segunda-feira, janeiro 02, 2006

A Transformação de Celina

Élon Brasil : Artista plástico, nascido em 1957, no Rio de Janeiro e que viveu entre os indios Xavantes, no Mato Grosso, durante algum tempo. Sua experiência com as tribos, resultou em uma exposição denominada de " Indianidade", que foi exposta na Praça Central, em um Shopping, na cidade de Blumenau; reproduzindo as cores, o ambiente das aldeias, o universo indigena, apreendidos na convivência com os indios. As cores são definidas pelo artista, como expressionismo realista. Na verdade, uma manifestação muito interessante da cultura brasileira.Élon mantém um site na internet, com as cores do nosso país. Vale uma visita. Um olhar muito interessante.Os dados extraidos, foram de uma matéria feita com o pintor, para um jornal de Joinville On Line. Élon, se declara como um artista genuino, filho de mãe negra, baiana, neta dos indios Aymorés. O pai também artista, o pintor Milton Brasil, neto de imigrantes portugueses e italianos.
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Olá! Bom dia! O tempo, está nublado aqui no Rio de Janeiro. Ramom de volta e aparece durante a semana. Deixo pendurado no mural da Quitanda este texto.
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Fazia sol naquela manhã. Celina passeava distraída pela Avenida Copacabana e ao olhar uma vitrine, após pensar muito, resolveu comprar um estojo de maquiagem em oferta. Estava próxima de casa, atravessou o sinal, aproveitou para comprar um vestido, que há algum tempo pretendia comprar. Escolheu o azul, que se destacava no mostruário por sua beleza e simplicidade.Celina nesta manhã acordou diferente, não fumou e nem pegou o jornal deixado do lado de fora da porta do apartamento, tampouco, preparou o café.Reinaldo, seu filho mais velho, estava acordado e observava os movimentos da mãe pela porta entreaberta. Levantou, deu dois passos e dalí, reparou que a sua mãe, não arrumara a cama, deixara roupas e lençóis espalhados. Achou estranho o que estava vendo, mas acabou não dando muito importância e voltou a dormir, sem antes, escutar o barulho da porta da sala, sendo fechada.

Celina estava aposentada, foi casada com Ricardo, colega de profissão e pai de seu segundo filho. Ricardo, não foi uma grande paixão, conheceu, assim que entrou para uma grande loja de departamentos, foram apresentados por uma colega em comum, quando almoçavam em um restaurante na Travessa do Ouvidor, no centro da cidade. Ricardo estava na ocasião em processo de separação de Sandra, que muitos conheciam por sua militância nas ruas da cidade.Nos momentos de paralização, de greve, estava Sandra, sempre em atividade, discursando e distribuindo panfletos.Uma incompatibilidade ideológica, foi o motivo maior da separação do casal. Ricardo não tolerava a conduta de sua mulher, que cada vez mais, se envolvia na militância sindical, e que gerava atritos incontornáveis dentro de casa. Ricardo ficava de um mau humor incrível ao ver Sandra com aquele grupo, segundo ele, de babacas e desocupados.Na volta de Sandra para casa, era o incio das desavenças, das discussões, das ameaças verbalizadas.Um ódio latente, era desenhado no interior de cada um.Territórios era marcados, eu aqui e você ali.Os desencontros apresentados no tribunal, tomaram os melhores caminhos, cada um, por uma via.

Celina e Ricardo, depois de algum tempo, estavam sempre juntos, eram inseparáveis, era o casal 20, como Roberto brincava com eles, ao passarem juntos nos corredores do prédio em que trabalhavam. Depois, de longo tempo de vida em comum, Celina pediu a separação. Pensou, repensou, ouviu o coração, dialogou com os seus botões, e decidiu que não ficariam mais juntos, cada um, à partir de agora, morariam em casas separadas.O silêncio, a mudez, as conversas surdas, não circulavam mais naquele ambiente.

Celina, depois da compra, entrou em um restaurante, pediu o cardápio, almoçou e foi para casa. Reinaldo, trancado no quarto com o som bem alto, não percebeu a presença da mãe. Celina, tomou um banho, usou o estojo, colocou o vestido azul, uma das cores que mais gostava. Diante do espelho, apenas refletindo a sua imagem sorridente, com expressão de felicidade eterna.

12 comentários:

Laura disse...

Gostei, final feliz :) hihihi
bjs laura

Mércia disse...

Final feliz??????
Bjos...linda tarde.

Lia Noronha disse...

Wilton: vc sempre surpreendendo os visitantes do Quitanda...esse varal é pura arte...sempre!

Beijinhos bem carinhosos..pra o pequeno Ramom...

Jôka P. disse...

Esse conto mostra bem o cotidiano dos nossos queridos cariocas.

Seu blog ficou tão mais bonito depois que virou AZUL !
Bacanérrimo !!!!
:)
abçs,
JÔKA P.

Lu OlhosdeMar disse...

que legaaaaaaaaaal.. estou aqui com meu award!!! ótimo. tudo d bom pra vc em 2006! um beijo!

Vera Fróes disse...

Wilton, relação onde um se anula não dá certo! Os dois têm que querer estarem juntos, mas cada um direcionando a sua vida segundo a sua própria cabeça. Isso não quer dizer que não se possa fazer pequenas conceções.

Gosto da cultura indígena!

Bjos.

Silvio Vasconcellos disse...

Gostei muito da gravura e do breve resumo a respeito do trabalho desse brasileiro acima de tudo, Elón Brasil. Apenas faço uma ressalva quanto ao link que deve conter algum erro.
Wilton, muito agradecido pelo seu comentário gentil e estimulante no Antes que Anoiteça. É para pessoas sensíveis como você que escrevo.
Um fraterno abraço vindo do sul!

Janaina Staciarini disse...

Wilton, estou de volta! Obrigada pela visita e pela preocupação. Um beijão!

Jôka P. disse...

BOM DOMINGO,
amigo Wilton !
:D
abçs,
JÔKA P.

Manoela Afonso disse...

Wilton, um 2006 cheio de arte pra vc! bjo

Cris Zimermann disse...

Essa tela é demais!

Como vc as seleciona p/ adicionar aqui? Minha mãe tb é artista plástica...

Cris Zimermann disse...

Wilton, cd vc?

Ainda não te vi no OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO BRASIL (BOB). Leva um pouquinho dessas belezas pra lá

Abs e bom findi! ;)