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Olá! Desejo para os amigos leitores e blogueiros, um ótimo final de semana. Ontem, minha cidade ficou transtornada com o forte temporal, ruas alagadas e o meu filho no meio disto tudo, desistiu, não pode chegar em casa, acabou por dormir na casa da sogra. Hoje sábado, é dia de Ramom, está programado assistirem uma peça infantil; caso não haja fatores externos que impeçam a saída deles para o teatro, como a forte chuva que desabou sobre a cidade, será o primeiro momento de Ramom, como debutante, entrar no reino da fantasia e da imaginação. Ficar próximo de personagens. Claro que a idade ainda não é a ideal, mas é um primeiro passo no sentido de interagir com este mundo. Como a leitura do mundo precede a da palavra, eis o momento. Um grande abraço. O texto que apresento para vocês, está inserido em um plano de reminiscências, de recordações e de magia, quero aproveitar e deixar colado no mural da Quitanda.
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Quando garoto, eu e a minha família enfretávamos uma viagem por mais de uma hora, de barca até a Ilha de Paquetá;. também, conhecida como a Ilha dos Amores, assim chamada, pelo Príncipe Regente, ali, passava as suas férias de verão.. Bem cedo, deslocávamos para à Praça XV, que é a estação de barcas no centro do Rio de Janeiro. Era um momento único, pois, estaríamos afastados do ambiente caótico da área urbana, andararámos de charrete e de bicicleta. Quando íamos para Paquetá, era nos finais de semana. À distância de Paquetá para o Rio de Janeiro (Praça XV), é aproximadamente de 18 km. Íamos para à casa da irmã de mamãe, que preferiu mudar-se da Tijuca para Paquetá, foi esta a sua opção, mesmo trabalhando no centro do Rio. Visitar tia Helly, era vivenciar um momento mágico, lúdico das brincadeiras de criança. Correr, subir em árvores, fazer muita coisa, até as que tinha por companhia, Dudú, o enorme cachorro brincalhão, que nos tirava do sério, quando, queria fazer parte de nosso time de pelada.
Estávamos convencidos de que não jogava absolutamente nada, o máximo que tolerávamos, era ser o nosso gandula, pois, queria correr atrás da bola e abocanhá-la. De modo que, mesmo com todo este empenho e dedicação em alcançar a bola, ele era excluido. Saia sob protestos, de rabo baixo e entre as patas. Quando andávamos de bicicleta, vinha ele, disparado atrás de nós, latindo e pulando. Desistia ao mandarmos embora. Dávamos voltas pela ilha de bicicleta, andávamos de pedalinho, ou de trenzinho. Paquetá, estava livre da poluição dos automóveis e dos ônibus.Há poucos carros circulando pela ilha, a sua totalidade, são dos serviço público: bombeiros, ambulância e caminhões da coleta de lixo.As ruas são de saibro.
Ali, reina a tranquilidade, a beleza dos flamboyants.A barca, é o único meio de transporte, para se alcançar a ilha.Hoje, é servida por barcas, catamarãs e aerobarcos. Paquetá é um olhar para o Rio Antigo. Paquetá, é um bairro, uma ilha da Baía de Guanabara; que está sob a preservação da APAC - Área de Preservação do Ambiente Cultural. A ilha foi descoberta, através da missão francesa, que veio ao nosso país, fundar a França Antártica. Foi registrada em 1555, quando na expedição de Villegaignon, o cosmógrafo André Thevet, fez a sua descoberta. O nome da ilha, é de origem tupi e significa “muitas conchas, o que aliás, pode ser encontrada em profusão pela ilha.
Não é um espaço muito grande, mede apenas, 10, 9 km2, mas que envolve a beleza da natueza, praias e o lugar que foi cenário e inspiração para o escritor Joaquim Manuel de Macedo, aos 24 anos, escrever no ano de 1844, o seu famoso romance “A Moreninha, reunindo elementos de folhetim, que o autor sem dúvida nenhuma, ajudou a popularizar. Considerado como o primeiro romance urbano da nossa literatura.Há na ilha, um local, conhecido como Pedra da Moreninha, localizada no final da Praia da Guarda. Há também, a Praia dos Tamoios, totalizam na ilha, 50 ruas e 12 praias.
Há uma árvore que é bem conhecida pela população local, devida a sua enorme circunferência, como “Maria Gorda”, há até placa afixada aos seus pés, com a inscrição “Lenda da Maria Gorda”. Esta árvore, são 20 exemplares, poucos, é verdade, do “baobá”, que é originário da África.O padroeiro da ilha, é São Roque, onde existe a igrejinha construída no século XVII, sua festa é realizada em 16 de agosto. Um dos moradores ilustra da ilha, foi José Bonifácio.A ilha foi palco de prisão de Di Cavalcanti, que ali, tinha se refugiado, para em 1936, com ajuda de amigos, partir para Paris. Di Cavalcanti, pintou Paquetá, assim, como: Giovanni Battista Castagneto, conhecido como o Pintor do Mar, nasceu em Gênova, em 1851 e morreu em 1900. Era marinheiro e veio acompanhado pelo pai, em 1874 morar no Rio de Janeiro, residindo durante seis meses em Paquetá.Seu ateliê, foi um barco.Ajudou a pintar os painéis da Igreja da Candelária.
Paquetá faz parte de minha infância, são recordações, são momentos. No decorrer do tempo, fui deixando de ir para Paquetá, eram esporádicas as minhas visitas. Minha tia, depois, voltou para a Tijuca, bairro da zona norte, mas manteve a casa em Paquetá.Meus primos crescidos e casados, deixaram de freqüentar com mais intensidade. Meu tio por um descuido, escorregou dentro de casa, na varanda, a casa situada em um lado mais elevado, com pedras, levou um tombo e com a queda morreu algumas horas depois, foi assistido pela ambulância, mas não resistiu.
Minha tia Helly, sempre elegante e muito bonita; levou de repente, ao morrer de câncer nos ossos, repartiu e levou um pedaço da minha história, no final do ano passado, aos 80 anos.
(Fonte de Consulta: Secretaria Municipal de Governo, Barcas S/A. Memória Paquetaense, A Moreninha, Editorial Sol 90, Coleção Clássicos da Literatura, Pintura Mediúnica.)