sexta-feira, abril 07, 2006

A Vizinha

Fúlvio Pennacchi: "Pescadores¨. Nasceu em 1905, na Itália, chegou ao Brasil, em 1929, em discordância com o fascismo. Natural da cidade de Toscana. Mora no Estado de São Paulo. Falece em 1992. aos 87 anos. Participa da I Bienal de São Paulo.(Fonte de Consulta : Arte e Pintura Brasileira, Caros Amigos) Pertenceu ao Grupo Santa Helena, junto de Franciso Rebolo, um dos seus amigos. Realizou o painel clássico , no TRT de São Paulo, na Capela do Hospital das Clínicas, Acervo MAC/Grupo do Santa Helena, Guia Campos). Ao chegar em nosso país, não viveu da pintura; lecionou Desenho no Dante Alighieri e foi proprietário do açougue Boi de Ouro. Pintou afrescos no Hotel Toriba, em Campos do Jordão. Participa ativamente dos cartazes de propaganda nos anos 30. Sua importância na propaganda brasileira, é abordado por estudiosos, como: Annatereza Fabris e Roberto Whitaker Penteado e Gabriel Zellmeister.
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Olá! Hoje é dia da visita de Ramom. Estamos contentes. A presença de meu neto, é um acontecimento, preparo vitaminas ou sucos, também, é o dia de devorar alguns biscoitos e comer muito pouco qualquer outro tipo de alimento. O que se há de fazer. Temos com paciência esperar que os maus hábitos alimentares sejam modificados no decorrer de seu crescimento. Torço pela brevidade desta fase.
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Há dias que estou adiando o momento de escrever, inspiração que é bom, anda sumida, ou melhor, aparece e desaparece por segundos. Percebo, que os dias passam e eu, continuo inerte diante desta máquina. Levanto e me distraio com algo sem muita importância. Depois, procuro o que andei escrevendo, mas ao reler, acho que poderia ser publicado em outro momento, pois, necessitaria de ser reescrito, ou ir direto para uma lata de lixo. São textos esparsos que coloco no fundo do baú.Alguns atuais e outros, nem tanto.O certo, é que tem havido um grande hiato em minhas escritas

Volto e sento nesta cadeira pouco confortável, olho para todos os lados, inclusive para o teto. Penso em buscar assuntos da vida diária, de meu cotidiano. Não demorou muito, meu silêncio é interrompido. A vizinha do andar de cima, arrasta os móveis, que demonstram sinais evidentes de seu distúrbio.O barulho que faz me pertuba. Sempre me incomoda, fico irritado, mas submetido as boas maneiras, ao fino trato, deixo pra lá, não reclamo. A vizinha, uma senhora que vive na companhia de um cão, que também contribui com os seus latidos.Ignoro a raça do canino.

A senhora, me parece, convive bem com o barulho, pelo menos, se estivesse insatisfeita como eu, terminaria com o barulho.Acho que nestes casos, prevalece o individualismo. A falta de respeito pelo outro. São pessoas totalmente voltadas para si. Ela é uma geradora de irritantes momentos que passo a qualquer hora do dia. Sim,para espanto de vocês leitores amigos, até durante a madrugada, a barulhenta senhora, começa arrastar os móveis.Um outro barulho que escuto, é o das corridas que faz dentro do apartamento.Anda ligeiro de um lado ao outro. Incessante são os movimentos dos passos. Estranho hábitos de alguns moradores.Engraçado como o outro, no caso, moradores de um mesmo prédio, dispensam um tratamento nada cortês.Moram por muito tempo no mesmo espaço, se cruzam pelo caminho,sequer, cumprimentam.

Coisa de doido! E cada um com a sua mania. Como não sou médico , não consigo identificar a sua provável patologia. Imagino que ela desenvolve alguma doença, creio ser uma pessoa insone. A mulher não dá uma trégua.Só desce pelas escadas e quando o faz, é de modo barulhento, com os batidas do calçado nos degraus.

Estou convicto que ela, não tem nenhuma preocupação com o ruído que produz.É o tipo de pessoa que faz barulho ao caminhar, percebe-se quando transita pela área comum do prédio; os sinais evidentes demonstram que lá vem ela, sempre sonorizando a sua presença,isto quer dizer, que a garantia do meu silêncio acabou.

Reconheço que a vizinha é parte integrante dos sons urbanos.Copacabana é um barulho só, no momento, escuto, buzinas, sirenes, um som de tv, helicópteros e cachorro latindo. Não possso esquecer, o ruido irritante das ferramentas das diversas obras nos apartamentos, lojas. No outro lado do prédio, um obra da companhia de gás.Como abrem buracos pelas vias públicas.Moro em uma área de elevado índice de poluição sonora, bem na muvuca de Copa.Hoje rolou um tiroteio aqui em Copa, na praça do Lido, com mortos e feridos. O safado do ladrão roubava um apartamento. Acabou vestindo um paletó de madeira e retirou-se para descansar nos quintos dos infernos.Outra loucura, é o comportamento dos motoristas ao encontrarem um caminhão da limpeza urbana, atrapalhando o trânsito, iniciam uma pura manifestação de insanidade, ameaçam os trabalhadores, xingam, buzinam tanto, acham que assim, vão ficar intimidados e abrirem a passagem. É a falta de respeito pelo trabalho do outro, naturalmente pelos ouvidos dos outros.O mais interessante, assim que um inicia a buzina, os demais motoristas na fila, ficam solidários e começam a engrossar o som.Seja ele quem for, que esteja ao volante, não consegue lidar com a diferença e o momentânea obstrução.A impaciência, a intolerância supera o seu status.
Confesso que ainda sobrevivo.Vivemos em uma selva urbana.

Nota: A continuação do texto anterior, O Ciúme, dará prosseguimento na próxima quarta-feira.

20 comentários:

Lia Noronha disse...

Wilton: adoro ser a primeira a chegar aqui na sua Quitanda...e encontrar a sua felicidade pela visita do pequeno ramom! E um texto cheio de encantamento!
Boa sexta amigo...e beijos bem carinhosos.

Silvio Vasconcellos disse...

Olá Wilton, tudo bem?
Hoje foi dia de papionha no vovô com direito a bolachinhas e tudo mais?? Que beleza!
Não te preocupes! A função dos pais é educar e dos avós é deseducar, é criar lembranças de artes e segredos com os seus netos.

Um abraço!

Sílvio

Laura disse...

Vida urbana... aqui tbm sofro com vizinhas de salto alto na escada.
Bjs, bo fim de semana pra todos, laura

Saramar disse...

Wilton, boa tarde.
Parece que falta de urbanidade é uma doença que acomete a metade da população, se não for mais.
Eu sofro com som alto e nem moro em apartamento, imagine!
Coisas da vida moderna, porém, creio que a educação deveria integrar essa modernidade.

Beijos e um otimo final de domingo...sem barulhos.

Vera Fróes disse...

Wilton, por isso que não me arrependo de ter vindo embora daí do Rio. Incrível como as pessoas moram em prédios e acham que cada um pode fazer o que quer. Como morava na Barra nem era o barulho que me incomodava, mas um hábito feio que muitos tinham: deixar seus cachorros(sim, porque tinha gente que tinha dois três, dentro de um apartamento, pode???) fazer as necessidades na calçada onde caminháva-mos. Eu brigava com os mal-educados. No meu prédio começaram a fornecer saquinho para o morador recolher o cocô do animal(nem todos faziam) para minorar o problema. Individualismo é soda Wilton!
O problema da sua vizinha deve ser "chamar atenção". Só que poderia ser pela simpatia ou generozidade e não pelo barulho.
Boa semana.
Bjos.

Ivo Korytowski disse...

A sociciedade urbana moderna se tornou muito ruidosa, e a gente não pode ficar comprando briga com meio mundo. Um conselho pra quem quer se proteger do silêncio (uma técnica que desenvolvi quando tive por vizinho um saxofonista): fazer umas bolotas com aquela cera de modelas que vendem nas lojas de brinquedo e vedar os ouvidos!
Muito bonita - como sempre - a pintura de abertura.

Ivo Korytowski disse...

Ato falho: quis dizer se proteger do barulho! Freud explica! E a cera é de modelar (este, mero erro de datilografia - eu disse datilografia??? Digitação!).

Mércia disse...

Aaaafffeeee!!!! Tem casos de vizinha que ninguém merece...rs! Parece que, infelizmente, vc teve a "sorte" de morar perto de uma que lhe atormenta, né?
Só muita paciência!!!!!
Ainda bem que tem o Ramon e a sua querida comapanheira para alegrar os seus dias.
Bjos...tenha uma linda semana

Lia Noronha disse...

Wilton: meu querido amigo...passei pelo Quitanda para lhe dar um grande abraço e lhe desejar uma semana bem tranquila. Certo? Adorei seu comentário no Avenida sobre o Concurso de Miss Brasil!
Bjus mil.

Diana disse...

Olá......

Tomara que tenha se divertido muito com Ramon.......eita hora boa que se espalhar né....
Rsss...
Bjs...

Jonas Prochownik disse...

Wilton, desejo uma otima semana pra vc. Paz e curta o Ramon. Jonas.

Jôka P. disse...

Amigo wilton, uma sugestão ( de quem não tem filhos) :
Não compre mais biscoitos.

O Ramom vai se acostumar com brócolis ???
Abç,
Jôka P.

D'Noronha disse...

Wilton, hoje é dia(noite) de Dudi Maia Rosa aí na Cidade Maravilhosa.Na galeria
Mercedes Viegas Arte Contemporânea
Rua João Borges 86, Gávea, Rio de Janeiro - RJ
21-2294-4305 ou galeria@mercedesviegas.com.br
Segunda a sexta, 14-19h; sábados, 16-20h
Exposição até 20 de maio de 2006.

Um bom programa...
Grande abraço. D'Noronha

Janaina Staciarini disse...

Se você sem inspiração escreve assim... ai ai!

Lena disse...

Menino, passei para te desejar um ótimo dia e agradecer teu carinho de sempre. Bjo!

Saramar disse...

Wilton, querido, boa tarde.

Passei para desejar a você a seus familiares feliz páscoa, cheia de carinhos e chocolates.

Beijos

Dra. Daniela Mann disse...

Páscoa Feliz!

Jôka P. disse...

Feliz Páscoa,
Wilton, Marilene e Ramon !
Abçs!
Jôka P.

Wilton disse...

Olá!
Desejo para os amigos leitores, blogueiros e afins, uma excelente Páscoa.Abraços para todos.

Jonas Prochownik disse...

Wilton, feliz Pascoa pra vc. Jonas.