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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Um papo rápido sobre editoras portuguesas.













Vez por outra tenho declarado nas páginas deste blog que não tenho visitado as livrarias, sejam elas megas ou não. Outro dia, ou melhor, na primeira quinzena de janeiro, passei pela livraria Argumento, filial de Copacabana, na Rua Barata Ribeiro, 502. Estava em companhia de minha companheira por mais de 30 anos, resolvemos entrar. A livraria naquela hora da manhã estava vazia. Achamos por bem presentear com um livro o meu neto mais velho, sua condição de ouvinte, nos estimulou a dar o mesmo livro que foi oferecido ao pai no inicio dos anos 80, quando eu tinha a livraria Quarup; gostava muito dos livros de autoria do casal Eliardo França e Mary França editados pela Ática, da Coleção Gato e Rato e foi o Rabo do Gato que escolhemos. Não havia na livraria nenhum livro da coleção nem da Ática e nem da Mary & Eliardo que criaram a sua própria editora. Fomos para o andar superior dar uma olhada e acabamos escolhendo um livro publicado pela editora paulistana Girassol. Diga-se de passagem, que eu não conhecia a editora, principalmente as mais recentes ligadas ao universo da criança.Foi um livro sem texto, apenas com poucas ilustrações e vinha com adesivos.

Outra procura foi um livro introdutório de ciências sociais, particularmente de Sociologia. Não dei nenhuma referência de autor, apenas o tema. Uma das vendedoras indicou a coleção de bolso chamada Ciências Sociais: Passo-a-Passo, publicada pela Jorge Zahar, os vendedores: duas mulheres e um homem não conseguiram identificar nenhum autor que tratasse do assunto. Na minha ignorância deduzo, que por ser tratar de uma coleção com este título poderia, acharam eles, encontrar o que nós procurávamos. Não encontramos nada, como de hábito fotografei as prateleiras com os olhos de um antigo vendedor de livros. Digo antigo, pois há muito tempo que estou afastado do mercado livreiro. Lembrei agora da conversa com Marilene, após a saída da livraria, caminhando pelas ruas de Copacabana, falava do tempo em que trabalhava no comércio de livros. Conversa vai, conversa vem, esclareci que não saberia responder todos os títulos de uma editora, ou saber de cor e salteado os livros de um estoque ou acervo de uma livraria; no entanto, a minha condição de comprador, facilitava bastante uma interação com títulos e editora. Acho que os profissionais do livro, burocráticos, presos ou acorrentados as informações inseridas no computador, a memória para estes profissionais, pelo menos é esta a impressão fica em outro plano. Sempre me alimentei com leituras e informações dos mais variados assuntos, mas hoje ponho em dúvida do interesse de um livreiro por um profissional com o perfil de livreiro, com ampla bagagem intelectual e acrescento, pior ainda se tiver a idade fora dos limites do desejado. Como dar qualificação para este profissional mais jovem,com pouca experiência com livros?

Enquanto caminhávamos em direção ao Hortifruti; surgiu o nome de Fátima no rol de minhas lembranças, lembro que conheci três mulheres com este nome ligadas ao livro: Fátima, a gerente da livraria Eça em Ipanema, na Ataulfo de Paiva 135, no local da antiga livraria do Pasquim, em que o badalado livreiro, escritor/tradutor, ligado ao cinema José Sanz era o gerente. Fátima da Editora Paz e Terra/ Graal, faturista da editora, era responsável também pelo depósito. Trabalhei com Fátima no final dos anos 70, quando começava a editora Graal, de propriedade do deputado baiano Max da Costa Santos depois adquirida pelo empresário Fernando Gasparian, convivi com Fátima em outro momento durante os anos 80 e 90.

A Paz e Terra foi adquirida por Fernando Gasparian de Ênio Silveira, a Paz e Terra fazia parte da Editora Civilização Brasileira. Quando cheguei na Graal, a editora ficava com o filho do deputado cassado pelo Ato Institucional nº1, Max da Costa Santos, André que curtia asa delta. Depois André saiu da editora; lembro que mais tarde quem entrou com o período de experiência, de observação me parece com uma possível intenção de compra, foram duas pessoas ligadas ao livro, um deles era o livreiro Aluízio Leite, com passagem pela Livraria Muro e o professor e escritor Gustavo Barbosa, com passagem pela Codecri, mas que não deu em nada. O editor responsável era Paul Joseph Christoph, gente fina, como se diz na gíria, que mais tarde foi para a Editora Campus e a Ediouro.

A outra Fátima, lembrava para a minha companheira, foi proprietária da Livraria Paisagem Rio, uma livraria e distribuidora de livros portugueses, localizada na Uruguaiana, 10, no subsolo. A Paisagem atuava na distribuição de livros, um dos seus pracistas, foi meu vendedor por um tempo para a região de Minas Gerais e Espírito Santo, o batalhador Batista. Parece que a Paisagem mantinha algum vinculo com a Camões do Sr. José Manuel Estrela. Os livros portugueses eram distribuídos por muitas distribuidoras, dentre elas: Ebradil de São Paulo, que concorria com a Distribuidora Século XXI de São Paulo, do meu amigo Floriano, fechada nos anos 80, a livraria Camões, a distribuidora e editora Elfos, localizada na Rua Ubaldino Amaral, 90, no Centro, também fechada nos anos 90, a livraria do historiador José Antonio, Letras & Artes na Sete de Setembro no Centro, distribuía livros portugueses; seu pai nos anos 70 criou uma distribuidora de livros portugueses, nos fundos de uma galeria em Copacabana, ligada a uma agencia de turismo, lembrei também da livraria Arcádia na Rua Primeiro de Março 18, comprei ali alguns livros quando fazia ciências sociais, livros da Portugália, da Livraria Padrão, na Miguel Couto, 40 do livreiro Alberto Abreu, Livraria e Editora Martins Fontes que passou a incorporar vários títulos editados em Portugal para o seu catálogo, também distribuía livros portugueses.

Assim que remendei os cacos de minhas lembranças, comecei a citar algumas editoras portuguesas do tempo em que fui livreiro claro que existem outras editoras portuguesas, o critério de escolha foi aleatório apareciam a partir do momento em que lembrava de uma e aparecia outra em seguida, tudo em função de minhas lembranças do tempo de livreiro. Lembrei da Portugália, Centelha, Maria da Fonte, Martins Fontes, Livros Horizonte, Sá da Costa, Assírio & Alvim, Editorial Estampa, Edições Afrontamento, Cotovia, Moraes, A Regra do Jogo, Seara Nova, Guimarães Editores, Dom Quixote, Cosmos, Colibri, Vega, Bertrand, Seara Nova, Presença, Antígona, Fundação Caloustre Gulbenkian, Verbo, Edições 70, Lello & Irmão, Hiena, Salamandra, Rés, Asa, Almedina, Porto, Caminho, Avante, Gradiva, Europa-America, Escorpião e Livros do Brasil. Naquela hora lembrei dessas editoras, não sei no momento quais foram extintas, mas isto é papo para outro dia.

Bom, fomos conversando, caminhando e sem perceber estávamos diante do Hortifruti. Ali, a conversa passou a ser outra, a qualidade das frutas e o elevado preço das mercadorias, todas aderindo sem cerimônia a inflação que parece estar voltando e desta vez para ficar.

Hélio Rôla : Artista plástico cearense, nascido em 18 de outubro de 1936. Vive atualmente no Ceará. Graduado em Medicina. Após a passagem pela cidade de Nova York, resgatou o gosto pela arte. Viveu também na França. Participa de cursos de arte, oficinas e o curso de Artes Visuais da Fundação Getúlio Vargas. Tem textos expostos, também em co-autoria na internet, como na Literatura e Arte
Fonte de Consulta: Magazine Arcos Online.












sexta-feira, agosto 31, 2007

Conversa sobre editoras

Hoje li em um informe da Câmara Brasileira do Livro (CBL) que a Companhia das Letras, superou a concorrência na disputa (dentre elas a própria Record) pela publicação das obras completas do escritor baiano Jorge Amado (1912/2001), autorizada pelo primogênito do escritor, também escritor João Jorge Amado, serão editados 35 títulos escritos no período de 1931 à 1997.As novas edições estarão no mercado a partir de 2008 e um dos primeiros títulos será: País do Carnaval, a primeira obra editada de Jorge Amado, publicada e prefaciada pelo editor Augusto Frederico Schimdt, no ano de 1931.
Jorge Amado publicou livros, apenas para citar as editoras brasileiras: Schimdt, Ariel, Livraria Martins Editora (1937/1974), Editorial Vitória, José Olympio, Editora do Povo; anos depois vendeu os direitos com exclusividade para Record a partir de 1975, em co-edição com a Martins, que no ano anterior havia pedido concordata e encerrando as atividades em 1976. Na edição pela Record, em 1978, a capa é uma reprodução de um quadro de Di Cavalcanti, com ilustrações de Darcy Penteado, com foto do autor por Flávio de Carvalho e Zélia Amado, na quarta capa um texto de Octávio Tarquínio de Souza
Quando eu atuava em livrarias, Jorge Amado era um dos autores que sempre vendia, ora indicado em algum colégio, ora em lançamento ou para usar a gíria do mercado livreiro se dizia que seus livros estavam sempre “pingando”. Era uma referência de venda, seja pela oferta de títulos e pela popularidade que alcançava entre o público leitor, embora, houvesse para alguns leitores, certo cuidado, numa alusão ao conteúdo da obra, considerado por um segmento como um autor pornográfico e comunista, assim era estigmatizado por uma parte do leitor da zona sul carioca nos anos 80.
Só para esclarecer tive a livraria Quarup em Ipanema, trabalhei na Francisco Alves e na Unilivros. Nestas duas últimas havia sempre em estoque as obras de Jorge Amado e Zélia Gattai, sua esposa. Eu como um dos compradores dava preferência ao autor nacional, gostava de indicar, de expor, uma vez que, o espaço predominante é para o autor estrangeiro, sem dúvida, a preferência do público feminino e masculino. Há momentos em que se pode observar que a mulher, freqüenta mais livraria e compra mais livros do que o homem. Vi e ouvi muita gente rejeitar o autor brasileiro. Não gostavam mesmo. A literatura americana traduzida tem boa aceitação, não acredito que tenha mudado os hábitos de consumo do leitor que circulava pelas livrarias da zona sul.
Neste ponto a editora Record levava uma grande vantagem sobre as demais editoras. Dona de um catálogo imenso, diversificado, livros vendáveis e de sucesso (best-seller) ocupavam os espaços das livrarias da zona sul e outros pontos de vendas. Houve um momento em que montou uma empresa para vender para drogarias, supermercados e magazines. Antigamente para se ter acesso a um determinado magazine, teria de negociar com a empresa ligada a editora Record para vender. Ainda havia uma boa distribuição e um eficaz marketing direto. Mesmo para livreiro que tinha um verniz de esquerda, a editora Record como maior editora do país vendia e vendia muito. Sem dúvida para quem trabalha no livro percebia grandes encalhes em seu estoque, aliás, não é privilégio da editora, conheci depósitos de editoras e percebia pilhas e mais pilhas de determinados títulos. Há muito livro que fica um enorme tempo estacionado em uma prateleira, não sai nem dando, bastava olhar a etiqueta e verificar a data de compra e os exemplares adquiridos.
A Distribuidora Record de Serviço de Imprensa S.A, chegou a adquirir uma nova impressora como o novo sistema poligráfico Cameron de impressão e acabamento, no ano em que eu ainda trabalhava em livraria, se comentou muito, poderiam imprimir com rapidez uma quantidade de exemplares mais próximo da realidade, evitando tiragens elevadas.A Record surgiu em 1942 com os sócios Alfredo Machado e Décio Guimarães de Abreu, criador de uma rede de livrarias, como A Casa do Livro, no Centro e Flamengo, Livraria Eldorado, na Tijuca e Copacabana, a Livraria Lídice, esta localizada na Rua São José. Convém lembrar que Alfredo Machado foi um dos primeiros distribuidores de histórias em quadrinhos em nosso país. Nos anos 70, Alfredo Machado assumiu totalmente o controle acionário da empresa. Antes de surgir a editora Nova Fronteira (1965), a Record publicou o livro “O Poder das Idéias”, de autoria de Carlos Lacerda, que posteriormente veio a criar uma importante editora , de grande prestigio intelectual, com ótimo catálogo de autores brasileiros e estrangeiros. Nos anos 80 o panorama da produção editorial começa a ser alterado, com o surgimento de novas editoras, novas experiências editoriais, como a feita pela editora Brasiliense. Atualmente o mercado de livros está bem alterado com novas composições societárias e entrada de grupos editoriais estrangeiros, algumas editoras ganharam fôlego ao serem incorporadas a determinados grupos através de fusões e aquisições. Volto no próximo mês. Um grande abraço.
Fonte de consulta:

terça-feira, julho 17, 2007

Papo sobre Livrarias: Uma Conversa sem Fim.

Não fico espantado, não fico surpreso com pesquisas a respeito do consumo de livros em nosso país, como a que foi publicada em O Globo, em matéria assinada por Maiá Menezes, no dia 4 de julho de 2007. Apenas confirma a minha visão a respeito do baixo consumo de livros por parte do público identificado como universitário. Esse era o meu público alvo, uma vez que, sempre trabalhei para este universo de leitores, seja através da divulgação, comercialização e distribuição de editoras em que predominavam em seus catálogos, o livro universitário e com alguma concentração na área de ciências humanas. Meu termômetro muitas vezes foram livrarias abrigadas em universidades, bienais, feiras de livros nas praças da cidade, livrarias localizadas nos bairros e outros espaços onde eu pudesse atuar. Era o meu segmento predileto, a oportunidade de rever professores e colegas da universidade, sempre encontrava com alguém. Deixo claro que como profissional, representei como vendedor, através de distribuidoras, editoras que eram especializadas em literatura infantil,como a Memórias Futuras, uma editora situada em Laranjeiras, ou astrologia, como a editora Hipocampo. localizada em Botafogo, de Beatriz em parceria de alguns títulos com Massao Ohno.
Minha condição de antigo vendedor pracista, ou distribuidor; possibilitou e deu garantias para que eu pudesse visitar diversas livrarias no Rio de Janeiro e uma parte da praça do centro de São Paulo e de alguns bairros da capital, quando atuei por lá no inicio dos anos 90 pela Editora Paz e Terra/Edições Graal. Foi sem dúvida um aprendizado. São praças bem distintas. Aqui no Rio de Janeiro, como profissional, eu compunha muito bem o perfil de um vendedor/leitor da Paz e Terra, sempre fui identificado como da Paz e Terra /Graal não só como divulgador enquanto trabalhei na área universitária ou mais tarde como pracista das editoras na praça do Rio de Janeiro. Foram as editoras que estive por mais tempo como profissional, assim, como tinha um bom transito com Marcus Gasparian, que fui convidado para ir para São Paulo. Os irmãos Laura e Marcus Gasparian, gerenciavam a simpática livraria no final do Leblon, depois, a livraria ocupou o espaço da antiga biblioteca pública do Leblon. A livraria do Rio ficava mais sob os cuidados de Laura, as lojas (Argumento e Livre) de São Paulo, sob a gerência da matriarca Dalva Gasparian. Marcus era mais ligado a editora, ajudava o pai, Fernando Gasparian. Nesta ocasião ajudei na montagem da livraria Poiesis em Ipanema de Denise Emmer, era no mesmo prédio em foi situada a minha livraria.
Acho que o contato direto que se estabelece entre o pracista e o livreiro, ainda vejo como o mais credenciado para visualizar e detectar o comportamento de vendas de uma editora, muito diferente daqueles que se arvoram em se pronunciar a respeito de livros.
O pracista é um profissional que lida com a observação direta, o pedido (compra) por parte do livreiro, seja ele um livreiro badalado ou não, dono de uma pequena livraria ou comprador de uma rede de livrarias.
Observei que muitos compradores não tinham a menor noção do livro que eu apresentava ou de outros colegas, representantes de editoras Aqui cabe registrar que muitos vendedores pracistas, desconhecem também o seu objeto de venda, muitos o fazem de modo mecânico; condicionados pegam os livros (novidades) e vão rodar a praça, estão atrelados a metas de vendas.
Há muitos obstáculos para um livro não ser comprado por um livreiro e destaco um deles: é a participação das editoras, na exigência de mínimo de compras para se formalizar a emissão de uma nota fiscal. Muitas editoras usam a linguagem consensual, de não fornecer o pedido se não cumprir o mínimo, muitas vezes condicionados ao salário mínimo. Sempre fui flexível nesta relação, enviava sob forma de vale provisório, em primeiro lugar estava o atendimento aos clientes: leitor e livreiro, isto gerava em mim uma grande satisfação.
Engraçado muitos vendedores/editoras que eram intransigentes, reclamavam das vendas. Algumas lançavam mão da presença de gerentes para verificar o comportamento da praça e se possível com as mais modernas técnicas de venda e persuasão, convenceriam o cliente a comprar. Muitos editores esquecem que a simples presença deste representante não implica em aumento de vendas ou mesmo que se efetue alguma venda; salvo, se vier com alguma proposta promocional e se estiver na projeção de compras do livreiro, vi colegas constrangidos com a presença a tiracolos de gerentes em suas visitas diárias, monitorando o vendedor. Uma grande editora monitorava o vendedor, telefonando em seguida para a livraria visitada, além de registrar o horário de entrada e saída do vendedor da loja, confirmado pela assinatura do responsável pelo atendimento.
O quadro de vendas estava se alterando, a figura do vendedor e ou do distribuidor no inicio dos anos 90, distribuidoras e pequenas livrarias entrando em colapso, estavam desaparecendo. Novos recursos de vendas são acionados, algumas livrarias são maquiadas para serem transformadas em distribuidoras, gozando do desconto de praxe.
Um novo desenho estava sendo criado pelas livrarias, estavam surgindo megas livrarias, novas roupagens e combinações são introduzidas nas livrarias sobreviventes. As livrarias tradicionais ficaram asfixiadas e longe dos benefícios que as megas são contempladas, insistem bravamente e teimam em disputar com as redes. Sua sobrevivência implica muitas vezes na preservação do livreiro, um atendimento mais personalizado.
Uma nova arquitetura, novas opções sofisticadas são oferecidas aos clientes. As redes de livrarias oriundas no Rio de Janeiro, não sobreviveram como: Unilivros, Entrelivros e Studiolivros , ou a Sodiler, a ultima grande rede de livrarias no Rio de Janeiro, agora sendo gerida pela Laselva Bookstore, uma grande rede paulistana. Enquanto por um lado circula boatos na imprensa, dando conta de que a rede Siciliano, pode ter o controle passado para a Ediouro, que vivenciou esta experiência nos anos 80, abrindo e fechando lojas, como a Curió.
Bem volto a conversar sobre livrarias, livros e editoras o mais breve possível. Até a próxima oportunidade. Um grande abraço.

segunda-feira, junho 18, 2007

Papo de Segunda

Mário Cravo Júnior: Escultor, Gravador e Desenhista. Um dos maiores artistas baiano e de grande importância no panorama das artes de nosso país. Nasceu em Ribeira do Itapagipe, Bahia, no ano de 1923. Pai do talentoso artista Mário Cravo Neto. Doutor em Belas Artes pela UFBA. Artista com exposição individual e coletiva no exterior. Considerado como um dos fundadores da Arte Moderna da Bahia.


Fonte de Consulta: Wilkipédia // Mario Cravo Neto //Acervos.art.br // Camara do Governo // Organização Odebrecht





Na semana passada ao voltar a caminhar pela orla em direção ao Posto Seis, passei por um trecho da praia destinado aos jogadores de peteca. Foi o momento em que lembrei do livreiro Ernesto Zahar, proprietário da livraria Ler, morador de Copacabana e freqüentador assíduo daquele espaço. Muitas vezes em minha caminhada ou corrida, presenciava ali, como praticante de peteca, sempre de sunga, o livreiro Ernesto e os seus parceiros de jogo.
Conheci diversos profissionais que trabalharam na Livraria Ler, tanto na Rua México, quanto na filial do Mercado das Flores. Bons tempos da Livraria Ler, realmente a livraria tinha uma tintura de esquerda, não sei se seria uma livraria de oposição ao regime militar, diferente do que aconteceu com editoras, por exemplo: a Kairós Livraria e Editora, uma pequena editora paulista, cujos sócios eram: José Castilhos Marques Neto, Magali Gomes Nogueira e Moisés Limonad, três militantes da Libelu, vinculados a Organização Socialista Internacional. Aqui recomendo para quem desejar aprofundar no tema, o interessante estudo de Flamarion Maués, publicado na Revista História, SP, vol. 25, nº2 p.115-146, 2006. Aliás, faz parte de sua tese de mestrado: Editoras de Oposição no período da abertura (1974/1985) defendida no Departamento de História da USP, em fevereiro de 2006.
Aqui no Rio, houve atentados em jornaleiros e livrarias, apreensão de livros, caso da Ler de edições portuguesas de Carlos Mariguela, Márcio Moreira Alves e outros autores; incêndio, como o caso da Livraria Leonardo Da Vinci, da livreira Vanna Piraccini. Época de atentados, censura, anos de chumbo.
Houve um pessoal oriundo da Ler que abriu uma livraria na Rua Senador Dantas 117, no segundo ou terceiro andar, ali, foi instalada a livraria Espaço Dois. Os livreiros eram: Cícero, Celso e Américo. Um outro vendedores de livros partiram para Niterói, como o caso de Silva e outroa como: Joaquim e Everaldo, foram para a Livraria Vozes, da Rua Senador Dantas. Houve um, que foi para a livraria Argumento, o livreiro Celso Rolim (Livraria Apolo). Houve uma debandada da Ler, cada profissional tomou rumo diferente. A loja do Mercado das Flores havia fechado.
Na sexta-feira, recebi um pouco tarde a noticia de falecimento de um profissional do livro, grande batalhador, sobreviveu às duras penas como distribuidor da Perspectiva por mais de 30 anos e inicialmente com a Cortez & Moraes, depois do racha, apenas com a Moraes. Soube antes de fechar a minha distribuidora, ele tinha conseguido a Ateliê para distribuir. Seu nome: Arnaldo Vasconcellos Carqueija deixa os filhos Marcelo e Mônica. Fiquei abalado com o falecimento de Arnaldo, trabalhei com ele e os filhos em sua distribuidora Expectativa, localizada na Rua do Rosário 137, mais tarde as dificuldades como distribuidor o levaram decidir que para sobreviver teria de transferir para a sua residência no Méier, foi o que acabou fazendo. Fui seu vendedor por um tempo. Dificuldades muitas, era difícil vender com o desconto menor, mesmo ele tendo exclusividade das editoras. Conversava e muito com Arnaldo, quando passei a ser também distribuidor, ele, costumava passar na distribuidora para bater um papo, colocávamos em dia, a situação do mercado de livros. As distribuidoras viviviam agonizando, algumas como a minha estavam entrando em um processo de coma, o resultado não demorou, entrou em colapso como as demais distribuidoras, encerrando as atividades.
Um outro profissional que soube que teve um final trágico foi o dono da Livraria Ciência e Cultura, com filiais pelo Espirito Santo e pelo Rio, seu nome: José Alberto Aires Pinto, que cheguei a mencionar quando falei da livraria Ao Livro Técnico em um post anterior.