quinta-feira, agosto 23, 2007

Uma ida aos sebos: uma leitura.

Floriano Teixeira: (Floriano Araújo Teixeira) Nascido em 1923, na cidade maranhense de Cajapió e faleceu em Salvador no ano de 2000. Pintor, pesquisador, desenhista, ilustrador, gravador, escultor. Teve uma intensa atividade como convidado para capista em livros de Jorge Amado, Zélia Gattai e outros escritores.
Participou de vários grupos, formando núcleos, como os feitos na década de 40. Dirigiu o Museu de Arte da Universidade do Ceará (MAUC). Floriano Teixeira esta inscrito como um dos grandes artistas plásticos de nosso país e no exterior. Foi homenageado com nome em galeria, situada no Museu de Arte Sacra.

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Sem muita grana para comprar livros, o meu caminho tem sido os sebos. Gosto de freqüentar, de fuçar os livros, de garimpar, de achar os que eu procuro. Atualmente reduzi minhas incursões às livrarias de livros usados em outros bairros e, as livrarias que tenho visitado, são próximas de casa. São três sebos.

Hoje fui procurar algum livro que atendesse meu interesse imediato, que é o mercado editorial no Rio de Janeiro. Fui para uma seção em busca de uma preciosidade e encontrei o livro Livraria Ideal: do cordel à bibliofilia, editado pela Eduf, de autoria do pesquisador, professor da UFF e antigo livreiro Aníbal Bragança, cujo preço estava marcado em 22 reais. Como saí com pouca grana, aliás é o que eu sempre tenho. Ficou para a próxima visita. Eu estava na livraria Baratos da Ribeiro e caí na ingenuidade de perguntar ao atendente, em que local poderia haver livros que tratassem de editores, leitura, leitores, editoras ou livrarias e para meu espanto o rapaz de camisa amarela, ficou espantado com a pergunta, me indagou quem eu procurava, disse que seria uma obra de autoria de Moacir Félix, sobre Ênio Silveira, editor da Civilização Brasileira, eis que o jovem me responde que ali não tinha livros sobre este assunto. Fiquei calado e ao mesmo tempo, irritado, pois o atendente, não soube nem identificar que na loja em que eu e ele estávamos, havia um exemplar do livro Livraria Ideal. Depois deste esclarecimento percebi, tratar-se de um “profissional qualificado”: "a livraria é divida por assuntos e temas", respondeu do alto de sua sabedoria. Verdade que a livraria é bem organizada, limpa, um ambiente agradável, mas parece que compromete o atendimento desde do momento em que se percebe a ausência de um profissional que entenda, que tenha intimidade com o acervo da loja. Para quem faz uma outra leitura, identifiquei de imediato que o atendente não saberia identificar muita coisa. Encerrei naquele momento qualquer curiosidade a respeito dos livros. É o flagrante da constatação da mão-de-obra empregada em livraria, principalmente em sebos. Desconfio que muitos livreiros preferem recrutar um profissional para se trabalhar em livraria, despido de qualquer conhecimento/informação, quando muito dão prioridade a uma envernizada capa de cultura. Trabalhar com livros requer de imediato que seja escolarizado, que tenha uma mínima curiosidade intelectual.

Quem freqüenta uma livraria percebe após algumas indagações ao vendedor, se ele realmente conhece do ofício. Como são despreparados. Conheci sebos que não fazem questão alguma de ter um profissional qualificado, que prestasse um serviço ao cliente ou tivesse alguma familiaridade com a leitura. Acham que é um profissional caro. Há uma deficiência na formação do profissional de livrarias, claro que se identificam os bons profissionais no mercado, alguns com longa experiência, outros com formação intelectual mais esmerada. Uns que gostam de ler e muitos outros nem tanto. Sei de ajudantes de limpeza que alçaram a gerência de livrarias. Alguns não sabiam construir uma frase ou pronunciar nome de autor ou títulos de livros. Tinham dificuldades de fotografar as prateleiras e balcões. Houve no passado um curso para qualificar o profissional do livro, promovido pela Estação das Letras, me parece que é uma iniciativa singular em nossa cidade. Sobre livrarias (atendimento) foi dado por Marcelo, um rapaz que trabalha na Livraria da Travessa. Conheço este profissional, tem uma trajetória em ascensão na livraria. Há em São Paulo, um curso promovido pela Unesp - a UNIL.

Fui para outra livraria cuja escolha de um livro tem de se fazer um exercício de malabarismo, os livros são dispostos em pilhas no chão, o interessado em algum livro tem de tirar um por um e depois recolocar, vale um pouco de sacrifício, os preços são mais baratos do que os Baratos da Ribeiro. Embora eu tenha percebido um ligeiro aumento dos preços, usam um artifício de aumentar o valor do código do livro. O preço do livro é indicado por código alfa-numérico que corresponde à metade do valor marcado. Achei o livro de Zélia Gattai, um dos títulos que faltava para mim. Ao folhear o livro, dei uma lida no prefácio de Jorge Amado, encontrei mencionado logo no inicio ao nome de um livreiro e editor da Bahia, Dmeval Chaves (Dmeval da Costa Chaves), criador na década de 60 da editora Itapuã, também distribuidor de livros. Claro que eu não desejo que vendedores saibam quem é o amigo de Jorge Amado citado no livro. Para quem atua na Bahia, provavelmente teria identificado. Se eu não estivesse envolvido com livros há bastante tempo, não saberia responder. Fui também distribuidor de editoras que ele representava. Claro que não saber um assunto, não é impeditivo para alguém se transformar ou ser um bom profissional.

Um comentário:

Diz disse...

meu querido, respondi lá, viu?
eu gosto de ler suas memórias, faz com que eu me lembre de algumas coisas tb.
Não citou seu amigo vendedor ali embaixo rs
Como vc sabe deste assunto, fico impressionada.
Bjssss Laura Diz