quarta-feira, abril 05, 2006

O Ciúme

















Adélio Sarro : Pintor, Muralista e Escultor. Natural de Andradina, interior de São Paulo, nascido em 7 setembro de 1950. Reside em São Bernardo do Campo. Artista autodidata. Trabalho e talento uma combinação perfeita para este artista plástico, filho de agricultores. Trabalhou na roça, foi servente de pedreiro.Iniciou os seus trabalhos na pintura em 1972. Com intensa atividade, em exposições em nosso país e no exterior. O resultado de seu sucesso, é registrado em mais de 2500 obras. Citado em diversos livros de arte, iclusive em textos monográficos. Em sua obra há influências de muralistas, assim, como a forte presença da religião, nota-se um lirismo poético em suas cores e formas. Sua pintura, sua arte, é notada em Aparecida do Norte, em sua Basílica no interior da Capela de São José. Expõe no Espaço Cultural do Aeroporto Internacional de São Paulo. (Fonte de Consulta: Agulha/Revista de Cultura, Oscar D`Ambrosio/Artcanal, Markus Artes/SP, ArteLatina, Prefeitura Municipal de Garça, Karine Jacon Sarro, Portal da Câmara dos Deputados/Noticias de Sarro)
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Olá!
Estou aqui, depois de minha caminhada pelas areias da praia de Copacabana. Caminhando, conversando e ouvindo o barulho das ondas. O sol colado no corpo, o bronzeado tomando conta, invadindo espaços do corpo escondido. Gaivotas sobrevoando o barco cheio de pesca. Corpos indo e voltando da caminhada. Mergulhos. O cenário é maravilhoso, muito singular.
O texto que apresento estava em meu baú, tirei para expor e pendurar no mural, espero que gostem. Agradeço aos amigos, pela presença e os comentários. Um grande abraço para vocês.
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Desde o último Natal que ficara assim. Nem a Missa do Galo, que tanto gostava de assistir, não freqüentava mais. Andava cabisbaixo, não ligava para os amigos, tampouco, para duas ou três amigas galináceas, ou as duas cachorras e uma velha piranha. Os amigos de bar, preocupados , bem intecionados, apelaram e apresentaram a saltitante perereca da vizinha, mas não esboçou qualquer reação. Não acreditaram no que estavam vendo, pois a pererequinha, pela fama conquistada, levantava até defunto. Chico, preferiu ficar na posição de repouso, inerte. De papo pro ar, recolhido em seu canto e encostado no velho saco preto, passava o tempo. As vésperas de Natal, eram sempre preocupantes, ficava tenso, gaguejava e dava de assobiar disfarçando. Certa vez, ao caminhar cambaleante ouviu maldosos comentários que o deixara deprimido. Decepcionado e muito. Ao voltar para casa, encafifado, acabou cochilando e sonhando com Onézia, totalmente depenada, despida.

Onézia, preocupada com o estado de saúde de seu companheiro, mudou a ração alimentar, trocando um punhado de milho por um saco de amendoim e reduziu para uma dose de cachaça, antes de dormir. Pouco adiantou, ou melhor, não surtiu o efeito esperado. No dia seguinte, Chico Peru, soube pelo cumpadre Sabiá, que abriu o bico, espalhando que afogaram o ganso em sua casa. Pronto! Sobrou para Onézia. Muito cabreiro, ficou com uma pulga atrás da orelha. Urubu Malandro e o Macaco Prego, agiram de imediato, combinaram uma reunião, no intuito de ajudar Chico Peru, contrataram o serviço do detetive mais famoso da área.

Ao acordar na manhã seguinte, começou a endurecer com Onézia, que ficou muito contente ao perceber que o seu velho companheiro Chico Peru, não estava mais encostado com preguiça de se levantar. Se ele está assim, querendo endurecer comigo, não vou precisar de dar altas doses de gemadas de ovos de codorna, uma receita caseira de mamãe, que jurou de pés juntos, que papai tomava. Era infalível. Lembro ainda criança, que papai, corria de pau na mão, atrás de mamãe. Mamãe era uma perigosa perua, loura, vivia maquiada e falava francês. Papai, coitado, morreu em um Natal, um pouco tristonho, com os trajes vestidos por mamãe.

Escuta querido, quase que ia esquecendo, vê se pode? Tentando uma conversa, com o seu Peru. Sou, uma perua caseira, fico do poleiro para o fogão, do fogão para o poleiro. E do poleiro para as vitrines do shopping. Só aparecem boatos para atazanar a nossa vida. Da outra vez, você acreditando nos comentários, sempre maldosos, acabou colocando o pinto pra fora. Você perdeu o juizo começou a gorgolejar alto, apontando que a mãe dele, sim, era uma galinha. Fiquei com muita pena.O pintinho foi posto para fora; ficou murcho, caladinho, envergonhado. No frio, sem nenhum agasalho. Você pagou um mico danado. O que se há de fazer, se andaram colocando minhocas em sua caichola.

Só me faltava esta. Chico Peru, não tendo o que fazer, desde que pediu aposentadoria, cismou que estou de caso, que fui apresentada a um pinto novo. Que imaginação, apenas, arrastei uma das asas.Mas não pintou nada, entre nós. Logo eu que não sou de pular a cerca, quer dizer, pulo a que tem nos fundos do quintal, isto é, quando chove muito e fica uma poça bem diante do portão. Como tenho que sair, o jeito é pular a cerca. Meus argumentos não o estavam convencendo. Chegou um momento que começou a segurar o pau, dada a fúria que partiu para cima de mim. Não tive outro jeito, a não ser, segurar o pau.Segurei, com cuidado, estava firme, não tinha como escapar.Chico não parava de se movimentar.Estava agitado.
Que idéia do Peru, esta, em achar que eu fico de cruzamento com outras raças; arrastando as asas para o primeiro que aparece em minha frente. De onde você tirou esta idéia? Reclamei!
(continua)

8 comentários:

Lia Noronha disse...

Wilton: nem preciso te falar...o quanto fico feliz de encontrar um novo texto no varal da sua Quitanda!
Boa tarde e beijos bem carinhosos da amiga de sempre.
Beijinhos ao pequeno Ramom e para Marilene.

Saramar disse...

Wilton, querido, que delícia de história.
Adoro quando escreve assim. Adoro
também quando escreve assado.
E, aquele poema que está me devendo para publicar no meu blog??? Já achou aí nestas govetas atulhadas de belezas?

Beijos
P.S. passa lá no Lidos, tem bolo.
Vou deixar o endereço aqui.

Jôka P. disse...

Passei pra ler seu texto, ver a linda pintura aqui exposta e deixar um abraço !
Seu amigo de Copacabana
Jôka P.

Wilton disse...

Querido Jôka, obrigado pela visita e o comentário. Um grande abraço de seu vizinho.

Wilton disse...

Querida Saramar, fui visitá-la e deixei registrado o meu apreço por você. Desejo vida longa para todos os seus blogs. Beijos

Wilton disse...

Querida Lia, nem preciso falar que fico tão contente, com a sua encantadora presença neste espaço.Beijos

Janaina Staciarini disse...

Seus textos são sempre bons, Wilton! Adorei este. Publica logo a continuação...

Arlete disse...

Olá, garoto...
Estou ansiosa. quero saber como o escritor encara o ciúmes. Aguardo o desfecho. Quem cantará alto no galinheiro?

Impressiona-me sua facilidade de diversificação. Em você, Wilton, há o manancial da palavra. Se você escrevesse para um Jornal...

Sempre é bom viver sua criatividade.
Beijos.