terça-feira, março 07, 2006

De Volta ao Passado - Parte Dois

Carolina Migoto da Silva : "Festa do Divino"/ Acrilico s/ tela - Reconhecida como uma das criativas pintoras do Vale da Paraíba. Nasceu no ano de 1934, em Tremembé, São Paulo. Artista autodidata por diversas vezes premiada. Sua obra faz parte de diversos acervos de instituições culturais, como o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba. Sua presença se faz notar, na exposição naïf no SESC/SP. É também escultora de arte sacra em madeira. Iniciou à pintura em 1977. Reside em Taubaté.

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Olá! Realmente, ando um pouco sumido do blog, o que me leva a reduzir bastante a produção de novos posts. Tenho feito visitas aos amigos blogueiros com menor intensidade, é verdade, no entanto, não deixo de fazer; procuro estar em dia com a minha rotina. Depois que Marilene aposentou, resolvemos caminhar pela praia na parte da manhã, tem sido muito bom, tocar os pés na areia e ser banhado pelas ondas. Ramom, faz parte desta nova realidade, às sextas, chega bem cedo para ir à praia. Diversão pura. Para ele, tudo é novidade, desde, as ondas, o mar, os barcos, navios, gaivotas, areia e brinquedos. Mexer na areia, olhar as marcas de pés na areia e depois desaparecer, fica intrigado. Molhar as mãos, o corpo. Tudo está sendo incorporado ao seu cotidiano. Quero deixar registrado um abraço bem apertado aos visitantes e amigos blogueiros e os sinceros agradecimentos pelas visitas e os comentários feitos. O texto que segue, é parte integrante da atual fase de registro de minha história de vida, entendidos como fragmentos da memória. Abordo com uma visão particular o período da história social e cultural do país em que sou parte coadjuvante e um observador vestido com as roupagens das ciências sociais. Não importo que seja juntando os trapos encontrados pelos anos vividos, ou mesmo colando os cacos, é assim, que eu entendo a minha história. Sob este prisma, vou recompondo de alguma forma a minha inserção no mundo. Falo sobre a história do rádio, do futebol, da literatura, do mercado editorial, da classe média tijucana, da zona norte e da zona sul. Quero antecipar minhas desculpas ao eventual leitor, mas pretendo dar prosseguimento a estas narrativas.

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Sou um declarado ouvinte de rádio, comecei muito cedo, ainda criança, ao ouvir os programas esportivos nas vozes de Oduvaldo Cozzi, Ruy Porto, José Maria Scassa, Valdir Amaral, Jorge Curi, Orlando Baptista, uma turma de primeira com passagens pelo rádio e pela televisão.Transformei-me, deste modo, em torcedor e ouvinte. Passado algum tempo, na fase de adolescente incrementei o gosto pelo rádio.O meu novo status, foi conferido ao ganhar um rádio portátil, um rádio movido a pilha e ao meu entusiasmo de adolescente.
Solidifiquei deste modo, a minha condição de ouvinte, através das músicas tocadas nas rádios. Posteriormente, nos Lps, ou compactos simples ou duplo, que comprava ao ir à Mesbla ou na Garçom da Praça Saens Peña.Ouvia qualquer estação, bastava ser de meu agrado; com o tempo fui mudando, passando a me identificar com as músicas e o radialista. Ouvi durante um tempo, a Rádio Tamoio, que pertencia aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, vendida mais tarde ao grupo da familia de Jereissati, a cearense Verdes Mares, que repassou para uma igreja pentecostal. A Tamoio foi uma emissora totalmente musical. Hoje vive da pregação dos pastores.
Interessante notar, com a alegada decadência das AMs, os grupos religiosos, invadiram as diversas estações. Os politicos são contemplados com a outorga das emissoras de rádios, mas é papo para uma outra oportunidade, o certo, é que nosso país é pródigo em atender pedidos de parlamentares. Ouvia pouco, é verdade, a Rádio Imprensa, de Anna Khouri, uma emissora FM, a primeira no Rio de Janeiro, achava muito simpática a programação, hoje, está extinta, virou Jovem Pan Rio. Neste panorama das ondas dos rádios, a rádio Eldorado que pertenceu a família Khouri, acabou nas mãos da família Marinho.
Houve um momento em que o hit-parade estava presente nas rádios AMs, passei a ser ouvinte de programas como: "Músicas na Passarela", conduzido por Humberto Reis, "Peça Bis pelo Telefone", da Rádio Mayrink Veiga, com Jair de Taumaturgo e os programas: “Alô Brotos” e “Hoje é Dia de Rock”. Nesta fase de efervescência dos grupos de rock, do movimento da Jovem Guarda; surgiram boatos sobre o envolvimento de radialistas e músicos com um nebuloso caso de corrupção de menores, que veio a resvalar em um conjunto famoso, de tocar nas rádios, obdecendo ordens do Juiz de Menores. Lembro, que um prédio da rua em que eu morava na Tijuca, foi apontado na época, a existência de um morador envolvido.O resto depois, foi silêncio.
Muito irritante é o momento da Hora do Brasil, uma xaropada com o timbre oficial, que desde 1938, é transmitido em cadeia nacional e que perpetuou nas ondas do rádio.Uma das grandes mudanças, realizadas nas rádios AMs, aconteceu na Rádio Mundial, através de seu revolucionário disck-jóckei Big Boy, um ex-professor de Geografia, lecionava no Aplicação/UERJ, de nome Newton Duarte, paulista de nascimento, foi o precursor de todo um agito na maneira de apresentar um programa de rádio, dirigido aos jovens. Na parte da tarde e aos sábados, ele era o expoente máximo, a audiência crescia, tomava conta dos lares da classe média tijucana, em que eu fazia parte. Claro que atingia a rapaziada da zona sul e outros bairros do Rio de Janeiro.Passei a gostar do homem que amava os Beatles e a música. “No ar Big Boy show “, “Aqui quem fala é Big Boy, é show musical”.Usava a sonoplastia, sob a batuta de Dr Silvana, mais a participação do poeta e jornalista Reinaldo Jardim. A criação do Baile da Pesada , junto com Ademir Lemos. Big Boy, teve uma passagem rápida pela Tamoio e foi através de Humberto Reis, que foi levado para a Mundial. Roberto Marinho,compra a rádio de Alziro Zahrur, que se encontrava em dificuldades.
Big Boy contribuiu para a mudança da linguagem radiofônica. Tinha uma característica, falava muito rápido. Assume assinando a programação da rádio Eldorado (Eldopop), do Sistema Globo de Rádio.Big Boy é sucesso e atinge o reconhecimento internacional e nacional.O papel do disck-jockey assume importância capital na música tocada nos rádios.
”Hello crazy people, Big Boy pela Mundial, é show musical”. Eu era fã dele, não perdia um só programa. Apresentava um outro programa, que era “Ritmos de Boate”. Aos sábados apresentava o programa de imenso sucesso, que divulgava muitas vezes em primeira mão as músicas do conjunto inglês The Beatles, o programa "Cavern Club".Um ataque cardíaco em 07 de março de 1977, silencia o grande radialista, disck-jockey e precursor de várias e interessantes manifestações do rock e do soul, divulgado nos subúrbios. Morre bem jovem, aos 32 anos, deixando na ocasião um filho bem pequeno, de nome Leandro Duarte. Foi um divulgador da música, principalmente, dos Estados Unidos.
Big Boy, tinha um grande acervo e um imenso conhecimento dos movimentos musicais, teve contato com os Beatles e diversos conjuntos. Percebeu o grande filão da música que atingiu diversas gerações. Há um curta patrocinado pela Petrobras em homenagem a Big Boy e a música "Baile da Pesada", cantada por Fernanda Abreu.

19 comentários:

Vera Fróes disse...

Wilton, uma pena o Big Boy ter morrido cedo. Acredito que naquela época não havia jabá, que o que mais impera no meu das rádios e tvs.

Um hábito saudável caminhar cedo. Devo começar essa rotina amanhã. Minhas filhas saem às 6h45, aí é só colocar uma roupa leve e sair.

Amigo, entendo o seu momento de pouco postes mas não deixe de visitar quem gosta de vc.
Bjos.

Priscila disse...

Nada melhor para homenagear as mulheres como colocar obras delas no blog!
Abraço!

Jôka P. disse...

Wilton,
qualquer hora dessas encontro você e a marilene caminhando na Atlântica.
Vou ADORAR !
Um abraço !
JÔKA P.

Lia Noronha disse...

Wilton: eu te agradeço pela carinhosa mensagem deixada no meu Cotidiano...beijos e adorei o texto...
meu pai era radialista e eu vivia no meio do Rádio.
Boa tarde de quarta feira.
Felicidades para a Marilene neste dia tão especial...dedicado a nós mulheres!

Lia Noronha disse...

Wilton: vc e Jôka deveriam se conhecer pessoalmente...Copacabana é tão pequena...e os corações dos dois...tão grande!!! Estão perdendo com isso!
Bjus mil.

Ivo Korytowski disse...

Eu também ouvia o programa do Big Boy - hello crazy people! - às seis da tarde na Mundial. Mas antes do auge da Mundial a rádio na onda era a Tamoio. Tinha o programa Músicas na Passarela, lembra? Cada música recebia uma cor: música grená, música lilás, música ciclamen (eram umas cores esquisitas). E quando a gente era criança tirava uma casquinha das novelas de rádio que as empregadas ouviam! E tinha o edifício balança, balança, balança... mas não cai!!! Lembra disso?

Ivo Korytowski disse...

PS. Parabéns pelas obras de arte que ilustram as postagens - sempre de muita beleza!

Mércia disse...

Obrigada Wilton pelo carinho lá no Espelho. Vc sempre muito gentil!
Bjos...felicidades!

Mércia disse...

Obrigada Wilton pelo carinho lá no Espelho. Vc sempre muito gentil!
Bjos...felicidades!

Wilton disse...

Olá!
Linda Lia, muito obrigado pela visita. É verdade, moro tão próximo do querido amigo Jôka, creio que dista dois ou três quarteiros as nossas casas. Imagino que eu passo em frente ao prédio do Jôka, ao andar pela areia, mas é bem cedo.Acredito minha doce e querida amiga, não vai faltar oportunidade de conhecer in loco, um dos mais queridos blogueiros. Beijos

Wilton disse...

Mércia querida, obrigado pela visita.Beijos

Wilton disse...

Querida Vera, tive oportunidade de esclarecer a você que não deixo de visitar os diletos amigos, entro e saio sem ser notado, às vezes, na condição de leitor que sou. Beijos e obrigado pela visita.

Wilton disse...

Querido amigo e vizinho blogueiro, agradeço pela visita. Precisamos marcar este encontro.Um grande abraço.

Wilton disse...

Meu Caro Ivo, obrigado pela visita e os comentários sempre valiosos.Eu menciono no texto a Rádio Tamoio e o programa de bastante sucesso naquela época.O programa humorístico não cheguei a comentar, bem como, um outro de grande sucesso, que foi comandado por Antonio Luis (falecido)que era "A Turma da Maré Mansa", na Globo.Obrigado por contribuir com a lembrança dos programas, percebi que você entende e conhece muito de Rio de Janeiro, em distintas épocas.Um grande abraço.
Ps: Ivo, tenho passado em seu blog e lido as variedades de assuntos abordados sobre a nossa cidade.

Marcia Lustosa disse...

A caminhada além de ser um ótimo exercício para a saúde, proporciona momentos de deslumbre, nos reserva vários prazeres. E caminhar na orla marítima, é também uma oportunidade de contemplar uma das mais belas paisagens qua a natureza nos oferece.
Bjãoooo para o querido príncipe Ramon, um abraço bem apertado para você e Marilene.

Saramar disse...

Wilton, bom dia.
Adoráveis essas histórias que nos conta. Eu gosto muito de rádio, também passei minha infância à volta de um deles, encantando-me com aquelas vozes saídas da caixinha. Por favor, continue.
Mudando de assunto, afinal você sempre trata de dois ou três no mesmo post, que bom, você, Marilene e Ramom neste idílio com o mar e com vocês mesmos.
É uma linda descrição de um lindo casal, abençoado com a presença de um anjo criança.
Que Deus os abençõe sempre. Amo vocês.

Beijos

priscila disse...

Hoje eu estou passando pra fazer um convite. Sábado estréia o programa Casal 20 na Rádio Cidade Online. Eu e o Marcelo estaremos das 2h às 4h da tarde por lá, com música, informação e entretenimento.
Quer saber mais? Dê uma passada no Hopes & Fears e confira!
E isso não é spam, tá?
Contamos contigo!
Abração!

Silvio Vasconcellos disse...

Wilton, amigo!

Sempre um prazer muito grande estar em sua casa. Nos recebe com obras primas, nos conta as últimas novidades de seu amor maduro e de seu menino, que lhe devolve a infância, mesmo que em comparações distantes.

Um grande abraço!

Sílvio

Di Mello disse...

Belo texto e bela homenagem mas o grande Big Boy não morreu de ataque cardíaco.
Morreu sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo que pelo que tudo indicava ele não conseguiu chegar ao telefone nem ao seu remédio a tempo.
Um perda lastimável até hoje.