sábado, outubro 20, 2007

Uma contribuição para o mercado livreiro.















O texto que publico neste espaço foi feito com o propósito de contribuir mesmo de modo tímido para a discussão do mercado de livros. A intenção de participar de um tema em que as pequenas livrarias estejam à beira da morte, partiu de uma leitura do Blog do Galeno que abordava o assunto com base em uma discussão que passava pela Associação Nacional de Livrarias (ANL). Imagino que eu esteja de alguma forma credenciado para participar de tais debates. Minha trajetória profissional está estritamente vinculada ao mercado livreiro, com características singulares de ser aqui no Rio de Janeiro, um profissional com nível superior e com passagens em diversos segmentos do mercado de livros. Trabalhei como vendedor em lojas, fui divulgador editorial para o segmento de universidades, trabalhei como barraqueiro (feiras de livros em praça pública), em estandes da bienal do Rio e São Paulo, fui proprietário da livraria Quarup (livreiro) em Ipanema, montei a editora e distribuidora Obra Aberta,com perfil universitário, atuei assessorando livraria, como a Poiésis de Denise Emmer, vendedor pracista da Editora Paz e Terra/Graal na praça do Rio de Janeiro e São Paulo, pracista de editoras e distribuidoras na cidade do Rio de Janeiro, atuei por um tempo como vendedor de sebo (livraria de livros usados) que até pouco tempo, era o único espaço em que não tinha experiência no mercado de livros.

Desde a criação da Quitanda o tema mercado de livros sempre esteve em pauta, mesmo que tenha sido produzido de modo esparso. Abordo o momento em que atuei no meio do livro, com assuntos concebidos por um viés de escritos baseados em observação e fragmentos da memória, naturalmente com os vínculos de minha experiência. Esta reconstrução da memória tem sido para mim um exercício, um desafio. Extraio assuntos pertinentes ao universo livreiro, que sejam de minha intimidade e gosto.Não me proponho a fazer resenhas de livros, cabe a um profissional mais qualificado, com as ferramentas de análises que eles optarem. O que está em exposição neste espaço foi um texto que foi inserido no Blog do Galeno sob forma de comentário.
A criação de meu blog, foi a verdadeira via que me abriu possibilidades como autor poder escrever o quer der na telha, claro que dentro da ética. Não tenho a preocupação imediata com um público, interesso sim, por leitores, aqueles que usando a curiosidade e uma lupa encontraram e identificaram este blog como veículo para a história do livro, de livrarias e editoras.Sei que a midia impressa não acolheria com interesse o que escrevo e os cadernos culturais tampouco, estes me parecem alinhados as grandes editoras e aos melhores autores, é disto que sobrevivem. Sempre ignoraram qualquer palavra de um pequeno livreiro ou pequeno editor. Nunca li durante este tempo, qualquer entrevista com um distribuidor ou pequeno livreiro sobrevivente no mercado de livro. Torço para que um dia qualquer e de um ano qualquer, jornalistas saiam um pouco das redações e circule pelos bairros a procura de pequenos livreiros antes que eles acabem.
############################################################

Acho que o segmento mais atingido durante longas datas, são os pequenos livreiros, verdade que muitos estão em processo de extinção. Com isto é atingida a figura do livreiro, um profissional dedicado ao livro, ao seu conhecimento, acervo e muitas vezes também sua clientela. Hoje parece que há um encantamento da mídia, de alguns segmentos da clientela com as megaslivrarias, estão seduzidos pelas variedades de produtos culturais oferecidos.Convém ressaltar que estão certas, conseguiram se modernizar e acompanhar os novos desejos de consumo dos leitores.

Lembro que nesta cadeia de vendas e circulação dos livros, outras categorias estão sujeitas a extinção, como distribuidores, pequenos editores e um profissional do livro sempre esquecido que é o vendedor pracista; algumas editoras preferem ignorar este profissional, deletando os das relações comerciais do mercado. Tenho uma longa trajetória no mundo dos livros e fui por muitas vezes testemunha das dificuldades de sobrevivência de alguns segmentos do mercado. Eu mesmo fui envolvido como distribuidor no Rio de Janeiro de editoras universitárias, em uma crise que atingiu livrarias, distribuidores, grandes e pequenos e editoras, que foram contaminadas pela crise vivenciada nos anos 90. Aqui no Rio , distribuidores foram fechando quase que um após o outro. Hoje mudou um pouco, livrarias assumiram o papel de duble,ora são livrarias, ora são distribuidoras e gozam do descontos destinados aos antigos distribuidores. Acho pelo que conheço muitas pequenas editoras nem se aproximam das megalivrarias Quem conhece livro, de imediato fotografa uma grande rede e percebe a ausência de diversas editoras.

********************************************************************************

Aldo Bonadei : Aldo Cláudio Felipe Bonadei, nascido em São Paulo, em 17 de junho de 1906 e falecido em São Paulo, em 16 de janeiro de 1974. Pintor e destacado participante do Grupo Santa Helena.Pintor autodidata, manifestou seu interesse por pintura desde garoto, Pioneiro da arte abstrata Em suas atividades atuou como poeta, na moda e no teatro.Nos anos 50 atuou como figurinista na Companhia de Nidia Licia. Artista premiado em diversos salões de arte, presente em exposiçoões em nosso país e no exterior. Foi lançado um livro sobre o pintor, de autoria de Lisbeth Rebollo Gonçalves, volume da Coleção Debates, nº 232, da Editora Perspectiva, na série Artes, cujo título é: Aldo Bonadei: O percurso de um pintor. Lisbeth é também curadora da obra de Bonadei, promoveu no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, uma homenagem aos cem anos de Bonadei, em outubro. Fonte de consulta: Jornal da USP, artigo assinado por Leila Kiomoura, O texto da Profª e Drª Daisy Peccinini, FAAP


segunda-feira, outubro 15, 2007

Pequeno livreiro - um ser em extinção.














Não tenho visitado as novas livrarias, portanto, desconheço as modernas livrarias que aliadas ao bom gosto, combinam com inovações arquitetônicas, criando em seus espaços territoriais, novos lugares de sociabilidade no interior destas lojas. Parece que tem havido boa receptividade, dada a acolhida que a mídia faz sobre estas novas ou antigas livrarias convertidas em modernas. Os jornalistas efusivos reverenciam este novo comportamento no mundo dos livros. O consumo de livros parece existir apenas nos novos espaços, a impressão que passa vende-se livros como água, para usar uma expressão antiga do mercado editorial, onde são promovidos lançamentos, palestras e badalados eventos; veiculando que aquele local é o da moda. Fora dali, autores e leitores estão alijados do espaço cultural. Livreiros e editores de outros estados enaltecem a beleza desta ou aquela livraria. Creio que há uma boa disputa para ganhar visibilidade e conquistar algum quinhão no novo templo da cultura.
Algumas trataram de agregar uma concepção de grandeza aos seus novos espaços, batizando como megalivrarias. Contratam um pessoal qualificado para atender e consultar o terminal, constata-se que poucos possuem intimidade com a leitura, ou mesmo o livro em seus diversos formatos, casa publicadora, assunto ou autor. Os tempos mudaram, na verdade são outros, desarrumaram o conceito tradicional de livrarias, substituindo talvez pelos sofisticados supermercados da cultura, tal a diversidade oferecida, como dvds, cds, papelarias, exposições de artes e poltronas confortáveis. Não percebi com clareza se diminuiu os espaços de exposição ocupados pelos livros, até mesmo por limitações físicas de um imóvel, acredito que sim.
Acho que o livreiro deve encontrar os meios de sobrevivência, diversificando sua comercialização, procurando alternativas além das convencionais, oferecendo novas opções e produtos, se há público para tanto, que vá em frente.
Com minha experiência por mais de 20 anos, fui também livreiro posso dizer que a presença de público nas livrarias nem sempre é traduzido por compradores-leitores, muitos aparecem para ver as novidades e serem vistos, outros simplesmente apareciam para dar uma lida em algum livro. Eu identificava alguns leitores deste tipo, volta e meia, apareciam, liam e saiam, raramente compravam.
O que me leva a pensar, se conheço um pouco do mercado de livros, será que alterou tanto o comportamento dos leitores para que surjam cada vez mais livrarias desta natureza, para citar algumas, como: Livraria Cultura, Saraiva, Fenac, Argumento e Travessa. Deixo claro que não invalida a idéia que tenho delas como boas livrarias para determinados segmentos do mercado.
Sei que no passado muitas lojas tradicionais ou não, que vendiam apenas livros, passam hoje por situação preocupante, claro que não afeta a todas. Por um lado fico muito contente, melhor termos livrarias do que os templos religiosos e outros tipos de comércio.
Lembrei neste momento de Jorge Ileli, um dos maiores livreiros do Rio de Janeiro. dono da Unilivros Paulista, uma livraria na Barão de Itapetininga em São Paulo; famoso também por ser cineasta, dono da Entrelivros e Unilivros, sendo que possuía os melhores pontos de lojas da cidade, muitas delas bem amplas, como a do final do Leblon, que acabou sendo vendida nos anos 80 para a Drogaria Popular. Todas durante os anos seguintes foram vendidas, deixaram de existir até a segunda metade dos anos 90.
Convém registrar que no Rio e em Niterói, algumas boas livrarias que combinavam uma versão moderna, oferecendo um café no interior da loja como a Pasárgada, na praia de Icaraí, em uma casa de esquina, em Niterói; pertenceu ao ex-Secretario de Cultura de Niterói, livreiro, professor e pesquisador Aníbal Bragança, pioneiro em dividir estes espaços de sociabilidade. O livreiro Anibal foi um grande gerador de leitores, formador de um público ávido pela cultura e de um bom papo com um livreiro que conhece do oficio, desde dos anos 60 com a criação da livraria Encontro. A livraria Pasárgada de Aníbal estimulou iniciativas, como a Bookmarker na Gávea da livreira e jornalista Edna Pallatnick, seu espaço no fundo da loja, ou a Argumento de Marcus e Laura Gasparian, com a inauguração do Café Severino, um espaço gastronômico surgido na segunda metade da década de 90, quando a Argumento assume a antiga biblioteca do Leblon, ou a Marcabrú de um dos maiores críticos de literatura, professor, autor e livreiro Luiz Costa Lima, seu filho e a mulher Rebeca.
É verdade que preciso sair em tour pelos bairros conhecer as livrarias revestidas com as novas roupagens, dividindo os espaços com outros bens culturais de consumo. Acredito que hoje seja mais fácil de vender dado aos inúmeros atrativos sempre sedutores oferecidos para os leitores e congêneres, freqüentadores das livrarias. Lojas expandiram, houve investimento, como a LaSelva, Nobel, em compensação circula boatos de que a poderosa rede de livrarias Siciliano por uma questão de conflito doméstico pode ser passada adiante.
Na condição de ter experiência como pracista de editoras de ponta no mercado livreiro e ter sido distribuidor de livros de editoras com perfil universitário no mesmo mercado, fico muito confuso com este novo quadro que se apresenta dentro do panorama da venda de livros.
Um dado importante, o nível do consumo de leitura per capita por ano, é apenas para sermos generosos de 1 (um) exemplar para quem tem domínio da leitura e escrita em nosso pais. Megalivrarias sem dúvida despontam com sucesso, mas as pequenas livrarias que são importantíssimas neste elo de consumo e criação de leitores adultos, jovens e crianças muitas assumem um caráter individualizado no atendimento podem por desestímulos, encerrando seus ciclos de existência.
Acho que uma livraria deve ter uma concepção plural no atendimento. A figura do livreiro está diluída nas grandes redes, em espaços suntuosos; o antigo livreiro, conhecedor muitas vezes dos livros que compõe o seu acervo, desapareceu para dar lugar as sorridentes atendentes. Sobreviventes os pequenos livreiros e editores vão tentando arrumar novas formas de vendas, ganhando fôlego como podem, mesmo que percam os ares de livrarias de bairro.
Estou preocupado com a nova geração de leitores surgidos nas escolas principalmente as públicas, basta não saber ler que tem garantia de aprovação. Serão estes os futuros leitores? Se alguns com a mínima intimidade e interação com a leitura ou com os livros, passam a léguas de distância de uma livraria, o que podemos esperar deles?
************************************************
Francisco da Silva: Francisco Domingos da Silva, nascido em 1910, no Alto Tejo/Acre e faleceu no Ceará em 06 de dezembro de 1985- Sapateiro, Pintor, Desenhista e Ajudante de marinheiro.
Fonte de Consulta: Acrilica sobre tela. uma boa página sobre pintura brasileira

sábado, outubro 13, 2007

Quitanda : Uma Página sobre o Mundo do Livro.













Hoje sonhei que estava em uma livraria, não identifiquei o nome, apenas que tinha um enorme acervo de publicações de editoras brasileiras. Despertei com a imagem de ter atendido uma professora universitária e pesquisadora gaúcha, da obra de Monteiro Lobato. Procurava, me confidenciou, há muito tempo pelo biógrafo de Monteiro Lobato, para a sua surpresa, informei que a loja tinha um exemplar dos dois volumes da biografia. Está ali, a sua espera,apontei a sua localização no canto inferior da estante. Abriu um largo sorriso de felicidade. Informei o preço, achou barato, realmente estava. Com todo cuidado, como se estivesse achado uma pedra preciosa e rara, decidiu que levaria. Deixou pra mim um sorriso de agradecimento.
Deu tempo para conversar por alguns minutos sobre Monteiro Lobato. Disse que desde de garoto, fui leitor de Monteiro Lobato e que ganhei de presente de minha madrinha. Assim começou minha grande admiração e foi tanta que cheguei por um momento na época em que fazia ciências sociais, a iniciar uma pesquisar sobre a obra deste grande escritor. Falei que um dos meus professores do IFCS, o mestre Aluizio Alves Filho tinha a intenção de fazer uma pesquisa sobre a identidade de Jeca Tatu; que posteriormente foi editada sobre a forma de livro, com o título Metamorfoses de Jeca Tatu, editada pela Inverta, em 2003, que acabei vendendo para a pesquisadora.
O livro está tão presente em minha vida, em meu inconsciente, que acabei por decidir que este espaço fica dedicado ao livro e ao seu mundo. Para outros textos de minha parca produção intelectual, criei o blog Esquinas do Tempo.
***************************Edgar Cavalheiro (1911-1958) é considerado como o principal biógrafo e muito amigo de Monteiro Lobato (José Bento Monteiro Lobato, 1882 -1948) um dos nossos maiores escritores e pioneiro na publicação e distribuição de livros em nosso país. Edgar, autor de Monteiro Lobato: Vida e Obra em dois volumes, publicado em 1951 pela Brasiliense, com cerca de 900 páginas, posteriormente em 1955, foi editado pela Companhia Editora Nacional; estudioso da obra de Fagundes Varella (1841-1875), com edição pela Livraria Martins Editora, com ilustração de Belmonte (Benedito de Bastos Barreto, 1896-1947, um dos colaboradores do vespertino jornal paulista Folha da Noite, criador do Juca Pato, um dos nossos maiores chargistas). Juca Pato passou a ser uma premiação literária promovida pelo jornal Folha de São Paulo e a União Brasileira de Escritores (UBE), surgida em 1962. Seu primeiro contemplado foi Afonso Schmidt (1890-1964) como intelectual do ano.

Cavalheiro, participou da formação do conselho editorial da Revista Brasiliense, editada pelo historiador e editor Caio Prado Junior; junto com Raimundo de Menezes (org) publicou Histórias de Crimes e Criminosos - Uma Antologia de Contos Brasileiros, editado pela Companhia Distribuidora de Livros, São Paulo, 1956, 344 páginas, ilustração do artista italiano radicado em São Paulo, Mick Carnicelli (1893-1967). Uma de suas obras, Panorama da Poesia Brasileira, vol. II (Romantismo) foi editada pela Civilização Brasileira, em 1959. Obras primas da lírica brasileira, com notas de Edgar, publicado pela Martins, em 1957. Em parceria com Almino Rolmes Barbosa, criou uma série de antologias. Em Obras Primas da Lírica Nacional, seu parceiro foi Manuel Bandeira. Em 1944 foi autor de Testamento de uma Geração, livro de entrevistas com escritores modernistas. Prefaciou diversas obras de Monteiro Lobato. Publicou em 1955, a Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, editada pelo Serviço de Documentação do Ministério da Cultura. Edgar teve o seu nome ligado a uma premiação do Instituto Nacional do Livro, sendo um dos contemplados o historiador Sergio Buarque de Holanda, em 1958, com o livro “Caminhos e Fronteiras”, publicado em 1957, pela José Olympio.
Edgar presidiu a Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Globo, no período de 1955 a 1957. Criado em 1958, como projeto de Edgar, o troféu Jabuti, foi desenvolvido por seu sucessor, o editor Diaulas Riedel, proprietário da Editora Pensamento. A mais tradicional e prestigiada premiação promovida pelo mercado editorial sob o patrocínio da CBL. Com o propósito de divulgar escritores, editores, livreiros, ilustradores e gráficos. O troféu foi criação do escultor autodidata Bernard Cid de Souza Pinto, ganhador do concurso em que disputaram 32 escultores de São Paulo. O primeiro ganhador do Jabuti, foi o escritor Jorge Amado, na categoria de romance com o livro Gabriela, Cravo e Canela, em 1959, editado em 1958 pela Livraria Martins Editora de São Paulo.

*Tikashi Fukushima - Pintor nascido no Japão, na cidade de Fukushima, em 1920 e faleceu em São Paulo, em 2001. Migra para o nosso pais em 1940, para a cidade de Pompéia e Lins, cidades no interior de São Paulo. No ano de 1946, muda para o Rio de Janeiro e passa a freqüentar a molduraria de Kaminagai, em Santa Teresa. torna-se seu assistente e aluno. Aprendeu a fazer moldura No período seguinte, na condição de ouvinte é aluno da Escola Nacional de Belas Artes. De volta a São Paulo, em 1949 criou uma oficina de molduras no bairro do Paraiso, no Largo Guanabara (Hoje - Estação do Metrô Paraíso). Ponto de encontro de artistas japoneses e "estrangeiros", como Arcanjo Ianelli. Criou o chamado Grupo Guanabara, nos anos 50. O artista deu importante contribuição ao panorama da arte Nipo-Brasileira. Membro de Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e da Comissão de Artes da Fundação Brasil-Japão de Artes Plásticicas. Seu filho Takashi Fukushima (1950) é bem atuante, solicitado para exposições coletivas em nosso pais e no exterior. As obras dos artistas, pai e filho podem ser examinadas na web, algumas das fontes estão citadas abaixo. Vale a pena, para maiores detalhes e pesquisas.
Fonte de Consulta: James Lisboa - Escritório de Arte // Pitoresco (texto de Paulo Victorino) Anuário Artes&Artistas Ivo Zanini
Imagem exposta : Chuva, Leblon - óleo s/ papel






segunda-feira, setembro 24, 2007

Não fui à Bienal do Livro.

Não fui à Bienal do Livro. A falta de grana foi determinante para que a minha vontade fosse relegada, deixada de lado. Quem sabe, da próxima vez, aqui mesmo no Rio de Janeiro, naquele distante Rio Centro, reúna melhores condições financeiras e consiga finalmente fazer uma visita, comprar alguns livros que me interessam e rever pessoas conhecidas da época em que eu trabalhava com livros.
Mas o hábito de leitura permanece, leio o jornal e os livros acumulados que separo para uma leitura imediata. Tenho a mania de juntar os livros que pretendo ler, deixando-os em pilha, tortas, é verdade. Uns vão passando a frente de outros, assim por diante.
Pela manhã, como sempre faço, folheando o jornal O Globo, ao ler a coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, encontrei uma nota a respeito da Editora do Autor, que desfazia de livros, de um galpão e uma referência aos antigos donos da editora. Citava Rubem Braga e Fernando Sabino, mas esqueceu de Walter Acosta. Pensei em escrever para o ilustre jornalista, informando da ausência de um dos sócios, mas abandonei a idéia. No entanto, no dia 21 de setembro, o jornalista reescreve a nota e coloca o nome do sócio ausente na nota anterior, desta vez grafando em negritos o nome de Walter Acosta. Melhor assim. Devem ter lembrado ao jornalista o nome do outro editor e que permanece até hoje com a editora. Walter continuou com a editora, Sabino e Rubem Fonseca se desligaram da sociedade, que durou cerca de sete anos. Sabino e Rubem Braga criaram a Editora Sabiá, que produziu quase cem livros. A editora chegou a ser sediada em Copacabana, no final dos anos 60, mais tarde nos anos 70, o seu catálogo foi incorporado à Editora José Olympio.
Fico contente por mais uma edição da bienal, a XIII Bienal Internacional do Livro, ter conseguido mobilizar um número imenso de público, que a cada ano, aumenta a freqüência. Muitos editores apontam que o pessoal que circula pelos estandes não traduz ou efetivamente produzem vendas. Concordo! Acho mesmo que são mais visitantes do que consumidores de livros, muitos vão para assistir palestras, outros, acredito que um número menor, compareça apenas para encontrarem com artistas, de preferência, atores globais. Lembro da presença de Xuxa e Castrinho em bienais passadas. Parece-me um efeito espuma. Há sempre recorde de público. Segundo a mídia estandes lotados. É verdadeiramente uma festa literária. Autores, público (estimado em 245 000), editores e livreiros comungando dos mesmos interesses.
Vi em foto publicada no jornal em matéria sobre esta bienal, uma livraria que trabalha com ponta de estoque, na verdade, um sebo, o sebo Beta de Aquarius do livreiro Antonio Augusto Seabra. Dono de um ótimo sebo na Rua Buarque de Macedo. Deve ter logrado sucesso, livros “novos” entenda, como ponta de estoque, com preço compatível com o bolso da ampla maioria dos consumidores de livros em nosso país.
Bienal também é espaço para chiadeira, editores e livreiros, são protagonistas deste cenário. Desta vez, li sem nenhuma surpresa que o livreiro, o badalado livreiro de origem ipanemense, reclamava que os editores davam descontos nos livros, provocando uma “sangria nas livrarias”. Achei estranho quando li, pois o livreiro Rui Campos, participou de bienais e até das feiras de livros nas praças de nossa cidade que oferecem desconto de 20 % , causando um desconforto em livreiros ao redor das feiras. Deve estar viciado em reclamar, pois, há tempos em que a bienal em fim de feira, faz este tipo de promoção. Acho mesmo muito legal estas promoções dando oportunidade de leitores se aproximarem de editoras e de seus catálogos, melhor ainda, com preços acessíveis.
Há livreiros que recusam diversas editoras, basta para isto, não corresponder aos prazos e descontos que impingem, para ter este ou aquela editora. Um livreiro que alcança um bom número de filiais é um forte candidato a estas exigências do mercado. Esta relação do mercado, livreiro e editor, muitas vezes, é deletada a figura do vendedor, pelas novas negociações entre as partes. A figura intermediária, que representa editoras, também é excluído desta relação, o chamado distribuidor. Um segmento por força das novas relações encontra-se em fase de extinção, livrarias assumem este papel, o duplo papel de livraria e distribuidor, um grande negócio. Volto a conversar em próxima oportunidade. Um abraço.
------------------------------------------------------------------
Quirino Campofiorito - Nasceu em Belém, Estado do Pará, em 1902 e faleceu em 1993. Imagem: O Tempo, 1989, óleo sobre tela. (Coleção Italo Campofiorito - filho do artista) Foi casado com a artista plástica, ceramista, tapeceira Hilda Eisenlohr Campofiorito (1901/1997) . Em Niterói há no espaço Paschoal Carlos Magno, duas galerias em homenagem aos artistas Quirino e Hilda. Fonte de Consulta : Niteroi Artes
Pesquisando na internet sobre a produção editorial brasileira, acabei esbarrando ao acaso, no nome do artista que escolhi para mostrar para vocês. Sua intensa atividade ligada as artes, me fez descobrir um talentoso e brilhante artista. Sempre premiado, com passagem como aluno da Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro. Critico atuante de arte em O Jornal. Participou em diversos eventos e obtendo muitas premiações. Deu enorme contribuição as artes como professor, criador de associações, exposições, de um veiculo impresso de nome Bellas Artes. Afastado da universidade pelo Ato Institucional promovido pela ditadura militar. Autor de importantes livros sobre as artes e o artista nacional. Acho que vale a pena para quem estiver interessado no panorama de nossa arte, consultar mais informações sobre Quirino Campofiorito, teve importância de destaque e merece uma olhada no que ele produziu.

segunda-feira, setembro 03, 2007

De Livraria em Livraria : Memórias de um livreiro.









Sei que estou ficando mais velho, pra mim pode ser a credencial para que memórias antigas sejam mais bem lembradas do que as mais recentes. Assim com este exercício, vou reconstruindo a meu modo, com um olhar sobre o passado, uma história que serve de imediato de base para estruturar minha narrativa como profissional do livro. Quando eu fechei a Quarup situada no Top Center, em Ipanema, história que já andei contando em algumas postagens do passado; fui trabalhar na livraria Unilivros (Jorge Ileli) de Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, 207, tempos depois fui convidado para Francisco Alves (Carlos Leal) de Ipanema, na Farme de Amoedo, número 57. As duas empresas, anos depois, desativaram as livrarias, com várias lojas nos bairros da cidade, bem como as filiais em outros estados. Nos anos 90, a livraria Francisco Alves (1854), sobrevivia com dificuldades, passou a loja para o funcionário (gerente) Sebastião, com nova razão social, aproveitando o número de sua localização na Sete de Setembro, 177. Com ares de livraria e distribuidora, pouco tempo depois, Sebastião antigo profissional do livro, vindo da livraria Galáxia, não adquire mais fôlego para manter a desgastada livraria e sai do mercado.

Existiam no Rio de Janeiro poucas livrarias nos anos 80, aliás, é uma constatação um tanto óbvia. As que abriam, o ciclo de vida era curto, logo em seguida, deixavam de existir. Claro que a curta sobrevivência não está restrita as livrarias, as editoras eram atingidas, assim como as distribuidoras. Nascer e morrer empresas é uma constante.

Nos anos 70 há o surgimento de editoras. Algumas com um perfil ideológico mais definido. O editor Paulo Rocco, com passagem pela Francisco Alves e pela direção do SNEL, cria em 1975, sua própria editora, que leva o seu nome e com um catálogo priorizando o autor nacional, desponta em pouco tempo com bastante sucesso. Novos autores e títulos, uma profissionalização do setor que vai ganhar forma nos anos 80. Surgimento de um jornal mensal editado pela Brasiliense, um book review, sob os cuidados de Caio Graco Prado, Cláudio Túlio Costa e Cláudio Abramo. Circulou por muito tempo entre nós, o Jornal de Letras (1949) dos irmãos Condé (João, José e Elisio). As revistas literárias como a revista José (1976) dirigida pelo editor Gastão de Holanda, que nos anos 50, criou junto com outros intelectuais a editora O Gráfico Amador (1954/1961). Muitas revistas e jornais apareceram em vários períodos de nossa vida cultural. Havia uma proliferação de revistas como a Brasiliense (1955/1964), Revista de Cultura Vozes (1907), Debate e Critica(1973/1975), Civilização Brasileira (1965/1968), Escrita(1975/1988), Revista do Livro, editada pelo INL(1965/1972), Tempo Brasileiro (1962), as revistas publicadas pela Fundação Getúlio Vargas e diversos periódicos que foram editados ao longo dos anos.

Uma poesia inquieta estava no ar, nas ruas e livrarias. A censura tratava de reprimir manifestações artísticas, recolher livros, jornais e revistas.

Hoje houve uma alteração no panorama das livrarias, surgiram as megalivrarias (mega stores), algumas aproveitaram criaram o sistema de franquias, exemplo, a livraria Nobel (1943), com muitas franqueadas. As redes de livrarias paulistanas chegaram ou ampliaram seus locais de venda, como a Siciliano, Fnac, Nobel e a Saraiva. As livrarias inicialmente localizadas em nossa cidade, como: Entrelivros, Unilivros, Eldorado, Studiolivros, Francisco Alves, Freitas Bastos, Casa Mattos Papelaria, Sodiler, Vozes, Dazibao, uma boa livraria que havia expandido lojas em outros bairros. Estas livrarias foram fechadas, reduzidas ou trocadas de mãos. A livraria Eldorado Tijuca sobrevive hoje pelas mãos de Jovaldo e Isaque, profissionais oriundos das livrarias (Sodiler e Melhoramentos). A Sodiler transformou-se em LaSelva Bookstore, empresa também surgida no segmento de jornais e revistas. Da tradicional livraria Eldorado (Décio de Abreu) que esteve sob o controle de seu filho Ricardo, um grupo de antigos funcionários, se desliga da livraria e montam uma outra para acirrar a concorrência, uma vez que para livros didáticos e paradidáticos a Eldorado reinava soberana. Edeir e seu filho Antonio, criaram a livraria Galileu no inicio dos anos 90, abriram filiais ocupando o espaço de livrarias que cerraram as portas.

Em nossa cidade houve uma diminuição do número de livrarias, além de reduzirem bibliotecas, ainda bem, que a antiga biblioteca pública do Leblon, virou uma livraria, a Argumento, que era na Dias Ferreira, número 199 e foi para aquele local, ganhando um novo desenho, ampliando e convivendo com outros espaços e públicos. Argumento atualmente abriu novas filiais. No local da Freitas Bastos, no centro da cidade, assumiu a Ciência e Cultura, também com filiais. Há um crescimento da Travessa, do livreiro Rui Campos. Com esta nova configuração, houve ocupação de novos espaços e surgimento de redes de livrarias, mas será que houve aumento de leitores?

Claro que não ignoro as livrarias de Niterói, as que sobrevivem e as que não estão mais entre nós leitores e clientes, mas tiveram papel importante na formação de leitores, na comercialização e edição de livros, tampouco, as livrarias em outras cidades do interior do Rio de Janeiro, como a Veredas, da livreira Solange.

Até a próxima.

*******************************************

Kennedy Bahia: (Patrick Maderos Kennedy Dito) Nascido em Valparaiso no Chile, em 1929, falecido em 2005. Tapeceiro chileno. Elegeu como tema de sua arte, a flora e a fauna amazônicas e o folclore da Bahia. Sua arte é de grande importância, uma referência no panorama das artes em nossa terra. Amigo de vários intelectuais, como Carybé, Jorge Amado, Carlos Bastos. Autor do livro "Uma arte, um esforço. uma luta", sem indicação de editor.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Conversa sobre editoras

Hoje li em um informe da Câmara Brasileira do Livro (CBL) que a Companhia das Letras, superou a concorrência na disputa (dentre elas a própria Record) pela publicação das obras completas do escritor baiano Jorge Amado (1912/2001), autorizada pelo primogênito do escritor, também escritor João Jorge Amado, serão editados 35 títulos escritos no período de 1931 à 1997.As novas edições estarão no mercado a partir de 2008 e um dos primeiros títulos será: País do Carnaval, a primeira obra editada de Jorge Amado, publicada e prefaciada pelo editor Augusto Frederico Schimdt, no ano de 1931.
Jorge Amado publicou livros, apenas para citar as editoras brasileiras: Schimdt, Ariel, Livraria Martins Editora (1937/1974), Editorial Vitória, José Olympio, Editora do Povo; anos depois vendeu os direitos com exclusividade para Record a partir de 1975, em co-edição com a Martins, que no ano anterior havia pedido concordata e encerrando as atividades em 1976. Na edição pela Record, em 1978, a capa é uma reprodução de um quadro de Di Cavalcanti, com ilustrações de Darcy Penteado, com foto do autor por Flávio de Carvalho e Zélia Amado, na quarta capa um texto de Octávio Tarquínio de Souza
Quando eu atuava em livrarias, Jorge Amado era um dos autores que sempre vendia, ora indicado em algum colégio, ora em lançamento ou para usar a gíria do mercado livreiro se dizia que seus livros estavam sempre “pingando”. Era uma referência de venda, seja pela oferta de títulos e pela popularidade que alcançava entre o público leitor, embora, houvesse para alguns leitores, certo cuidado, numa alusão ao conteúdo da obra, considerado por um segmento como um autor pornográfico e comunista, assim era estigmatizado por uma parte do leitor da zona sul carioca nos anos 80.
Só para esclarecer tive a livraria Quarup em Ipanema, trabalhei na Francisco Alves e na Unilivros. Nestas duas últimas havia sempre em estoque as obras de Jorge Amado e Zélia Gattai, sua esposa. Eu como um dos compradores dava preferência ao autor nacional, gostava de indicar, de expor, uma vez que, o espaço predominante é para o autor estrangeiro, sem dúvida, a preferência do público feminino e masculino. Há momentos em que se pode observar que a mulher, freqüenta mais livraria e compra mais livros do que o homem. Vi e ouvi muita gente rejeitar o autor brasileiro. Não gostavam mesmo. A literatura americana traduzida tem boa aceitação, não acredito que tenha mudado os hábitos de consumo do leitor que circulava pelas livrarias da zona sul.
Neste ponto a editora Record levava uma grande vantagem sobre as demais editoras. Dona de um catálogo imenso, diversificado, livros vendáveis e de sucesso (best-seller) ocupavam os espaços das livrarias da zona sul e outros pontos de vendas. Houve um momento em que montou uma empresa para vender para drogarias, supermercados e magazines. Antigamente para se ter acesso a um determinado magazine, teria de negociar com a empresa ligada a editora Record para vender. Ainda havia uma boa distribuição e um eficaz marketing direto. Mesmo para livreiro que tinha um verniz de esquerda, a editora Record como maior editora do país vendia e vendia muito. Sem dúvida para quem trabalha no livro percebia grandes encalhes em seu estoque, aliás, não é privilégio da editora, conheci depósitos de editoras e percebia pilhas e mais pilhas de determinados títulos. Há muito livro que fica um enorme tempo estacionado em uma prateleira, não sai nem dando, bastava olhar a etiqueta e verificar a data de compra e os exemplares adquiridos.
A Distribuidora Record de Serviço de Imprensa S.A, chegou a adquirir uma nova impressora como o novo sistema poligráfico Cameron de impressão e acabamento, no ano em que eu ainda trabalhava em livraria, se comentou muito, poderiam imprimir com rapidez uma quantidade de exemplares mais próximo da realidade, evitando tiragens elevadas.A Record surgiu em 1942 com os sócios Alfredo Machado e Décio Guimarães de Abreu, criador de uma rede de livrarias, como A Casa do Livro, no Centro e Flamengo, Livraria Eldorado, na Tijuca e Copacabana, a Livraria Lídice, esta localizada na Rua São José. Convém lembrar que Alfredo Machado foi um dos primeiros distribuidores de histórias em quadrinhos em nosso país. Nos anos 70, Alfredo Machado assumiu totalmente o controle acionário da empresa. Antes de surgir a editora Nova Fronteira (1965), a Record publicou o livro “O Poder das Idéias”, de autoria de Carlos Lacerda, que posteriormente veio a criar uma importante editora , de grande prestigio intelectual, com ótimo catálogo de autores brasileiros e estrangeiros. Nos anos 80 o panorama da produção editorial começa a ser alterado, com o surgimento de novas editoras, novas experiências editoriais, como a feita pela editora Brasiliense. Atualmente o mercado de livros está bem alterado com novas composições societárias e entrada de grupos editoriais estrangeiros, algumas editoras ganharam fôlego ao serem incorporadas a determinados grupos através de fusões e aquisições. Volto no próximo mês. Um grande abraço.
Fonte de consulta:

quinta-feira, agosto 23, 2007

Uma ida aos sebos: uma leitura.

Floriano Teixeira: (Floriano Araújo Teixeira) Nascido em 1923, na cidade maranhense de Cajapió e faleceu em Salvador no ano de 2000. Pintor, pesquisador, desenhista, ilustrador, gravador, escultor. Teve uma intensa atividade como convidado para capista em livros de Jorge Amado, Zélia Gattai e outros escritores.
Participou de vários grupos, formando núcleos, como os feitos na década de 40. Dirigiu o Museu de Arte da Universidade do Ceará (MAUC). Floriano Teixeira esta inscrito como um dos grandes artistas plásticos de nosso país e no exterior. Foi homenageado com nome em galeria, situada no Museu de Arte Sacra.

***********************************************

Sem muita grana para comprar livros, o meu caminho tem sido os sebos. Gosto de freqüentar, de fuçar os livros, de garimpar, de achar os que eu procuro. Atualmente reduzi minhas incursões às livrarias de livros usados em outros bairros e, as livrarias que tenho visitado, são próximas de casa. São três sebos.

Hoje fui procurar algum livro que atendesse meu interesse imediato, que é o mercado editorial no Rio de Janeiro. Fui para uma seção em busca de uma preciosidade e encontrei o livro Livraria Ideal: do cordel à bibliofilia, editado pela Eduf, de autoria do pesquisador, professor da UFF e antigo livreiro Aníbal Bragança, cujo preço estava marcado em 22 reais. Como saí com pouca grana, aliás é o que eu sempre tenho. Ficou para a próxima visita. Eu estava na livraria Baratos da Ribeiro e caí na ingenuidade de perguntar ao atendente, em que local poderia haver livros que tratassem de editores, leitura, leitores, editoras ou livrarias e para meu espanto o rapaz de camisa amarela, ficou espantado com a pergunta, me indagou quem eu procurava, disse que seria uma obra de autoria de Moacir Félix, sobre Ênio Silveira, editor da Civilização Brasileira, eis que o jovem me responde que ali não tinha livros sobre este assunto. Fiquei calado e ao mesmo tempo, irritado, pois o atendente, não soube nem identificar que na loja em que eu e ele estávamos, havia um exemplar do livro Livraria Ideal. Depois deste esclarecimento percebi, tratar-se de um “profissional qualificado”: "a livraria é divida por assuntos e temas", respondeu do alto de sua sabedoria. Verdade que a livraria é bem organizada, limpa, um ambiente agradável, mas parece que compromete o atendimento desde do momento em que se percebe a ausência de um profissional que entenda, que tenha intimidade com o acervo da loja. Para quem faz uma outra leitura, identifiquei de imediato que o atendente não saberia identificar muita coisa. Encerrei naquele momento qualquer curiosidade a respeito dos livros. É o flagrante da constatação da mão-de-obra empregada em livraria, principalmente em sebos. Desconfio que muitos livreiros preferem recrutar um profissional para se trabalhar em livraria, despido de qualquer conhecimento/informação, quando muito dão prioridade a uma envernizada capa de cultura. Trabalhar com livros requer de imediato que seja escolarizado, que tenha uma mínima curiosidade intelectual.

Quem freqüenta uma livraria percebe após algumas indagações ao vendedor, se ele realmente conhece do ofício. Como são despreparados. Conheci sebos que não fazem questão alguma de ter um profissional qualificado, que prestasse um serviço ao cliente ou tivesse alguma familiaridade com a leitura. Acham que é um profissional caro. Há uma deficiência na formação do profissional de livrarias, claro que se identificam os bons profissionais no mercado, alguns com longa experiência, outros com formação intelectual mais esmerada. Uns que gostam de ler e muitos outros nem tanto. Sei de ajudantes de limpeza que alçaram a gerência de livrarias. Alguns não sabiam construir uma frase ou pronunciar nome de autor ou títulos de livros. Tinham dificuldades de fotografar as prateleiras e balcões. Houve no passado um curso para qualificar o profissional do livro, promovido pela Estação das Letras, me parece que é uma iniciativa singular em nossa cidade. Sobre livrarias (atendimento) foi dado por Marcelo, um rapaz que trabalha na Livraria da Travessa. Conheço este profissional, tem uma trajetória em ascensão na livraria. Há em São Paulo, um curso promovido pela Unesp - a UNIL.

Fui para outra livraria cuja escolha de um livro tem de se fazer um exercício de malabarismo, os livros são dispostos em pilhas no chão, o interessado em algum livro tem de tirar um por um e depois recolocar, vale um pouco de sacrifício, os preços são mais baratos do que os Baratos da Ribeiro. Embora eu tenha percebido um ligeiro aumento dos preços, usam um artifício de aumentar o valor do código do livro. O preço do livro é indicado por código alfa-numérico que corresponde à metade do valor marcado. Achei o livro de Zélia Gattai, um dos títulos que faltava para mim. Ao folhear o livro, dei uma lida no prefácio de Jorge Amado, encontrei mencionado logo no inicio ao nome de um livreiro e editor da Bahia, Dmeval Chaves (Dmeval da Costa Chaves), criador na década de 60 da editora Itapuã, também distribuidor de livros. Claro que eu não desejo que vendedores saibam quem é o amigo de Jorge Amado citado no livro. Para quem atua na Bahia, provavelmente teria identificado. Se eu não estivesse envolvido com livros há bastante tempo, não saberia responder. Fui também distribuidor de editoras que ele representava. Claro que não saber um assunto, não é impeditivo para alguém se transformar ou ser um bom profissional.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Capas de Livros: espaço para artistas

Marius Lauritzen Bern: (1930-2006) Autor do desenho de capa do livro de Mário da Silva Brito editado pela Civilização Brasileira, em 1968. O livro como pode ser observado está gasto pelo tempo, pelo uso e pelas mudanças que andei fazendo pela vida. Com as mudanças fui desfazendo de vários livros e revistas, e os antigos Lps que acabava vendendo em sebos preferencialmente os localizados no centro da cidade por um valor bem baixo, nem seria diferente, pois o alfarrabista revenderia por outro preço.
Este é um livro que comprei na queima de livros da Editora Civilização Brasileira. Bons tempos! Foi uma verdadeira festa para os leitores. A livraria ficava localizada na Rua Sete de Setembro, número 97. Depois de sofrer atentados e estrangulamentos econômicos a editora foi para uma loja lateral do Edificio Central, para a Rua da Lapa, 120 e creio que antes de ser vendida para Editora Bertrand Brasil, ficou por algum tempo em Botafogo, na Rua Muniz Barreto, próximo ao metrô Botafogo.

O capista Marius Lauritzen Bern, foi também fotógrafo, desenhista e ilustrador; com enorme contribuição a revolução visual promovida pela Civilização Brasileira, através de seu editor Ênio Silveira, que tinha um elenco de artistas gráficos como Roberto Pontual, Dounê, Léa Caulliraux e o grande destaque, apontado como introdutor destas mudanças e referência maior para o estudo da confecção de capas de livros, era o designer gráfico Eugenio Hirsch. Marius foi quem criou o logotipo das editoras Civilização e Paz e Terra, na época de propriedade de Ênio Silveira.

Para mim que sempre atuei no mundo dos livros, os nomes de capistas estavam incorporados como item de identificação das editoras. Ajudava em um balcão ou prateleira a distinguir ser de uma editora ou de outra. O elemento visual é instrumento aliado de um vendedor. Há pouco tempo, tive esta experiência em um sebo, quando um cliente pedia por um título ou autor, vinha de imediato em minha memória a capa e o formato do livro, mesmo afastado do convívio com os livros.

Acho a capa de um livro fundamental atrativo para o leitor, além de contarmos com a presença de importantes artistas e ilustradores em um livro. Se olharmos o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, por exemplo, em uma das edições publicados pela Record, há o desenho de capa de Aldemir Martins (1922-2006), ilustrações de Poty, retrato do autor por Jordão de Oliveira e foto do autor por Zélia Amado. O livro Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, publicado pela Civilização Brasileira, em 1971, com capa de Dounê e diagramação de Lea Caulliraux; ou um livro de autoria de Marisa Raja Gabaglia editado em 1973 pela Editora Sabiá, com capa de Yllen Kerr (1924-1981), ou pela mesma editora, o livro de José Carlos Oliveira, A Revolução das Bonecas, com capa de Ziraldo. A identificação da capa do livro Antologia da Lapa, de Gasparino Damata, editado pela Codecri, em 1978, de autoria de Nássara.(Antonio Gabriel Nássara:1910-1996). O livro de Patrícia Bins, editado pela Nova Fronteira, em 1986, com capa de Victor Burton, com foto óleo sobre tela de Aldo Malagoli, da coleção particular de Luiz Carlos Matte, ou o livro de Zuenir Ventura, intitulado Crônicas de um fim de século, editado pela Objetiva, em 1999, com capa e projeto gráfico de Victor Burton, com foto do autor por Márcia Kranz. Uma capa bonita como Sem Pecado de autoria de Ana Miranda, executada pela artista Moema Cavalcanti e publicado pela Companhia das Letras, em 1994.

Paro por aqui.


segunda-feira, agosto 13, 2007

Fragmentos da Memória: Vagas lembranças...

Na semana passada resolvi caminhar pela orla de Copacabana até o Posto 9 em Ipanema, entre uma passada e outra, tentava lembrar de algumas livrarias infantis. Não consegui ! Lembrava de editoras como a Ebal (Editora Brasil-América – criada em 1945, por um antigo funcionário de Roberto Marinho, Adolfo Aizen (1907/1991), dirigida após a morte do pai, por Paulo Adolfo Aizen e Naumin Aizen e a editora Vecchi criada por uma família de imigrantes italianos; pelos álbuns de figurinhas e revistas que editavam. Dos álbuns que colecionava, da disputa por uma figurinha carimbada, do bafo-bafo jogado com amigos. Das histórias em quadrinhos que circulavam de alguma forma em meu universo infantil. De ficar escutando o rádio para ouvir Jerônimo, o herói do sertão e Moleque Saci, do Sombra, da leitura de Fanstasma, Superman, de Mandrake, Recruta Zero, Bolinha e Luluzinha, Brasinha e Gasparzinho, Pato Donald, Mickey , Zorro e outros tantos heróis ilustrados nas revistas e almanaques dos anos 50 e 60. Dividia o meu tempo também com os seriados na televisão e os programas infantis como o Circo do Carequinha, interpretado pelo artista circense George Savalla Gomes(1915/2006), o teatrinho/vesperal Trol (Fabio Sabag, Norma Blum, Zilka Salaberry, Roberto de Cleto entre outros), Falcão Negro interpretado pelo ator Gilberto Martinho (1927/2001), de Rin Tin Tin e Rusty, a série do cão da raça Collie de nome Lassie, embora tenha sido uma “cadela”, sempre foi interpretado por cães machos.
As livrarias como escrevi, naquele momento fugiram da lembrança. Mas havia uma, que de algum modo contribuiu na minha formação de leitor. Em minha fase de garoto, estudante do curso primário do Instituto de Educação, na Tijuca, por estar pela localização em frente ao Instituto, a Livraria e Papelaria Casa Mattos, “amiga número um dos estudantes”, logo era minha amiga, assim eu imaginava, freqüentada por minha família, que na condição de alguns deles por serem professores, gozavam de um desconto de 10% na compra de material escolar. Dificilmente íamos ao centro da cidade comprar na Casa Cruz.
Minha madrinha, uma das professoras da família me presenteou com uma coleção de Monteiro Lobato (1882/1948), editado em 1960 pela Brasiliense com capa dura de cor verde, em meu aniversário de 11 anos. De minha outra tia, também professora, ganhei o livro Cazuza de Viriato Corrêa (1884/1967), editado pela Companhia Editora Nacional, o livro foi publicado pela primeira vez em 1938.
Acho que foi na criação desta relação com o cliente da papelaria, que se estabeleceu na cabeça do público que na compra de algum livro se obteria o desconto. Tornou-se um hábito bem arraigado. Durante estes anos ouvi de muito livreiro a reprovação do desconto para livros. Uma reclamação por parte dos livreiros e que crescia no inicio da feira do livro em praça pública, cujo desconto era de 20% obrigatório na compra de qualquer livro. Alguns livreiros acompanhavam a promoção dando destaque em suas lojas, outros efetivaram o desconto de 20% em todos os livros, caso da Livraria Ivo Alonso Nunes, uma boa livraria no centro da cidade, na Praça Monte Castelo. A livraria Ivo Alonso foi distribuidora da Atlas. Em plena efervescência de vendas chegaram abrir uma filial na Gama Filho, sob os cuidados do filho. Lembro que na loja do Ivo Alonso faleceu o historiador Manuel Mauricio de Albuquerque, habitual cliente da livraria, mestre e autor da Pequena Historia da Formação Social Brasileira, editada pela edições Graal. Estava em companhia de Eulalia Maria Lahmeyer Lobo, também professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais - IFCS-UFRJ.
Aqui no Rio surgiram livrarias para este distinto público e seus pais, poucas sobreviveram. Se não falha a memória na segunda metade da década de setenta e o inicio da seguinte. Lembrei de imediato de uma das melhores livrarias, a livraria Malasartes (1979) situada no número 367, do Shopping da Gávea dedicada ao público infantil, tendo como uma das sócias, a escritora imortal Ana Maria Machado, aliás, eu considero como uma das melhores escritoras, embora, não apenas dedicada ao publico infantil; com Claudia Amorim e sua mãe Yacy Mattos de Moraes.
Ana Maria Machado foi uma das sócias da Quinteto Editorial, vendida mais tarde para a editora FTD. Lembro que ao ser vendedor tive a oportunidade de conhecer a livraria Malasartes e o primeiro contato foi com a Claudia, dali nasceu uma identificação imediata, sem muitas elucubrações, eu estava diante de uma livreira. Uma boa livreira. Fui apresentado por um amigo de longa data, também vendedor, de nome Fabrício. Na ocasião a editora em que eu trabalhava havia uma pequena seção de livros infanto-juvenis, que não foi adiante, no caso era a editora Paz e Terra. A coleção era dirigida por Eliane Ganem, escritora, professora do Instituto de Arte e Comunicação da UFF, seu livro Coisas de Menino foi editado pela Paz e Terra, ilustrado por Jayme Leão e com orelha escrita por Michel Misse, meu colega do IFCS/UFRJ. Há uma edição pela José Olympio.
Na Quarup, uma livraria que eu tive em Ipanema, havia criado um espaço dedicado ao leitor infantil, recebia visita de algumas escolinhas e de um pequeno público da redondeza. Meu filho na condição de ouvinte gostava imensamente dos livros da Ática, da coleção Gato e Rato, do casal Mary França e Eduardo França. Pensei em criar e logo abandonei a idéia inspirada na Murinho, a livraria infantil pertencente a falida Muro do livreiro Rui Campos, uma carteirinha de sócio. O momento de dificuldades de manter a livraria estava timidamente sendo anunciado, resisti até o mês de agosto de 1984.
Pouco tempo depois de ter fechado, recebi um convite e fui trabalhar na livraria Unilivros de Ipanema, junto com uma boa equipe de vendedores sob o comando de Mário, o homem de confiança de Jorge Ileli. Ileli conhecido cineasta, sua livraria era freqüentada por diversos artistas. José Lewgoy tinha uma cadeira cativa na livraria, estava sempre por lá. José Wilker era um dos melhores leitores, apontaria na época sem sombra de dúvida como o maior comprador de livros, assim como a Fernanda Montenegro, era também uma grande leitora. Manoel Carlos também comprava muito. Lembro de vários artistas, uma das últimas vezes que vi junto com a sua filha, a atriz Lílian Lemmertz , pouco tempo depois veio a falecer prematuramente. Continua na próxima oportunidade.
Ps: Fui informado pela Office Book, o novo endereço da tradicional livraria Ivo Alonso Nunes, localizada na Rua das Marrecas, 11, no Centro do Rio de Janeiro. Pela foto enviada, vale uma visita.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Globo: Uma Livraria e Editora para permanecerem na História.

João Fahrion: Professor do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, pintor, desenhista, ilustrador e gravador. Nascido em Porto Alegre em 4/10/1898 e falecido em 11/08/1970. Capista e ilustrador de livros publicados pela Editora Globo. Desenhou as capas de alguns números da Revista do Globo.

A partir de hoje penso em alternar as manifestações artísticas expostas neste espaço blogueiro. Vou pendurar neste mural, obras (capas) de artistas relacionados de alguma forma com a indústria do livro.
Tenho recentemente abordado como fio condutor minha experiência como um antigo profissional do livro, principalmente ligado ao comércio de livros e como leitor; deste modo penso em estar contribuindo de alguma maneira para reconstruir mesmo que por esta via, a história do livro. Não poderia ignorar a importância fundamental em um livro a participação do profissional das artes gráficas, ilustradores e desenhistas, daí que aos poucos colocarei em exposição, capas que me agradaram, ou que procuraram criar uma identidade visual nas editoras. Fui testemunha ao ouvir por parte do consumidor de livros, que através da capa, da beleza apresentada, foi o que estimulou para comprar este ou aquele livro. Uma bonita capa, atraente, é o primeiro impacto diante do leitor, realmente ajuda e muito em uma decisão na hora de comprar. Associados ou não à capa, está o autor, título ou assunto, elementos que são atrativos para um leitor.
De oitenta prá cá houve um número maior de editoras, livrarias e uma pluralidade de artistas produzindo capas de livros. Uma nova linguagem visual marcava presença nos espaços do livro. A impressão que tenho, é que a editora Companhia das Letras foi quem efetivamente deu enorme contribuição para este novo tratamento visual, a partir de seu surgimento no ano de 1986.
Segundo alguns intelectuais, o livro após a presença da Companhia passou a ser objeto de desejo. A midia impressa babava por novos titulos da editora, que produzia cada vez mais. Os cadernos "culturais", riam de ponta a ponta com cada livro resenhado. Eliminavam por princípio qualquer pequena editora. Eu trabalhei com editoras que tinham dificuldades enormes para obter um espaço em um destes cadernos e eram editoras de grife. Havia espaços cativos e pronto. Os editores destes cadernos demoravam em reconhecer sucesso fora dos parâmetros da editora que estava em moda. Tudo que envolvia a editora era sucesso, aliás quando estive em São Paulo nos anos 90, vi livrarias na Avenida São João vendendo ponta de estoque da editora, um repleto e variado saldo.
A mudança de formato se fazia presente em várias editoras. Antigamente, hoje é mais aceito, havia uma enorme resitência por parte do público e das livrarias, a edição de um livro impresso em papel jornal e o preço do exemplar mais barato. Não adiantava, o público era refratário. Encalhes e mais encalhes, o resultado venda para papeleiros.
Hoje fica pra mim mais difícil identificar de imediato qual seria a editora que estaria em exposição em um balcão de livraria, por exemplo. Quando atuei em livrarias eu percebia, talvez por ajuda de uma boa memória visual e com mais facilidade uma editora. Ali estavam: uma Zahar, Civilização Brasileira, Francisco Alves, José Olympio, Paz e Terra, Nova Fronteira ou outras editoras. Naquela época também identificava a editora por titulo, autor ou linha editorial.
Como o meu post trata da Livraria e Editora Globo, resolvi iniciar com um trabalho de um artista, dentre os vários que colaboraram com a editora gaúcha desde a sua criação, em 1930, com a participação de Henrique d`Avila Bertaso, filho mais velho de José Bertaso.
Li outro dia no mês de julho, em site de um jornal gaúcho noticiando que a Globo livraria, situada desde dezembro de 1883 na famosa Rua da Praia no centro de Porto Alegre, daria lugar a uma empresa de eletrodomésticos e móveis. Segundo a informação foi vendida uma parte do tradicional prédio da livraria, a outra foi destinada aos livros e a papelaria que seriam deslocadas para os fundos da loja. Uma pena! Sinto muito quando fecha ou é atingida uma livraria, editora ou distribuidora. Ali, apenas para citar passaram alguns escritores como: Mário Quintana (1906/1994), colaborador da Revista do Globo, poeta e tradutor; Lia Luft (1938) exercia o trabalho de tradutora da editora; Érico Veríssimo (1905/1975) um dos colaboradores mais efetivos da editora, como tradutor, escritor e conselheiro editorial além de ser editor da Revista do Globo; a jornalista, professora doutora pela ECA/USP pesquisadora Cremilda Medina, autora de “Notícia, um produto à venda”, editado em 1978 pela Alfa-Ômega e Maria da Glória Bordini, professora, pesquisadora no campo da leitura recentemente despedida da PUC/RS. Maria da Glória é também autora de um estudo editado pela L&PM, cujo titulo é: “Criação Literária em Érico Veríssimo”.
No caso da livraria foi determinante a situação de endividamento em que se encontrava. Atualmente quem preside a livraria é o bisneto Henrique Ferreira Bertaso. Nesta situação desenrolou uma cisão familiar que envolveu os irmãos Bertaso. A declaração do irmão, ao se recusar a participar da Feira do Livro de Porto Alegre: ”O senhor Cláudio disse que seria melhor a Globo ir vender suco de uva na feira, porque livro não dá dinheiro. Ele desprezou os livros”, tornou público o vice-presidente Gustavo. Brigas familiares têm sido a tônica de divergências e fechamento de empresas. Convém lembrar que um dos fundadores da Editora Globo, Henrique Bertaso (1906/1977) participou da criação da Feira do Livro de Porto Alegre.
Lembro da filial que a livraria Globo montou no Rio de Janeiro nos anos 80, na Rua São José em frente do terminal de ônibus. Não ficou muito tempo e cerraram as portas. Nesta ocasião trabalhava para Paz e Terra. Achei que a filial, não conheço o restante das lojas do sul, mas como estavam abrindo a loja, o acervo não me impressionou. A livraria uma empresa tradicional no ramo do livro, com concentração no sul do país, me parecia sinalizar dificuldades. Eu tinha uma facilidade, fotografava com os olhos, o acervo da livraria, percorria as estantes de ponta a ponta, dali eu identificava o material que a loja dispunha. A livraria atuava com o binômio: livraria e papelaria, combinações não muito freqüentes na praça do Rio de Janeiro. A distribuição da Editora Globo, até ser vendida para Rio Gráfica em 1986, era feita pela Catavento. A Rio Gráfica (RGE) foi uma empresa fundada por Roberto Marinho, em 1952.
Anos mais tarde em uma breve passagem pela livraria Beta de Aquarius, antes de minha saída, conversava com o proprietário da loja, o livreiro Antonio Seabra, a respeito de meu interesse em leituras sobre a historia do livro no Brasil, lembrou que tinha em seu acervo, dois títulos que me interessariam, acabou por ceder dois livros de autoria de José Henrique Bertaso sobre a livraria Globo. Uma referência para compreensão da história do livro, embalado por elementos de uma narrativa biográfica bem interessante; o que motivou a busca pelo título “Um Certo Henrique Bertaso – Artigos Diversos, editado, ou melhor, reeditado pela Globo, em 1997, de autoria de Érico Veríssimo. Encontrei em um sebo, após um ano de busca, foi localizado em uma prateleira por 5 reais. Abri de imediato o livro de capa dura para iniciar a leitura e li:”Mil novecentos e vinte e dois foi, sob muitos aspectos, um ano portentoso”. Até a próxima...
Fonte de Consulta: Traça Livraria e Sebo - especialmente Mostra da Revista do Globo (1929/1939) e Jornal de UFRGS







terça-feira, julho 31, 2007

No tempo em que eu vendia livros.

Egas Francisco : (Egas Francisco Sampaio de Souza) Ontem procurava ao navegar pela net, algum artista brasileiro para que pudesse ser mostrado aos meus dois leitores, na galeria improvisada deste blog. Ao ver esta pintura datada de 1986 no site CCLA em homenagem ao artista, fiquei maravilhado com a beleza da obra, não hesitei, acabei naquele momento de encontrar uma preciosidade, a obra de um talentoso artista autodidata paulistano, nascido em 1939, morador da cidade de Campinas. Egas é ao mesmo tempo desenhista, cenógrafo e pintor. Sua primeira exposição foi na livraria Macunaíma, em São Paulo, no ano de 1960 e teve a apresentação do cineasta paulista Maurice Capovilla, um dos representantes do Cinema Novo. Egas Francisco é conhecido em nosso país e no exterior, com exposições individuais e coletivas de grande sucesso. Em um texto da Revista Agulha, obtive informações a respeito do artista em uma matéria em forma de entrevista, realizada por Ana Lúcia Vasconcelos, que vale uma leitura. Recomendo uma visita à página oficial do artista , no momento estava em construção, mas que oferece para agrado dos olhos e dos leitores, a imagem pintada pelo autor da escritora Hilda Hilst(1930/2004). Lembro que distribuí um título de Hilda, chamado Cartas de Um Sedutor publicada em 1991, pela editora Paulicéia, dos irmãos Perosa. Acho que pode ser ampliada para mais informações a respeito do artista, uma visita ao site Cumbuca
*********************************************
Recebi ontem pela manhã uma mensagem em minha caixa postal, cuja autoria é atribuída ao imortal João Ubaldo Ribeiro, que na apresentação do texto, traz a imagem do escritor. Gostei muito do que li e procurei como sempre faço repassar para os amigos. Confesso que fiquei confuso, por ter me deparado com o texto numa versão portuguesa em um blog
lisboeta
Gosto de fazer quando tenho tempo, uma leitura mesmo que rápida em diversos blogs, tanto os portugueses como os de nossa terra. E foi por acaso que depois da leitura esbarrei com os créditos do texto como sendo de autoria do intelectual português Eduardo Prado Coelho e publicado na imprensa portuguesa. Fica claro que não vou perseguir nenhuma pista para saber ou comparar a autoria dos textos. Na net pelo que tenho conhecimento, é um território livre, podendo ao sabor do vento, creditar a confecção de um texto para qualquer um, o que é feito sem nenhum pudor e respeito aos direitos autorais.
O que me interessa particularmente, é a declaração de nosso presidente que foi inserida no texto de modo enfático e que me parece ter ficado muito orgulhoso ao dizer que é:” muito chato ter que ler”. Confesso que não esperava outra coisa proferida pelo nosso presidente, principalmente em se tratando de leitura ou de seu objeto principal que é o livro. Embora perceba o nível de consciência política, da facilidade com que tem de apreender diversos assuntos, o livro para Lula está fora de seu alcance. O tratamento dado para a recomendação da leitura, está sempre deslocado para um plano de menor importância. Fiquei abismado, pois nosso presidente ignora a importância da leitura em nossa sociedade. Quem lida ou lidou com livros, sabe da dificuldade que se tem e por teimosia viver do livro. Vivi em muitas situações como distribuidor a dura realidade de não ter colocado à disposição do leitor determinados títulos de uma editora. Por mais que se tente, a venda de um livro nas livrarias, muitas vezes encontra dificuldades, diversos fatores contribuem para que o livro fique parado no estoque de uma distribuidora, não seja aceito.
Vi livreiros que selecionavam os títulos em função do perfil de seu público, aliás estão certos, como por exemplo: quando vivo, o livreiro da Timbre, Aluízio Leite (1938/2000) ou a sua sócia Kiki, também livreira faziam os pedidos de acordo com o seu público ou os seus gostos. Há livrarias e seu público, muitas vezes o editor ou autor tinham dificuldades para entender porque de seu livro não estava em determinada livraria. Eu convidava autor ou editor para fazer uma visita ou uma rodada na praça, para sentirem de perto as livrarias. Pedidos feitos pelas livrarias ao editor ou distribuidor, geralmente são caracterizados pela quantidade de um exemplar. Como distribuidor convivi com uma disputa na praça por ter em alguns casos uma pluralidade de editoras sem a exclusividade. Achava um erro até pela extensão da praça a oferta de mais de um distribuidor, atribuido ao número pequeno de livrarias, sofri perseguição de um dos maiores distribuidores do Rio de Janeiro, chegou a boicotar minha inscrição para ser associado da Feira do Livro , na ocasião presidia a entidade ligada ao livro(ABL). Sua distribuidora Irradiação Cultural, apenas por coincidir trabalharmos com as mesmas editoras, provocava um desconforto em seus vendedores, que eram exteriorizadas por olhares e comentários. Havia situações em que eu ou o concorrente estávamos em uma mesma livraria para oferecer o mesmo titulo, ganhava às vezes quem dava o maior desconto ou quem tinha maior interação com o comprador. Alguns editores gostavam desta disputa, estimulavam... Continua no próximo post.






domingo, julho 22, 2007

Homenagem ao Poeta: Carlos Drummond de Andrade

Escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, criada pelo artista mineiro Leo Santana. Instalada em Copacabana, em frente à rua em que o poeta morou, no dia 31 de outubro de 2003 - Centenário do Poeta. Fonte de consulta: (http://www.gospeltv.com.br/)

Pela primeira vez , decidi que republicaria um texto produzido por mim aqui neste espaço. Peço desculpas para aqueles que eventualmente tiveram oportunidade de ler o texto em 2005, estou repetindo com poucas alterações. Acrescento como um dos homenageados o meu neto Ricardo, nascido em 31 de outubro de 2006. Aliás, o mesmo dia e mês de nascimento do grande escritor.

Caminhava conversando com o vento pelo calçadão seguindo sem lenço e com documentos com os olhos cheios de cores, vidrados naquela maravilha de cenário, bonito por natureza.
Vi
Os corpos dourados das mulheres de Copacabana deitadas como sereias, nas areias banhadas de sol, beijadas por homens, ondas e ventos.Dos homens e crianças sorridentes sem dentes da cola que cheiram e brincam indiferentes.
Pega! Pega Ladrão! Pega Ladrão!
Grita aflito alguém chorando a carteira voava entre pivetes, facas e canivetes. Armas do desejo de possuir.Roubam e atravessam sorridentes e triunfais.
sou di menor, tio me dá um real.
Vou seguindo em direção ao Posto Seis. Sob o céu azul de Copacabana.
Nada no bolso ou na mão. Peço uma licença poética, ao Meu Amigo Poeta para um dedo de prosa.
Meu amigo, respeito o seu silêncio, mas a infância está perdida. A mocidade está perdida, mas a vida não se perdeu...ainda.
Naquela avenida abraçada pelo mar os hotéis sorriem de felicidade. Turistas perdidos procuram as damas da noite e os gays da vida, na vida, perdidos na noite, paqueram aqueles que vivem aqui em Copa e de Copa. Olha o Poeta, em seu silêncio a paisagem encarnada e ventilada pelos odores dos corredores, dos caminhantes, dos ciclistas e golpistas; Copacabana você não me engana, não disse assim Fontoura, mas disse Caetano e Torquato, nesse país que me engana, aí de mim, Copacabana, aí de mim,ai de mim, ai de mim...
Copacabana virou filme da Carla Camurati, Ai de ti, Copacabana! Dizia Rubem Braga, porque a ti chamaram Princesa do Mar.Porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia...estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.
E agora, Carlos?Você sentado eternamente neste banco poetando este mundo caduco.Sei que no meio do caminho tinham aquelas pedras do calçadão e bicicletas na contra-mão.Tinha a policia descansando, porque ninguém é de ferro.Carlos, eu confesso, nunca esquecerei desses acontecimentos:Tinha um corpo estendido no meio do caminho no meio do caminho tinha um corpo drogado.Um menino revoltado.
Meninas vendendo balas. Alugando corpos.
Das gaivotas em cambalhotas. Mar me fez amar Copacabana pra se amar, um só lugar, Copacabana cantava Lúcio Alves em 1951;Princesinha do Mar Só a ti Copacabana eu hei de amar.
E agora, Carlos? Lula , esqueceu que foi operário e foi viver no Paraíso virou amigo de reis e príncipes e afastou os mendigos. A festa não acabou , a miséria continuou.. As luzes da cidade estão acesas nos quiosques, na praia, nos faróis. A bebida rola e outras coisas que nem queira saber.
Copacabana sempre nos engana. Do Leme ao Posto 6. Lembro, Carlos quando você passava por mim, nos anos 80 de braços dados com Maria Julieta pelas calçadas de Ipanema. Soube que você ficou muito triste com a partida de sua filha, ela foi pra não voltar e você, depois, seguiu seus passos...Eu estava do outro lado do balcão de uma livraria daquele cineasta que dirigiu: Amei um bicheiro. Ele também foi embora, deixou um livro escrito pela Rosana Cardoso, que começa, citando seus versos: É preciso que a lente mágica Enriqueça a visão humana e do real de cada coisa. Um mais seco real extraia para que penetremos fundo. No puro enigma das figuras, está escrito em Amar se aprende amando.
E agora, Carlos? A festa não acabou, mal começou...Copacabana me enganou e um anjo meio torto, destes que colocam o boi na sombra disse: Vai, Wilton, ser de esquerda na vida militante dos sonhos, dos protestos estudantis, acabei Carlos sendo sociólogo, livreiro, distribuidor e editor. Até uma locadora de filmes criei de nome Sagarana. Lá no Catete.
Vou te contar, Carlos. Dona Vanna Piraccini, uma grande livreira, você conheceu muito, sei que você estava sempre por lá... Leonardo, era sua passagem, continua sendo uma excelente livraria, em companhia da filha Milena. Faz parte da história do livro. Lembra da campanha que você fez através do JB? Conclamando os clientes a pagarem as contas por causa daquele incêndio criminoso na livraria, queimando tudo, arquivos e livros, foi no ano de 1973.
Eu solidário, fui um deles.Você chegou a fazer poema em homenagem a livraria: Ao termo da espiral que disfarça o caminho com espadanas...
Quem quiser saber mais que leia as Impurezas do Branco. Meus olhos e os seus seguem As bundas bronzeadas, as boas de bunda. Uma bela bunda, Não sei se seria da Raimunda. Que além de ser rima é solução. Aquelas que parecem sorrir. São engraçadas. Esferas harmoniosas sobre o caos. A bunda são duas luas gêmeas. Em rotundo meneio. A bunda é a bunda. Sabe meu querido poeta elas nos divertem...Sei que você dedicou Um Amor Natural para elas.
Lembra Carlos, daquela que pelo rádio da polícia, mandou o seu recado, a Kátia Flávia, gostosona que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas. A Godiva de Irajá que se escondeu aqui em Copa.Uma Louraça Belzebu, provocante, disse a Fernanda Abreu, uma vascaína igual a nós. Lembro Carlos que você publicou vários assuntos sobre futebol. Quando é dia de futebol, virou título de um livro. Quem reuniu esta seleção de textos, foram os seus netos, achei muito legal esta iniciativa. O nosso time esta um vexame só. É governado pelo Tirano da Colina.
Poeta, quantas pessoas sentam ao seu lado passam aqui para conversar e ouvir poesia ou apenas fotografar.Carlos, a Rosa ainda não é do povo, continua com os espinhos mas elas falam, reclamam, protestam. Carlos, a coisa aqui, tá preta como disse outro poeta. O outro, poeta-cantor largou a Marieta. Mas o que queria lhe dizer; é que continuamos na luta, na luta... sem pedir licença. Os poderosos estão cada vez mais ricos. Os idosos, estes que tiram fotos de você ainda continuam penando nas filas dos postos da previdência, nos hospitais. Cresce o número de moradores de rua. Sei que os seus olhos não perguntam nada, apenas olham para as pernas brancas, pretas e amarelas. Por que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Pois é poeta, pernas pra que te quero? Olha poeta, que rabo muito gira, é de uma portuguesa com certeza, reparei no sotaque enquanto caminhava olhando Las Muchachas de Copacabana. Mamãe pro mês lhe mando umas economias. Lembrança da filha Que brilha aqui na capital. É uma estrela internacional. Esta é de autoria do Chico, que continua cada vez melhor...escrevendo livros e composições, fazendo show e indo à praia do Leblon.
Poeta adivinhe, onde? Na praia, até uma Inocente do Leblon. Foi ouvir bem de perto, parece que era um papo animado.O Arnaldo, sim, o Jabor, anda fazendo meditações diante de um bumbum. O bumbum da Juliana Paes, você meu querido poeta acho que não conheceu é uma celebridade da tv, uma artista de novela. Foi capa de revista Playboy.
E agora, Carlos? Continuamos morando em Copa, você em um posto, eu, em outro. Moro na metade do seu. Carlos, quase que ia esquecendo de lhe contar: Há mulheres colocando silicone, no considerado patrimônio nacional fazem cirurgia pra aumentar os glúteos, mas prefiro bunda ao natural, acho melhor.Quero lhe apresentar a puta da cidade, que você falou certa vez.Ouvi dizer que João amava Pedro Que amava Teresa que não amava Raimundo. Raimundo que amava Maria Que saiu da casa da tia e Joaquim que não estava nesta história, acabou mesmo suicidando, se jogando de um prédio na esquina de Figueiredo com Domingos.
Um escrito na sala do apartamento de Copacabana, escrito que não engana. Arregalou os olhos de Sebastiana, assim, cantava Eduardo Dusek. Carlos, quem está distante de nós, é a doce e querida amiga Elianne, trocou Ipanema por Cabo Frio, voltou para Ipanema e foi para Natal., levando livros e filhos...Deixou lembranças...É o nosso amor antigo, nada exige e nem pede...
Carlos, agora, meu caro poeta, vou para casa. Pretendo acordar sem sofrimento. A dor que deveras eu sinto, é a dor de não ser um poeta, nem prosador do mundo.Sou apenas um leitor e agora blogueiro. Com o abraço de sempre desse quitandeiro, velho apreciador de livros e poesias. Seu grande admirador.
Obs: Foram consultadas algumas poesias de Carlos Drummond de Andrade em páginas na web como: Drummond: Alguma Poesia e Casa do Bruxo. Versos de Drummond foram inseridos na elaboração deste texto, assim, como os autores citados e suas composições musicais. Esclareço que é uma homenagem singela e sincera ao poeta que sempre via passar por mim e que hoje passo por ele, em sua forma de escultura na Praia de Copacabana, posto 6. O que escrevi,dedico para Marilene, minha companheira por mais de 30 anos, ao filho Raoni, aos seus filhos, meus netos Ramom e Ricardo e, a minha querida amiga, a psicanalista Elianne Abreu.

terça-feira, julho 17, 2007

Papo sobre Livrarias: Uma Conversa sem Fim.

Não fico espantado, não fico surpreso com pesquisas a respeito do consumo de livros em nosso país, como a que foi publicada em O Globo, em matéria assinada por Maiá Menezes, no dia 4 de julho de 2007. Apenas confirma a minha visão a respeito do baixo consumo de livros por parte do público identificado como universitário. Esse era o meu público alvo, uma vez que, sempre trabalhei para este universo de leitores, seja através da divulgação, comercialização e distribuição de editoras em que predominavam em seus catálogos, o livro universitário e com alguma concentração na área de ciências humanas. Meu termômetro muitas vezes foram livrarias abrigadas em universidades, bienais, feiras de livros nas praças da cidade, livrarias localizadas nos bairros e outros espaços onde eu pudesse atuar. Era o meu segmento predileto, a oportunidade de rever professores e colegas da universidade, sempre encontrava com alguém. Deixo claro que como profissional, representei como vendedor, através de distribuidoras, editoras que eram especializadas em literatura infantil,como a Memórias Futuras, uma editora situada em Laranjeiras, ou astrologia, como a editora Hipocampo. localizada em Botafogo, de Beatriz em parceria de alguns títulos com Massao Ohno.
Minha condição de antigo vendedor pracista, ou distribuidor; possibilitou e deu garantias para que eu pudesse visitar diversas livrarias no Rio de Janeiro e uma parte da praça do centro de São Paulo e de alguns bairros da capital, quando atuei por lá no inicio dos anos 90 pela Editora Paz e Terra/Edições Graal. Foi sem dúvida um aprendizado. São praças bem distintas. Aqui no Rio de Janeiro, como profissional, eu compunha muito bem o perfil de um vendedor/leitor da Paz e Terra, sempre fui identificado como da Paz e Terra /Graal não só como divulgador enquanto trabalhei na área universitária ou mais tarde como pracista das editoras na praça do Rio de Janeiro. Foram as editoras que estive por mais tempo como profissional, assim, como tinha um bom transito com Marcus Gasparian, que fui convidado para ir para São Paulo. Os irmãos Laura e Marcus Gasparian, gerenciavam a simpática livraria no final do Leblon, depois, a livraria ocupou o espaço da antiga biblioteca pública do Leblon. A livraria do Rio ficava mais sob os cuidados de Laura, as lojas (Argumento e Livre) de São Paulo, sob a gerência da matriarca Dalva Gasparian. Marcus era mais ligado a editora, ajudava o pai, Fernando Gasparian. Nesta ocasião ajudei na montagem da livraria Poiesis em Ipanema de Denise Emmer, era no mesmo prédio em foi situada a minha livraria.
Acho que o contato direto que se estabelece entre o pracista e o livreiro, ainda vejo como o mais credenciado para visualizar e detectar o comportamento de vendas de uma editora, muito diferente daqueles que se arvoram em se pronunciar a respeito de livros.
O pracista é um profissional que lida com a observação direta, o pedido (compra) por parte do livreiro, seja ele um livreiro badalado ou não, dono de uma pequena livraria ou comprador de uma rede de livrarias.
Observei que muitos compradores não tinham a menor noção do livro que eu apresentava ou de outros colegas, representantes de editoras Aqui cabe registrar que muitos vendedores pracistas, desconhecem também o seu objeto de venda, muitos o fazem de modo mecânico; condicionados pegam os livros (novidades) e vão rodar a praça, estão atrelados a metas de vendas.
Há muitos obstáculos para um livro não ser comprado por um livreiro e destaco um deles: é a participação das editoras, na exigência de mínimo de compras para se formalizar a emissão de uma nota fiscal. Muitas editoras usam a linguagem consensual, de não fornecer o pedido se não cumprir o mínimo, muitas vezes condicionados ao salário mínimo. Sempre fui flexível nesta relação, enviava sob forma de vale provisório, em primeiro lugar estava o atendimento aos clientes: leitor e livreiro, isto gerava em mim uma grande satisfação.
Engraçado muitos vendedores/editoras que eram intransigentes, reclamavam das vendas. Algumas lançavam mão da presença de gerentes para verificar o comportamento da praça e se possível com as mais modernas técnicas de venda e persuasão, convenceriam o cliente a comprar. Muitos editores esquecem que a simples presença deste representante não implica em aumento de vendas ou mesmo que se efetue alguma venda; salvo, se vier com alguma proposta promocional e se estiver na projeção de compras do livreiro, vi colegas constrangidos com a presença a tiracolos de gerentes em suas visitas diárias, monitorando o vendedor. Uma grande editora monitorava o vendedor, telefonando em seguida para a livraria visitada, além de registrar o horário de entrada e saída do vendedor da loja, confirmado pela assinatura do responsável pelo atendimento.
O quadro de vendas estava se alterando, a figura do vendedor e ou do distribuidor no inicio dos anos 90, distribuidoras e pequenas livrarias entrando em colapso, estavam desaparecendo. Novos recursos de vendas são acionados, algumas livrarias são maquiadas para serem transformadas em distribuidoras, gozando do desconto de praxe.
Um novo desenho estava sendo criado pelas livrarias, estavam surgindo megas livrarias, novas roupagens e combinações são introduzidas nas livrarias sobreviventes. As livrarias tradicionais ficaram asfixiadas e longe dos benefícios que as megas são contempladas, insistem bravamente e teimam em disputar com as redes. Sua sobrevivência implica muitas vezes na preservação do livreiro, um atendimento mais personalizado.
Uma nova arquitetura, novas opções sofisticadas são oferecidas aos clientes. As redes de livrarias oriundas no Rio de Janeiro, não sobreviveram como: Unilivros, Entrelivros e Studiolivros , ou a Sodiler, a ultima grande rede de livrarias no Rio de Janeiro, agora sendo gerida pela Laselva Bookstore, uma grande rede paulistana. Enquanto por um lado circula boatos na imprensa, dando conta de que a rede Siciliano, pode ter o controle passado para a Ediouro, que vivenciou esta experiência nos anos 80, abrindo e fechando lojas, como a Curió.
Bem volto a conversar sobre livrarias, livros e editoras o mais breve possível. Até a próxima oportunidade. Um grande abraço.

segunda-feira, junho 18, 2007

Papo de Segunda

Mário Cravo Júnior: Escultor, Gravador e Desenhista. Um dos maiores artistas baiano e de grande importância no panorama das artes de nosso país. Nasceu em Ribeira do Itapagipe, Bahia, no ano de 1923. Pai do talentoso artista Mário Cravo Neto. Doutor em Belas Artes pela UFBA. Artista com exposição individual e coletiva no exterior. Considerado como um dos fundadores da Arte Moderna da Bahia.


Fonte de Consulta: Wilkipédia // Mario Cravo Neto //Acervos.art.br // Camara do Governo // Organização Odebrecht





Na semana passada ao voltar a caminhar pela orla em direção ao Posto Seis, passei por um trecho da praia destinado aos jogadores de peteca. Foi o momento em que lembrei do livreiro Ernesto Zahar, proprietário da livraria Ler, morador de Copacabana e freqüentador assíduo daquele espaço. Muitas vezes em minha caminhada ou corrida, presenciava ali, como praticante de peteca, sempre de sunga, o livreiro Ernesto e os seus parceiros de jogo.
Conheci diversos profissionais que trabalharam na Livraria Ler, tanto na Rua México, quanto na filial do Mercado das Flores. Bons tempos da Livraria Ler, realmente a livraria tinha uma tintura de esquerda, não sei se seria uma livraria de oposição ao regime militar, diferente do que aconteceu com editoras, por exemplo: a Kairós Livraria e Editora, uma pequena editora paulista, cujos sócios eram: José Castilhos Marques Neto, Magali Gomes Nogueira e Moisés Limonad, três militantes da Libelu, vinculados a Organização Socialista Internacional. Aqui recomendo para quem desejar aprofundar no tema, o interessante estudo de Flamarion Maués, publicado na Revista História, SP, vol. 25, nº2 p.115-146, 2006. Aliás, faz parte de sua tese de mestrado: Editoras de Oposição no período da abertura (1974/1985) defendida no Departamento de História da USP, em fevereiro de 2006.
Aqui no Rio, houve atentados em jornaleiros e livrarias, apreensão de livros, caso da Ler de edições portuguesas de Carlos Mariguela, Márcio Moreira Alves e outros autores; incêndio, como o caso da Livraria Leonardo Da Vinci, da livreira Vanna Piraccini. Época de atentados, censura, anos de chumbo.
Houve um pessoal oriundo da Ler que abriu uma livraria na Rua Senador Dantas 117, no segundo ou terceiro andar, ali, foi instalada a livraria Espaço Dois. Os livreiros eram: Cícero, Celso e Américo. Um outro vendedores de livros partiram para Niterói, como o caso de Silva e outroa como: Joaquim e Everaldo, foram para a Livraria Vozes, da Rua Senador Dantas. Houve um, que foi para a livraria Argumento, o livreiro Celso Rolim (Livraria Apolo). Houve uma debandada da Ler, cada profissional tomou rumo diferente. A loja do Mercado das Flores havia fechado.
Na sexta-feira, recebi um pouco tarde a noticia de falecimento de um profissional do livro, grande batalhador, sobreviveu às duras penas como distribuidor da Perspectiva por mais de 30 anos e inicialmente com a Cortez & Moraes, depois do racha, apenas com a Moraes. Soube antes de fechar a minha distribuidora, ele tinha conseguido a Ateliê para distribuir. Seu nome: Arnaldo Vasconcellos Carqueija deixa os filhos Marcelo e Mônica. Fiquei abalado com o falecimento de Arnaldo, trabalhei com ele e os filhos em sua distribuidora Expectativa, localizada na Rua do Rosário 137, mais tarde as dificuldades como distribuidor o levaram decidir que para sobreviver teria de transferir para a sua residência no Méier, foi o que acabou fazendo. Fui seu vendedor por um tempo. Dificuldades muitas, era difícil vender com o desconto menor, mesmo ele tendo exclusividade das editoras. Conversava e muito com Arnaldo, quando passei a ser também distribuidor, ele, costumava passar na distribuidora para bater um papo, colocávamos em dia, a situação do mercado de livros. As distribuidoras viviviam agonizando, algumas como a minha estavam entrando em um processo de coma, o resultado não demorou, entrou em colapso como as demais distribuidoras, encerrando as atividades.
Um outro profissional que soube que teve um final trágico foi o dono da Livraria Ciência e Cultura, com filiais pelo Espirito Santo e pelo Rio, seu nome: José Alberto Aires Pinto, que cheguei a mencionar quando falei da livraria Ao Livro Técnico em um post anterior.