terça-feira, dezembro 06, 2005

Beth T

Calasans Neto : Artista baiano, nascido em Salvador, no ano de 1932. Envolvido com a temática de sua terra. Iniciou pintura com Genaro de Carvalho, depois, estudou com Mário Cravo, na Escola Nacional de Belas Artes da Bahia. Calasans se destaca entre as suas diversas expressões, o trabalho em madeira.
Considerado nos anos 50, como agitador cultural, fundando com Glauber Rocha e outros artistas a Jogralesca, um grupo de leitura de poesias de forma teatralizada, posteriormente, criou a revista de arte Mapa, um espaço para circular as suas idéias, a respeito de literatura e arte. Criou mais tarde uma editora com tiragem limitada de nome Macunaíma, produzindo livros de arte/ilustrados. Foi capista de alguns dos livros de Jorge Amado, como Tereza Batista cansada de guerra e Tieta do Agreste. Nos anos 80, Calasans retornou a pintura, expressando as cores do universo baiano. Importante pintor regional e com exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Fonte de consulta: artigo de Cassandra de Castro Assis Gonçalves - Fapesp/ MAC/USP

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&


Olá! Peço desculpas, aos amigos blogueiros por não ter ainda, condições de fazer a minha visita habitual aos seus blogs. Quando arrumo uma brecha, faço de maneira prazerosa esta visita. Tenho feito poucas, é verdade, mas espero o mais breve possível me organizar para que eu possa retomar estes contatos. Aqui isento o meu neto, ele não participou deste momento, a confusão e a limitação de tempo, cabe exclusivamente a este amigo quitandeiro. Desejo para vocês uma ótima terça-feira. Deixo em exposição no mural da Quitanda um texto, que é parte de um mais amplo que tenho desenvolvido. Um grande abraço.

&&&&&&&&&&&&



Beth T, era assim que alguns a conheciam, isto quer dizer, os rapazes de sua turma da escola e da rua. Vencedora da última eleição promovida pelos freqüentadores dos bancos da Praça Afonso Pena, na Tijuca, bairro em que morou por muitos anos, na fase de sua alegre adolescência, nos anos 60. Realmente era de fechar o comércio, diferente, de hoje, em que os traficantes, exigem do comércio do bairro, que feche as portas por motivos variados. Importante, que se cumpra ordens, transmitidas por seus moleques de recado. Atemorizam moradores e comerciantes. Inquietam o bairro e a cidade.
Mas Beth, não só parava o trânsito, como o comércio. Sua caminhada pelas ruas do bairro, era testemunhado por diversos olhares, de um ligeiro frenesi e outros tantos mexericos, por parte das garotas. Era a presença da Deusa morena, de cabelos pretos e olhos de jaboticaba; de silhueta perfeita, muito distante da ditadura da beleza que se impõe para consumo nos dias atuais. Beth era linda da cabeça aos pés. Andar elegante, de mini-saia. A imagem da mulher romântica, sonhadora.Musa de poetas que vagavam pela ruas da Tijuca.Cantada em prosa e verso.
Beth foi estudante de uma escola pública do mesmo bairro em que morava. Vestida de azul e branco, seu uniforme, a transformava em uma mulher encantadora, charmosa. De encantos mil. Disputava e ganhava quase sempre por unanimidade, os concursos de beleza feminina da escola, aliás, havia um voto em contrário e sempre, o de João Chuchu, que se considerava a vencedora.Sentia-se injustiçado pelo júri. Por diversas vezes, dizia que seria a última vez, que disputaria uma eleição, estava convecido, de que era marmelada.João Chuchu, vestido com uma calça boca-de-sino; não resistia ficar distante das passarelas e no ano seguinte, estava ali, junto, participando do desfile.Sob os aplausos e delirios da platéia.Por uma questão de ordem, era eliminado ao dar os seus primeiros passos na passarela.
Beth T, mudou de vida, mudou de bairro e mudou um pouco a sua beleza, ficara mais bonita, mesmo envelhecendo.Usava naquele dia, óculos escuros. Carregava na mão, um livro de Fernando Sabino, à distância, parecia ser No Fim dá Certo. Beth, combinava cultura e beleza.Cuidava da alimentação e do corpo.Beth, neste dia, caminhava só.Morava só.No final de Copacabana, em um pequeno apartamento de sala e quarto.Via sempre de sua janela, o príncipe Roberto de Cleto, do programa infantil Vesperal Trol ou Teatrinho Trol e, que fazia par com Norma Blum, ou com outras princesas como: Neide Aparecida, Íris Bruzzi e da inesquecível bruxa, na interpretação de Zilka Salaberry, que via passar em Copacabana, assim como: Fábio Sabag, que via sempre caminhando pela orla.
Beth tinha um cachorro vira-latas, de nome Kim, que ganhou de uma vizinha idosa que morava no final do corredor. Kim, morreu de velhice.Neste dia, morreu um pouco de Beth, junto com o cachorro que foi sua companhia por 17 anos. Amizade com aquele cachorro, fôra interrompida.Com uma lágrima escorrendo em seus olhos, lembrava das brincadeiras e os latidos de Kim, dos móveis roídos pelos seus dentes afiados, dos panos estraçalhados, que tomava conta.De sua companhia para ir à rua passear, dos confrontos evitados com outros cachorros.Ela jurava que via o Kim, sorrindo quando ela chegava em casa.
Em uma noite de muito calor, deu uma passada na Sorveteria Lopes, pediu um copinho de sorvete, com sabor de pistache, dali, entrou na livraria Entrelivros, comprou jornal e um livro em promoção. Cumprimentou um amigo que saia de um pé-sujo, consultou o resultado do jogo do bicho. Deu águia na cabeça - Continua

Nenhum comentário: