quarta-feira, maio 10, 2006

Clarice e Walter

Rejane Melo: Uma artista nascida em Natal, no ano de 1958. Nutróloga de formação, trabalha como nutricionista até 1994, desiste da profissão para dedicar-se à arte. Participou de diversas exposições em nossa cidade, como no exterior, onde também estudou. Esta artista muito talentosa, estudou desenho e composição na Escola do Parque Laje e foi aluna de Giangüido Bonfanti. Moradora do Rio de Janeiro.A pintura exposta na galeria da Quitanda, faz parte do acervo da bonita página da artista Rejane que merece sem dúvida uma visita, para admirar sua arte, seja em desenho, guache e pinturas a óleo. Passear pelo universo das artes, nos possibilita descobrir momentos de verdadeiro encanto. Não sou especialista nesta manifestação artística, porém, sou um apreciador de qualquer registro artistico e através do meu olhar vou desvendando. Sou mais interessado nas artes plásticas e sempre prefiro colocar aqui, artistas que de alguma forma me sensibilizaram, como o caso de Rejane, que é uma referência no site Chave Mestra, em que abriga os artistas de Santa Teresa, famoso bairro do centro do Rio de Janeiro. Participa do evento "Artes de Portas Abertas".
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Olá!
Com o tempo nublado aqui em Copacabana, resolvi colocar a preguiça de lado e tentar escrever um texto para colocar no Mural da Quitanda. Não tem sido fácil a conexão por banda larga aqui na zona sul. Tínhamos a conexão via Velox e resolvemos mudar para o Vírtua e até o momento, apenas decepção e frustração. Há dias que me vejo sem conexão, estão sempre com problemas de ordem técnica, fica muito instável e o resultado imediato, é transformado em irritação. Não sei bem qual é o pior, se Vírtua ou Velox. Tenho ficado pouco na internet, no entanto, quero agradecer aos visitantes blogueiros e leitores, que aparecem neste espaço. Desejo para vocês um ótimo dia.
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Cinco horas da manhã o telefone toca e eu desperto sonolenta para atender. Era Walter. Sou eu, respondeu a voz do outro lado. Fiquei em silêncio por alguns momentos.- Fica assim, peço para não perguntar nada.Por pouco não desliguei, no entanto, fui mais uma vez tolerante e aceitei a sua volta.Não estava tudo bem, desde que, numa certa manhã de domingo, Walter sempre muito calado disse para mim: - Clarice, não dá mais, vou voltar para ela. Ouvi calada e com o coração arranhado. Sem nenhum abraço e com grande economia de palavras.
Não pôde reparar que naquele momento, lágrimas passeavam pela minha face. Bateu à porta. Saiu. Não manifestei nenhum outro tipo de reação. Sei que foi muito duro comigo ao dizer que voltaria para sua antiga namorada.Caminhei para o quarto, abri o armário e estava vazio, as roupas foram levadas no dia anterior, me dei conta naquele instante.Fiquei prostrada, sentada na beira da cama. Olhando para o armário vazio e percebendo o vazio que se instalava em meu interior, bem no meu âmago.Fiquei assim, uma grande parte do dia, com ânimo suficiente apenas para preparar um macarrão instântaneo. Como as coisas mudam em nossas vidas, havia planejado em comemorar o nosso aniversário de namoro em um restaurante, aqui mesmo em Copa.
Fui muito boba, em não reparar o comportanto silencioso, ausente de Walter. Claro, ele estava sem paciência, irritado, qualquer coisa, era motivo de discussão.Pensando melhor, tudo aconteceu após o telefonema de Virgínia para ele. Na sexta-feira, arrumou uma desculpa esfarrapada, para chegar mais tarde em casa. Perguntei se poderia deixar a janta em um prato - disse que não precisava - agradeceu, pois faria um lanche com um pessoal do trabalho.
Virgínia foi sua companheira por sete anos. Viviam como cão e gato, incompatibilidade de gênios. Era esta a situação que me descreveu. Acabou por afastar Walter dela. Foi quando me conheceu, ao ir a uma festa na casa de Valéria.Passamos em pouco tempo, a morar juntos, a curtir a vida adoidado. Tudo no começo, corria às mil maravilhas. Cinema, teatro, livrarias e restaurantes, vez ou outra, visita a uma galeria de arte.Criamos este roteiro, com programas para os finais de semana.Não tinhamos filhos, tudo ficava mais fácil.
O som da campaínha interrompe meus pensamentos, levanto rápido e mal consigo abrir a porta, o seu belo sorriso ficou estampado em seu rosto, nada adiantou, tomei uma decisão, dalí mesmo comuniquei. É tarde. Walter, não quero mais. Prefiro ficar sozinha, com a tranqüilidade que nunca tive, sem aborrecimentos e decepções.Viverei melhor sendo apenas sua amiga.
Walter chamou o elevador e em seguida, um ligeiro aceno de despedida. Fechei à porta. Liguei o rádio. A música e o alivio tomaram conta do ambiente.Estava feliz.

7 comentários:

Laura disse...

meu querido. esta sua personagem é o avesso da minha hihihi que se desespera, se rasga, se lanha hihihi
Gostei,
bjs. laura

Lia Noronha disse...

Wilton: saudades dessas suas personagens...repletas de criatividade...e de seu poemas então!
Parece que foi ontem que conheci o Quitanda...vai fazer um ano o meu Cotidiano no mês que vem,e com certeza voltarei aqui pra pegar a poesia que vc fez pra mim.
Obrigada pela fiel amizade.

Beijos bem carinhosos da amiga de sempre.

Saramar disse...

Wilton, boa noite.
Esse conto, apesar de tão triste, transmitiu muita serenidade.
Creio que há pessoas assim, cuja alma seja tranquila a ponto de conseguir pesar os prós e os contras e escolher o melhor, sem maiores dramas.
Obrigada, meu anjo.

Beijos

Mércia disse...

O melhor a fazer!
Muito bom esse texto, Wilton!
Bjos...linda sexta-feira de muitas alegrias.

Jôka P. disse...

O Velox só não é pior que a internet discada, amigo Wilton !
Um grande abraço pra vocês !
Jôka P.

Lia Noronha disse...

Wilton: boa trade de segunda...e uma semana bem tranquila pra vc e sua família.
beijos carinhosos da amiga de sempre.

Lena disse...

Meu querido amigo Wilton,obrigada pela visita. Não estou dando conta mais de postar como antigamente, mas os amigos estão sempre no meu coração, e vc é um deles.Bjo!