de Ipanema, onde atuou como psicanalista, moradora, ou melhor uma tipica garota de Ipanema. Cresceu no bairro, ela com certeza, é uma fonte de consulta para entender Ipanema. Para uma leitura sobre a cidade do Rio de Janeiro, um olhar sobre o ontem, o hoje e o amanhã, o mais indicado e recomendado é do meu amigo blogueiro Ivo, em seu badalado e um dos mais consultados para se conhecer a cidade maravilhosa. Há sempre textos interessantes em destaque, um click obrigatório em Literatura & Rio de Janeiro.
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O novo jornal O Dia, que seria lançado no próximo domingo, dia 19, foi transferido para abril, segundo informações do jornalista Milton Coelho da Graça Contrataram alguns jornalistas entre eles: Luis Nassif, Danusa Leão, Marcelo Rubéns Paiva, Ricardo Noblat e Ricardo Boechat. Circula pelo mesmo site, que o jornal O Globo prepara um novo projeto de jornal. Lembro que recentemente um jornal, lançado por uma das herdeiras de O Dia, fracassou, em menos de dois meses o jornal Q. Fizeram grande "espuma" no metrô, circulavam vendedores, a proposta de edição vespertina e preço popular. Particularmente, acho a idéia de vespertino, superada, foi boa nos anos 60. Hoje com a internet e os canais a cabo, são grandes concorrentes para inibir inciativas deste tipo.
O jornal Meia Hora, lançado por outra filha de Ari Carvalho, o resultado foi bem melhor, parece ter alcançado o objetivo, que era dividir um pouco os leitores de Extra. Torço para que jornais apareçam nas bancas, que abra espaço para jornalistas, crie e forme leitores.
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Meus Caros Amigos leitores e blogueiros, agradeço muito pela presença e os comentários feitos no blog.

Cais

Darlan Rosa : Artista multimídia mineiro, nascido em Coromandel, em 1947. (Fonte de Consulta: O Caixote, Guia de Brasilia) Participou de várias exposições em nosso país e figura como destaque em exposições internacionais, como: Itália e Unicef. Criador do personagem animado Zé Gotinha. Produziu para a televisão. o programa "Carrossel", na TV Brasília. Exerceu a atividade de professor no CEUB e UNB. Criador de selos comemorativos para a Empresa Brasileira de Correios. Sua obra é referência no panorama das artes brasileira. Mantém uma interessante página na internet. Para visitar click aqui
Darlan pode ser considerado como um dos grandes expoentes no que há de melhor na arte brasiliense. Importante lembrar que foi ilustrador em vários livros infantis. Mora em Brasília, desde 1967.
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Olá!
Redescobrindo a caminhada pela areia da praia de Copacabana. Juntos, eu e Marilene, estamos diariamente, nos exercitando. A minha barriga parecia estar em estado de gestação, um pequeno relaxamento, promoveu esta ligeira protuberância. Chopps e derivados da cana, mantenho à léguas de distância. Precisava de tomar uma atitude radical. Claro, que associo as generosas fatias de pães que ávidamente consumia, como um grande fator para obtenção de uns quilinhos a mais.Tive de dar um basta nesta compulsão. E de imediato resolvi desativar o meu estado de sedentarismo, que insistia em tomar conta e nortear o meu comportamento. Havia reduzido em muito minhas caminhadas, que sempre foram restritas ao calçadão. Não posso e não devo continuar assim, a minha decisão foi muito estimulada por Marilene. O resultado foi muito bom, ao ir caminhar, Marilene, decidiu fazer o mesmo.
Domingo passado, Ramom foi ao Teatro Princesa Isabel, para assistir Pocahontas, foi levado pela minha afilhada, comportou-se de maneira exemplar. Quando chegou em casa, falamos em um personagem que ele adorou, que foi a Formiga Fofoqueira, logo chamada por ele de Quequeira. Foi muito hilário o seu comportamento, pulava, corria, expressava uma felicidade, um contentamento e identificado um personagem da peça que era a formiga de bunda grande.
Deixo pendurado no varal da Quitanda, um texto escrito recentemente, espero que gostem.
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Ali, em pé, diante do cais, em silêncio, ouvindo apenas a voz da minha inabalável solidão. Iluminado pelo clarão da lua. Abracei a noite. Ancorado em meus sonhos secretos, viajei em um mar infinito de desejos solenes. O vento gélido agasalhava o meu corpo. O mar agitado reclamava de minha presença, fazendo onda. Sou navegante solitário em busca da felicidade perdida. Sei que é um tesouro e encontra-se nas profundezas do mar. Aproveito, mergulho e nada encontro. A noite anoitece. Sou náufrago.

sábado, março 11, 2006

A Espera

Nelson Vaqueiro : Artista autodidata. Não consegui muitas informações sobre o artista.Uma que consegui saber, ele foi expositor na Praça da Republica, em São Paulo. Assim, que eu coletar mais informações, vou inserir neste espaço. (Fonte de Consulta: GinaGallery )







Olá!
Hoje não pude dar minha habitual caminhada pelas areias da praia de Copacabana, na companhia de Marilene. Dia de chuva, nesta manhã de sábado, tivemos que adiar. Vou aproveitar e atualizar minhas leituras. Comprei em um sebo, bem barato, o livro O caso da ChácaraChão, do escritor paranaense Domingos Pellegrini, publicado pela Record. Na segunda-feira, pretendo acompanhar a nova novela Cidadão Brasileiro, escrita por Lauro César Muniz.
No dia 19 de março, está previsto para apresentação do novo O Dia, com contratação de novos jornalistas e mudança no visual. Torço pelo sucesso de O Dia, que vai incomodar O Globo e afundar, imagino o decadente Jornal do Brasil, que de uns tempos para cá, assumiu obstinadamente, a vontade de não possuir mais leitores. Recentemente o grupo do JB, resolveu passar adiante a Rádio Cidade, entregando para a OI.

Desejo para os amigos leitores e visitantes blogueiros, um ótimo dia. Quando voltei da rua, o sol, surgia timidamente. iluminando os espaços e corredores da Quitanda. Agradeço pelos comentários feitos no blog. Deixei um pequeno texto colado no mural.
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A noite debruçava diante de minha janela. Uma noite de chuva. Estou só, diante do espelho, enquanto, aguardo a visita de Alice. Alice não mora mais aqui. Espero por sua visita, todas as noites. Ainda é cedo, assito tv em silêncio. Na parede um retrato de Alice, contemplo. Está sempre conservado. Sua beleza é eterna. Pensei que minha felicidade, também, fosse.
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terça-feira, março 07, 2006

De Volta ao Passado - Parte Dois

Carolina Migoto da Silva : "Festa do Divino"/ Acrilico s/ tela - Reconhecida como uma das criativas pintoras do Vale da Paraíba. Nasceu no ano de 1934, em Tremembé, São Paulo. Artista autodidata por diversas vezes premiada. Sua obra faz parte de diversos acervos de instituições culturais, como o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba. Sua presença se faz notar, na exposição naïf no SESC/SP. É também escultora de arte sacra em madeira. Iniciou à pintura em 1977. Reside em Taubaté.

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Olá! Realmente, ando um pouco sumido do blog, o que me leva a reduzir bastante a produção de novos posts. Tenho feito visitas aos amigos blogueiros com menor intensidade, é verdade, no entanto, não deixo de fazer; procuro estar em dia com a minha rotina. Depois que Marilene aposentou, resolvemos caminhar pela praia na parte da manhã, tem sido muito bom, tocar os pés na areia e ser banhado pelas ondas. Ramom, faz parte desta nova realidade, às sextas, chega bem cedo para ir à praia. Diversão pura. Para ele, tudo é novidade, desde, as ondas, o mar, os barcos, navios, gaivotas, areia e brinquedos. Mexer na areia, olhar as marcas de pés na areia e depois desaparecer, fica intrigado. Molhar as mãos, o corpo. Tudo está sendo incorporado ao seu cotidiano. Quero deixar registrado um abraço bem apertado aos visitantes e amigos blogueiros e os sinceros agradecimentos pelas visitas e os comentários feitos. O texto que segue, é parte integrante da atual fase de registro de minha história de vida, entendidos como fragmentos da memória. Abordo com uma visão particular o período da história social e cultural do país em que sou parte coadjuvante e um observador vestido com as roupagens das ciências sociais. Não importo que seja juntando os trapos encontrados pelos anos vividos, ou mesmo colando os cacos, é assim, que eu entendo a minha história. Sob este prisma, vou recompondo de alguma forma a minha inserção no mundo. Falo sobre a história do rádio, do futebol, da literatura, do mercado editorial, da classe média tijucana, da zona norte e da zona sul. Quero antecipar minhas desculpas ao eventual leitor, mas pretendo dar prosseguimento a estas narrativas.

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Sou um declarado ouvinte de rádio, comecei muito cedo, ainda criança, ao ouvir os programas esportivos nas vozes de Oduvaldo Cozzi, Ruy Porto, José Maria Scassa, Valdir Amaral, Jorge Curi, Orlando Baptista, uma turma de primeira com passagens pelo rádio e pela televisão.Transformei-me, deste modo, em torcedor e ouvinte. Passado algum tempo, na fase de adolescente incrementei o gosto pelo rádio.O meu novo status, foi conferido ao ganhar um rádio portátil, um rádio movido a pilha e ao meu entusiasmo de adolescente.
Solidifiquei deste modo, a minha condição de ouvinte, através das músicas tocadas nas rádios. Posteriormente, nos Lps, ou compactos simples ou duplo, que comprava ao ir à Mesbla ou na Garçom da Praça Saens Peña.Ouvia qualquer estação, bastava ser de meu agrado; com o tempo fui mudando, passando a me identificar com as músicas e o radialista. Ouvi durante um tempo, a Rádio Tamoio, que pertencia aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, vendida mais tarde ao grupo da familia de Jereissati, a cearense Verdes Mares, que repassou para uma igreja pentecostal. A Tamoio foi uma emissora totalmente musical. Hoje vive da pregação dos pastores.
Interessante notar, com a alegada decadência das AMs, os grupos religiosos, invadiram as diversas estações. Os politicos são contemplados com a outorga das emissoras de rádios, mas é papo para uma outra oportunidade, o certo, é que nosso país é pródigo em atender pedidos de parlamentares. Ouvia pouco, é verdade, a Rádio Imprensa, de Anna Khouri, uma emissora FM, a primeira no Rio de Janeiro, achava muito simpática a programação, hoje, está extinta, virou Jovem Pan Rio. Neste panorama das ondas dos rádios, a rádio Eldorado que pertenceu a família Khouri, acabou nas mãos da família Marinho.
Houve um momento em que o hit-parade estava presente nas rádios AMs, passei a ser ouvinte de programas como: "Músicas na Passarela", conduzido por Humberto Reis, "Peça Bis pelo Telefone", da Rádio Mayrink Veiga, com Jair de Taumaturgo e os programas: “Alô Brotos” e “Hoje é Dia de Rock”. Nesta fase de efervescência dos grupos de rock, do movimento da Jovem Guarda; surgiram boatos sobre o envolvimento de radialistas e músicos com um nebuloso caso de corrupção de menores, que veio a resvalar em um conjunto famoso, de tocar nas rádios, obdecendo ordens do Juiz de Menores. Lembro, que um prédio da rua em que eu morava na Tijuca, foi apontado na época, a existência de um morador envolvido.O resto depois, foi silêncio.
Muito irritante é o momento da Hora do Brasil, uma xaropada com o timbre oficial, que desde 1938, é transmitido em cadeia nacional e que perpetuou nas ondas do rádio.Uma das grandes mudanças, realizadas nas rádios AMs, aconteceu na Rádio Mundial, através de seu revolucionário disck-jóckei Big Boy, um ex-professor de Geografia, lecionava no Aplicação/UERJ, de nome Newton Duarte, paulista de nascimento, foi o precursor de todo um agito na maneira de apresentar um programa de rádio, dirigido aos jovens. Na parte da tarde e aos sábados, ele era o expoente máximo, a audiência crescia, tomava conta dos lares da classe média tijucana, em que eu fazia parte. Claro que atingia a rapaziada da zona sul e outros bairros do Rio de Janeiro.Passei a gostar do homem que amava os Beatles e a música. “No ar Big Boy show “, “Aqui quem fala é Big Boy, é show musical”.Usava a sonoplastia, sob a batuta de Dr Silvana, mais a participação do poeta e jornalista Reinaldo Jardim. A criação do Baile da Pesada , junto com Ademir Lemos. Big Boy, teve uma passagem rápida pela Tamoio e foi através de Humberto Reis, que foi levado para a Mundial. Roberto Marinho,compra a rádio de Alziro Zahrur, que se encontrava em dificuldades.
Big Boy contribuiu para a mudança da linguagem radiofônica. Tinha uma característica, falava muito rápido. Assume assinando a programação da rádio Eldorado (Eldopop), do Sistema Globo de Rádio.Big Boy é sucesso e atinge o reconhecimento internacional e nacional.O papel do disck-jockey assume importância capital na música tocada nos rádios.
”Hello crazy people, Big Boy pela Mundial, é show musical”. Eu era fã dele, não perdia um só programa. Apresentava um outro programa, que era “Ritmos de Boate”. Aos sábados apresentava o programa de imenso sucesso, que divulgava muitas vezes em primeira mão as músicas do conjunto inglês The Beatles, o programa "Cavern Club".Um ataque cardíaco em 07 de março de 1977, silencia o grande radialista, disck-jockey e precursor de várias e interessantes manifestações do rock e do soul, divulgado nos subúrbios. Morre bem jovem, aos 32 anos, deixando na ocasião um filho bem pequeno, de nome Leandro Duarte. Foi um divulgador da música, principalmente, dos Estados Unidos.
Big Boy, tinha um grande acervo e um imenso conhecimento dos movimentos musicais, teve contato com os Beatles e diversos conjuntos. Percebeu o grande filão da música que atingiu diversas gerações. Há um curta patrocinado pela Petrobras em homenagem a Big Boy e a música "Baile da Pesada", cantada por Fernanda Abreu.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

De Volta ao Passado - Parte Um

Aparecida Azedo - Pintora autodidata, nascida no ano de 1929, no interior de São Paulo, na cidade de Brodowski, a mesma em que nasceu Portinari. Desde cedo foi filiada ao Partido Comunista (PCB). Em 1950, veio morar no Rio de Janeiro e começou a freqüentar a residência de Graciliano Ramos. Foi aluna de Ivan Serpa, casou com o jornalista Raul Azedo. Criou seis filhos. Esteve por diversas vezes presa Sua primeira exposição foi realizada em 1973. A autora está em exposição permanente do Museu Internacional de Arte Naïf (MIAN). O historiador Ivan Alves Filho, editou uma obra biográfica em sua homenagem. Zelito Viana dirigiu Uma Vida em 24 Quadros, documentário baseado no livro de Ivan, intitulado A Pintura como conto de fadas, editado pela Fundação Astrogildo Pereira, em 2003. Participa de exposição no Museu Nacional de Belas Artes. Homenageia os centenários de Drummond e de Portinari.(Fonte: Gramsci e o Brasil, AOL Páginas Pessoais/Aparecida Azedo, PPS, Educarede)
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Antes de cair na folia, deixo o texto pregado no mural da Quitanda. Desejo uma ótima semana para vocês.
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De volta ao passado. Através dos tempos vou recolhendo os fragmentos para a compreensão de minha trajetória.Dou uma parada no tempo, pego o retrovisor para desvendar minha inserção em um dado momento da história, de minha história de vida. O que me levou a esta fase, foi a notícia recente que li na web, informando sobre o fim da Rádio Cidade FM do Rio de Janeiro, que foi adquirida pela empresa de telefonia Oi. A Rádio Cidade, a partir da primeira semana de março, passa a ser denominada Oi FM, uma emissora que opera em seis cidades brasileiras. Ontem, no céu de Copacabana, na praia, diversos banhistas ficaram entretidos com a logomarca da Oi, feito por fumaça e dissipada em seguida.A empresa estava muito preocupada para ocupar o espaço em nossa cidade, por fim, conseguiram.
Decepção! Não foi maior por ter sido uma decisão dos atuais donos do Jornal do Brasil, não esperava outra coisa, uma vez que há boatos que a Rádio JB, pode ser adquirida pelo Sistema Globo de Rádio. Aliás, o grupo Jornal do Brasil tem a vocação de destruir as rádios de seu sistema. Criou a rádio 105 FM para disputar espaços com a 98 FM, do Sistema Globo de Rádio. A Rádio Manchete das empresas Bloch, é criada e acirra a disputa pela audiência.Algum tempo depois, a Manchete, entra em crise, arrendam para o empresário e apresentador Jair Marchesini. Lembro que a Manchete passou por uma fase com a bandeira do Flamengo, assumindo uma face rubro-negra em sua programação. Não deu certo, nem poderia, uma rádio de um único time.
Pelo visto, audiência incomodava muito os antigos donos da rádio que se dizia rockeira. A grave crise na empresa jornalística empurrou as decisões de implodir como fez com o JB (Jornal), detonando a rádio. O JB perseguiu e conseguiu com sucesso despencar em vendas, foi passado pelo Extra e O Dia. As rádios não poderiam conseguir destino diferente.
Acabou na década de 90 com a Rádio Opus 90 FM, dirigida pela jornalista Heloísa Fischer, com predominância de música clássica. Heloísa, mantém o portal Viva Música! A rádio ficou por pouco tempo no ar, foi passada adiante para uma outra rádio.A Rádio 105 de sucessos populares, foi vendida anos mais tarde para um deputado e depois para a Igreja Universal do Reino de Deus, passando a denominar como Rede Aleluia – A rede da família - composta atualmente por 56 emissoras.
O Ano de 77, criou um vínculo maior comigo, em um primeiro momento, por ter sido o ano que o meu primeiro e único filho nasceu. No dia de seu nascimento, Marilene sofreu um abalo no trabalho de parto, ficou inconsciente por mais de 10 dias. Foi um período de apreensão, de angústia no desenvolvimento daquele quadro. Ficou sob os cuidados de neurologistas e recuperada lentamente. Sairam juntos da maternidade. Meu filho não pode ser amamentado pela mãe, foi tratado à base de leite Nanon. Nasceu no mês de maio, o mesmo do surgimento da Rádio Cidade, uma invenção de Carlos DunsheeTownsend, sobrinho da Condessa Pereira Carneiro.
Há muito tempo, que a Cidade vinha perdendo suas características. Fui ouvinte da primeira fase da rádio, de 77 a 81.Uma interessante experiência que balançou com a mesmice dos rádios na cidade do Rio de Janeiro.Curti muito as criativas vinhetas.Um bom e seleto grupo de locutores, entre os quais destaco o querido Fernando Mansur ( atualmente apresenta os programas Palco MPB e Revista MPB, na Rádio MPB, que em 2005 foi adquirida pela Bandeirantes), mais Eládio Sandoval, Jaguar, Monika Venerabile, Romilson Luis, Ivan Romero e outros.
Falar sobre rádios, para mim, é uma volta ao passado.De minha formação de ouvinte, na escuta das rádios Mundial, Mayrink Veiga, da Tamoio, Continental, Mauá, do Jornal do Brasil.e muitas outras. O rádio é meu companheiro constante, o levo para qualquer lugar.Tive diversos aparelhos, desde o Philco Super Transglobe até o rádio Spica. Volto ao assunto no próximo post.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Sussurro

Luca de Castro - "Azulianas". Artista nascido no Rio de Janeiro, em 1949. O pintor participa da Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa. Luca de Castro, é um artista muito talentoso e ganhador de diversos prêmios em nosso país e no exterior. Nos anos 90, morou na Alemanha, na cidade de Freiburg. Professor da Univercidade, em curso de cinema e tv na formação de atores. Dirigiu recentemente a peça Teatro do Nada, no Hipódromo Up, contando com a presença de sua filha, a atriz Carol Castro, Luis Salem, Alice Borges e muitos outros artistas.Participou também como ator da peça Terror no Baixo Gávea.(Fonte de Consulta na Web: Chave Mestra, Cultura Hoje, Univercidade, O Fuxico)
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Olá!
No final de semana, o bairro onde moro, esteve muito agitado pelo mega evento realizado na praia. O grupo de rock, ou melhor, o lendário Rolling Stones, cantaram para uma imensa multidão. Antes de começar o show, caminhamos (Eu e Marilene) pela Avenida Atlântica e observamos; o comércio informal, se alastrava, ocupando qualquer espaço da via pública, com uma imensa pluralidade de mercadorias. O fluxo de pessoas em direção à praia, era constante. Havia momentos em que a calçada, onde transitávamos, ficava congestionada, tal o número de pessoas que passavam.
Não fomos assistir ao show. Nos anos 60, eu era um garoto que amava os Beatles e não os Rolling Stones. Claro, que ouvia e gostava de alguns hits. Fomos até ao local do show, com Ramom no dia anterior, apenas pela parte da mahã, para dar uma olhada e não passamos disto.
A imprensa televisiva estava presente, esbarramos em fotógrafos e repórteres. Na parte da tarde, Ramom, ficou com Marilene no calçadão; não é que ele achou uma pequena garrafa vazia de água mineral e começou a chutar, não estava nem aí para quem estava passando...estava dando um show, para sua avó, que afirmou com toda convicção, de que foi um espetáculo, sujeito à risadas e gritos.
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Aproveito para desejar um ótimo incio de semana para vocês, leitores e amigos blogueiros. Coloco pendurado no varal e deixo ao sabor do vento, um texto recém saído do forno. Um grande abraço.
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Continuo a seguir os rastros dos ventos
espalhados
deixados em meu coração.

Quebro muro e recolho entulhos.
Cimento emoções baratas
surgidas no vazio.

Desenho sombras na
solitudes das horas
intermináveis.

Escrevo por linhas
transversais.
Rabisco versos nos reversos
das horas noturnas
soturnas.

Nos intervalos dos sonos
Ouço minha voz
Apenas.

Apenas
Ela
Em um monótono
sussuro que me
sufoca.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Nas Asas dos Sonhos

Elizabeth Jobim : Pintora/Desenhista/Professora Nasceu no Rio de Janeiro, em 1957.(Fonte de Consulta: Canal Contemporâneo, Itaú Cultural, RIOARTE, Museu Lasar Segall) Participa da exposição "Como vai você geração 80?", em 1984.Presente também em "Rio Hoje" e Panorama da Arte Atual Brasileira. Especialista em História da Arte pela PUC/RJ. Leciona na Escola de Artes Visuais, EAV/Parque Lage. Curso de Mestrado em Belas Artes, na School of Visual Arts de Nova York.Atua em diversas exposições coletivas e individuais.Elabora a capa de Passarim, lançado em vinil em 1987, no mesmo disco. Participou da mostra no Paço Imperial, do Museu da Chácara do Céu. Elizabeth Jobim, filha de Tom Jobim, é uma artista bem atuante, vive e trabalha no Rio de Janeiro.


Olá!
Abri as janelas da inspiração para deixar um texto produzido por mim. Vai ficar exposto no varal, secando ao sabor dos leitores e amigos, entre os quais, agradeço muito pela simpática presença e os comentários feitos.
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Andei por ruas, becos e esquinas
Atravessei avenidas iluminadas pela
escuridão.
Peguei carona nas asas dos meus sonhos tingidos
cerzidos pelas cores da esperança.

Tenho apenas um destino
sem tino.

Em silêncio
caminho apressado
ouço meus passos
soluçantes
Abro meus braços.
Corro
Em direção ao seu coração de papel.

Ali
Nas dobraduras dos meus desejos
a vontade de estar ao seu lado.
Foi guardada no fundo
da gaveta
sem fundo.



segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Fragmentos da Memória

Fernando Diniz : "Sem Título", 1954 - Artista Plástico. Nasceu em Aratu, Bahia, em 1918 - Morou por 50 anos, no Hospital Psiquiátrico Pedro II, no bairro do Engenho de Dentro. Desde de 1949, viveu internado no hospital. Morreu em 1999. Autor do filme de animação Estrela de Oito Pontas, realizado por Fernando Diniz e Marcos Magalhães, em 1979. Fernando era um artista do Museu de Imagens do Inconsciente, uma instituição criada por Nise da Silveira.
Foi observado nas leituras feitas através dos relatórios de pacientes, a presença da monitora Aparecida, que contribuiu de um modo muito especial, para que Fernando, tivesse progresso em sua capacidade de expressão artistica. Aparecida com traços orientais, foi inspiração para o surgimento de uma estética japonesa em sua obra. A partir deste relacionamento, a progressão de seus trabalhos foram criando e estabecendo contatos com o mundo real. O tema casa, se faz presente em sua produção artística. (Fonte de Consulta : Museu de Imagens do Inconsciente, Itaú Cultural, Estudos e Pesquisas em Psicologia, artigo 6, de autoria de Walter Melo).
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Há em mim, um menino escondido que aparece sempre quando meu neto surge diante de mim. Sua visita transforma-se em um encontro de idade e de felicidade. Meus passos acompanham sua alegria saltitante e vibrante. Um chamado pelo avô, é a senha de sua chegada. Grita por Vovô na portaria do prédio, desço e vou apanhá-lo. Recebo de imediato um abraço apertado, frases que não consigo entender, por mais que me esforce e olhares de curiosidade ao redor. Gosta de ver tudo que se passa. Na calçada, uma senhora acompanhada de um cachorro; Ramom o chama por Au au. O cachorro finge que não escuta e segue o seu destino.

Ramom adentra ligeiro pelo corredor lateral do prédio e vai direto sem titubear parar diante da caixa de correspondência; pego no colo , para ajudar a tirar a correspondência da caixa. Peço para apertar o botão do elevador e ganha os merecidos aplausos, por ter cumprido a sua tarefa. Fica muito satisfeito pelo elogio, sorri. Ajudo apertar o botão do elevador correspondente ao andar em que moramos, recebe em seguida, novo elogio. Saímos do elevador, como gosta de apertar a campaínha, eu faço a sua vontade e abro em seguida a porta com a chave. Vai direto para a sala e pega os patinhos de cerâmica, retira dali e leva para o quarto da bisa, colocando-os em cima da cama. É o inicio da brincadeira, depois de algum tempo, intervalo para um rápido sono para recompor as energias gastas e voltar a revigorado para mais brincadeiras e descobertas. De assimilar imagens e palavras que farão parte de seu cotidiano.

A presença encantadora de Ramom aqui em casa, faz com que eu promova diante do espelho, uma volta ao passado, a um passado que guardo na lembrança. Recrio e remendo imagens, mesmo esmaecidas de minha fase de criança. Volto ao tempo em que eu descia a ladeira da João Ricardo, rua em que eu morava em Sâo Cristóvão, bairro em que nasci. Das vêzes que ia correndo até a padaria, comprava duas bisnagas e voltava correndo. Das brincadeiras com bola de meia ou de couro, do jogo de bola de gude. Das brincadeiras de pêra, uva ou maçã com as meninas. Dos namoricos ingênuos. De pular corda, de subir no muro para chamar o amigo, da casa vizinha. De ouvir o vizinho do andar de cima, chamar por Mutter (Mãe) a todo momento. Era uma familia alemã que moravam no prédio. Não fui um garoto que soltava pipa, nem balões, não me interessava.

Morei no térreo, e no corredor que dava acesso ao apartamento, eu ficava andando de bicicleta, uma Mercswiss de cor marrom. Largava a bicicleta e passava para o carrinho de rolimã, apostando corrida ladeira abaixo. Nem sempre ganhava, haviam garotos mais habilidosos e rápidos, do que eu. Em 1956, optei por torcer pelo Vasco, cujo estádio na época, situava no mesmo bairro, hoje a área, ganhou status de bairro, passando a ser São Januário. Coloquei a cruz de malta em meu peito. Das caronas de bonde, pegando no estribo para soltar do bonde 36 Cancela, andando, antes dele parar. Gostava de pegar o bonde 53 São Januário, para subir a Rua Fonseca Telles, descer dois ou três pontos seguintes, ir ao Colégio Brasileiro e aguardar minha madrinha sair, ela era professora. Corria até ao jornaleiro no Largo da Cancela comprar o jornal Diário de Notícias ou o jornal Última Hora. Havia nesta época jornais vespertinos. Comprar jornais foi um hábito que adquiri desde a infância, fui leitor dos jornais que a minha madrinha lia, bem como mais tarde, fui leitor de O Jornal, do Correio da Manhã até a fase em que passou para a familia Alencar, do Jornal dos Sports, o cor de rosa da sua primeira página, da experiência do O Sol e que faz parte dos versos da canção Alegria, Alegria de Caetano Veloso, do Jornal do Brasil, por muitos anos, do jornal República, da Folha de São Paulo e finalmente o jornal O Globo. Ganhei de minha madrinha Dilene, livros de Monteiro Lobato e o livro Cazuza, de Viriato Correia. De comprar cadernos e livros em frente ao Instituto de Educação, na Casa Mattos, uma livraria e papelaria que se auto-proclamava como amiga número um dos estudantes. Havia o desconto de 10% por minha madrinha ser professora. Depois de muitos anos em destaque no comércio, esta papelaria, com filial em vários bairros, foi desativada por dificuldades financeiras.

Nos finais de semana, quando não visitava à Quinta da Boa Vista, que aliás, eu era vizinho; gostava de passar por baixo da roleta, a minha idade e altura, me davam garantias de gratuidade para visitar o zoológico. Era um passeio extremamente agradável, mais ainda, quando pegávamos o trenzinho ou a charrete. A bicicleta era parte integrante do passeio, ao ir para o Campo de São Cristóvão, de brincar no coreto, de colocar barquinho de papel no lago, de mais tarde, visitar o pavilhão de exposições. De meus pais, junto ou, com minha madrinha, freqüentávamos as igrejas, as missas eram faladas em latim. Morávamos próximo da Igreja de São Januário, da Santa Edwiges e um pouco distante da Igreja de São Cristóvão. De meu pai trabalhando como inspetor na parte da noite no Instituto Cyleno, na rua São Januário. Da antiga árvore plantada por D. João VI , no meio da Avenida do Exército. Do ponto de táxi no Largo da Cancela. Da numeração dos bondes, do bonde taioba e dos ônibus, nesta época, ainda circulava os lotações. De quando, eu pegava o ônibus 25 (hoje 474 Jacaré – Jardim de Alah) acompanhado de minha avó Celina, para visitar minha tia que morava no bairro do Riachuelo. Dos armazéns e quitandas. Da falta de energia. De comprar leite em garrafa, no caminhão parado na Avenida do Exécito. De ouvir rádio em um aparelho imenso que ficava na sala. Do casal de periquitos que eu e minha irmã tínhamos, o meu tinha a cor azul, que é a minha preferida, o de minha irmã, uma colaração verde e amarela. Da compra do aparelho de televisão. Lembro do nosso número de telefone, que era: 341025. Para se conseguir telefone, tinha de ficar em uma fila e era se não falha a memória, feita através de sorteio. O aparelho era de cor preta.

De arrumar a merendeira para ir ao Jardim da Infância, no Instituto de Educação na Rua Mariz e Barros, de dar lata de biscoitos ou de bombons, no dia dos mestres, para a professora Geysa que eu adorava. De deixar a minha irmã na escola Benedito Ottoni, na Rua Senador Furtado, na Praça da Bandeira. O local do bairro, era conhecido como Engenho Velho da Tijuca, mais tarde, passou a denominar como Tijuca. Do corte de cabelo Principe-Danilo, que eu fazia no barbeiro da esquina da Fonseca Teles, levado por minha mãe. Da queda de minha irmã, levando ponto no pulso, por cortes de garrafas de refrigerantes, ao cair na porta de casa. De aguardar o sorveteiro ou baleiro passar para comprar. Do apito da fábrica de botões, na esquina da Rua Antônio Henrique de Noronha. De olhar para o prédio imenso da faculdade, que ficava na Rua Fonseca Teles. Foi no bairro de Sâo Cristóvão que passei a brincar e construir sonhos de criança, naquele velho bairro imperial, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, comecei a tecer minha história.

Meus queridos amigos, hoje e mais alguns dias, estarei juntando os cacos coloridos de minha infância, onde através dos pedaços esquecidos em um canto da memória, seguirei perseguindo os rastros do tempo, tempos que não voltam mais...sem dúvida, mas que foram inesquecíveis.





domingo, fevereiro 12, 2006

Mania




















Amorelli
- "Liberdade" - Gledson Franqueira Amorelli: Pintor, Escultor, Professor, Cenógrafo.Nasceu em Três Corações, Minas Gerais, em novembro de 1948.(Fonte de Consulta: Amorelli Art, Itaú Cultural, Art Polonaise) Um artista bem atuante, participou de diversas exposições, foi aluno de Inimá de Paula, Amilcar de Castro, Iara Tupinambá,Frederico Bracher Jr. Guignard e muitos outros artistas. Premiado com uma bolsa, em 1997, no 1º Salão de Artes do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, uma viagem para Nova York. Para olhar a interessante obra do artista, convém visitar sua página na internet, por sinal, muito bonita.


Olá!
Hoje vou falar de manias, uma das quais, é gostar de você. O tema foi uma proposta do pessoal blogueiro.O convite foi através da querida blogueira Saramar, uma goiana que tem a mania de escrever muito bem e criar blogs. Fui eleito para escrever alguma mania que por acaso, eu tenha. Em uma rápida revisão do meu comportamento diurno, percebi que uma das manias e que envolve uma busca no tempo, um olhar para o passado, é que me deparo com a minha formação de leitor de jornal. Tenho a mania de começar a ler jornal pela última página, sempre pelo esporte. Ignoro qualquer manchete para ir direto ao futebol. Sempre da última para a primeira.
Minha segunda mania, é testemunhada por Marilene, sempre quando compro livros, leio sempre, as primeiras páginas, depois, escolho qual o livro que começo a ler. Sempre folheio os livros. Uma mania que ficou muito acentuada quando tive livraria.
Terceira mania, é avistar qualquer objeto em cima da pia, seja talher ou louça, lavo de imediato. Não tolero olhar para a pia e encontrar os utensílios domésticos sujos, ou deixar para depois...não é comigo.
Quarta mania, se é que posso assim chamar, ao levantar, eu ligo o computador. Quinta mania, é ficar mudando de canal de televisão constantemente, até encontrar um programa que me interessa.
A Sexta mania, foi uma contribuição de Marilene, aliás, confirmo como muito valiosa, admiti com pouca resistência, para acabar por confessar, a mania de perfeição, de ser tudo certinho. Acho esta última, a que consolida em muito, minhas poucas manias incorporadas ao meu cotidiano.
Para dar continuidade a mais recente mania de alguns blogueiros; elejo alguns dos meus pares, para que eles possam dar prosseguimento a descrição de suas manias, caso, as tenham. Antecipo meus agradecimentos pela colaboração.
São eles:
Laura
Lia
Vera
Mércia
Milton Toshiba

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Papo de Segunda

Maria Helena Vieira da Silva : "Biblioteca" - Nasceu em Lisboa, em 1908, falecida em Paris, no ano de 1992. Naturalizada francesa e veio para o Brasil, fugindo da ocupação nazista na França. Morou em Santa Teresa, viveu no Brasil de 1940 a 1947. Neste período, cria um mural para a Universidade Rural, participa de exposições e recebe prêmio na VI Bienal de São Paulo. O govêrno de Salazar, não lhe concede a nacionalidade e a partir daí, vem com o marido morar no Brasil. Realiza, em 1975, vários cartazes em alusão ao 25 de abril, em Portugal. É criada uma fundação com o nome do casal - Arpad Szenes - Vieira da Silva, na Praça das Amoeiras, 56, em Lisboa. O seu marido, o pintor húngaro Arpad Szenes, morre em 1985. Em 1983, Vieira da Silva, é convidada pelo governo português para fazer o painel do Metropolitano de Lisboa, da Estação Cidade Universitária. (Fonte de Consulta : Vidas Lusófanas, Página do pintor Carlos Scliar, Portal da História, Pitoresco e Blogs Sapo/PT)
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Olá!
Voltei, após um breve intervalo, em que deixei de escrever para esse espaço e fazer visitas aos blogs dos amigos. Quero registrar meus agradecimentos aos leitores e amigos da Quitanda, que deixaram ou não, comentários e ficaram preocupados com a minha ausência.
Em relacão ao meu neto em visita ao teatro, foi surpreendente. A peça que assistiu, foi: Gasparzinho, o Fantasminha Legal, uma adaptação e direção de Alessandro do Valle, no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana/Leme. O menino comportou-se de modo interessado na peça, houve um dado momento, em que largou a companhia da mãe e de minha afilhada, preferindo estar ao lado de uma menina, ficando mais próximo do palco. O elenco brincou com ele, fizeram a maior festa. Ramom, era o mais novinho em idade presente na platéia. Foi um sucesso. Achei muito legal, o interesse dele em se aproximar do palco, ficando mais próximo e junto a uma menina. Não houve em nenhum momento em que ficasse inibido, assustado, tampouco, chorou. A peça encerrou ontem.
Diga-se de passagem, o meu neto, adora um agito, uma rua. Levo o neto para caminhar/correr na Avenida Atlântica, para subir em postes e em árvores, claro que é, com a minha prestimosa colaboração. Na árvore, o coloco em troncos baixos, no poste, seguro e ele vai subindo... Está em uma fase em que a curiosidade fica mais ampla, quer examinar, conhecer, tudo. Quando chega em nossa casa, ele começa a chamar por mim. Eu escuto e desço, para apanhá-lo. Neste momento começa a bagunça, minha e dele. Com o crescimento dele, acabou encerrando as aulas de digitação avançada, interrompendo sem dar nenhuma satisfação; concluí, que foi para o espaço, já era. Prefere agora, escutar músicas e fazer uma coreografia corporal, engraçado, é espontâneo. Marilene, também, participa muito como avó, fazendo as coisas para ele. Quando ele aparece, é certeza, de que alegria estará presente até o momento de voltar para a sua casa.
No final de semana não apanhamos filmes (dvds). Ramom, no domingo, tinha ido para o Vasco. O sol esquenta lá fora, Copacabana está lotada de gente, muita gente, indo à praia. Eu escuto a Rádio Paradiso - 95, 7 FM ( Inaugurada em março de 2003, na Torre Rio Sul e pertence aos empresários: Luciano Huck, Luiz André Calainho, Alexandre Accioly, Arnaldo Cardoso Pires) e escrevo. A música e o rádio fazem parte de minha vida, estão presentes em meu cotidiano. Desde garoto, curto rádio, ficou mais intenso, na época dos Beatles e da Jovem Guarda. Ouvia um programa na Rádio Mundial - AM (Sistema Globo e desativada) conduzido por Big Boy, encarnado pelo jornalista Newton Duarte, dedicado ao rock e ao conjunto de Liverpool. Mais dois apresentadores de muito sucesso, que atuaram junto com Big Boy, em bailes nessa época, que era Ademir Lemos e Messiê Limá, os três citados, são falecidos. De madrugada fico escutando as rádios CBN e Band News. Rádios Ams, escuto, transmissões esportivas e programas noturnos das rádios Globo e Tupi, vez por outra, a Rádio Nacional. Aqui, na Quitanda, pensei no começo abrir uma porta, uma sala em um dos corredores, para se comentar assuntos ligados ao rádio e sua história. Preferi abandonar a idéia inicial, dei um novo desenho para o blog, passei a focar mais assuntos que dizem respeito ao neto, uma literatura mais no âmbito doméstico - textos produzidos por mim - com a temática existencial como sustentação da escrita. Estou iniciando na escrita e percebo de imediato a dificuldade de elaboração de registros narrativos diferentes, é o que pretendo, embora, não tenha a pretensão de ser escritor, de editar comercialmente. Bastou a minha experiência como editor/livreiro/distribuidor. Tenho procurado recentemente voltar a comprar livros, no entanto, prefiro adquirir em sebos, são mais baratos, melhor ainda, gosto de ficar garimpando nas prateleiras, livros que acho interessante. O prazer de achar um livro, é inenarrável. Há muito tempo, que não dou uma passadinha em uma livraria, estou igual a traseira de ônibus, mantenho distância. Passo pela porta, sigo em frente e entro em um sebo. Bom, meus caros amigos, um grande e forte abraço.
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Nota: Faleceu ontem, dia 05 de fevereiro, o artista plástico Aldemir Martins, vítima de enfarte aos 83 anos. O grande artista plástico, nasceu em Ingazeiras, no Ceará, em 8 de novembro de 1922. Aldemir apareceu homenageado na Galeria da Quitanda, em post no ano passado.

sábado, janeiro 28, 2006

Paquetá: Ilha dos Amores

Lia Mittarakis : Artista autodidata, nascida no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, em 28 de julho de 1934. Faleceu vítima de complicações de diabetes, no ano de 1998. Deixou uma linda e interessante obra, em que abordava o Rio de Janeiro e uma de suas temáticas era a Ilha de Paquetá. Além, desta obra, suas duas filhas: Magda e Mariangela Mittarakis, continuaram o trabalho da mãe. Lia trabalhou em ilustrações para as revistas da Rio Gráfica Editora e para livros de arte. Esta talentosa e brilhante artista, é autora de maior quadro de arte naïf do mundo, em exposição no Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, situado no bairro do Cosme Velho , na zona sul carioca. Sua pintura foi estampada nos cartões de Natal da Unicef, em 1994. Foi capa de revista Time Internacional, feito alcançado por mais 4 artistas plásticos no mundo, como: Pablo Picasso, Salvador Dali, Rauschembrerg e Diego Rivera e a quinta foi a nossa artista Lia Mittarakis. Participou de diversas exposições, em países, como : França e Itália. A arte ingênua de Lia, sempre foi destaque, e o seu painel exposto no Museu, há os dizeres de Lia: "Rio de Janeiro, gosto de você, gosto desta gente feliz."(Fonte de Consulta:Ilha de Paquetá, MIAN, Le Monde des Artes)
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Olá! Desejo para os amigos leitores e blogueiros, um ótimo final de semana. Ontem, minha cidade ficou transtornada com o forte temporal, ruas alagadas e o meu filho no meio disto tudo, desistiu, não pode chegar em casa, acabou por dormir na casa da sogra. Hoje sábado, é dia de Ramom, está programado assistirem uma peça infantil; caso não haja fatores externos que impeçam a saída deles para o teatro, como a forte chuva que desabou sobre a cidade, será o primeiro momento de Ramom, como debutante, entrar no reino da fantasia e da imaginação. Ficar próximo de personagens. Claro que a idade ainda não é a ideal, mas é um primeiro passo no sentido de interagir com este mundo. Como a leitura do mundo precede a da palavra, eis o momento. Um grande abraço. O texto que apresento para vocês, está inserido em um plano de reminiscências, de recordações e de magia, quero aproveitar e deixar colado no mural da Quitanda.

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Quando garoto, eu e a minha família enfretávamos uma viagem por mais de uma hora, de barca até a Ilha de Paquetá;. também, conhecida como a Ilha dos Amores, assim chamada, pelo Príncipe Regente, ali, passava as suas férias de verão.. Bem cedo, deslocávamos para à Praça XV, que é a estação de barcas no centro do Rio de Janeiro. Era um momento único, pois, estaríamos afastados do ambiente caótico da área urbana, andararámos de charrete e de bicicleta. Quando íamos para Paquetá, era nos finais de semana. À distância de Paquetá para o Rio de Janeiro (Praça XV), é aproximadamente de 18 km. Íamos para à casa da irmã de mamãe, que preferiu mudar-se da Tijuca para Paquetá, foi esta a sua opção, mesmo trabalhando no centro do Rio. Visitar tia Helly, era vivenciar um momento mágico, lúdico das brincadeiras de criança. Correr, subir em árvores, fazer muita coisa, até as que tinha por companhia, Dudú, o enorme cachorro brincalhão, que nos tirava do sério, quando, queria fazer parte de nosso time de pelada.
Estávamos convencidos de que não jogava absolutamente nada, o máximo que tolerávamos, era ser o nosso gandula, pois, queria correr atrás da bola e abocanhá-la. De modo que, mesmo com todo este empenho e dedicação em alcançar a bola, ele era excluido. Saia sob protestos, de rabo baixo e entre as patas. Quando andávamos de bicicleta, vinha ele, disparado atrás de nós, latindo e pulando. Desistia ao mandarmos embora. Dávamos voltas pela ilha de bicicleta, andávamos de pedalinho, ou de trenzinho. Paquetá, estava livre da poluição dos automóveis e dos ônibus.Há poucos carros circulando pela ilha, a sua totalidade, são dos serviço público: bombeiros, ambulância e caminhões da coleta de lixo.As ruas são de saibro.
Ali, reina a tranquilidade, a beleza dos flamboyants.A barca, é o único meio de transporte, para se alcançar a ilha.Hoje, é servida por barcas, catamarãs e aerobarcos. Paquetá é um olhar para o Rio Antigo. Paquetá, é um bairro, uma ilha da Baía de Guanabara; que está sob a preservação da APAC - Área de Preservação do Ambiente Cultural. A ilha foi descoberta, através da missão francesa, que veio ao nosso país, fundar a França Antártica. Foi registrada em 1555, quando na expedição de Villegaignon, o cosmógrafo André Thevet, fez a sua descoberta. O nome da ilha, é de origem tupi e significa “muitas conchas, o que aliás, pode ser encontrada em profusão pela ilha.
Não é um espaço muito grande, mede apenas, 10, 9 km2, mas que envolve a beleza da natueza, praias e o lugar que foi cenário e inspiração para o escritor Joaquim Manuel de Macedo, aos 24 anos, escrever no ano de 1844, o seu famoso romance “A Moreninha, reunindo elementos de folhetim, que o autor sem dúvida nenhuma, ajudou a popularizar. Considerado como o primeiro romance urbano da nossa literatura.Há na ilha, um local, conhecido como Pedra da Moreninha, localizada no final da Praia da Guarda. Há também, a Praia dos Tamoios, totalizam na ilha, 50 ruas e 12 praias.
Há uma árvore que é bem conhecida pela população local, devida a sua enorme circunferência, como “Maria Gorda”, há até placa afixada aos seus pés, com a inscrição “Lenda da Maria Gorda”. Esta árvore, são 20 exemplares, poucos, é verdade, do “baobá”, que é originário da África.O padroeiro da ilha, é São Roque, onde existe a igrejinha construída no século XVII, sua festa é realizada em 16 de agosto. Um dos moradores ilustra da ilha, foi José Bonifácio.A ilha foi palco de prisão de Di Cavalcanti, que ali, tinha se refugiado, para em 1936, com ajuda de amigos, partir para Paris. Di Cavalcanti, pintou Paquetá, assim, como: Giovanni Battista Castagneto, conhecido como o Pintor do Mar, nasceu em Gênova, em 1851 e morreu em 1900. Era marinheiro e veio acompanhado pelo pai, em 1874 morar no Rio de Janeiro, residindo durante seis meses em Paquetá.Seu ateliê, foi um barco.Ajudou a pintar os painéis da Igreja da Candelária.
Paquetá faz parte de minha infância, são recordações, são momentos. No decorrer do tempo, fui deixando de ir para Paquetá, eram esporádicas as minhas visitas. Minha tia, depois, voltou para a Tijuca, bairro da zona norte, mas manteve a casa em Paquetá.Meus primos crescidos e casados, deixaram de freqüentar com mais intensidade. Meu tio por um descuido, escorregou dentro de casa, na varanda, a casa situada em um lado mais elevado, com pedras, levou um tombo e com a queda morreu algumas horas depois, foi assistido pela ambulância, mas não resistiu.
Minha tia Helly, sempre elegante e muito bonita; levou de repente, ao morrer de câncer nos ossos, repartiu e levou um pedaço da minha história, no final do ano passado, aos 80 anos.

(Fonte de Consulta: Secretaria Municipal de Governo, Barcas S/A. Memória Paquetaense, A Moreninha, Editorial Sol 90, Coleção Clássicos da Literatura, Pintura Mediúnica.)