sexta-feira, agosto 31, 2007

Conversa sobre editoras

Hoje li em um informe da Câmara Brasileira do Livro (CBL) que a Companhia das Letras, superou a concorrência na disputa (dentre elas a própria Record) pela publicação das obras completas do escritor baiano Jorge Amado (1912/2001), autorizada pelo primogênito do escritor, também escritor João Jorge Amado, serão editados 35 títulos escritos no período de 1931 à 1997.As novas edições estarão no mercado a partir de 2008 e um dos primeiros títulos será: País do Carnaval, a primeira obra editada de Jorge Amado, publicada e prefaciada pelo editor Augusto Frederico Schimdt, no ano de 1931.
Jorge Amado publicou livros, apenas para citar as editoras brasileiras: Schimdt, Ariel, Livraria Martins Editora (1937/1974), Editorial Vitória, José Olympio, Editora do Povo; anos depois vendeu os direitos com exclusividade para Record a partir de 1975, em co-edição com a Martins, que no ano anterior havia pedido concordata e encerrando as atividades em 1976. Na edição pela Record, em 1978, a capa é uma reprodução de um quadro de Di Cavalcanti, com ilustrações de Darcy Penteado, com foto do autor por Flávio de Carvalho e Zélia Amado, na quarta capa um texto de Octávio Tarquínio de Souza
Quando eu atuava em livrarias, Jorge Amado era um dos autores que sempre vendia, ora indicado em algum colégio, ora em lançamento ou para usar a gíria do mercado livreiro se dizia que seus livros estavam sempre “pingando”. Era uma referência de venda, seja pela oferta de títulos e pela popularidade que alcançava entre o público leitor, embora, houvesse para alguns leitores, certo cuidado, numa alusão ao conteúdo da obra, considerado por um segmento como um autor pornográfico e comunista, assim era estigmatizado por uma parte do leitor da zona sul carioca nos anos 80.
Só para esclarecer tive a livraria Quarup em Ipanema, trabalhei na Francisco Alves e na Unilivros. Nestas duas últimas havia sempre em estoque as obras de Jorge Amado e Zélia Gattai, sua esposa. Eu como um dos compradores dava preferência ao autor nacional, gostava de indicar, de expor, uma vez que, o espaço predominante é para o autor estrangeiro, sem dúvida, a preferência do público feminino e masculino. Há momentos em que se pode observar que a mulher, freqüenta mais livraria e compra mais livros do que o homem. Vi e ouvi muita gente rejeitar o autor brasileiro. Não gostavam mesmo. A literatura americana traduzida tem boa aceitação, não acredito que tenha mudado os hábitos de consumo do leitor que circulava pelas livrarias da zona sul.
Neste ponto a editora Record levava uma grande vantagem sobre as demais editoras. Dona de um catálogo imenso, diversificado, livros vendáveis e de sucesso (best-seller) ocupavam os espaços das livrarias da zona sul e outros pontos de vendas. Houve um momento em que montou uma empresa para vender para drogarias, supermercados e magazines. Antigamente para se ter acesso a um determinado magazine, teria de negociar com a empresa ligada a editora Record para vender. Ainda havia uma boa distribuição e um eficaz marketing direto. Mesmo para livreiro que tinha um verniz de esquerda, a editora Record como maior editora do país vendia e vendia muito. Sem dúvida para quem trabalha no livro percebia grandes encalhes em seu estoque, aliás, não é privilégio da editora, conheci depósitos de editoras e percebia pilhas e mais pilhas de determinados títulos. Há muito livro que fica um enorme tempo estacionado em uma prateleira, não sai nem dando, bastava olhar a etiqueta e verificar a data de compra e os exemplares adquiridos.
A Distribuidora Record de Serviço de Imprensa S.A, chegou a adquirir uma nova impressora como o novo sistema poligráfico Cameron de impressão e acabamento, no ano em que eu ainda trabalhava em livraria, se comentou muito, poderiam imprimir com rapidez uma quantidade de exemplares mais próximo da realidade, evitando tiragens elevadas.A Record surgiu em 1942 com os sócios Alfredo Machado e Décio Guimarães de Abreu, criador de uma rede de livrarias, como A Casa do Livro, no Centro e Flamengo, Livraria Eldorado, na Tijuca e Copacabana, a Livraria Lídice, esta localizada na Rua São José. Convém lembrar que Alfredo Machado foi um dos primeiros distribuidores de histórias em quadrinhos em nosso país. Nos anos 70, Alfredo Machado assumiu totalmente o controle acionário da empresa. Antes de surgir a editora Nova Fronteira (1965), a Record publicou o livro “O Poder das Idéias”, de autoria de Carlos Lacerda, que posteriormente veio a criar uma importante editora , de grande prestigio intelectual, com ótimo catálogo de autores brasileiros e estrangeiros. Nos anos 80 o panorama da produção editorial começa a ser alterado, com o surgimento de novas editoras, novas experiências editoriais, como a feita pela editora Brasiliense. Atualmente o mercado de livros está bem alterado com novas composições societárias e entrada de grupos editoriais estrangeiros, algumas editoras ganharam fôlego ao serem incorporadas a determinados grupos através de fusões e aquisições. Volto no próximo mês. Um grande abraço.
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quinta-feira, agosto 23, 2007

Uma ida aos sebos: uma leitura.

Floriano Teixeira: (Floriano Araújo Teixeira) Nascido em 1923, na cidade maranhense de Cajapió e faleceu em Salvador no ano de 2000. Pintor, pesquisador, desenhista, ilustrador, gravador, escultor. Teve uma intensa atividade como convidado para capista em livros de Jorge Amado, Zélia Gattai e outros escritores.
Participou de vários grupos, formando núcleos, como os feitos na década de 40. Dirigiu o Museu de Arte da Universidade do Ceará (MAUC). Floriano Teixeira esta inscrito como um dos grandes artistas plásticos de nosso país e no exterior. Foi homenageado com nome em galeria, situada no Museu de Arte Sacra.

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Sem muita grana para comprar livros, o meu caminho tem sido os sebos. Gosto de freqüentar, de fuçar os livros, de garimpar, de achar os que eu procuro. Atualmente reduzi minhas incursões às livrarias de livros usados em outros bairros e, as livrarias que tenho visitado, são próximas de casa. São três sebos.

Hoje fui procurar algum livro que atendesse meu interesse imediato, que é o mercado editorial no Rio de Janeiro. Fui para uma seção em busca de uma preciosidade e encontrei o livro Livraria Ideal: do cordel à bibliofilia, editado pela Eduf, de autoria do pesquisador, professor da UFF e antigo livreiro Aníbal Bragança, cujo preço estava marcado em 22 reais. Como saí com pouca grana, aliás é o que eu sempre tenho. Ficou para a próxima visita. Eu estava na livraria Baratos da Ribeiro e caí na ingenuidade de perguntar ao atendente, em que local poderia haver livros que tratassem de editores, leitura, leitores, editoras ou livrarias e para meu espanto o rapaz de camisa amarela, ficou espantado com a pergunta, me indagou quem eu procurava, disse que seria uma obra de autoria de Moacir Félix, sobre Ênio Silveira, editor da Civilização Brasileira, eis que o jovem me responde que ali não tinha livros sobre este assunto. Fiquei calado e ao mesmo tempo, irritado, pois o atendente, não soube nem identificar que na loja em que eu e ele estávamos, havia um exemplar do livro Livraria Ideal. Depois deste esclarecimento percebi, tratar-se de um “profissional qualificado”: "a livraria é divida por assuntos e temas", respondeu do alto de sua sabedoria. Verdade que a livraria é bem organizada, limpa, um ambiente agradável, mas parece que compromete o atendimento desde do momento em que se percebe a ausência de um profissional que entenda, que tenha intimidade com o acervo da loja. Para quem faz uma outra leitura, identifiquei de imediato que o atendente não saberia identificar muita coisa. Encerrei naquele momento qualquer curiosidade a respeito dos livros. É o flagrante da constatação da mão-de-obra empregada em livraria, principalmente em sebos. Desconfio que muitos livreiros preferem recrutar um profissional para se trabalhar em livraria, despido de qualquer conhecimento/informação, quando muito dão prioridade a uma envernizada capa de cultura. Trabalhar com livros requer de imediato que seja escolarizado, que tenha uma mínima curiosidade intelectual.

Quem freqüenta uma livraria percebe após algumas indagações ao vendedor, se ele realmente conhece do ofício. Como são despreparados. Conheci sebos que não fazem questão alguma de ter um profissional qualificado, que prestasse um serviço ao cliente ou tivesse alguma familiaridade com a leitura. Acham que é um profissional caro. Há uma deficiência na formação do profissional de livrarias, claro que se identificam os bons profissionais no mercado, alguns com longa experiência, outros com formação intelectual mais esmerada. Uns que gostam de ler e muitos outros nem tanto. Sei de ajudantes de limpeza que alçaram a gerência de livrarias. Alguns não sabiam construir uma frase ou pronunciar nome de autor ou títulos de livros. Tinham dificuldades de fotografar as prateleiras e balcões. Houve no passado um curso para qualificar o profissional do livro, promovido pela Estação das Letras, me parece que é uma iniciativa singular em nossa cidade. Sobre livrarias (atendimento) foi dado por Marcelo, um rapaz que trabalha na Livraria da Travessa. Conheço este profissional, tem uma trajetória em ascensão na livraria. Há em São Paulo, um curso promovido pela Unesp - a UNIL.

Fui para outra livraria cuja escolha de um livro tem de se fazer um exercício de malabarismo, os livros são dispostos em pilhas no chão, o interessado em algum livro tem de tirar um por um e depois recolocar, vale um pouco de sacrifício, os preços são mais baratos do que os Baratos da Ribeiro. Embora eu tenha percebido um ligeiro aumento dos preços, usam um artifício de aumentar o valor do código do livro. O preço do livro é indicado por código alfa-numérico que corresponde à metade do valor marcado. Achei o livro de Zélia Gattai, um dos títulos que faltava para mim. Ao folhear o livro, dei uma lida no prefácio de Jorge Amado, encontrei mencionado logo no inicio ao nome de um livreiro e editor da Bahia, Dmeval Chaves (Dmeval da Costa Chaves), criador na década de 60 da editora Itapuã, também distribuidor de livros. Claro que eu não desejo que vendedores saibam quem é o amigo de Jorge Amado citado no livro. Para quem atua na Bahia, provavelmente teria identificado. Se eu não estivesse envolvido com livros há bastante tempo, não saberia responder. Fui também distribuidor de editoras que ele representava. Claro que não saber um assunto, não é impeditivo para alguém se transformar ou ser um bom profissional.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Capas de Livros: espaço para artistas

Marius Lauritzen Bern: (1930-2006) Autor do desenho de capa do livro de Mário da Silva Brito editado pela Civilização Brasileira, em 1968. O livro como pode ser observado está gasto pelo tempo, pelo uso e pelas mudanças que andei fazendo pela vida. Com as mudanças fui desfazendo de vários livros e revistas, e os antigos Lps que acabava vendendo em sebos preferencialmente os localizados no centro da cidade por um valor bem baixo, nem seria diferente, pois o alfarrabista revenderia por outro preço.
Este é um livro que comprei na queima de livros da Editora Civilização Brasileira. Bons tempos! Foi uma verdadeira festa para os leitores. A livraria ficava localizada na Rua Sete de Setembro, número 97. Depois de sofrer atentados e estrangulamentos econômicos a editora foi para uma loja lateral do Edificio Central, para a Rua da Lapa, 120 e creio que antes de ser vendida para Editora Bertrand Brasil, ficou por algum tempo em Botafogo, na Rua Muniz Barreto, próximo ao metrô Botafogo.

O capista Marius Lauritzen Bern, foi também fotógrafo, desenhista e ilustrador; com enorme contribuição a revolução visual promovida pela Civilização Brasileira, através de seu editor Ênio Silveira, que tinha um elenco de artistas gráficos como Roberto Pontual, Dounê, Léa Caulliraux e o grande destaque, apontado como introdutor destas mudanças e referência maior para o estudo da confecção de capas de livros, era o designer gráfico Eugenio Hirsch. Marius foi quem criou o logotipo das editoras Civilização e Paz e Terra, na época de propriedade de Ênio Silveira.

Para mim que sempre atuei no mundo dos livros, os nomes de capistas estavam incorporados como item de identificação das editoras. Ajudava em um balcão ou prateleira a distinguir ser de uma editora ou de outra. O elemento visual é instrumento aliado de um vendedor. Há pouco tempo, tive esta experiência em um sebo, quando um cliente pedia por um título ou autor, vinha de imediato em minha memória a capa e o formato do livro, mesmo afastado do convívio com os livros.

Acho a capa de um livro fundamental atrativo para o leitor, além de contarmos com a presença de importantes artistas e ilustradores em um livro. Se olharmos o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, por exemplo, em uma das edições publicados pela Record, há o desenho de capa de Aldemir Martins (1922-2006), ilustrações de Poty, retrato do autor por Jordão de Oliveira e foto do autor por Zélia Amado. O livro Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, publicado pela Civilização Brasileira, em 1971, com capa de Dounê e diagramação de Lea Caulliraux; ou um livro de autoria de Marisa Raja Gabaglia editado em 1973 pela Editora Sabiá, com capa de Yllen Kerr (1924-1981), ou pela mesma editora, o livro de José Carlos Oliveira, A Revolução das Bonecas, com capa de Ziraldo. A identificação da capa do livro Antologia da Lapa, de Gasparino Damata, editado pela Codecri, em 1978, de autoria de Nássara.(Antonio Gabriel Nássara:1910-1996). O livro de Patrícia Bins, editado pela Nova Fronteira, em 1986, com capa de Victor Burton, com foto óleo sobre tela de Aldo Malagoli, da coleção particular de Luiz Carlos Matte, ou o livro de Zuenir Ventura, intitulado Crônicas de um fim de século, editado pela Objetiva, em 1999, com capa e projeto gráfico de Victor Burton, com foto do autor por Márcia Kranz. Uma capa bonita como Sem Pecado de autoria de Ana Miranda, executada pela artista Moema Cavalcanti e publicado pela Companhia das Letras, em 1994.

Paro por aqui.


segunda-feira, agosto 13, 2007

Fragmentos da Memória: Vagas lembranças...

Na semana passada resolvi caminhar pela orla de Copacabana até o Posto 9 em Ipanema, entre uma passada e outra, tentava lembrar de algumas livrarias infantis. Não consegui ! Lembrava de editoras como a Ebal (Editora Brasil-América – criada em 1945, por um antigo funcionário de Roberto Marinho, Adolfo Aizen (1907/1991), dirigida após a morte do pai, por Paulo Adolfo Aizen e Naumin Aizen e a editora Vecchi criada por uma família de imigrantes italianos; pelos álbuns de figurinhas e revistas que editavam. Dos álbuns que colecionava, da disputa por uma figurinha carimbada, do bafo-bafo jogado com amigos. Das histórias em quadrinhos que circulavam de alguma forma em meu universo infantil. De ficar escutando o rádio para ouvir Jerônimo, o herói do sertão e Moleque Saci, do Sombra, da leitura de Fanstasma, Superman, de Mandrake, Recruta Zero, Bolinha e Luluzinha, Brasinha e Gasparzinho, Pato Donald, Mickey , Zorro e outros tantos heróis ilustrados nas revistas e almanaques dos anos 50 e 60. Dividia o meu tempo também com os seriados na televisão e os programas infantis como o Circo do Carequinha, interpretado pelo artista circense George Savalla Gomes(1915/2006), o teatrinho/vesperal Trol (Fabio Sabag, Norma Blum, Zilka Salaberry, Roberto de Cleto entre outros), Falcão Negro interpretado pelo ator Gilberto Martinho (1927/2001), de Rin Tin Tin e Rusty, a série do cão da raça Collie de nome Lassie, embora tenha sido uma “cadela”, sempre foi interpretado por cães machos.
As livrarias como escrevi, naquele momento fugiram da lembrança. Mas havia uma, que de algum modo contribuiu na minha formação de leitor. Em minha fase de garoto, estudante do curso primário do Instituto de Educação, na Tijuca, por estar pela localização em frente ao Instituto, a Livraria e Papelaria Casa Mattos, “amiga número um dos estudantes”, logo era minha amiga, assim eu imaginava, freqüentada por minha família, que na condição de alguns deles por serem professores, gozavam de um desconto de 10% na compra de material escolar. Dificilmente íamos ao centro da cidade comprar na Casa Cruz.
Minha madrinha, uma das professoras da família me presenteou com uma coleção de Monteiro Lobato (1882/1948), editado em 1960 pela Brasiliense com capa dura de cor verde, em meu aniversário de 11 anos. De minha outra tia, também professora, ganhei o livro Cazuza de Viriato Corrêa (1884/1967), editado pela Companhia Editora Nacional, o livro foi publicado pela primeira vez em 1938.
Acho que foi na criação desta relação com o cliente da papelaria, que se estabeleceu na cabeça do público que na compra de algum livro se obteria o desconto. Tornou-se um hábito bem arraigado. Durante estes anos ouvi de muito livreiro a reprovação do desconto para livros. Uma reclamação por parte dos livreiros e que crescia no inicio da feira do livro em praça pública, cujo desconto era de 20% obrigatório na compra de qualquer livro. Alguns livreiros acompanhavam a promoção dando destaque em suas lojas, outros efetivaram o desconto de 20% em todos os livros, caso da Livraria Ivo Alonso Nunes, uma boa livraria no centro da cidade, na Praça Monte Castelo. A livraria Ivo Alonso foi distribuidora da Atlas. Em plena efervescência de vendas chegaram abrir uma filial na Gama Filho, sob os cuidados do filho. Lembro que na loja do Ivo Alonso faleceu o historiador Manuel Mauricio de Albuquerque, habitual cliente da livraria, mestre e autor da Pequena Historia da Formação Social Brasileira, editada pela edições Graal. Estava em companhia de Eulalia Maria Lahmeyer Lobo, também professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais - IFCS-UFRJ.
Aqui no Rio surgiram livrarias para este distinto público e seus pais, poucas sobreviveram. Se não falha a memória na segunda metade da década de setenta e o inicio da seguinte. Lembrei de imediato de uma das melhores livrarias, a livraria Malasartes (1979) situada no número 367, do Shopping da Gávea dedicada ao público infantil, tendo como uma das sócias, a escritora imortal Ana Maria Machado, aliás, eu considero como uma das melhores escritoras, embora, não apenas dedicada ao publico infantil; com Claudia Amorim e sua mãe Yacy Mattos de Moraes.
Ana Maria Machado foi uma das sócias da Quinteto Editorial, vendida mais tarde para a editora FTD. Lembro que ao ser vendedor tive a oportunidade de conhecer a livraria Malasartes e o primeiro contato foi com a Claudia, dali nasceu uma identificação imediata, sem muitas elucubrações, eu estava diante de uma livreira. Uma boa livreira. Fui apresentado por um amigo de longa data, também vendedor, de nome Fabrício. Na ocasião a editora em que eu trabalhava havia uma pequena seção de livros infanto-juvenis, que não foi adiante, no caso era a editora Paz e Terra. A coleção era dirigida por Eliane Ganem, escritora, professora do Instituto de Arte e Comunicação da UFF, seu livro Coisas de Menino foi editado pela Paz e Terra, ilustrado por Jayme Leão e com orelha escrita por Michel Misse, meu colega do IFCS/UFRJ. Há uma edição pela José Olympio.
Na Quarup, uma livraria que eu tive em Ipanema, havia criado um espaço dedicado ao leitor infantil, recebia visita de algumas escolinhas e de um pequeno público da redondeza. Meu filho na condição de ouvinte gostava imensamente dos livros da Ática, da coleção Gato e Rato, do casal Mary França e Eduardo França. Pensei em criar e logo abandonei a idéia inspirada na Murinho, a livraria infantil pertencente a falida Muro do livreiro Rui Campos, uma carteirinha de sócio. O momento de dificuldades de manter a livraria estava timidamente sendo anunciado, resisti até o mês de agosto de 1984.
Pouco tempo depois de ter fechado, recebi um convite e fui trabalhar na livraria Unilivros de Ipanema, junto com uma boa equipe de vendedores sob o comando de Mário, o homem de confiança de Jorge Ileli. Ileli conhecido cineasta, sua livraria era freqüentada por diversos artistas. José Lewgoy tinha uma cadeira cativa na livraria, estava sempre por lá. José Wilker era um dos melhores leitores, apontaria na época sem sombra de dúvida como o maior comprador de livros, assim como a Fernanda Montenegro, era também uma grande leitora. Manoel Carlos também comprava muito. Lembro de vários artistas, uma das últimas vezes que vi junto com a sua filha, a atriz Lílian Lemmertz , pouco tempo depois veio a falecer prematuramente. Continua na próxima oportunidade.
Ps: Fui informado pela Office Book, o novo endereço da tradicional livraria Ivo Alonso Nunes, localizada na Rua das Marrecas, 11, no Centro do Rio de Janeiro. Pela foto enviada, vale uma visita.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Globo: Uma Livraria e Editora para permanecerem na História.

João Fahrion: Professor do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, pintor, desenhista, ilustrador e gravador. Nascido em Porto Alegre em 4/10/1898 e falecido em 11/08/1970. Capista e ilustrador de livros publicados pela Editora Globo. Desenhou as capas de alguns números da Revista do Globo.

A partir de hoje penso em alternar as manifestações artísticas expostas neste espaço blogueiro. Vou pendurar neste mural, obras (capas) de artistas relacionados de alguma forma com a indústria do livro.
Tenho recentemente abordado como fio condutor minha experiência como um antigo profissional do livro, principalmente ligado ao comércio de livros e como leitor; deste modo penso em estar contribuindo de alguma maneira para reconstruir mesmo que por esta via, a história do livro. Não poderia ignorar a importância fundamental em um livro a participação do profissional das artes gráficas, ilustradores e desenhistas, daí que aos poucos colocarei em exposição, capas que me agradaram, ou que procuraram criar uma identidade visual nas editoras. Fui testemunha ao ouvir por parte do consumidor de livros, que através da capa, da beleza apresentada, foi o que estimulou para comprar este ou aquele livro. Uma bonita capa, atraente, é o primeiro impacto diante do leitor, realmente ajuda e muito em uma decisão na hora de comprar. Associados ou não à capa, está o autor, título ou assunto, elementos que são atrativos para um leitor.
De oitenta prá cá houve um número maior de editoras, livrarias e uma pluralidade de artistas produzindo capas de livros. Uma nova linguagem visual marcava presença nos espaços do livro. A impressão que tenho, é que a editora Companhia das Letras foi quem efetivamente deu enorme contribuição para este novo tratamento visual, a partir de seu surgimento no ano de 1986.
Segundo alguns intelectuais, o livro após a presença da Companhia passou a ser objeto de desejo. A midia impressa babava por novos titulos da editora, que produzia cada vez mais. Os cadernos "culturais", riam de ponta a ponta com cada livro resenhado. Eliminavam por princípio qualquer pequena editora. Eu trabalhei com editoras que tinham dificuldades enormes para obter um espaço em um destes cadernos e eram editoras de grife. Havia espaços cativos e pronto. Os editores destes cadernos demoravam em reconhecer sucesso fora dos parâmetros da editora que estava em moda. Tudo que envolvia a editora era sucesso, aliás quando estive em São Paulo nos anos 90, vi livrarias na Avenida São João vendendo ponta de estoque da editora, um repleto e variado saldo.
A mudança de formato se fazia presente em várias editoras. Antigamente, hoje é mais aceito, havia uma enorme resitência por parte do público e das livrarias, a edição de um livro impresso em papel jornal e o preço do exemplar mais barato. Não adiantava, o público era refratário. Encalhes e mais encalhes, o resultado venda para papeleiros.
Hoje fica pra mim mais difícil identificar de imediato qual seria a editora que estaria em exposição em um balcão de livraria, por exemplo. Quando atuei em livrarias eu percebia, talvez por ajuda de uma boa memória visual e com mais facilidade uma editora. Ali estavam: uma Zahar, Civilização Brasileira, Francisco Alves, José Olympio, Paz e Terra, Nova Fronteira ou outras editoras. Naquela época também identificava a editora por titulo, autor ou linha editorial.
Como o meu post trata da Livraria e Editora Globo, resolvi iniciar com um trabalho de um artista, dentre os vários que colaboraram com a editora gaúcha desde a sua criação, em 1930, com a participação de Henrique d`Avila Bertaso, filho mais velho de José Bertaso.
Li outro dia no mês de julho, em site de um jornal gaúcho noticiando que a Globo livraria, situada desde dezembro de 1883 na famosa Rua da Praia no centro de Porto Alegre, daria lugar a uma empresa de eletrodomésticos e móveis. Segundo a informação foi vendida uma parte do tradicional prédio da livraria, a outra foi destinada aos livros e a papelaria que seriam deslocadas para os fundos da loja. Uma pena! Sinto muito quando fecha ou é atingida uma livraria, editora ou distribuidora. Ali, apenas para citar passaram alguns escritores como: Mário Quintana (1906/1994), colaborador da Revista do Globo, poeta e tradutor; Lia Luft (1938) exercia o trabalho de tradutora da editora; Érico Veríssimo (1905/1975) um dos colaboradores mais efetivos da editora, como tradutor, escritor e conselheiro editorial além de ser editor da Revista do Globo; a jornalista, professora doutora pela ECA/USP pesquisadora Cremilda Medina, autora de “Notícia, um produto à venda”, editado em 1978 pela Alfa-Ômega e Maria da Glória Bordini, professora, pesquisadora no campo da leitura recentemente despedida da PUC/RS. Maria da Glória é também autora de um estudo editado pela L&PM, cujo titulo é: “Criação Literária em Érico Veríssimo”.
No caso da livraria foi determinante a situação de endividamento em que se encontrava. Atualmente quem preside a livraria é o bisneto Henrique Ferreira Bertaso. Nesta situação desenrolou uma cisão familiar que envolveu os irmãos Bertaso. A declaração do irmão, ao se recusar a participar da Feira do Livro de Porto Alegre: ”O senhor Cláudio disse que seria melhor a Globo ir vender suco de uva na feira, porque livro não dá dinheiro. Ele desprezou os livros”, tornou público o vice-presidente Gustavo. Brigas familiares têm sido a tônica de divergências e fechamento de empresas. Convém lembrar que um dos fundadores da Editora Globo, Henrique Bertaso (1906/1977) participou da criação da Feira do Livro de Porto Alegre.
Lembro da filial que a livraria Globo montou no Rio de Janeiro nos anos 80, na Rua São José em frente do terminal de ônibus. Não ficou muito tempo e cerraram as portas. Nesta ocasião trabalhava para Paz e Terra. Achei que a filial, não conheço o restante das lojas do sul, mas como estavam abrindo a loja, o acervo não me impressionou. A livraria uma empresa tradicional no ramo do livro, com concentração no sul do país, me parecia sinalizar dificuldades. Eu tinha uma facilidade, fotografava com os olhos, o acervo da livraria, percorria as estantes de ponta a ponta, dali eu identificava o material que a loja dispunha. A livraria atuava com o binômio: livraria e papelaria, combinações não muito freqüentes na praça do Rio de Janeiro. A distribuição da Editora Globo, até ser vendida para Rio Gráfica em 1986, era feita pela Catavento. A Rio Gráfica (RGE) foi uma empresa fundada por Roberto Marinho, em 1952.
Anos mais tarde em uma breve passagem pela livraria Beta de Aquarius, antes de minha saída, conversava com o proprietário da loja, o livreiro Antonio Seabra, a respeito de meu interesse em leituras sobre a historia do livro no Brasil, lembrou que tinha em seu acervo, dois títulos que me interessariam, acabou por ceder dois livros de autoria de José Henrique Bertaso sobre a livraria Globo. Uma referência para compreensão da história do livro, embalado por elementos de uma narrativa biográfica bem interessante; o que motivou a busca pelo título “Um Certo Henrique Bertaso – Artigos Diversos, editado, ou melhor, reeditado pela Globo, em 1997, de autoria de Érico Veríssimo. Encontrei em um sebo, após um ano de busca, foi localizado em uma prateleira por 5 reais. Abri de imediato o livro de capa dura para iniciar a leitura e li:”Mil novecentos e vinte e dois foi, sob muitos aspectos, um ano portentoso”. Até a próxima...
Fonte de Consulta: Traça Livraria e Sebo - especialmente Mostra da Revista do Globo (1929/1939) e Jornal de UFRGS







terça-feira, julho 31, 2007

No tempo em que eu vendia livros.

Egas Francisco : (Egas Francisco Sampaio de Souza) Ontem procurava ao navegar pela net, algum artista brasileiro para que pudesse ser mostrado aos meus dois leitores, na galeria improvisada deste blog. Ao ver esta pintura datada de 1986 no site CCLA em homenagem ao artista, fiquei maravilhado com a beleza da obra, não hesitei, acabei naquele momento de encontrar uma preciosidade, a obra de um talentoso artista autodidata paulistano, nascido em 1939, morador da cidade de Campinas. Egas é ao mesmo tempo desenhista, cenógrafo e pintor. Sua primeira exposição foi na livraria Macunaíma, em São Paulo, no ano de 1960 e teve a apresentação do cineasta paulista Maurice Capovilla, um dos representantes do Cinema Novo. Egas Francisco é conhecido em nosso país e no exterior, com exposições individuais e coletivas de grande sucesso. Em um texto da Revista Agulha, obtive informações a respeito do artista em uma matéria em forma de entrevista, realizada por Ana Lúcia Vasconcelos, que vale uma leitura. Recomendo uma visita à página oficial do artista , no momento estava em construção, mas que oferece para agrado dos olhos e dos leitores, a imagem pintada pelo autor da escritora Hilda Hilst(1930/2004). Lembro que distribuí um título de Hilda, chamado Cartas de Um Sedutor publicada em 1991, pela editora Paulicéia, dos irmãos Perosa. Acho que pode ser ampliada para mais informações a respeito do artista, uma visita ao site Cumbuca
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Recebi ontem pela manhã uma mensagem em minha caixa postal, cuja autoria é atribuída ao imortal João Ubaldo Ribeiro, que na apresentação do texto, traz a imagem do escritor. Gostei muito do que li e procurei como sempre faço repassar para os amigos. Confesso que fiquei confuso, por ter me deparado com o texto numa versão portuguesa em um blog
lisboeta
Gosto de fazer quando tenho tempo, uma leitura mesmo que rápida em diversos blogs, tanto os portugueses como os de nossa terra. E foi por acaso que depois da leitura esbarrei com os créditos do texto como sendo de autoria do intelectual português Eduardo Prado Coelho e publicado na imprensa portuguesa. Fica claro que não vou perseguir nenhuma pista para saber ou comparar a autoria dos textos. Na net pelo que tenho conhecimento, é um território livre, podendo ao sabor do vento, creditar a confecção de um texto para qualquer um, o que é feito sem nenhum pudor e respeito aos direitos autorais.
O que me interessa particularmente, é a declaração de nosso presidente que foi inserida no texto de modo enfático e que me parece ter ficado muito orgulhoso ao dizer que é:” muito chato ter que ler”. Confesso que não esperava outra coisa proferida pelo nosso presidente, principalmente em se tratando de leitura ou de seu objeto principal que é o livro. Embora perceba o nível de consciência política, da facilidade com que tem de apreender diversos assuntos, o livro para Lula está fora de seu alcance. O tratamento dado para a recomendação da leitura, está sempre deslocado para um plano de menor importância. Fiquei abismado, pois nosso presidente ignora a importância da leitura em nossa sociedade. Quem lida ou lidou com livros, sabe da dificuldade que se tem e por teimosia viver do livro. Vivi em muitas situações como distribuidor a dura realidade de não ter colocado à disposição do leitor determinados títulos de uma editora. Por mais que se tente, a venda de um livro nas livrarias, muitas vezes encontra dificuldades, diversos fatores contribuem para que o livro fique parado no estoque de uma distribuidora, não seja aceito.
Vi livreiros que selecionavam os títulos em função do perfil de seu público, aliás estão certos, como por exemplo: quando vivo, o livreiro da Timbre, Aluízio Leite (1938/2000) ou a sua sócia Kiki, também livreira faziam os pedidos de acordo com o seu público ou os seus gostos. Há livrarias e seu público, muitas vezes o editor ou autor tinham dificuldades para entender porque de seu livro não estava em determinada livraria. Eu convidava autor ou editor para fazer uma visita ou uma rodada na praça, para sentirem de perto as livrarias. Pedidos feitos pelas livrarias ao editor ou distribuidor, geralmente são caracterizados pela quantidade de um exemplar. Como distribuidor convivi com uma disputa na praça por ter em alguns casos uma pluralidade de editoras sem a exclusividade. Achava um erro até pela extensão da praça a oferta de mais de um distribuidor, atribuido ao número pequeno de livrarias, sofri perseguição de um dos maiores distribuidores do Rio de Janeiro, chegou a boicotar minha inscrição para ser associado da Feira do Livro , na ocasião presidia a entidade ligada ao livro(ABL). Sua distribuidora Irradiação Cultural, apenas por coincidir trabalharmos com as mesmas editoras, provocava um desconforto em seus vendedores, que eram exteriorizadas por olhares e comentários. Havia situações em que eu ou o concorrente estávamos em uma mesma livraria para oferecer o mesmo titulo, ganhava às vezes quem dava o maior desconto ou quem tinha maior interação com o comprador. Alguns editores gostavam desta disputa, estimulavam... Continua no próximo post.






domingo, julho 22, 2007

Homenagem ao Poeta: Carlos Drummond de Andrade

Escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, criada pelo artista mineiro Leo Santana. Instalada em Copacabana, em frente à rua em que o poeta morou, no dia 31 de outubro de 2003 - Centenário do Poeta. Fonte de consulta: (http://www.gospeltv.com.br/)

Pela primeira vez , decidi que republicaria um texto produzido por mim aqui neste espaço. Peço desculpas para aqueles que eventualmente tiveram oportunidade de ler o texto em 2005, estou repetindo com poucas alterações. Acrescento como um dos homenageados o meu neto Ricardo, nascido em 31 de outubro de 2006. Aliás, o mesmo dia e mês de nascimento do grande escritor.

Caminhava conversando com o vento pelo calçadão seguindo sem lenço e com documentos com os olhos cheios de cores, vidrados naquela maravilha de cenário, bonito por natureza.
Vi
Os corpos dourados das mulheres de Copacabana deitadas como sereias, nas areias banhadas de sol, beijadas por homens, ondas e ventos.Dos homens e crianças sorridentes sem dentes da cola que cheiram e brincam indiferentes.
Pega! Pega Ladrão! Pega Ladrão!
Grita aflito alguém chorando a carteira voava entre pivetes, facas e canivetes. Armas do desejo de possuir.Roubam e atravessam sorridentes e triunfais.
sou di menor, tio me dá um real.
Vou seguindo em direção ao Posto Seis. Sob o céu azul de Copacabana.
Nada no bolso ou na mão. Peço uma licença poética, ao Meu Amigo Poeta para um dedo de prosa.
Meu amigo, respeito o seu silêncio, mas a infância está perdida. A mocidade está perdida, mas a vida não se perdeu...ainda.
Naquela avenida abraçada pelo mar os hotéis sorriem de felicidade. Turistas perdidos procuram as damas da noite e os gays da vida, na vida, perdidos na noite, paqueram aqueles que vivem aqui em Copa e de Copa. Olha o Poeta, em seu silêncio a paisagem encarnada e ventilada pelos odores dos corredores, dos caminhantes, dos ciclistas e golpistas; Copacabana você não me engana, não disse assim Fontoura, mas disse Caetano e Torquato, nesse país que me engana, aí de mim, Copacabana, aí de mim,ai de mim, ai de mim...
Copacabana virou filme da Carla Camurati, Ai de ti, Copacabana! Dizia Rubem Braga, porque a ti chamaram Princesa do Mar.Porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia...estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.
E agora, Carlos?Você sentado eternamente neste banco poetando este mundo caduco.Sei que no meio do caminho tinham aquelas pedras do calçadão e bicicletas na contra-mão.Tinha a policia descansando, porque ninguém é de ferro.Carlos, eu confesso, nunca esquecerei desses acontecimentos:Tinha um corpo estendido no meio do caminho no meio do caminho tinha um corpo drogado.Um menino revoltado.
Meninas vendendo balas. Alugando corpos.
Das gaivotas em cambalhotas. Mar me fez amar Copacabana pra se amar, um só lugar, Copacabana cantava Lúcio Alves em 1951;Princesinha do Mar Só a ti Copacabana eu hei de amar.
E agora, Carlos? Lula , esqueceu que foi operário e foi viver no Paraíso virou amigo de reis e príncipes e afastou os mendigos. A festa não acabou , a miséria continuou.. As luzes da cidade estão acesas nos quiosques, na praia, nos faróis. A bebida rola e outras coisas que nem queira saber.
Copacabana sempre nos engana. Do Leme ao Posto 6. Lembro, Carlos quando você passava por mim, nos anos 80 de braços dados com Maria Julieta pelas calçadas de Ipanema. Soube que você ficou muito triste com a partida de sua filha, ela foi pra não voltar e você, depois, seguiu seus passos...Eu estava do outro lado do balcão de uma livraria daquele cineasta que dirigiu: Amei um bicheiro. Ele também foi embora, deixou um livro escrito pela Rosana Cardoso, que começa, citando seus versos: É preciso que a lente mágica Enriqueça a visão humana e do real de cada coisa. Um mais seco real extraia para que penetremos fundo. No puro enigma das figuras, está escrito em Amar se aprende amando.
E agora, Carlos? A festa não acabou, mal começou...Copacabana me enganou e um anjo meio torto, destes que colocam o boi na sombra disse: Vai, Wilton, ser de esquerda na vida militante dos sonhos, dos protestos estudantis, acabei Carlos sendo sociólogo, livreiro, distribuidor e editor. Até uma locadora de filmes criei de nome Sagarana. Lá no Catete.
Vou te contar, Carlos. Dona Vanna Piraccini, uma grande livreira, você conheceu muito, sei que você estava sempre por lá... Leonardo, era sua passagem, continua sendo uma excelente livraria, em companhia da filha Milena. Faz parte da história do livro. Lembra da campanha que você fez através do JB? Conclamando os clientes a pagarem as contas por causa daquele incêndio criminoso na livraria, queimando tudo, arquivos e livros, foi no ano de 1973.
Eu solidário, fui um deles.Você chegou a fazer poema em homenagem a livraria: Ao termo da espiral que disfarça o caminho com espadanas...
Quem quiser saber mais que leia as Impurezas do Branco. Meus olhos e os seus seguem As bundas bronzeadas, as boas de bunda. Uma bela bunda, Não sei se seria da Raimunda. Que além de ser rima é solução. Aquelas que parecem sorrir. São engraçadas. Esferas harmoniosas sobre o caos. A bunda são duas luas gêmeas. Em rotundo meneio. A bunda é a bunda. Sabe meu querido poeta elas nos divertem...Sei que você dedicou Um Amor Natural para elas.
Lembra Carlos, daquela que pelo rádio da polícia, mandou o seu recado, a Kátia Flávia, gostosona que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas. A Godiva de Irajá que se escondeu aqui em Copa.Uma Louraça Belzebu, provocante, disse a Fernanda Abreu, uma vascaína igual a nós. Lembro Carlos que você publicou vários assuntos sobre futebol. Quando é dia de futebol, virou título de um livro. Quem reuniu esta seleção de textos, foram os seus netos, achei muito legal esta iniciativa. O nosso time esta um vexame só. É governado pelo Tirano da Colina.
Poeta, quantas pessoas sentam ao seu lado passam aqui para conversar e ouvir poesia ou apenas fotografar.Carlos, a Rosa ainda não é do povo, continua com os espinhos mas elas falam, reclamam, protestam. Carlos, a coisa aqui, tá preta como disse outro poeta. O outro, poeta-cantor largou a Marieta. Mas o que queria lhe dizer; é que continuamos na luta, na luta... sem pedir licença. Os poderosos estão cada vez mais ricos. Os idosos, estes que tiram fotos de você ainda continuam penando nas filas dos postos da previdência, nos hospitais. Cresce o número de moradores de rua. Sei que os seus olhos não perguntam nada, apenas olham para as pernas brancas, pretas e amarelas. Por que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Pois é poeta, pernas pra que te quero? Olha poeta, que rabo muito gira, é de uma portuguesa com certeza, reparei no sotaque enquanto caminhava olhando Las Muchachas de Copacabana. Mamãe pro mês lhe mando umas economias. Lembrança da filha Que brilha aqui na capital. É uma estrela internacional. Esta é de autoria do Chico, que continua cada vez melhor...escrevendo livros e composições, fazendo show e indo à praia do Leblon.
Poeta adivinhe, onde? Na praia, até uma Inocente do Leblon. Foi ouvir bem de perto, parece que era um papo animado.O Arnaldo, sim, o Jabor, anda fazendo meditações diante de um bumbum. O bumbum da Juliana Paes, você meu querido poeta acho que não conheceu é uma celebridade da tv, uma artista de novela. Foi capa de revista Playboy.
E agora, Carlos? Continuamos morando em Copa, você em um posto, eu, em outro. Moro na metade do seu. Carlos, quase que ia esquecendo de lhe contar: Há mulheres colocando silicone, no considerado patrimônio nacional fazem cirurgia pra aumentar os glúteos, mas prefiro bunda ao natural, acho melhor.Quero lhe apresentar a puta da cidade, que você falou certa vez.Ouvi dizer que João amava Pedro Que amava Teresa que não amava Raimundo. Raimundo que amava Maria Que saiu da casa da tia e Joaquim que não estava nesta história, acabou mesmo suicidando, se jogando de um prédio na esquina de Figueiredo com Domingos.
Um escrito na sala do apartamento de Copacabana, escrito que não engana. Arregalou os olhos de Sebastiana, assim, cantava Eduardo Dusek. Carlos, quem está distante de nós, é a doce e querida amiga Elianne, trocou Ipanema por Cabo Frio, voltou para Ipanema e foi para Natal., levando livros e filhos...Deixou lembranças...É o nosso amor antigo, nada exige e nem pede...
Carlos, agora, meu caro poeta, vou para casa. Pretendo acordar sem sofrimento. A dor que deveras eu sinto, é a dor de não ser um poeta, nem prosador do mundo.Sou apenas um leitor e agora blogueiro. Com o abraço de sempre desse quitandeiro, velho apreciador de livros e poesias. Seu grande admirador.
Obs: Foram consultadas algumas poesias de Carlos Drummond de Andrade em páginas na web como: Drummond: Alguma Poesia e Casa do Bruxo. Versos de Drummond foram inseridos na elaboração deste texto, assim, como os autores citados e suas composições musicais. Esclareço que é uma homenagem singela e sincera ao poeta que sempre via passar por mim e que hoje passo por ele, em sua forma de escultura na Praia de Copacabana, posto 6. O que escrevi,dedico para Marilene, minha companheira por mais de 30 anos, ao filho Raoni, aos seus filhos, meus netos Ramom e Ricardo e, a minha querida amiga, a psicanalista Elianne Abreu.

terça-feira, julho 17, 2007

Papo sobre Livrarias: Uma Conversa sem Fim.

Não fico espantado, não fico surpreso com pesquisas a respeito do consumo de livros em nosso país, como a que foi publicada em O Globo, em matéria assinada por Maiá Menezes, no dia 4 de julho de 2007. Apenas confirma a minha visão a respeito do baixo consumo de livros por parte do público identificado como universitário. Esse era o meu público alvo, uma vez que, sempre trabalhei para este universo de leitores, seja através da divulgação, comercialização e distribuição de editoras em que predominavam em seus catálogos, o livro universitário e com alguma concentração na área de ciências humanas. Meu termômetro muitas vezes foram livrarias abrigadas em universidades, bienais, feiras de livros nas praças da cidade, livrarias localizadas nos bairros e outros espaços onde eu pudesse atuar. Era o meu segmento predileto, a oportunidade de rever professores e colegas da universidade, sempre encontrava com alguém. Deixo claro que como profissional, representei como vendedor, através de distribuidoras, editoras que eram especializadas em literatura infantil,como a Memórias Futuras, uma editora situada em Laranjeiras, ou astrologia, como a editora Hipocampo. localizada em Botafogo, de Beatriz em parceria de alguns títulos com Massao Ohno.
Minha condição de antigo vendedor pracista, ou distribuidor; possibilitou e deu garantias para que eu pudesse visitar diversas livrarias no Rio de Janeiro e uma parte da praça do centro de São Paulo e de alguns bairros da capital, quando atuei por lá no inicio dos anos 90 pela Editora Paz e Terra/Edições Graal. Foi sem dúvida um aprendizado. São praças bem distintas. Aqui no Rio de Janeiro, como profissional, eu compunha muito bem o perfil de um vendedor/leitor da Paz e Terra, sempre fui identificado como da Paz e Terra /Graal não só como divulgador enquanto trabalhei na área universitária ou mais tarde como pracista das editoras na praça do Rio de Janeiro. Foram as editoras que estive por mais tempo como profissional, assim, como tinha um bom transito com Marcus Gasparian, que fui convidado para ir para São Paulo. Os irmãos Laura e Marcus Gasparian, gerenciavam a simpática livraria no final do Leblon, depois, a livraria ocupou o espaço da antiga biblioteca pública do Leblon. A livraria do Rio ficava mais sob os cuidados de Laura, as lojas (Argumento e Livre) de São Paulo, sob a gerência da matriarca Dalva Gasparian. Marcus era mais ligado a editora, ajudava o pai, Fernando Gasparian. Nesta ocasião ajudei na montagem da livraria Poiesis em Ipanema de Denise Emmer, era no mesmo prédio em foi situada a minha livraria.
Acho que o contato direto que se estabelece entre o pracista e o livreiro, ainda vejo como o mais credenciado para visualizar e detectar o comportamento de vendas de uma editora, muito diferente daqueles que se arvoram em se pronunciar a respeito de livros.
O pracista é um profissional que lida com a observação direta, o pedido (compra) por parte do livreiro, seja ele um livreiro badalado ou não, dono de uma pequena livraria ou comprador de uma rede de livrarias.
Observei que muitos compradores não tinham a menor noção do livro que eu apresentava ou de outros colegas, representantes de editoras Aqui cabe registrar que muitos vendedores pracistas, desconhecem também o seu objeto de venda, muitos o fazem de modo mecânico; condicionados pegam os livros (novidades) e vão rodar a praça, estão atrelados a metas de vendas.
Há muitos obstáculos para um livro não ser comprado por um livreiro e destaco um deles: é a participação das editoras, na exigência de mínimo de compras para se formalizar a emissão de uma nota fiscal. Muitas editoras usam a linguagem consensual, de não fornecer o pedido se não cumprir o mínimo, muitas vezes condicionados ao salário mínimo. Sempre fui flexível nesta relação, enviava sob forma de vale provisório, em primeiro lugar estava o atendimento aos clientes: leitor e livreiro, isto gerava em mim uma grande satisfação.
Engraçado muitos vendedores/editoras que eram intransigentes, reclamavam das vendas. Algumas lançavam mão da presença de gerentes para verificar o comportamento da praça e se possível com as mais modernas técnicas de venda e persuasão, convenceriam o cliente a comprar. Muitos editores esquecem que a simples presença deste representante não implica em aumento de vendas ou mesmo que se efetue alguma venda; salvo, se vier com alguma proposta promocional e se estiver na projeção de compras do livreiro, vi colegas constrangidos com a presença a tiracolos de gerentes em suas visitas diárias, monitorando o vendedor. Uma grande editora monitorava o vendedor, telefonando em seguida para a livraria visitada, além de registrar o horário de entrada e saída do vendedor da loja, confirmado pela assinatura do responsável pelo atendimento.
O quadro de vendas estava se alterando, a figura do vendedor e ou do distribuidor no inicio dos anos 90, distribuidoras e pequenas livrarias entrando em colapso, estavam desaparecendo. Novos recursos de vendas são acionados, algumas livrarias são maquiadas para serem transformadas em distribuidoras, gozando do desconto de praxe.
Um novo desenho estava sendo criado pelas livrarias, estavam surgindo megas livrarias, novas roupagens e combinações são introduzidas nas livrarias sobreviventes. As livrarias tradicionais ficaram asfixiadas e longe dos benefícios que as megas são contempladas, insistem bravamente e teimam em disputar com as redes. Sua sobrevivência implica muitas vezes na preservação do livreiro, um atendimento mais personalizado.
Uma nova arquitetura, novas opções sofisticadas são oferecidas aos clientes. As redes de livrarias oriundas no Rio de Janeiro, não sobreviveram como: Unilivros, Entrelivros e Studiolivros , ou a Sodiler, a ultima grande rede de livrarias no Rio de Janeiro, agora sendo gerida pela Laselva Bookstore, uma grande rede paulistana. Enquanto por um lado circula boatos na imprensa, dando conta de que a rede Siciliano, pode ter o controle passado para a Ediouro, que vivenciou esta experiência nos anos 80, abrindo e fechando lojas, como a Curió.
Bem volto a conversar sobre livrarias, livros e editoras o mais breve possível. Até a próxima oportunidade. Um grande abraço.

segunda-feira, junho 18, 2007

Papo de Segunda

Mário Cravo Júnior: Escultor, Gravador e Desenhista. Um dos maiores artistas baiano e de grande importância no panorama das artes de nosso país. Nasceu em Ribeira do Itapagipe, Bahia, no ano de 1923. Pai do talentoso artista Mário Cravo Neto. Doutor em Belas Artes pela UFBA. Artista com exposição individual e coletiva no exterior. Considerado como um dos fundadores da Arte Moderna da Bahia.


Fonte de Consulta: Wilkipédia // Mario Cravo Neto //Acervos.art.br // Camara do Governo // Organização Odebrecht





Na semana passada ao voltar a caminhar pela orla em direção ao Posto Seis, passei por um trecho da praia destinado aos jogadores de peteca. Foi o momento em que lembrei do livreiro Ernesto Zahar, proprietário da livraria Ler, morador de Copacabana e freqüentador assíduo daquele espaço. Muitas vezes em minha caminhada ou corrida, presenciava ali, como praticante de peteca, sempre de sunga, o livreiro Ernesto e os seus parceiros de jogo.
Conheci diversos profissionais que trabalharam na Livraria Ler, tanto na Rua México, quanto na filial do Mercado das Flores. Bons tempos da Livraria Ler, realmente a livraria tinha uma tintura de esquerda, não sei se seria uma livraria de oposição ao regime militar, diferente do que aconteceu com editoras, por exemplo: a Kairós Livraria e Editora, uma pequena editora paulista, cujos sócios eram: José Castilhos Marques Neto, Magali Gomes Nogueira e Moisés Limonad, três militantes da Libelu, vinculados a Organização Socialista Internacional. Aqui recomendo para quem desejar aprofundar no tema, o interessante estudo de Flamarion Maués, publicado na Revista História, SP, vol. 25, nº2 p.115-146, 2006. Aliás, faz parte de sua tese de mestrado: Editoras de Oposição no período da abertura (1974/1985) defendida no Departamento de História da USP, em fevereiro de 2006.
Aqui no Rio, houve atentados em jornaleiros e livrarias, apreensão de livros, caso da Ler de edições portuguesas de Carlos Mariguela, Márcio Moreira Alves e outros autores; incêndio, como o caso da Livraria Leonardo Da Vinci, da livreira Vanna Piraccini. Época de atentados, censura, anos de chumbo.
Houve um pessoal oriundo da Ler que abriu uma livraria na Rua Senador Dantas 117, no segundo ou terceiro andar, ali, foi instalada a livraria Espaço Dois. Os livreiros eram: Cícero, Celso e Américo. Um outro vendedores de livros partiram para Niterói, como o caso de Silva e outroa como: Joaquim e Everaldo, foram para a Livraria Vozes, da Rua Senador Dantas. Houve um, que foi para a livraria Argumento, o livreiro Celso Rolim (Livraria Apolo). Houve uma debandada da Ler, cada profissional tomou rumo diferente. A loja do Mercado das Flores havia fechado.
Na sexta-feira, recebi um pouco tarde a noticia de falecimento de um profissional do livro, grande batalhador, sobreviveu às duras penas como distribuidor da Perspectiva por mais de 30 anos e inicialmente com a Cortez & Moraes, depois do racha, apenas com a Moraes. Soube antes de fechar a minha distribuidora, ele tinha conseguido a Ateliê para distribuir. Seu nome: Arnaldo Vasconcellos Carqueija deixa os filhos Marcelo e Mônica. Fiquei abalado com o falecimento de Arnaldo, trabalhei com ele e os filhos em sua distribuidora Expectativa, localizada na Rua do Rosário 137, mais tarde as dificuldades como distribuidor o levaram decidir que para sobreviver teria de transferir para a sua residência no Méier, foi o que acabou fazendo. Fui seu vendedor por um tempo. Dificuldades muitas, era difícil vender com o desconto menor, mesmo ele tendo exclusividade das editoras. Conversava e muito com Arnaldo, quando passei a ser também distribuidor, ele, costumava passar na distribuidora para bater um papo, colocávamos em dia, a situação do mercado de livros. As distribuidoras viviviam agonizando, algumas como a minha estavam entrando em um processo de coma, o resultado não demorou, entrou em colapso como as demais distribuidoras, encerrando as atividades.
Um outro profissional que soube que teve um final trágico foi o dono da Livraria Ciência e Cultura, com filiais pelo Espirito Santo e pelo Rio, seu nome: José Alberto Aires Pinto, que cheguei a mencionar quando falei da livraria Ao Livro Técnico em um post anterior.

domingo, junho 03, 2007

As Publicações de Ciências Sociais no Rio de Janeiro

Eridam Pimentel : Importante e destacada artista plástica de Brasília. Participou recentemente da Mostra Coletiva sobre As Cores do Carnaval, promovida pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Participa do projeto Atelier Aberto desenvolvido pela Secretaria de Cultura e Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasilia.
Fonte de Consulta: Secretaria de Estado de Cultura //Atelier Aberto //Expoarte







Em minhas andanças pelas ruas da cidade, em minha rotina de visitas, freqüentava uma das melhores livrarias especializadas em ciências sociais, a livraria Ler, de Ernesto Zahar. A livraria ficava na Rua México, número 31, na sobreloja, defronte para a Zahar Editores (na época ainda identificada como Zahar, mais tarde, em 1985, passou a ser Jorge Zahar Editor). No mesmo prédio, no térreo, a esquerda de quem entra, fica situada a livraria Galáxia, de Lucien Zahar, irmão de Jorge e Ernesto..Estas empresas pertencem a cada um dos irmãos Zahar e cada uma delas , de participação relevante no mercado de livros de nosso país.Todas as três participavam de feiras de livros, que em rodízio, circulava pelas praças dos bairros do Rio, oferecendo descontos de 20%.

Na verdade eram três irmãos envolvidos com a comercialização e edição de livros; dos três, o que eu mais conversava sobre livros era Lucien Zahar (1925/1998). Gostava de ouvir suas historias, muitas delas uma narrativa em que os três irmãos eram protagonistas da história do livro no Rio de Janeiro.

A livraria Galáxia foi fruto da dissolução da sociedade da editora Zahar, cada irmão seguiu o seu destino, se não me falha a memória, isto aconteceu no inicio dos anos 70. Conheci alguns dos seus filhos que hoje estão à frente das empresas. Engraçado que no momento em que escrevo não consigo lembrar o nome da filha de Lucien, lembro de Luc que auxiliava o pai na livraria, mais ainda quando a doença abateu gravemente seu pai; Ernestinho, filho de Ernesto Zahar ficava na filial da livraria na Praça da Republica, 71, no centro de São Paulo, mas aparecia sempre na livraria do pai. Li em algum lugar que a partir de 2004 por decreto do governo municipal o nome do livreiro Ernesto Zahar passa a ser nome de rua no bairro Recreio dos Bandeirantes. Gostei da iniciativa, uma justa homenagem. A livraria Ler nos anos 70, montou uma filial no Mercado das Flores, número 28, uma pequena loja; vieram na ocasião vendedores da loja da Rua México, que mais tarde alguns destes vendedores passaram a trabalhar em Niterói, em lojas como: Diálogo, Portinari, Casa da Filosofia, Pasárgada do badalado livreiro e professor Aníbal Bragança , Gutemberg e outras da rede do maior livreiro de Niterói, o senhor Antonio.

Minha aproximação maior com Lucien nos anos 90 foi, por ter me transformado em distribuidor de diversas editoras, todas, as colocava sob regime de consignação na livraria Galáxia, de modo que sempre alimentava a livraria com novidades e a prestação de contas, era imediato. Nos anos 70 eu e minha mulher tínhamos crediário na livraria, lidávamos mais com o gerente Jaques Jonis Neto, mais tarde foi gerente comercial da Achiamé e editor da Dois Pontos, nos anos 80.

A Zahar registrava um importante catálogo na área de ciências humanas, principalmente na área de ciências sociais. A produção das ciências sociais do Rio de Janeiro encontrava acolhida na editora, por exemplo, através da família de Octávio Alves Velho militar e tradutor da editora, bem como os seus filhos Otávio e Gilberto. Fui aluno de Gilberto Velho (A Utopia Urbana: um estudo de ideologia e urbanização) e de Yvonne Maggie (Guerra de Orixá: um estudo de ritual e conflito). Muitos antropólogos em suas teses do PPGAS/UFRJ foram editados pela Zahar, assim como as teses do IUPERJ, um centro de pesquisas da Candido Mendes. Na verdade durante os anos 70/80, não só a editora Zahar que publicou o material de ciências sociais produzidos pelos centros acadêmicos do Rio de Janeiro, havia as editoras Vozes, Forense Universitária, Achiamé, Difel, Francisco Alves, Movimento, Campus, Hucitec, Imago e Paz e Terra/Graal. Notava-se a presença de artigos em publicações de periódicos como as revistas Vozes, Civilização Brasileira, Paz e Terra, Debate e Crítica, Revista de Administração de Empresas (RAE) e Ciências Políticas da Fundação Getulio Vargas, Revista América Latina, editada pelo Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, dirigido por Manoel Diégues Junior. Pelo IUPERJ publicava-se a Revista Dados, dirigida pelo cientista social Charles Pessanha.

Voltarei ao assunto em breve.











terça-feira, maio 01, 2007

Minhas Andanças

Fé Cordula (Francisco de Assis Cordula) : Fonte
de Consulta Galeria Errol Flynn







Certa vez fui à cidade, lembro que antes de chegar à livraria Civilização Brasileira, na Rua Sete de Setembro, número 97, no centro do Rio de Janeiro, participei de uma passeata na Avenida Rio Branco por mais verbas e vagas, fora FMI ( Fundo Monetário Internacional), abaixo o imperialismo, fora o acordo MEC-USAID, siglas usadas para identificar Ministério da Educação e Cultura e United States Agency for International Development, com objetivos de aplicar o modelo de ensino dos Estados Unidos. Através da reforma de ensino, fundindo o primário com o ginásio, resultando no que hoje, entendemos como primeiro grau. O cientifico e o clássico, fundidos foram compreendidos como segundo grau. O curso universitário passou a ser o terceiro grau. Atingia também as organizações estudantis que passaram a atuar com os ares da clandestinidade. A ditadura ganhava fôlego. Aplicação da lei 5692, modificando o sistema educacional brasileiro. Na época eu fazia o curso de pré-vestibular Diplomados, na Tijuca. Minha formação vinha do curso clássico e meu interesse era pelas ciências humanas e sociais.

Havia uma grande promoção, uma verdadeira queima de livros editados em sua maioria nos anos 60. Era algo como compre 3 pague 2.Esta promoção foi ampliada para as lojas da Entrelivros, uma rede de livraria, que participou deste empreendimento. Algumas barracas da Feira do Livro foram contempladas com os livros para saldo. A loja da editora Civilização Brasileira era muito bonita, creio que tinha uns três andares, com estantes altas e uma variedade de títulos que me fascinava. As estantes que me interessavam ficavam do lado direito de quem entrava, ao entrar esbarrávamos com o grande saldo empilhado como: Violões de Rua, BUP (Biblioteca Universal Popular), separei o livro Capitalismo do Século XX, os livros de José Condé, como Santa Rita com desenho de capa de Eugênio Hirsch, com ilustrações de Farnese e Poty. O irmão de Condé, Elisyo Conde, editava um dos poucos jornais que noticiava o mercado editorial e que durou um longo tempo, chamava-se Jornal de Letras. Assim Marcha a Família de autoria de José Louzeiro e Arthur José Poerner; livros do Cony, os vários livros sobre “Fundamentos”, O que se deve ler para conhecer o Brasil; lembro de Memórias de Um Soldado, um calhamaço de cor vermelha de Nelson Werneck Sodré (1911/1999), muitos livros do autor entraram na promoção; Diálogo Brasil–URSS, de Nestor de Holanda (1921/1970) uma edição em formato de bolso, editado pela Civilização, a coleção Cadernos do Povo, com outros titulos. Livros da Editorial Vitória, uma editora com fortes vínculos com o PCB, estruturada e administrada por Leôncio Basbaum, mais tarde comprei a coleção Historia Sincera da Republica em 4 volumes e Uma Vida em Seis Tempo editados pela Alfa-Ômega, de Fernando Mangarielo, uma importante editora de esquerda nos anos de chumbo.

Alberto Passos Guimarães em Quatro Séculos de Latifúndio, inicialmente lançado pela Fulgor e mais tarde pela Paz e Terra.Comprei o livro do pensador argentino Aníbal Ponce, Educação e Luta de Classes, editado nos anos 60 pela Fulgor, mais tarde publicado pela Cortez.

Montava o meu acervo percorrendo os sebos, gostava de garimpar preciosidades da área de ciências sociais, aliás, tive mais de 3000 livros na área de minha formação e que foi vendido nos anos 90, quando fui pela Paz e Terra para São Paulo, desfazendo a preço de banana para os livreiros Cícero da Soletrando, um sebo no centro de Niterói e Celso Rolim dono de um sebo em frente a UFF(Universidade Federal Fluminense).

Retrato sem retoque de Adalgisa Nery, Amaro Quintas com O Sentido Social da Revolução Praieira., o calhamaço de Otacílio Anselmo, cujo titulo é: Padre Cícero: Mito e Realidade, Princípios Fundamentais de Filosofia de Georges Politzer; Cartas do Cárcere. Literatura e Vida Nacional de Antonio Gramsci; realmente me esbaldava dentro da loja, a promoção ficou por um bom tempo, encontrei Critica Impura de Astrogildo Pereira. Presença de Alberto Torres de autoria de Barbosa Lima Sobrinho. Livros de arte de Carlos Cavalcanti, como: Conheça os Estilos de Pintura e Como Entender de Pintura Moderna. Livro sobre poesia de Mario da Silva Brito. Os Ratos de Dionélio Machado. As Revistas da Civilização Brasileira e as Revistas de Política Externa, A Vida de Lênin em dois volumes. A Mistificação das Massas pela Propaganda Política de Serge Tchakhtine. Enfim, muitos livros publicados pela Civilização Brasileira, do lado de fora da livraria, pregado a parede do lado esquerdo, o cartaz: “Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”. Tempo depois, a livraria muda-se para uma loja no Edifício Central, poucos funcionários permaneceram um deles, ficou por muitos anos era conhecido como Costinha, baixinho de cabelos encaracolados, sempre vestido de branco da cabeça aos pés. A livraria havia bons vendedores. A editora Civilização Brasileira foi para vários lugares, como Lapa e Botafogo, além dos espaços em feiras de livros nas praças.

segunda-feira, abril 23, 2007

Livrarias e Editoras

Airton das Neves: Fonte de Consulta:( GINA , Galeria Jacques Ardies)
Olá!
Meus Caros Amigos
No inicio dos anos setenta, quando freqüentava o IFCS/UFRJ, gostava de dar um giro pelas livrarias e sebos do centro da cidade. Havia algumas livrarias que estavam em meu roteiro semanal: a Livraria Padrão era uma delas, localizada na Rua Miguel Couto, número 40 no centro da cidade, de propriedade do tradicional livreiro e editor Alberto de Abreu Mathias e Carlos, falecido nos anos 90, era uma delas. A livraria Padrão, eu sempre a conceituei como uma boa livraria havia lançamentos de imediato, principalmente da área de meu interesse e livros importados portugueses, franceses e outros idiomas. Havia três livreiros como sócios: o senhor Vieira era mais ligado ao sebo, que ficava na parte superior da loja; Carlos e Alberto na livraria e editora . O s dois últimos tiveram passagem como sócios na livraria Acadêmica, se eu não estiver equivocado, era situada na Rua Primeiro de Março, depois transferida para a Rua Miguel Couto, quase em frente, onde é hoje a Padrão. A livraria Padrão como editora, tinham em seu fundo editorial as áreas de filologia, lingüística, língua portuguesa, dentre os seus editados, foram os filólogos: Mattoso Câmara Jr. e Celso Cunha, entre outros. Na livraria ainda temos o atendimento especial de Ana e seu filho André.
Na mesma rua, havia a loja do Ao Livro Técnico de Paulo Bluhm e de seu filho Reynaldo. Foi uma pena, que anos mais tarde a livraria é desativada, passava ali, algumas vezes, como sempre ia direto para as estantes de ciência sociais. Ao Livro Técnico, uma editora fundada nos anos 30; foi também distribuidora, com sede no bairro de São Cristóvão. Uma livraria com concentração na área técnica e de estudos de idioma.
Gostava de fuçar, perdia horas em uma livraria. Na loja do Ao Livro Técnico eu encontrava umas de suas representadas, a editora Herder, que depois passou a partir de 73 ser conhecida como EPU – Editora Pedagógica e Universitária, de Wolfgang Knap. A EPU foi fundada como Herder nos anos 50 . Percebe em seu catálogo a influência germânica, assim como em sua composição societária como por exemplo: Verlag Heder ou a Klett Ao Livro Técnico criou uma nova distribuidora, chamada Co-Livros. Alguns dos profissionais do Ao Livro Técnico deixam a empresa para montar a Citec, o grupo formado por Alberto, Edson, Nelson e se não estou equivocado, a Creusa, participavam da sociedade na distribuidora e livraria, inicialmente montada no Edificio Central.
Uma outra editora que eu procurava era a Livraria e Editora Pioneira de Ênio Matheus Guazzelli,com um bom catálogo na área de ciência sociais. Interessante lembrar que nesta época havia muitas editoras firmando co-edição com a USP.
Nos anos 80 fui vendedor da Perspectiva, uma excelente editora, um senhor catálogo, percebe-se inúmeros títulos com a chancela da USP; atuei junto ao distribuidor do Rio de Janeiro que ficava na Rua do Rosário. A distribuidora, representava também a editora paulista Moraes, antiga Cortez&Moraes. Houve um racha entre os editores José Xavier Cortez e Orozimbo José Moraes, cada um, foi para um lado. Até os distribuidores foram diferentes, um continuou com a Brasilivros e o seu representante no Rio, depois, a empresa no Rio passou a se denominar Distrilivros e a Moraes com a Expectativa.
Caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro, pela Rua Buenos Aires, entrava e ficava por pouco tempo, não era uma grande livraria, estava marcando presença no ramo editorial e do comércio de livros, a Editorial Labor do Brasil, lançou entre nós, em edição de bolso, o livro 26 Poetas Hoje, organizado por Heloisa Buarque de Holanda. Algum tempo depois, a Labor desativa a parte editorial e fecha a livraria. O formato predominante dos livros da Editorial Labor era o de bolso. Quem colaborou na editora foi Ana Cristina César (1952/1983), seu pai, o sociólogo Waldo César, foi um dos criadores da editora Paz e Terra e da revista na segunda metade dos anos 60. Foi uma fase ecumênica, ali, abrigava filósofos marxistas, católicos e não-católicos.
Em 1973, passa para Fernando Gasparian., que transformou a editora em uma importante via de resistência à ditadura militar. No final dos anos 70, fui divulgador editorial na área universitária, trabalhei direto com Fernando Gasparian, na ocasião a editora, ficava na Rua André Cavalcanti. Anos mais tarde voltei a trabalhar na editora, que estava sob o comando de Marcus Gasparian, fiquei por quase cinco anos na editora, atuei em São Paulo e no Rio de Janeiro. Gasparian nos anos 90 é eleito deputado constituinte. Uma editora que tinha todo o meu perfil, foi um casamento ideal, o pessoal do livro reconhecia a minha interação com a editora. Sai dali para montar uma distribuidora com perfil universitário, momento em que também fui editor. Vivi na década de noventa, os momentos de crise das distribuidoras, muitas fecharam, como a que era considerada como a maior distribuidora da cidade, a Irradiação Cultural, de Stélio e em São Paulo, quem apresentava sinais de crise, era a Brasilivros de Juarez Cordeiro. Identifico como fator de contribuição para o declinio das distribuidoras, a crise em que passaram diversas livrarias e redes neste periodo. A pequena margem de lucro para se trabalhar na praça em que está localizado o distribuidor, é um custo muito elevado. Arcamos com as diversas despesas, poucas editoras com exclusividade. A dificuldade de girar um catálogo, enfim, muita água debaixo da ponte. O papo segue em uma próxima oportunidade.

quarta-feira, abril 18, 2007

Papo de Quarta

Josenildo Suassuna : Artista Plástico, nascido na Paraíba, em Catolé do Rocha,em agosto de 1970.Interessante artista naïf que se desenvolve a cada ano.Artista autodidata, dono de uma linguagem popular , caracteristicas permanentes no universo de sua obra, demonstrado pelas cores que utiliza e a diversidade de temas representados. (Fonte de Consulta: Galeria Gamela Natural Fashion)









Olá!

Ainda resisto à idéia de desativar o blog, mesmo que eu tenha diminuído o número de posts publicados. Acredito que tenha sido a melhor maneira de amenizar a sua lenta agonia. Com o correr do tempo, percebi que me incomodava; abrir a Quitanda pela manhã, passear pelos corredores, observar o varal e o mural, vazios. Examinar prateleiras, paredes e gavetas com poucos registros escritos. As janelas, uma excelente via que lançava o meu olhar, através delas, estavam emperradas. Os vidros embaçados. A minha vontade de escrever me parece, deixou-se escapar e correr pelos ralos. Os meus textos ficaram bem espaçados ou mesmo abandonados. O que fazer? Parti então para um inventário da produção ficcional brasileira, meu ponto de partida, uma leve noção que tenho do que foi produzido no mercado editorial em determinados períodos.

Tarefa difícil, sem dúvida. Reconstruir títulos, autores, ano e casa publicadora. Achei que deveria combinar os dois momentos, um de pesquisa e o outro a intenção de continuar a escrever neste espaço. Mesmo tomando ares de solilóquio, continuarei a produzir algo que tenha para mim, o prazer da escrita e da leitura.

Neste intervalo, fui testemunha de um número significativo de blogueiros que encerraram, ou deram um tempo para um possível retorno em suas atividades com a escrita. Alguns abandonaram no meio do caminho, era o que eu pensei em fazer.

No entanto, pensando melhor, no meio do meu caminho, havia o blog Quitanda, ali parado, com textos que produzi, mesmo que revestidos por rascunhos da memória, estavam relegados, eram fragmentos dispersos que para mim são importantes, como por exemplo: subsídios para a história do livro na cidade do Rio de Janeiro. Afinal respirei por um bom tempo esta atmosfera do universo livreiro, impregnado ou não de bons momentos. Acho que transitei por uma boa fase do livro, um período de efervescência, que identifico nos Anos 80, incremento de algumas editoras, como Paz e Terra, criada em 1965 e adquirida de Ênio Silveira em 1973, pelo ex-deputado federal constituinte e editor Fernando Gasparian, falecido em outubro de 2006; a Editora Nova Fronteira surgida em 1965, de propriedade do jornalista, escritor e político, o ex-governador Carlos Lacerda (Carlos Frederico Werneck de Lacerda - 1914/1977)

Atualmente a Nova Fronteira pertence a Ediouro; Editora Brasiliense fundada em 1943, do historiador e professor Caio Prado Jr (1907/1990) em sociedade com Monteiro Lobato. Sem esquecer o nascimento de pequenas editoras com um perfil de esquerda, algumas com vínculo partidário. A maioria sucumbiu, assim como livrarias e distribuidoras.Há boas editoras como a Revan do jornalista Renato Guimarães, militante do antigo Partidão(PCB), que produz um bom catálogo.

Antes do final de 80, em 1986 assistimos ao surgimento da Companhia das Letras, de Luis Schwarcz, colaborador da Brasiliense, na ocasião sob a direção do filho de Caio Prado, o editor Caio Graco da Silva Prado, falecido em 1992, vitima de acidente de moto; atualmente a editora Brasiliense é dirigida pela irmã. a escritora Danda Prado (Yolanda Cerquinho Prado). O editor Luis Schwarcz promoveu uma revolução editorial e imprimiu sucessos. Obteve um enorme e merecido espaço na mídia; mas por outro lado trilhando um caminho inverso traçado por dificuldades de várias ordens, de crises, a solução para algumas editoras, foi passar adiante para outras editoras ou a quem interessar possa: Civilização Brasileira, para a Difusora Européia do Livro - Difel (Difusão do Livro) – que é adquirida em 1986 pela Bertrand de Portugal e aqui passa a ser Bertrand Brasil, um dos diretores é Altair Ferreira Brasil e José Elias Salomão. Apenas para citar algumas. Não se deve perder de vista que uma grande parte das editoras registra a presença de membros da família em seus quadros administrativos e editoriais.

A Livraria e Editora José Olympio, de José Olympio Pereira Filho (1902/1990) vivenciava uma crise desde a década anterior e que se agrava nos anos 70; a saída, passa o controle acionário para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - BNDE e termina sobre o controle da Xérox, de Henrique Sérgio Gregori, que em abril de 1990, faleceu junto com a esposa, a escritora Ana Elisa Lisboa Gregori, em um desastre. Desde 2001 a José Olympio passou para o controle acionário do grupo editorial Record; a centenária Livraria e Editora Francisco Alves, surgida em 1854, de Carlos Leal, filho do armador José Carlos Leal; passou também por uma fase de dificuldades, desfazendo e desmontando um importante catálogo e lojas. A editora foi um apêndice da Netumar, uma companhia de navegação. As duas emitiam sinais que iam mal das pernas. A Netumar encerra suas atividades, antes da metade da década de 90.A Francisco Alves, enxugada, consegue sobreviver.

O editor Ênio Silveira (1925/1996), da Civilização Brasileira, fundada em 1929, passou por diversos tipos dificuldades, desde censura, apreensão de sua produção editorial, restrições ao credito bancário, pressão dos militares e de organizações de direita, como os atentados que a editora e a livraria sofreram. A livraria e a editora ficavam na Rua Sete de Setembro, número 97, Centro do Rio de Janeiro. Particularmente identifico Ênio Silveira como um dos melhores editores brasileiros. Ênio assumiu a editora por indicação de seu sogro Octalles, proprietário da Companhia Editora Nacional, que também era proprietária da Civilização Brasileira. Não conheci Ênio, mas circulava no mercado histórias de tragédias familiares, além das prisões por ser membro da executiva do PCB.

De alguma forma as editoras citadas passaram por dificuldades, seja na década de oitenta ou nas seguintes. O banco BNDE deu um jeito em algumas editoras, cabe lembrar uma outra editora com predominância na área de didáticos que contou com a prestimosa ajuda do banco, como por exemplo, a Companhia Editora Nacional, editora criada em 1925, cujos proprietários foram os grandes editores, seus nomes: Monteiro Lobato (José Bento Monteiro Lobato) - (1882/1948) e Octalles Marcondes Ferreira. Vendida posteriormente para o Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas – IBEP de Jorge Yunes e Paulo Marte.

Abraçado ao tempo, aos bons momentos e ao incentivo de amigas e de Marilene, mantive de pé, renitente. Deste modo, tento assegurar um espaço livre e soberano para que eu possa de algum modo exprimir sentimentos ou qualquer outra forma de manifestação de minha escrita.

Antes de estar envolvido com o mercado de livros, fui um leitor.Em casa a presença da obra de Monteiro Lobato. Curti muito a Emília, Narizinho, Visconde, Rabicó e outros personagens, enfim, a monumental obra deste fabuloso escritor e editor.Que na data de hoje comemora-se o seu nascimento e o Dia Nacional do Livro Infantil.

terça-feira, abril 03, 2007

Sobre Livrarias -

Carlos Bastos : Pintor, ilustrador e cenógrafo. Considerado como pintor pioneiro da arte moderna na Bahia. Escolhi para mostrar aos amigos e leitores deste blog, este talentoso artista, motivado ao folhear um livro em sua homenagem, cujo título, leva o seu nome. Editado pela Organização Odebrecht no ano de 2000,com prefácio de Antonio Carlos Magalhães, seu amigo desde a escola primária. O artista tinha a Bahia como fonte maior de suas inspirações. Faleceu em 14/03/2004, na Bahia, seu corpo foi cremado, conforme o seu desejo no cemitério Jardim da Saudade.
O livro que eu consultei, estava em promoção na livraria Beta de Aquarius, no bairro do Catete.



Olá!


Em meu último post deixei de mencionar a rede de livrarias StudioLivros, situada em bairros da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Deste modo, ao escrever ou falar em livrarias penso dar prosseguimento através de algumas lembranças nítidas ou não, registrar elementos para a história do mercado livreiro no Rio de Janeiro. Estou ciente de que este registro passa por eventuais lapsos, mesmo assim, eu mantenho o meu propósito, que é de alguma forma alimentar a memória sobre as livrarias, o hábito de leitura e a produção editorial. Reconstituir momentos em que vivenciei como leitor, livreiro, editor e distribuidor na cidade do Rio de Janeiro.

O surgimento da StudioLivros passa pela Entrelivros e Unilivros. Lembro que o seu proprietário era Durval e um dos diretores, era o jornalista e critico de cinema Valério Andrade. Uma das lojas da StudioLivros ficava, onde hoje é a Livraria da Travessa, na Rua Visconde de Pirajá, 462. A filial do Largo do Machado abrigou a livraria Dazibao(o casal de livreiros Chico, Graça Neiva e a cunhada e excelente livreira Rita), que na ocasião passava por uma fase de expansão, com lojas no Centro, Botafogo e Catete.

Copacabana, o bairro em que moro, teve períodos que havia poucas livrarias. A rede Entrelivros e Unilivros , era uma delas. A primeira conseguiu um artifício para trabalhar aos domingos e feriados, passou a vender jornais e revistas. Em sua fase de declínio, vendeu até ovos de Páscoa. A Studio também utilizou desta prática, vender jornais e revistas. Jorge Ileli não embarcou nesta, fechava aos domingos e feriados. A Entrelivros foi a maior rede de livrarias do Rio de Janeiro, cobria vários bairros. A Unilivros herdou a grande maioria dos pontos da Entrelivros, os melhores.

Utilizando um retrovisor, um pouco embaçado, lembro que havia em Copacabana a livraria Carlitos, precursora da livraria Muro, com perfil pintado por leve tintura de esquerda; trabalhava com livros importados, algum tempo depois sucumbiu. A editora Record, assumiu o espaço localizado próximo à Praça do Lido.Houve uma vendedora que atuou na Carlitos que foi para a Muro.Havia uma filial da Carlitos em Ipanema, se não me engano no mesmo local, onde surgiu a livraria Muro. Fui freqüentador da livraria Muro, meu filho também, foi sócio da livraria Murinho, uma versão da livraria para o publico jovem. Houve uma experiência da livraria Muro no bairro da Tijuca em uma galeria na Praça Saenz Peña, no segundo piso. O pessoal da Tijuca pertencia ao meu grupo, alguns foram meus colegas no Instituto La-Fayete, da Rua Haddock Lobo, ainda existia a filial da Rua Conde de Bonfim, só de meninas. Éramos militantes do Partidão, o pessoal da livraria Muro montou uma editora, se não falha a memória levava o nome de Ilha. E iniciou a edição de alguns títulos, como o livro com as peças de Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho 1936/1974). Um dos sócios era o professor da PUC, Antonio Abranches, Tinoco. A livraria Muro sem dúvida ficou na história, foi testemunha ocular dos movimentos literários dos anos 70/80. Abriu espaço para a produção alternativa, lançamento de livros, leitura de poesia. O livreiro Rui Campos veio de Minas Gerais, me parece que ele tinha vínculos familiares com um grande político mineiro. Importante lembrar do momento político que vivenciávamos, era pleno período de ditadura e censura. Apreensão de livros em editoras e livrarias. A livraria Muro montou uma filial no bairro do Catete, na rua do Catete, 228, na galeria ao lado do cinema.

Uma pequena livraria em uma galeria da Rua Prado Junior, que não recordo o nome. Se não estou enganado havia uma ligação com o escritor e jornalista Flávio Moreira da Costa. Sei que fui ao lançamento nesta livraria da revista quadrimestral Debate & Critica, editada pela paulista Hucitec, de Flávio Aderaldo e Adalgisa Pereira.

Lembro de Aluízio Leite sócio da Livraria Timbre no Shopping da Gávea com a livreira Kiki, passou antes pela experiência com a livraria Muro de Ipanema e com a livraria Xanam, no Cassino Atlântico. Era uma livraria ligada à Nova Fronteira, a razão social, é o titulo de uma obra de contos do falecido editor e jornalista Carlos Lacerda. Aluízio passou também um momento junto com o escritor e jornalista Gustavo Barbosa, co-autor com Carlos Alberto Rabaça do Dicionário de Comunicação editado pela Codecri. Parece que tinham interesse em adquirir as Edições Graal, cheguei a ver os dois na editora. Não obtiveram êxito. Continuou sendo dirigida por Paul Joseph Cristoph Jr. Nesta ocasião fui divulgador editorial da Graal na área universitária.

Copacabana teve mais livrarias, como: as livrarias Eldorado ao longo da Avenida Copacabana, a Casa do Livro Eldorado de Décio Guimarães Abreu, antigo sócio de Alfredo Machado, nos idos de 40 da Editora Record. A loja situada no posto 6, na Avenida Copacabana 1189 passou a ser da Nórdica do editor e jornalista português Jaime Bernardes. Jaime publicou no ano passado um livro sobre golfe pela editora portuguesa Arte Plural.

Eu & Você livraria do Jairo, havia a Globarte, Butique do Livro, Carrossel localizada na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, próximo da Rua Miguel Lemos. Lucena com grande experiência no mercado de livros, foi pracista da Nova Fronteira, criou a Livraria Criação, título extraído do catálogo da Nova Fronteira, de autoria de Gore Vidal.

A rede (cadeia) Siciliano de livrarias do editor e livreiro paulista Oswaldo Siciliano, na década de 80 veio para o bairro de Copacabana, situando-se Avenida Copacabana e posteriormente transferindo-se para a antiga loja da Sloper. No centro da cidade, a Siciliano foi para o Edifício Central, no lugar em que era a Entrelivros. Mais tarde a rede paulista Saraiva marca presença em nossa cidade. Recentemente, uma outra rede de livrarias, que começou como jornaleiro na Rodoviária Novo Rio, a Sodiler foi adquirida por uma outra empresa paulista, a La Selva.

terça-feira, março 27, 2007

Sonho - A Poesia de Arlete Meggiolaro

José Antonio da Silva : Nasceu em Sales de Oliveira em 1909 , faleceu em São Paulo, em 1996. Antes de 1946, quando é reconhecido, em exposição na Casa de Cultura de São José de Rio Preto, sua trajetória surge como trabalhador rural. Anos mais tarde, na década de 80, é criado o Museu Municipal de Arte Primitiva José Antonio da Silva. Participou de diversas exposições tanto em nosso país, como no exterior. É considerado por muitos como o maior pintor primitivista. José Antonio era escritor, deixou as seguintes obras: Romance de Minha Vida, publicado em1949; Maria Clara, em 1970, Alice editada em 1972 e em 1981, a obra: Sou pintor, sou poeta. Tinha como entendimento de sua arte e de sua postura, declarando que: "Não admito que me chamem de primitivo, caipira ou ingênuo. Tem que me chamar de gênio. Já provei que sou".Fonte de Consulta:
(Pintores do Brasil, http://www.pitoresco.com.br/ http://www.triplov.com/ronildo/silva/index.htm) .
Lembro que quando fui distribuidor da Editora Unesp, recebi para comercializar em 1994, um interessante livro cujo título, é : "Silva: Quadros e Livros: Um artista caipira", autoria de Romildo Sant`Anna, tendo como capista, a artista gráfica Isabel Carballo.
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Olá!

Acordei cedo como sempre faço e aproveitei para passar na Quitanda, dar uma caminhada pelo interior dos corredores, abrir janelas e portas; arrumar prateleiras e deixar estendido no varal de poesia, uma poesia que li há pouco tempo e achei muito boa. A autora, Arlete Meggiolaro, amiga de longa data, é uma escritora e poetisa brilhante, sensível e apaixonada pelo que faz. Criou no ano passado o site Orvalho D` Alma, um espaço que abriga os seus textos e de outros autores que despontam no panorama da poesia brasileira.

Assim que obtive a anuência para publicação da poesia de Arlete, me passou por instantes em flashes, os momentos em que fui livreiro em Ipanema, nos anos 80. Ali, naquele bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, criei a livraria Quarup, um espaço democrático. Uma pequena livraria que atendia aos vários segmentos da área de ciências humanas, com uma ligeira tintura para o espaço psi. Área com quem eu dialogava. Como sociólogo e livreiro, percebi com maior clareza, que as ciências sociais, vendia em Ipanema, mas não tanto quanto eu imaginava.

Neste período comecei a ler alguns textos sobre psicanálise e concentrei meu interesse em literatura infantil, devido ao meu filho. Cheguei a ser membro associado da Fundação Nacional do Livro Infantil. Meu filho nesta época estudava na Escola Nova. Fiquei antenado com a produção infantil. li bastante. Meu público eram: sociólogos, estudantes, exilados, autores, editores, professores, artistas, como a atriz-psicanalista e pintora Jacira Silva, falecida em 1995. Enfim, um pessoal que freqüentava a livraria e feiras de livros, espaço que eu também atuava.

Lembro de minha amiga psicanalista e blogueira do Caminhar, Elianne Abreu, suas poesias, seus cabelos, que lembravam em muito a vasta cabeleira de Gal Costa; seus desenhos eróticos, suas histórias como tiete e leitora de Carlos Drummond de Andrade. Elianne, perdi as contas de quantos Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, editado pela Francisco Alves, você presenteou os amigos.

Na Quarup, lembro que abri um espaço para exposição de poesia alternativa ou marginal, os livros editados pela Achiamé; pela editora Trote, criada por Leila Miccolis, pela minha colega de faculdade Glória Pérez, Carlos Araújo, se não estou equivocado, pelo Tanussi Cardoso. De Glauco Mattoso com o Jornal Dobrabril, da editora Pindaíba Enfim, muita poesia, e ainda aparecia sempre uma edição do autor, era muito comum na ocasião. Lembro das livrarias: Dazibao, de Chico e Graça Neiva; do Rui Campos com a falida Muro de Ipanema, de sua momentânea participação na Dazibao; da Xanam na galeira do Cassino Atlântico, em Copacabana, e da Timbre (Shopping da Gávea) com Aluízio Leite (foi sócio da Muro), da Taurus do editor e poeta Jorge Bastos; da livraria Francisco Alves; da Codecri, a livraria do Pasquim, em Ipanema/Leblon, gerenciada pelo José Sanz; da Unilivros (rede) do cineasta Jorge Ileli; da Rubayat do tributarista Carlos de La Roque, da Entrelivros, falida rede de livrarias, com vários sócios, dentre eles o sr. José Silveira, Jorge Ileli; da livraria Tempos Modernos do Leblon e do gerente Alencar. Bom este papo retorno em outra ocasião, sobre as livrarias na zona sul. Por fim, meu momento como editor na co-edição De Cunhã para Cunhatã com Studio Alfa, livro da jornalista botafoguense Márcia de Almeida, com livros editados pela Codecri, filha do jornalista Newton Rodrigues. Vou deixar de papo para dar tempo de vocês fazerem a leitura do poema pendurado no varal. Agradeço muito pelas visitas.



Sonho

Aconchego-me,
laço com abraço
o meu travesseiro,
meu corpo suga da paz.
E a medida
que esta plenitude
toma do meu ser etéreo,
delícias em pensamentos
arrojam centelhas de sonhos.
Nesta viagem
deslizo em tufos de plumas.
O cortejo do real
em sublimes fantasias
que se esmiúçam
como nuvens ao vento

Eis que,
pela fresta do meu devaneio
jorra uma luz dourada,
é a sua silhueta avivada.
E como um anjo amoroso
agasalha-me sob suas asas.
Somos almas gêmeas,
que na serenidade e
sob a imensidão do universo,
flutuamos no
êxtase do mesmo vôo.

Arlete Meggiolaro ©
Extraído do livro –
Alma Fecundada^- Vol. I – Florescência do ser