sábado, julho 02, 2005

Escritos de Sábado


Waldemar Cordeiro - Pintor / Paisagista / Designer / Critico de Arte - Nasce em Roma, no ano de 1925. Forma o grupo Ruptura em São Paulo. Participa do Movimento Concretista com os irmãos Campos e Décio Pignatari - Participa de várias exposições internacionais, Obras expostas em Bienais.Falece em São Paulo, em 1973 Posted by Picasa


Dei uma pequena caminhada, fui à banca de revista.Comprei dois jornais, O Globo, para uma leitura, principalmente, no Caderno Prosa e Verso, que trata e dá destaque ao evento que será realizado na cidade de Paraty, ao sul do litoral do Rio de Janeiro. Um evento literário, que rola na próxima semana, entre os dias 6 e 10 de julho. Não tive oportunidade de comparecer a nenhuma destas três edições da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).Uma grande movimentação de escritores e público.A idealizadora, é a editora inglesa Liz Calder, conhecida, como a Dama da Literatura. Liz, foi também, quem lançou Harry Porter. Morou em vários países, dentre eles, o nosso e no período de maior obscuridade; os anos de trevas, produzido pela ditadura militar. Criou em sociedade a Bloomsbury (situada em bairro londrino homônimo, que começou a publicar em 1985. Hoje o seu catálogo possui mais de 200 títulos. Interessante, que ela, editou autores brasileiros, por exemplo: Milton Hatoum "Dois Irmãos"; Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba; Caetano Veloso, "Verdade Tropical"; Chico Buarque, foram editados vários; Budapeste,Estorvo,Benjamim; Inferno, Matador, Elogio da Mentira, de Patricia Melo. Liz Calder, aponta autores como Paulo Coelho e Jorge Amado, como os mais famosos.Paraty, um local mágico, apresentado por Amyr Klinck, fascinou Liz. É proprietária de um sítio na cidade.A escritora homenageada este ano na festa, será a Clarice Lispector, que neste ano completaria 85 anos. Seu nascimento é em 10/12/1920 e faleceria no dia 09/12/1977, um dia antes de completar 57 anos, vitima de um adenocarcinoma, um caso de neoplasia. Neste ano, é publicado por José Olympio. A Hora da Estrela. o último livro de Clarice. O livro baseado em obra homônima de Clarice, virou filme, na interpretação de Macabéa, coube a atriz Marcela Cartaxo; recebedora do Urso de Prata, no Festival de Berlim. Uma vez, conversando com José Drummond, o ator, lembrava, que a atriz premiada, era muito injustiçada, não era reconhecida, estava excluída. Coisas do nosso país...
O outro jornal, foi O Dia, um diário que tem uma boa cobertura regional na cidade do Rio de Janeiro. A noticia, que me levou a comprar, foi por saber, através do noticiário televisivo, que um professor de Geografia, agredira um adolescente em uma escola municipal localizada em uma favela do subúrbio. O mestre em atitude insana, partiu para cima do jovem, dando tapas e pegando o material escolar, amassando e jogando no lixo. O que detonou a fúria do ensadecido, foi por uma batida dada na porta, feito por uma menina. Ele deve ter mirado em um outro aluno e despejou sua fúria no jovem.Que foi um erro, não fora o jovem, que calado e estarrecido, foi surpreendido com o ataque de fúria. Foi dado queixa na delegacia por parte da mãe do menor e o mestre vai responder inquérito na delegacia e no órgão competente da prefeitura.
Comento isto, devido ao referido professor, estar lotado na escola, em que Marilene, minha companheira, é a diretora. O que aconteceu com este garoto, é o resultado do comportamento violento, desrespeitoso, ensandecido com que exerce a docência. Ataques deste tipo, ele executa na escola, recentemente, deu um tapa em uma adolescente.
Provoca e desrespeita o colega. É um homem de comportamento histérico, não cumpridor do horário. De difícil trato. Completamente equivocado, fora dos princípios da ética profissional, optou de um modo ou de outro, revestir seu papel de educador, através de uma postura autoritária e violenta.
O comportamento dos jovens, não tem sido fácil, subvertem valores, afrontam autoridades, não acatam decisões em sala de aula. Envergonham pais e professores, mas nada justifica, que este, que se acha professor, conduzir o seu relacionamento do dia-a-dia com a prática da violência, seu exercicio pedagógico no trato de sua clientela. Sei, que alunos e professores, estão em campos opostos. Penso que neste palco, não há espaço para atores, que representam muito mal o seu papel. Nota Zero, com advertência e punição severa, para que ele, em nenhum outro momento de sua carreira. Imagine, se defrontar com jovens e achar que o aprendizado é a base da porrada.Teremos um ringue e não uma escola.Um verdadeiro conflito de classes.

sexta-feira, julho 01, 2005

O Perfume de Elisa.


Monica Barki - Artista Plástica, Nascida no Rio de Janeiro em 1956, Premiada em diversas exposições - Aluna de Bruno Tauz, no Centro de Pesquisa de Arte - Litografia, com Antonio Grosso, na EAV, Rio - Participante de exposições individuais e coletivas - Coco Gelado alaranjado.  Posted by Picasa

Hoje! Sexta-feira, dia de faxina nos salões, corredores e paredes da Quitanda. Remendar o varal, colocar um quadro no expositor. Dar uma lavagem no piso, colocar um brilho nas panelas, lustrar os móveis, prateleiras e gôndolas deste espaço.Aproveitei, depois, da arrumação, para colocar este escrito no varal,local de sonhos em forma de papel.


Fechei os meus olhos silenciosos.
Naquela noite, em que senti o aroma
De seu perfume.

Uma luz tênue, iluminava Elisa,
Divina,
Deitada perto da janela.
Seu corpo de perfeitos contornos
Coberta de flores e segredos
O ar perfumado embalado pelos cheiros.

Em sono profundo, dorme Elisa.
Um fundo sem fundo, lembra o meu mundo.
Dorme Elisa em meus sonhos.
Tecidos fantasiados nas poesias escritas
Nos traços livres do desejo
Daquela noite, em que esqueci de
Acordar .

quinta-feira, junho 30, 2005

O Muro.


Ivan Serpa - Pintor/Desenhista/Gravador - Nasceu no Rio de Janeiro, em 1923 e falece em 1973, no Rio de Janeiro - Artista muito premiado - Um dos articuladores do grupo Frente (1954/1956), composto por vários intelectuais, dentre eles, podemos citar: Ferreira Gular, Mário Pedrosa (1900/1981), Lygia Clark (1920/1988), Lygia Pape (1927/2004), Franz Weissemann (1911),Helio Oiticica (1937/1980) Abraham Palatnik (1928), Decio Vieira (1922/1988). Serpa foi autor do livro Crescimento e Criação, com texto de Mário Pedrosa. Em 1970, funda com Bruno Tausz, o Centro de Pesquisa de Arte no Rio de Janeiro Posted by Hello

Em exposição no varal da Quitanda.Foi feito com a mistura de concreto e sonhos.

Ali, tem um muro.
Como eu enxergo?
Se ele é invisível .

Continuo vendo este muro.
Ele, é antigo! Eu sei!
Estranho, cresce junto comigo.
Não sei se me pertence.

Tentei derrubar, não consegui
Pedi ajuda e ninguém veio.
Dei murros neste muro
De nada valeu o esforço .

Continua firme, sólido e só.
Vejo o muro e não pulo.
Está alto, bem alto.

Divido minha sombra com ele.
Continuo não vendo o muro
Fico próximo, ou, fico distante.
Não importa, ainda continua.
Invisível .

Vou pintar o muro
Urro e não vejo.
Fico mudo
Sou mudo.

Corro em direção ao muro
Ali, todo duro.
Nem sei, se eu, ou, o muro.
Queria fazer um furo.

Olhar do outro lado do muro
Eu Juro!
Procuro!
Não consigo!
Dependuro no concreto deste muro
Frases de liberdade.
Abaixo o muro!
Onde está o muro que não vejo?

Está em mim, eu nem sabia
Se, sabia, fingia.
Ando cercado de muros
Puros.

quarta-feira, junho 29, 2005

Ilusão


Carlos Pertuis - Artista Plástico, nasceu no Rio de Janeiro, em 1910 -"Sem Título"(Óleo sobre cartolina) - Participou da Exposição de Frankfurt, com apoio do Museu do Imagem do Inconsciente, instituição criada pela psiquiatra Nise da Silveira (1905/1999),que foi aluna do Instituto C.G Jung, em Zurique - A alagoana Nise da Silveira, foi uma das maiores divulgadores da concepção junguiana de análise do inconsciente.Presa na época do Estado Novo, foi companheira de cela, de Olga Benário Prestes.Personagem do livro Memórias do Cárcere, do alagoano Graciliano Ramos. Foi criada uma coleção de arte psicopatológica . Produzidos nos ateliês criados no Hospital Psquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro,situado no bairro do Engenho de Dentro,  Posted by Hello

Entrei cedo, pela manhã e fui direto à padaria dos confeitos de letras em fôrma, dos doces escritos, das bombas mal traçadas, colocadas no forno aquecido por páginas feitas em papel de embrulhar,são alguns dos ingredientes que utilizo, para as mercadorias expostas nos salões da Quitanda.O resultado, está aqui, pendurado no varal de poesias, para secar ao vento.


Hei você! Empresta sua ilusão.
Perdi a minha, na esquina.
Andei procurando, nos bolsos,
Nos tetos,nas ruas, nas estrelas
e no meu coração
Sumiu! Fugiu! Morreu!
Nem se despediu.

Deixei uma lágrima para ela
De presente.
Crente, que não ficaria mais
Ausente.

terça-feira, junho 28, 2005

Lençóis Cerzidos


Tarsila do Amaral - Nasceu em Capivari, São Paulo, em 1886 - Artista Plástica/Escultora/Desnhista - Pintou vários quadros considerados como obras-primas, no panorama da pintura nacional. Casada com Oswald de Andrade - Participou do Movimento Antropofágico, onde produzem um manifesto. Criam a Revista Antropofágica, considerada com a nata do movimento modernista.Pinta o famoso quadro, o Abaporu,oferece como presente de aniversário ao marido, que ao ver tal imagem, fica assustado, expressa-se, dizendo: "que é uma composição extraordinária, selvagem:Uma coisa do mato".Tarsila, passa por várias fases. em sua pintura, todas representativas, em observações registradas sobre a nossa realidade, com pinceladas das cores exuberantes.Pintora engajada, esteve presa, pelas idéias que defendia. Morreu em 17 de janeiro de 1983.. Posted by Hello

Acabei de colocar no varal de escritos diversos, saiu do fôrno, como se diz na gíria editorial.

Encontrei sua alma vestida
Anoitecida na cama
Olhando as estrelas
Tecendo desejos silenciosos
Traçados em seu corpo.
Sua alma geme fremente.
No movimento ardente
Do corpo em chamas.
Reclama e
Ama! Rápido,
Cubro seu desejo em beijos
Ouço seu coração nos abraços
Dos prazeres dilatados
Convertidos
Por baixo dos lençóis cerzidos
Com tecidos coloridos
Pelas tintas do
Destino clandestino
De um amor fugaz.

segunda-feira, junho 27, 2005

Fatias de Sonhos


Helio Oiticica - Pintor/Escultor - Nasceu no Rio de Janeiro - 1937/ 1980 - Integra o grupo Frente em 1953, participa de vários projetos na cidade.Autor de Parangolé, que ele considerou como "antiarte por excelência". Hélio foi neto de José Oiticica,filológo, professor do Colégio Pedro II e militante anarquista brasileiro no início do século XX. Inventor da palavra Tropicália, que acabou sendo incorporado ao movimento musical, de Caetano Veloso e Gilberto Gil Posted by Hello

Uma breve ausência e retomando pela manhã, as atividades da Quitanda. Comecei remexendo em uma antiga agenda; tenho algumas, que são guardadas em minhas gavetas onde costumo repartir, memórias, lembranças e congêneres... O dia de hoje, havia anotações, sobre o escritor João Guimarães Rosa , apontando que no ano de 1908, nascia em Cordisburgo, a 120 km da cidade de Belo Horizonte. Sem dúvida um dos nossos maiores escritores. Nesta cidade, encontra-se também, a Gruta de Maquiné, com 650 metros de extensão, é considerada como a maior de Minas Gerais. e foi descoberta pelo botânico e zoólogo dinamarquês Peter Lund, em jornada pela bacia do rio das Velhas.
Gosto muito de Guimarães Rosa e quando tive locadora de vídeos no bairro do Catete, no ano de 1996, escolhi Sagarana, como a razão social da firma. Sagarana, um livro que totalizam nove contos. Sua primeira edição data de abril de 1946, com o selo da editora Universal, de Caio Pinheiro, um amigo de Guimarães Rosa. Edições posteriores, foram publicadas pela Livraria José Olympio e que mais tarde, foi adquiridos os direitos autorais pela Editora Nova Fronteira. Neste livro, há explicações através de uma carta de Guimarães Rosa a João Conde, revelando os segredos de Sagarana, na verdade é uma transcrição do livro Relembramentos: João Guimarães Rosa, meu pai, de Vilma Guimarães Rosa, publicado pela Nova Fronteira. O livro Sagarana, o seu último conto, foi adaptado para o cinema, que é: A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), uma produção brasileira de Luiz Carlos Barreto, Roberto Santos e Nelson Pereira dos Santos , com direção e roteiro de Roberto Santos (1928/1987), música de Geraldo Vandré. No elenco destacam-se: Leonardo Villar, Jofre Soares (1919/1996), Maria Ribeiro, Mauricio do Valle (1927/1994), Solano Trindade, Geraldo Vandré, Ary Toledo...
Neste mês de junho, no dia 25 do ano de 1957, o Presidente Juscelino Kubitschek, em reunião com o mercado editorial, ouvindo, via INL (Instituto Nacional do Livro), os livreiros, editores e autores, acolheu reivindicação da classe, que passou a obter, tarifas postais reduzidas e ficando isenta de todos os impostos, exceto o de renda. Avanços importantes para o crescimento da indústria gráfica.
Neste mês, no dia 26 de junho de 1969, circula no Rio de Janeiro, o primeiro número do jornal O Pasquim, fundado por Jaguar, Ziraldo, Millôr, Sérgio Cabral, Luis Carlos Maciel, Claudius, Carlos Prosperi, Marta Alencar, Miguel Paiva e Tarso de Castro, que inclusive foi editor do jornal por oitenta números.Havia uma secretária, que se não falha a memória , era dona Neuma. Jaguar, definia na ocasião como:”Vamos fazer um jornal pra baixar o cacete, então todo mundo vai dizer que é um pasquim. Vamos chamar ele de Pasquim de uma vez pra cortar a onda dos caras”. O Pasquim, foi um jornal nascido em Ipanema, embora, com sede em Copacabana, na rua Saint Roman, 142. Apesar da censura, o jornal, inovou na linguagem, na introdução de novos temas e podemos também, observar, mudanças de comportamento.Considerado por muitos, como o mais representativo da chamada imprensa alternativa.Teve uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, atingindo cerca de 200 mil nos anos 70. Ainda poderíamos encontrar como colaboradores do jornal, jornalistas, como Paulo Francis, Sergio Augusto, Ivan Lessa, Fausto Wolff, Ruy Castro. O jornal é desativado em 1991, sofreram censura, atentados a bomba e boicote nas bancas de revistas. Em período negro, recebeu colaboração de diversos intelectuais. Como: Chico Buarque, Antonio Callad, Rubem Fonseca, Henfil.
Voltarei a falar mais tarde sobre imprensa alternativa, agora, mostro o que encontrei pendurado no varal de escritos da Quitanda,


Recortei fatias de meus sonhos para colar
Na realidade, aparei as pontas,
costurei outras, remendei os retalhos.
Coloquei os viés e voei...
Voltei a sonhar e nada de ficar grudado
No estreito caminho por onde passava.

Caminhei por linhas tortas imaginadas
Traçadas,
Por lembranças do nosso tempo. Na paisagem,
Um temporal de emoções vazavam
Pelas ruelas de nossos corações.

Suspirei, tornei a sorrir. E sonho.
Sim! O sonho que você ajudou
A construir com a magia das cores
Abstratas, exatas
Das noites enluaradas que brilhavam
Em nossos momentos de amor.
O enredo de um filme que mostrava
Agora,
Apenas a minha dor,
A frágil dor da perda de um
Sorriso.

sexta-feira, junho 24, 2005

Escritos Silenciosos


Luiz Aquila - Artista Plástico, nascido no Rio de Janeiro, em 1943, filho do pintor e arquiteto Alcides Rocha Miranda. Aquila, obteve diversos pr�mios, tanto no Brasil, quanto no exterior, Foi aluno de Aluizio Carvão e Tiziana Bonazola no MAM.Xilogravura com Goeldi. Deu aulas na EAV/Paque Lage Posted by Hello

De passagem pelos corredores desta Quitanda, estou tendo oportunidade de conhecer pessoas encantadoras, na verdade,são blogueiras,leitoras, visitantes que transitam pela blogosfera. Na laboriosa vontade de criar um canal em que possa representar possibilidades, de múltiplas formas de dizer, conversar.Para a conversa fiada, para o papo informal. Aqui, na Quitanda, este espaço, está aberto.Entrem! Por favor, estejam a vontade!Mostro hoje, mais um escrito que estava guardado em uma das gavetas das estantes repletas de sonhos.

Entrei em seu quarto, ela estava sentada, ali no canto, acordada,
Com as mãos no rosto, escondida pelos cabelos grisalhos.
Soluçava baixinho, suspirava na cadência da dor.

Sua voz sussurrante, ecoava em meus ouvidos.
Acenou com uma das mãos, a outra segurava
um copo vazio.Pelo gesto esboçado, tímido,
evocava silenciosa à vontade de beber.

Coloquei água em seu copo, sempre preferia ao natural.
Caminhei em sua direção, também, silencioso. Mudo!
Abri à janela, o frescor da noite, invadiu aquele momento.
Afastei as cortinas. Coloquei uma cadeira antiga que tinha
sido de sua mãe, estava conservada, lustrava sempre com
Óleo de peroba.

Lembro de sua preocupação com aquela cadeira, gostava
De dizer que brincava e conversava com o tempo.
De quando, brincava de pique esconde, de fechar os olhos
Que contava de um a cem, procurava pelos cantos, alguém .

Das cantigas de roda, das músicas desafinadas das meninas
O anel que tu me destes, era vidro e se quebrou. O amor que tu
Me tinhas. Era pouco e se acabou.
Pular amarelhinha, gostava, e muito.

Estávamos mudos, silenciosos, apenas, por olhares, conversávamos
Era uma leitura silenciosa.Lágrimas que escorriam.
Palavras não ditas, frases mais que perfeitas de um tempo.
Retocados pelas lembranças.

Nos bailes bailados nos embalos de sua companhia.
Ficaram perdidos nos encontros, que agora, me
parecem ser de despedida.

quinta-feira, junho 23, 2005

Na Tela de Sonhos


Claudio Tozzi - Arquiteto Construtor de Imagens.Pintor e Denhista - Nascido em São Paulo, em 07/10/1944 -Influenciado pela arte pop americana.Premiadissimo artista, realizou no Rio de Janeiro, painel da estação Maracanã do Metrô.Autor de vários painéis em espaço público das cidades Posted by Hello

Na tela de meus sonhos
Desenhei sua imagem
Esculpi minhas lembranças
Colori meu desejo.

Silenciosa e Misteriosa
Caminhava afastando meus
medos e segredos.

Segurei sua mão
Encostei em meu coração.
Com beijos, mostrou o caminho.
Segui perdido, conduzido.

O quarto em penumbra escondia
nossos corpos.
Despidos
Atrevidos.

Os sorrisos de felicidades,
cumplicidades aquecidas
ligadas por fragmentos
de momentos inesquecíveis.

Foram testemunhas do nosso
amor.

quarta-feira, junho 22, 2005

Das Flores Colhidas no Tempo


Manabu Mabe - Pintor/Ilustrador - Participante de várias Bienais, tanto no Brasil, quanto no exterior.Ilustrou O Livro de Hai-Kais, editado por Massao Ohno/Roswitha Kempf. Nasceu na Província de Kumamoto, Japão, em 14/09/1924 - Veio para o Brasil, com a família em 1934.Morou na cidade de Lins. Falece em São Paulo, em 22/09/1997 Posted by Hello


Visitei o jardim de minha infância
Das flores colhidas no tempo
Dos Perfumes
Das Cores
E Dores
Dos Amores-Perfeitos
Dos Bem-Te-Vis
Dos galhos de outono sem patriarca
Da Manga-Rosa
Quero o gosto e o sumo.
Da Rosinha, Minha Canoa, que esqueci de ler
Nos jardins da casa rosa da esquina
Que eu espiava o corpo de menina em flor
Desfolhava o meu prazer.
Das Rosas híbridas
Ouvi o canto de Rosinha de Valença
Do Rancho da Rosa Encarnada, de Torquato Neto
Da Cor-de-Rosa do Índio de Orígenes Lessa
Da Rosa do Povo do Nome da Rosa
Das Rosas Formosas, das Rosas que falam
Dos Cravos de Abril.
Da Rosa que brigou com o Cravo
Das Rosas Chorosas, Indecorosas
Murchas, Silenciosas, Espinhosas
Goza a Rosa Cheirosa
Andei pelo Jardim da Solidão de Clara
Nos Passos da Rosa dando panos pra manga
Das Palmas batidas para Rosa Mota
Do Jardim Iluminado
Do Jardim de Inverno e da Primavera
Dos tempos de outrora. Da Rosa de Luxemburgo
Dos Jardins das Delícias do blog que conheci
Nas cestas das floristas que enfeitam meus sonhos
Prefiro Rosas, Meu Amor,
Circunda-te rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada. Odes de Ricardo Reis.
Dos acordes das Magnólias molhadas na chuva
Nos Jardins Prometidos de Cesária Évora
Das Bromélias Amélias e Sorridentes Heras
Das Madressilvas loucas brincando com as Begônias.
Das Melenas Douradas com cheiro de Rosa Mosqueta
Das Avencas Delicadas
Da Rosa Montero que ainda não li
Da Rosa de Hiroshima e o Lírio-Da-Paz
Da Rosa Rebelde da novela das sete
Das Trepadeiras insaciáveis.
Das Borboletas violetas pintadas de lilás
Dálias soltas flutuando nos jardins
Da Flor da pele dilacerada, esquecida no chão.
É de Cravo, É de Rosa,É de Manjericão
Na frescura de uma sombra folheando o
Caderno Rosa de Hilda Hilst. Da Rosa Amarela
Pois ela era uma Rosa. Ele era uma rosa.
As outras eram manjericão. Que pena,de Benjor
Quero Sempre-Viva, Quero Rosa Mimosa
Quero Maria Rosa de Rosa. Da Rosa Choque
Quero a amizade de Rosa Lepek amiga das Rosas
A Rosa com cirrose. Quero minha ilusão plantada
A linda rosa juvenil, juvenil, juvenil
Quero as sombras das azinheiras do Alentejo
Que não vi. De Lisboa de meus amores
sonhados no dia de amanhã.
Descansar na Alameda das Rosas de prosas
Com Antúrios esculturas de minha felicidade.
Ler Guimarães Rosa e SubRosa da Meg
Atravessar os canteiros de folhagens vistosas
ornadas nas estufas de meus pensamentos.
Pelas magníficas ninféas e lótus.
Escorrer as Lágrimas de Cristo pelas matas e florestas
O som da Rosa de Ouro na voz de Clementina de Jesus.
Quero ficar sem medo da Boca-de-Leão morder as Hortências.
Quero evitar ser arranhado pelas unhas-de-gato.
Olhar para o campo e escutar o trotar das Cavalhinhas
Das floradas de Alpínia.
De Capuchinhas e Ramalhetes.
Não pise na grama!
Na grama onde fiz minha cama.
O cheirinho de alecrim, das flagâncias de Flor de Lis.
De Florbela e seus poemas.
Quero passear pelo roseiral de Rosa Mosqueta
No meu jardim da vida cantado por Djavan
Quero levar na mão direita, rosas para
Edmundo, Paulinho e Dory.
Quero arrancar os espinhos e seguir as Andanças
Do meu coração.
Quero os gorjeios dos pássaros
Quero a Rosa de Noel ao som dos chiados de pardais.
Correr pelas aléias imaginadas na adolescência
Olhar o sabiá que sabia ser sábia
Ir para junto das sombra das palmeiras
Cantar a Canção do Tempo
Levar um bouquet de Rosas para o casamento de Margarida e Donald
Ouvir o vento cantando La Vie en Rose de Piaf.
Quero balançar a roseira.
Quero regar Azaléias nas manhãs enluaradas.
Ao lado dos Ipês, ouvir Chico segurando suas Tulipas.
Dançar ao som das folhas verdes de minha esperança.
Na Festa das Rosas, esbarrar com a Rosa e seus botões.
Troncos e ramos forram a paisagem de minha vida.
Nas fontes e bosques verdejantes.
Não ter votado na Rosinha
Que nem tudo eram rosas nos canteiros perdidos.
Rosas rasteiras, escondidas e podadas em minhas lembranças.
Olho daqui Dona Flor.
Respirei o néctar do amor que perfumam o ar.
O sol dos girassóis aflora lá fora.
Apareceu a Margarida Olé Olé Olá
Ela está em seu castelo tomando copo de leite.
Olé Olé Olá
Venha meu amor!
Não fique triste, foi a Camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu.
Venha, desabrocha meu coração,
Com a flagância da Flor da Idade.
Para não dizer que não falei de flores.
Seja minha Dama da Noite por hoje e sempre
Vem fazer amor-agarradinho
Minha linda flor de nome Marilene.

terça-feira, junho 21, 2005

A Militante Heloneida Studart


Milton Rodrigues Dacosta - Pintor fluminense e muito premiado, nascido em Niterói no ano de 1915 - Um dos fundadores do núcleo Bernadelli, junto com outros pintores, como:Pancetti, Sigaud e Malagoli, em 1931. Pintores que se reuniam nos porões do prédio da Escola Nacional de Belas Artes. Posted by Hello

Hoje resolvi transcrever um texto/artigo da jornalista, escritora,dramaturga, feminista e deputada estadual Heloneida Studart,nascida em Fortaleza, no ano de 1932. Recebi de uma amiga e guardei em uma das gavetas das estantes da Quitanda. Não acompanho as atividades da parlamentar no dia-a-dia, no entanto, fui seu eleitor em algumas ocasiões, tanto no PMDB(MDB), como no PT. Tenho por costume votar sempre em uma mulher para um cargo político e em um homem.Divido meu voto nos dois gêneros e sempre perto do meu perfil ideológico.Tenho exposto nas prateleiras, pois sou leitor, como já disse, com uma tendência a priorizar o autor nacional; dentre os autores, que fazem parte do acêrvo deste quitandeiro, é um livro em segunda edição, publicado pela Civilização Brasileira, no ano de 1978;sua autora é Heloneida Studart, o título é: O Pardal É Um Pássaro Azul.O desenho de capa,é de Dounê.Neste ano foi eleita deputada pelo MDB. Heloneida, tem uma trajetória de lutas; engajada nas causas das mulheres,militante dos movimentos feministas e atuante deputada estadual.Autora de um livrinho editado pela Vozes, que vendeu muito, cujo título é: Mulher, Objeto de Cama e Mesa e de uma peça de teatro: Homem não entra, com interpretação da artista, deputada pedetista, rubro-negra, Cidinha Campos, por cinco anos deste monólogo. Acho Heloneida, muito combativa,esta moradora do Leme; lembro que na última eleição, havia um comitê na Avenida Copacabana, com a cor rosa que imprime sua identidade; seu portal na internet,também, tem esta cor.
O artigo que apresento aos meus três leitores, foi remetido a mim, apenas com autoria, omitindo o título, que é: O Amor nos Tempos do Sexo, que pode ser encontrado na página da deputada Heloneida Ausência de autoria, falta dos créditos é muito usual na internet, é um território livre, há diversos casos, em que creditam autoria de um texto para um autor que desconhece totalmente sua elaboração/criação.Trocam e inventam autores.Já foi objeto de artigos em revistas e na rede, ou nos blogs, este reparo, quanto a autoria do que circula pela net.Gostei do que li e penso em dividir com vocês.

Heloneida Studart

Não me interesso por reis, nem os do baralho. Mas como me interesso pelo amor e, principalmente, por histórias de amor, não pude evitar o envolvimento quando li que aconteceu o final feliz da saga amorosa do príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra e dessa senhora de meia-idade, Camila Parker, sua eterna namorada.

Trinta e quatro anos de amor! Trinta e quatro anos entre dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da Igreja Anglicana, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento dele com Lady Diana foi um dos eventos de maior pompa que o Reino Unido já viu), filhos de outros matrimônios e o amor dos dois lá, brilhando, como uma luz extra-terrena, um sol perpétuo.

E nem se pode dizer que era um desses afetos eternizados pelas afinidades intelectuais e psicológicas como foi, por exemplo, o de Sartre e Simone de Beauvoir. Nada disso. O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elisabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo enre os dois ("Eu queria ser um Tampax" etc.).

Ele a amou toda a vida como Florentino Ariza amou Firmina Daza, em Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel Garcia Marques. Não valeu o tempo, não importaram as rugas, as pelancas. O mundo inteiro, convertido aos mitos da beleza e da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana. No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas, com aquele corpo desgracioso.

Camila Parker Bowler é uma vitória do amor sobre todos os estereotipos do nosso tempo. Juliana Paes, com seu traseiro formoso, inspiraria amor igual? E Luma de Oliveira, com suas coxas célebres? Seguramente, não.

Essa inglesa feia, de 57 anos (ela é até mais velha do que o príncipe) mostrou a todas as mulheres, as que não são jovens, não são belas, nunca aplicaram silicone ou usaram botox, que uma mulher pode ser amada por ela mesma - e para sempre. A obsessão pelos corpos sarados, pelas formas perfeitas, pelo estilo feminino top-model foi derrotada por esse obstinado romance.

O romantismo ganhou, o sentimento prevaleceu e as mulheres tidas como feias também podem sonhar com seu príncipe. Seja ele príncipe de verdade, ou de fantasia. Pertença à Casa de Windsor ou à casa nenhuma, com sobrenome Pereira ou Silva.

Camila Parker, quando subiu ao altar, em cerimônia discreta, deve ter se sentido a mais linda das noivas. E certamente, à noite, quando mais uma vez se despir diante dele, o príncipe vai enxergar, não o corpo flácido de uma senhora, mas o corpo esbelto, juvenil, perfeito que possuem todas as mulheres, de qualquer idade, quando são amadas.

segunda-feira, junho 20, 2005

Achados e Perdidos


Alberto Guignard - Pintor fluminense(25/2/1896 - 25/06/1962) Considerado como um dos mestres da moderna pintura brasileira.Influenciado por Cézanne e Matisse e pelo surrealismo. Posted by Hello


Percorrendo os labirínticos corredores desta casa blogueira de variedades culturais,fui dando largos passos em direção ao espaço WC. Em um canto, avisto, livros e papéis,é bom que se compreenda também, como: jornais amarelados,revistas diversas de um lado, mais atrás,no canto superior, LPs antigos, um monte de fitas em VHS, com poeiras diversas que encobrem sobras do resultado de minha experiência como dono de uma locadora.Neste espaço em que fica localizada a Quitanda,divido o que sobrou para cds e outras quinquilharias, onde volta e meia, tento obstinadamente arrumar; dar um jeitinho brasileiro, à moda chaveana... desarrumo para ficar arrumado.
Embora, algumas pessoas, que manifestam de forma sempre democrática, discordando de minha arrumação, insisto e explico que é no caos, que me oriento e acho as coisas consideradas e dadas como perdidas.Surgem como verdadeiro achado.
Confesso, que nem sempre obtenho êxito, nas tentativas de localização de algo. No entanto, estou convicto de que procurando alguma coisa, às vezes, encontro outras, que nem imaginava ter no depósito de minhas mercadorias, muitas delas, feitas de sonhos, pesadelos e cacarecos.
Arrumava, é melhor assim, arrumava uma pilha de livros, quando caiu, em cima de meu pé sem provocar sérios danos, um livro de um autor gaúcho de nome Dionélio Machado (1895/1985), escreveu Os Ratos,Prêmio Machado de Assis de 1935,considerado o seu mais famoso livro. A edição que disponho, é a terceira, com a orelha feita por Carlos Heitor Cony, editado pela Civilização Brasileira, no ano de 1966.O prefácio à terceira edição, é do crítico paulista Mário de Andrade, com a data de 18/10/1944. A primeira edição é de 1935.Também, é muito considerado pela crítica um outro romance do autor, cujo título é: O Louco do Cati,que foi ditado, ao invés de ser escrito,pois era, um momento de enfermidade do autor, saiu publicado em 1942 e reeditado em 2003, pela editora Planeta. Lembrei, que Os Ratos, foi adquirido em uma queima de livros da própria editora, um grande saldão de livros, incialmente feito na própria loja da Sete de Setembro, 97. Na quarta capa do livro, o slogan da editora: "Mais Um Lançamento De Categoria da Civilização Brasileira". Detalhe, a capa deste livro, não é do pioneiro do design gráfico do mercado editorial brasileiro, que revolucionou as capas, o vienense Eugênio Hirsch, um dos nossos maiores capistas.O autor da capa, é de Marius Lauritzen Bern. Dionélio Machado foi autor de mais livros. A liqüidação dos livros, foi ampliada tempo depois, para a grande rede de livrarias, que era a Entrelivros, de vários sócios, inclusive o jornalista José Silveira, que escrevia no JB. O cineasta, que pulou fora antes da ida ao poço, foi Jorge Iléli, que trouxe o filho de seu amigo e cineasta Paulo Wanderley; partiu para montar uma livraria, editora e distribuidora Unilivros.A principal loja da Unilivros era na rua Visconde de Pirajá,207 e da Entrelivros, poderia ser considerada a loja do Largo do Machado,29. Houve um racha do pessoal da Entrelivros,a livraria agonizava, alguns sobreviventes, montam a StudioLivros em Ipanema. Mais tarde, partem para o shopping Rio Sul. A Unilivros e StudioLivros, fecharam todas as lojas.Quando estive na Unilivros, percebi nos clientes que eu conhecia, por exemplo, os artistas, que era bem freqüentada por eles, o dono como disse era cineasta. Observei e lembro que os maiores clientes-leitores, que mais compravam livros, são os atores: José Wilker disparado como um grande consumidor, em seguida, posso apontar a atriz Fernanda Montenegro e um outro devorador de livros é o diretor de tv Manoel Carlos.Claro que há mais artistas, jornalistas,professores, havia um público muito heterogêneo.
Há uma livraria na zona sul, no bairro do Leblon, que está havendo uma pendenga judicial entre os sócios.Chegou a ser publicada uma notinha na coluna de Ancelmo Góis no jornal O Globo.Não sei qual será o destino.
Meus caros três leitores, vi muita livraria tradicional fechando às portas, indo à lona e novas que não tiveram fôlego para aguentar o rojão, desaparecendo precocemente do mercado.
Aqui, no Rio de Janeiro, começou a cair uma chuva fina e insistente,junto veio trazendo o frio. Agora sinto o cheiro de chuva e do mar; particularmente, gosto desta temperatura. De tanto andar, por estes corredores vazios e de prateleiras cheias, que acabei olhando para o varal e encontrei alguma coisa escrita pendurada, que mostro a seguir:

Quero você fazendo sexo na
Cama ou na lama
Quero você em chamas
Quero ouvir o seu gemido

Quero beijar o seu prazer
Quero que você rasgue a
Fantasia.Que
Entre na folia
Quero sua poesia.

Quero seu sexo sem
Nexo
Quero seu corpo molhado
Suado
Quero apalpar os seus seios
Quero por todos os meios
Você sem pudor
Você com calor

Quero seus segredos em meus
dedos.
Quero um segundo
Quero suas coxas abertas
Quero os movimentos libertos
Quero decifrar este mundo.

Quero minha língua em sua língua
Não quero morrer à mingua.
Quero provar o seu sabor
Quero seus gestos obscenos

Quero abrir portas e janelas
Quero sua parte
Quero e desejo apenas
este momento.

domingo, junho 19, 2005

Dias da Semana


Juarez Machado -Pintor /Desenhista/Escultor/Chargista - Nasceu no dia 16 de março de 1941, em Joinville - Mora em Paris, desde de 1978 Posted by Hello

Desde que surgiu este espaço, eu curti muito a idéia de se colocar, alguma manifestação artística, principalmente ligado as artes, não importando em que linguagem poderia ser expressada. Usei de uma simples questão de gosto, como ponto de partida para eleger este ou aquele artista que ficaria exposto em um dia qualquer da semana, aqui, nesta galeria da Quitanda.
Faço sempre também com interesse de divulgar da maneira que eu tenho e sei, o artista nacional, que assume para mim importância relevante neste panorama.
Neste dia que se transformou em nublado, dei uma rápida saída e voltei a seguir, para fazer uma leitura dos jornais.Outro dia comentava sobre Patricia Galvão e hoje vi no Jornal do Brasil,propaganda de um novo livro editado pela Agir, que foi incoporada a Ediouro, trata-se de Paixão Pagu: A Autobiografia Precoce de Patricia Galvão.Que registra como texto inédito escrito por Pagu em 1940, recém-saída de prisão da época da ditadura de Getúlio Vargas.
Encontrei em uma pasta encostada, perto dos caminhos de WC.O espaço reservado em que guardo escritos feitos ou mal feitos.Antes que vá para a lata de lixo da Quitanda e não fique para a história, resolvi mostrar para os meus dois leitores.

Nem sei se hoje ou amanhã é
Domingo Pé de Cachimbo, se o
Cachimbo é de barro
Bate no jarro.

Nem sei se hoje é Domingo
Ou se é amanhã
Domingo nem sei se pede cachimbo

Ou se o buraco é fundo,
Ou se acabou o mundo.

Quero é brincar, amar
Nem sei se queria ler.
Mas se dizem que hoje é
Sábado pé de quiabo.

Nem sei se haverá sabatina.
Ou se hoje, é sexta-feira que
se parece com a segunda-feira,
Se é sexta-feira 13
Se dá sorte ou azar.

Ou se é fim-de-semana.
Se é quarta no quarto,
Se é quinta-feira e se
Não tenho pressa de
chegar na sexta-feira
Se vou pra feira.

Ou se odeio segunda-feira como diz o
Garfield.
Ou se é Domingo, véspera de segunda-feira
Ou se é segunda-feira e fico doido para
chegar na sexta-feira.

Se é dia ou noite de sexta
para chegar no sábado.
Ou se é quinta-feira e
se está distante de segunda-feira.

Nem me importa que dia é hoje
Quero apenas rasgar este calendário
e amar você todos os dias.

sexta-feira, junho 17, 2005

Sobre Editoras


Kurt Schwitters - Pintor/Escultor/Poeta Alemão - 1887/1948 - Participante do Dadaísmo - Movimento artistico e literário, de essência anárquica, criado em 1915 por artistas, poetas e intelectuais exilados em Zurique, durante a Primeira Guerra Mundial (1914/1918) Posted by Hello


Meus Caros Dois Leitores, o mercado editorial anda agitado, com as transações efetuadas recentemente. Sinal dos tempos!Quem está nos descobrindo, são os espanhóis, estão vindo pra ficar.Desta vez, além da presença ,o objetivo, a ser alcançado, são as grandes editoras.As notícias que circularam durante a semana pelo Observatório da Imprensa e pelo site da Câmara Brasileira do Livro,informam que a tradicional editora Nova Fronteira, fundada pelo ex-governador e jornalista Carlos Lacerda (1914/1977), em dezembro de 1965 e atualmente comandada por seu neto, Carlos Augusto Lacerda;foi adquirida pela Ediouro. Para quem não se lembra, esta é a Edições de Ouro, que surgiu em 1961, que é a maior e tradicional produtora de palavras cruzadas, através de suas revistas de passatempo, Coquetel. São proprietários de uma gráfica , Tecnoprint. Publicou um respeitável catálogo em formato de bolso de grandes clássicos estrangeiros e uma extensa lista de autores brasileiros, como: Castro Alves, Gonçalves Dias, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Vinicius de Morais, é importante salientar que tinham preços acessíveis, baratos mesmo. Atualmente investem em histórias em quadrinhos, tendo o jornalista Rodrigo Fonseca, como editor. já foi proprietária de livrarias, mas depois, desativaram.Foi fundada em 1939, por dois irmãos, Jorge e Antonio Gertum Carneiro, sendo que um deles, foi assassinado.O controle da editora, está com os herdeiros, creio que o nome de um deles, é Jorge Carneiro. Fiquei pasmo com a noticia, realmente, surpreendente.
Lembro na condição de leitor e de antigo livreiro, de alguns autores da Nova Fronteira, assim como, que na parte inferior após o seu logotipo, na quarta capa, o slogan: "sempre um bom livro".Lembro que houve uma polêmica, a respeito das edições de Fernando Pessoa, que em Portugal, os direitos de publicação, pertencem a Assírio Alvim, e que foram negociados com a Companhia das Letras e a Nova Fronteira, que consta em seu catálogo, doze títulos de Fernando Pessoa, não reconhecia através de nossa legislação, a venda destes títulos para a Companhia e que continuaria a publicar Fernando Pessoa, a revelia da editora portuguesa.Confesso que não sei explicar qual foi o resultado. Que houve um abalo entre eles, houve.
Editora de grande penetração no mercado, a Nova Fronteira,.abria qualquer porta, não só pelos bons autores de seu catálogo, como os dicionários produzidos. Qual a livraria, que deixaria de ter um dicionário e se este fosse o Aurélio? Fui muito amigo, de um vendedor pracista da editora e posteriormente, dono de uma boa livraria em Copacabana, a Criação, mas por falta de clientes, acabou fechando. Livraria que se "preza", não pode deixar de comprar dicionários. A Nova Fronteira, passou por várias fases, inclusive, acabando com o departamento de vendas, entregando a um distribuidor para a cidade do Rio de Janeiro, sendo que editora tem sede nesta cidade.A Nova Fronteira, de certa forma, se complementa com as editoras Nova Aguillar e mais recentemente, a Lacerda Editores, tendo como editor responsável,Sebastião Lacerda e que foi fundada em 1996.
Na parte societária, tinha um sócio de peso, como o ex-presidente do Banco Central, o senhor Armínio Fraga.Corria, quando eu atuava, nos bastidores do mercado de livros que a Nova Fronteira, estava balançando, e foi socorrida pelo BNDES. Na década de 90, eu aponto como um momento também de grande crise para o mercado livreiro.Livrarias tradicionais, editoras pequenas e grandes vivenciam crises, que levam algumas a encerrarem suas atividades.Acho que a Nova Fronteira piorou muito, com a retirada do Dicionário Aurélio de seu extenso catálogo, perdendo os direitos de edição, que foram obtidos por uma editora de Curitiba, o grupo Positivo.A Nova Fronteira revigorou o antigo Dicionário Caldas Aulete, que foi publicado no final do século XIX.
A Ediouro está realmente com fome de livros, comeu a metade da fatia da Nova Fronteira, além de se deliciar com as editoras Agir e Relume-Dumará. Fico aqui, imaginando a vida de um pequeno editor, aquele que está iniciando, o autor que não tem selo que edita ,por conta própria, não chego a dizer, dos autores, que financiam suas obras em determinadas editoras, ou conseguem financiamento para editar e co-editar;como é difícil, fazer a colocação (venda) nas livrarias.Agrava muito quando é o tipo de rede, como a livraria paulistana Siciliano, do senhor Oswaldo Siciliano.Os livreiros dão prioridade as editoras de ponta, como: Companhia das Letras, Rocco, Record, Objetiva e Nova Fronteira. Se o quadro atual, das editoras citadas, não modificou e se houve, deve ter sofrido pouca alteração.Uma grande transformação do mercado editorial, aconteceu, com a presença da Companhia das Letras,a partir de 1986;lançando cerca de quatro livros por mês, com boa apresentação gráfica,pela qualidade dos textos e também fundamental, uma gráfica.O editor Luis Schwarcz, da Companhia das Letras, atuou por algum tempo na editora Brasiliense,fundada em 1943. Uma editora, que eu considero como de esquerda, diferente, por exemplo, da Nova Fronteira ou Record; ao lado de Caio Graco da Silva Prado (1931/1992), filho, do historiador Caio Prado Jr.(1907/1990). Importante lembrar, que grande parte das tradicionais editoras brasileiras, são controladas por famílias.
Os espanhóis estão chegando, o grupo Prisa-Santilhana, abocanhou um bom pedaço da Objetiva. engolindo 75% desta boa editora.Vou voltar a este assunto. O melhor disto tudo, é que continuaremos a ter o prazer pela leitura.

quinta-feira, junho 16, 2005

Patrícia Galvão : Pagú


René Magritte - Pintor Belga, nascido em 21/11/1898, em Lessines. Falece em Bruxelas em, 15/08/1967. Um dos maiores representantes do movimento surrealista, ao lado dos pintores espanhois: Salvador Dali (1904/1989) e Juan Miró (1893/1983)e do alemão Max Ernest (1891/1976). Posted by Hello


Hoje, procurei um livro, que sabia ser muito difícil de encontrar.Fui à rua, com este propósito. Claro! Não encontrei.Parti rumo ao sebo de um amigo. Acordei com vontade de ler Patrícia Galvão,conhecida como Pagú, militante comunista, escritora e jornalista. Eu,estava interessado, através desta autora, um contato com o que se convencionou, classificar como literatura proletária.Patrícia, uma mulher bem atuante, ainda muito jovem, recém saída da Escola Normal; engaja no ano de 1928, entra em contato com o movimento antropofágico de Raul Bopp e foi o escritor, quem lhe deu o apelido de Pagú. Editou, com o seu marido Oswald de Andrade, com quem teve o seu primeiro filho,o cineasta Rudá de Andrade. o jornal,O Homem do Povo, assinava uma coluna "A Mulher do Povo" O livro que eu procurava e acabei não achando, era o romance Parque Industrial, escrito sob pseudônimo de Mara Lobo e que foi publicado no ano de 1933.Houveram algumas reedições deste título. Patrícia Rehder Galvão, nasceu em São Paulo, no ano de 1910 e morre no Brasil, em dezembro de 1962, após uma cirurgia de um câncer feita em Paris. Pagú, teve mais um filho de nome Geraldo Galvão Ferraz,escritor e jornalista, fruto de seu casamento feito com o jornalista Geraldo Galvão, após, sua saída da prisão e do rompimento com o Partido Comunista.Nesta busca por Pagú, encontrei referências de uma exposição de Desenhos de Pagú, organizada no MIS e com a presença dos dois filhos. Fundou com o maridoGeraldo Ferraz e com Mário Pedrosa, o jornal Vanguarda Socialista.Há, um livro editado sobre esta fase de Pagú, em co-edição com o grande batalhador do livro, o nordestino e ex-marinheiro. O potiguar economista José Xavier Cortez,recentemente condecorado com o titulo de cidadão paulistano, o dono da Livraria e da Editora Cortez. No ano de 1980, ele monta sua editora, sucesso desde daquela época.
Lembro que teve forte atuação e prestigio na área de Serviço Social e Educação. Conheci Cortez, desde os tempos em que fora associado ao Moraes - Cortez& Moraes. Houve um período em que mantiveram os dois nomes, a sociedade, que durou 11 anos. Não tenho muita certeza, se a separação foi provocada pelo editor Moraes, ter publicado o livro Mein Kampf(A Minha Luta) de Adolf Hitler. O livro circulou sem selo, nada que pudesse ser identificado.A Editora Moraes,criou um bom catálogo, muita coisa interessante; editaram no inicio dos anos 90, o livro Cem flores para Wilhelm Reich,do autor Roger Dadoun.
Pagú é também em sua homenagem, o Núcleo de Estudos de Gênero, da Unicamp e funciona desde de 1993, editam o Caderno Pagú. Foi também homenageada no cinema com Eternamente Pagú, sob direção de Norma Bengel,lançado em 1988. Há uma composição musical de Rita Lee e Zélia Duncan, cujo título é: Pagú.Um documentário, interpretado pela atriz Edith Siqueira e com narração de Raul Cortez.

quarta-feira, junho 15, 2005

Livros & Cia


Almada Negreiros - José Sobral de Almada Negreiros - Escritor e Artista Plástico Português. Nasceu em 7/04/1893 e faleceu em 15/06/1970, no mesmo hospital em Lisboa, no mesmo quarto onde, faleceu, o seu amigo, o poeta Fernando Pessoa. Almada Negreiros foi um dos introdutores do Modernismo em Portugal e fundador da revista "Orpheu", em 1915. Posted by Hello


Na segunda-feira passada, em Lisboa, faleceu o histórico militante comunista Álvaro Cunhal, aos 91 anos. Nasceu na freguesia da Sé Nova, em Coimbra, no dia 10 de novembro de 1913. Ingressou na Faculdade de Direito, aos 17 anos.Liderou o PCP – Partido Comunista Português , foi o secretário-geral, entre 1961 e 1992. Membro do partido desde os anos 30, viveu por muitos anos na clandestinidade, foi preso e torturado por diversas vezes. Amigo de Jorge Amado e do poeta Pablo Neruda, que lhe dedica o poema “La Lâmpara Marina” Foi Ministro sem Pasta, no governo revolucionário de 25 de abril de 1974. Autor também de vasta obra e artista plástico. Utilizou por muito tempo o pseudônimo de Manuel Tiago, apenas, no ano de 1995, reconhece publicamente, como sendo o romancista. Em 1996, publica um ensaio sobre estética, que são arrolados, em quatorze capítulos e publicados, pela Editorial Caminho, uma das maiores editoras portuguesas. A Camionho, publicou grande parte da obra de outro escritor português, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago,com cerca de 28 títulos
Autores brasileiros constam em seu catálogo, como: Frei Beto, publicou Fidel e a Religião ; Edilberto Coutinho, eu não consegui identificar o titulo de Edilberto; Rodolfo Konder: A Ascensão dos Generais e Sob o Comando das Trevas. Localizei o angolano Ruy Guerra, que em 1999, lançou 20 Navios; Dias Gomes, editou uma de suas obras de excelente vendagem, que é, O Santo Inquérito; uma vista rápida em seus autores encontramos em co-edição com a UFRJ, a obra Cátedra de Jorge de Sena. Publicou muito autor nacional, como a Tia dos melhores e maiores blogueiros,que tem publicado: A Princesa e a Abóbora, com ilustrações a preto e branco de José Ribeiro, classificado como: infantil-juvenil e ficção Paulo Lins, João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos,diversas obras foram publicadas, Moacyr Scliar,José Ramos Tinhorão, Sebastião Salgado entre outros.
Lendo pela internet um dos jornais que tenho acessado constantemente, como o Portugal Digital e o Diário Digital, são esperados milhares de pessoas para acompanhar o cortejo fúnebre, a ser realizado nesta quarta-feira, 15 de junho.
Na BBC Brasil, há noticia sobre a escritora brasileira Nélida Piñon, que foi a primeira escritora em língua portuguesa, a ganhar o Prêmio Príncipe Astúrias de Letras. Superou os grandes nomes da literatura mundial como: o escritor Premio Nobel, o alemão Günter Grass, o peruano Mário Vargas Llosa, ganhador de diversos prêmios, como em 1995, na Espanha, ao receber das mãos do Rei Juan Carlos, o Miguel de Cervantes, importante premiação das letras espanholas, Arthur Miller, dramaturgo falecido em fevereiro de 2005, aos 89 anos; autor de uma peça bem conhecida como:A Morte de um Caixeiro Viajante. O autor casou em 1956 com a atriz Marilyn Monroe,uma outra competidora, foi Susan Sontag, norte-americana, escritora, ensaísta, ativista que se revelou como bissexual em 1995 para uma revista em Nova York, faleceu, em 28 de dezembro de 2004.
O quitandeiro, aplaude, com entusiamo, uma das melhores escritoras de nossa terra, a ocupante da cadeira número 30 da Academia Brasileira de Letras, acadêmica Nélida Piñon, pela premiação, tenho na fila dois livros dela para ler: em nova edição pela Record, o calhamaço A República dos Sonhos e uma edição antiga da Francisco Alves, A Casa da Paixão .

terça-feira, junho 14, 2005

Devaneios.


Cicero Dias - Pintor Pernambucano - 1907/2003 - Um dos grandes expoentes do Modernismo - Recebeu do governo francês a Ordem Nacional do Mérito na França, em 1998, aos 91 anos - No MNBA, existe em sua homenagem, a Sala Cícero Dias. Posted by Hello


Devaneios encarcerados em meu corpo desabitado.
Encarquilhado.
Enclausurado.
Dilacerados em pedaços que açoitam o tempo.

Reato minha ilusão em seu sorriso
Obsceno.
Aceno de uma esperança que dança,
Nos salões das lembranças, nos passos
Dos espaços vazios, ao som daquela velha canção.

Anseio pelos seios que não manuseio.
Vontades encardidas encontradas,
Aparecem nos recantos.
Camuflados de segrêdos desfeitos.

Brinquedos conectados ao prazer
Em corpos entrelaçados, lambuzados.
Afagos delineados por mãos descidas,
Ensandecidas, perdidas e adormecidas.
Aquecidas.
Desmedidas.

Desamarro o seu sossêgo parido em suas entranhas.
Suaves toques de dedos trêmulos.
Insaciável língua palpitando o prazer
Imaculado, Latejado e Jorrado.
Espasmos contínuos viscerais colados
Naquela branca folha de jornal com
Noticias,
Recortadas no passado.

segunda-feira, junho 13, 2005

Os filmes de fim-de-semana


Aldemir Martins - Artista Plástico Cearense - Nascido em 1922. Dedica-se aos temas da região nordestina.Premiado na Bienal de Veneza em 1956 Posted by Hello


No dia de sábado, resolvi pegar dvd para assistir. Aluguei 4 filmes: Olga,foi o primeiro e gostei muito. Sou apenas espectador, não vou buscar interpretações analiticas e estruturais do filme, tampouco, a interação filme/telespectador.Não reúno condições de invadir este terreno, fico restrito ao olhar e comentar com minha companheira.Leio comentários nos jornais, mas não me baseio como veículo, para alugar filmes. Serve também para livros.Trabalhei muitos anos com editores, procuro os lançametos ou reedições, não vou atrás do que fulano ou beltrano resenhou. Uma porrada de livros nem passam e eles nem querem comentar, só aqueles...um bom tema para interessados, é fazer análise destes cadernos literários destes jornalões. Houve recentemente a demissão de uma jornalista responsável por um destes cadernos, parece que ela é casada com um poeta...Os jornalistas ganham muitos livros das editoras. Houve um jornalista do Jornal do Brasil que me pediu livro para resenhar e precisava ver a exigência da entrega do livro no dia em que ele solicitou. Tinha de ser naquele dia.
Quando, montei uma locadora de fitas nos anos 90 e seis meses depois, tive de fechar, por total falta de clientes.Desde então,não freqüentei mais cinemas e reduzi idas às locadoras. Sagarana, esta era a razão social.Não me desfiz totalmente das fitas, preferi proceder deste modo.Perdi muito dinheiro ao desfazer de meu estoque em duas situações, na livraria e na distribuidora/editora. As lojas de livros compram por uma mixaria os livros que você desfaz. Hoje, afirmo, um dos segmentos que conseguem bons lucros com a comercialização dos livros, são os chamados sebos. Criei em uma galeria no Catete esta locadora, em um prédio com numeroso número de apartamentos.Todos conjugados. Serviu para ter bons papos; com os que eu tinha com o ator José Drummond, principalmente sobre cinema nacional. O ator tem uma visão muito boa e critica do cinema.Ele constatava que o filme nacional, tinha imensa dificuldade de ser locado.Via com os próprios olhos. O interessante que foi no momento de crise das locadoras, quando fechava uma após a outra.Entrava a televisão a cabo, cabeando diversos bairros, isto, acredito que tenha sido um dos fatores para o desaparecimente de grande parte das locadoras.O bolso do consumidor atingido, foi um dos contribuidores para o fechamento das locadoras e mais tarde da desistência da televisão por assinaturas. Muitas locadoras reduziram espaços, como a poderosa Blockbuster; outras fecharam filiais em outros bairros. Vivi a crise. Tinha um bom acervo de filmes brasileiros. É uma postura que eu tenho, tanto em filmes, sempre priorizar o filme nacional e na literatura, o espaço maior que dedico e consumo, é o autor nacional. Que está sempre em desvantagem em relação ao produto cultural estrangeiro. Não sou xenófobo. Mas eu que lidei por muitos anos com o produto cultural nacional. O próprio autor de Olga,Fernando Morais, foi editado por uma pequena editora nacional, a paulistana Editora Alfa-Omega, de Fernando Mangarielo. Fui seu divulgador na universidade, eu atuava só no terceiro grau. Ao logotipo da editora, era acrescentado a frase: Autor Nacional-Cultura brasileira.
Como disse, peguei outros filmes, um que considero um bom documentário de Paulo Thiago sobre Carlos Drummond de Andrade - O Poeta de Sete Faces, produzido em 2002. Titulo retirado do livro "Alguma Poesia". Gostei de ver a emoção de Adélia Prado ao narrar um poema de Drummond, ela como diz, ficou "travada". Adoro Adélia. O mestre Leandro Konder e diversos outros artistas.
O terceiro filme, foi o francês Albergue Espanhol, de Cédric Klapisch. Achei muito bom, interessante, atual.Aborda a identidade cultural, lembrei de muitos blogueiros brasileiros que acompanho,em suas narrativas nos países em que atualmente moram ou viajam.Gosto deste olhar sobre a vida cultural, social e politica.Todos sairam do nosso país por diferentes motivos.Gosto muito de uma blogueira que mora na Suécia, de nome Maria Fabriani, uma jornalista e filha de um poeta e tradutor.O blog é: Montanha Russa
O último desisti, por também, não ter mais tempo, pois foi reduzido com a alegre presença do levado da breca de meu netinho de onze meses. Paro com tudo que faço, para me dedicar e ficar babando as coisas que ele faz. Muito legal, esta condição de avô e particularmente de minha mulher, como avó. O filme que eu pretendia assistir foi Magnólia, de Paul Thomas Anderson, que dirigiu: Boogie Nights - Prazer sem Limites. Antes de devolver o dvd, liguei e fiquei embasbacado com a negligência da distribuidora New Line Cinema, por acaso, foi colocada em versão em português, com legendas no mesmo idioma. A fala dos personagens eram bem diferentes da legendada. Ouvia-se uma coisa e lia-se outra. Pude assim, perceber como anda mal, as traduções.
Meu neto sorri e é sorridente, por qualquer coisa, desde um barulho ou uma alteração de voz que eu improvisei, acha a maior graça. Coisa linda é a infância, depois, nós adultos em seus vários níveis, modificam, reprimem...as suas diversas fases de crescimento. Estou apenas recortando a minha realidade, de determinado segmento social. Ao descer para à rua, vejo outra infância, aquela, abandonada, mal tratada, desprezada pelos politicos. Dos que cheiram cola, furtam, se prostituem no calçadão de Copacabana. são os menores que nos assustam e provocam o nosso medo. Agridem de todas as formas, minha rua, é uma grande hospedaria para todo tipo de menor. Alguns se posicionam no sentido de incomodar, de dificultar a passagem do pedestre pela calçada. Gosto sempre de ressaltar, que há um crescimento da pobreza, o surgimento de moradores de rua, de mendigos.

sexta-feira, junho 10, 2005

Ando por Caminhos


Piet Mondrian - Pintor holandes (1872/1944) "Composition A", 1920 Posted by Hello

Escritos feitos, rascunhados são guardados nas gavetas ou pregados no mural do salões de minhas memórias. Hoje, mostro um dos achados, para os meus dois leitores:

Ando sem rumo
Sem prumo
Ando por caminhos
Desfeitos
Refeitos
Ando Procurando
Nas curvas
Ando sem nexo
Desando em cambaleantes
Olhares tortuosos dos anjos morenos
celestiais.
Persigo os traços
das calçadas envernizadas pelo brilho
da lua crescente
das ruas poídas de silenciosos desejos
vendidos nas esquinas.

Ando perdido nas travessias,
Ando pulando muros,
Dando murros,
Soltando urros.
Converso com as Estrelas
no palco que ensaio
o monológo silencioso.
Holofotes iluminam
Meu corpo
em decúbito.
Soluçantes vontades
encenadas.
no espetáculo
de meus sonhos.
Pinto e visto os figurinos
nos manequins
confeccionados na cola
de minhas emoções.
Meu ato, desato as cortinas
pregueadas na ilusão passageira.
Mergulho no porão de meus sentimentos
textos e contextos
dos caminhos que fingi
saber um dia andar.

quinta-feira, junho 09, 2005

Com o Sexo na Língua.


Carlos Zefiro - (Alcides Aguiar Caminha) - Carioca - 1921/1992 - Desenhista, Compositor e Ilustrador de Historias em Quadrinhos Eroticos, nos anos 50/60 - Conhecidos como "catecismos", pelos consumidores.  Posted by Hello

Dentro das gavetas e armários deste espaço, há recortes de manifestações literárias,compostos por diversos tipos de escrita.Textos curtos com graça ou sem,construídos no anonimato, são partes integrantes do cotidiano deste quitandeiro. O mais importante é que não faz parte de nossa preocupação até o momento,interesse em se debruçar em nenhum tipo de análise, nem mesmo esbarrar com as preocupações pertinentes aos linguistas e outros estudiosos. Não cabe aqui, nenhuma observação semântica do humor, ou as estruturas das narrativas revestidas de estereótipos. Utlizei anedotas que circulam pela web. Arrolei algumas, por demais conhecidas. Esclareço, que não deixo de ver as piadas, anedotas, chistes como fenômenos de linguagem. Admito, que mesmo distante, encaro as coisas transcritas aqui embaixo, como veículos do que se pode considerar um discurso proíbido, uma vez que, são excluídos dos contextos sociais, dos salões desenhados por comportamento e de fino trato.Importante lembrar, que faz parte de qualquer cultura, dos diferentes povos, logo, entendo ser de amplitude universal, faz parte do inventário da língua de cada nação. É um modo de dizer e configurar o outro através da linguagem. Estas frases fazem parte do imaginário brasileiro. Recado: Para os meus dois leitores, está sendo relançadas as obras de Carlos Zéfiro, pela Cena Muda. Uma banca de jornal, na Visconde de Pirajá, em Ipanema, de propriedade da sobrinha-neta de Cora Coralina, a editora e livreira Adda Di Guimaraes.

O garoto de quinze anos chega para a garota de vinte e diz:
--Quer namorar comigo?
--Não, eu não gosto de criancas.
--Não faz mal. A gente evita.

O que voce acha do sexo na televisão?
-Dependendo do tamanho do aparelho de TV, da tranquilamente para trepar
em cima dele.

.O jovem casal em lua de mel está há cinco dias trancado no apartamento.
Depois de um cigarrinho, ele vai chegando de mansinho e sussura no ouvido
dela:
--Vamos fazer um negócio diferente, amor. Vira!
--Ah não! Mamãe bem que me disse que voce ia pedir isso! Não viro, não!!
--Mas amorzinho, voce não disse que queria ter um nenem?

.Uma conversa entre um psicólogo e um "testicocéfalo" semi-analfabeto:
- O Sr prefere o sexo oral ou o sexo anal ?
- O oral, é craro. É muito melhor de hora em hora que uma vez por ano..

Mamãe, estou decepcionada com o Zezinho. Estamos casados há um ano e
ele nunca me pediu para virar.
- Calma minha filha, isto vem com o tempo. Por enquanto ainda e cedo.
Vai aproveitando.
- Mas na última noite, eu insinuei que queria virar mas ele deu a maior
bronca. Disse que se eu virasse poderia engravidar.

Um cara que entrou na farmácia gritando:
- Me dê uma camisinha que hoje vou dar aquela transa !!!!!!
- E o farmacêutico indignado com a presença de senhoras:
- Cuidado com a língua, rapaz !!!
- Então, me dê duas camisinhas !!!

O cara tinha o pinto muito pequeno e foi ao médico pra ver se
corrigia o defeito, mas o médico disse a ele que não tinha jeito, que
era uma coisa da natureza e que ficasse tranquilo, pois tinha muitos
homens na mesma situação dele, portanto não era motivo de preocupação.
Mas de tanto ele insistir o médico ensinou-lhe uma técnica,
disse:
- Quando voce estiver transando, pegue as suas bolas e puxe para
trás que o pênis aumenta um pouco. E lá se foi o cara todo contente
pra casa.
Mal anoiteceu ele ja estava cercando a mulher, doido para testar o
novo método.
Quando estavam no auge da transa, ele pegou suas bolas e puxou
pra trás, só que na puxada, ele pegou junto os pentelhos da mulher
e ela começou a gritar:
- Ela: ai, ai, ai...
- Ele: entra rasgando meu gigante.

Sexo é como truco, se você não tem um bom parceiro, é melhor que tenha uma boa mão.

Amnésia é o cara não lembrar o que é clitóris, depois de estado várias vezes com a resposta na língua.

Voce sabe qual é o cara mais gentil do mundo ? Resposta: É o Bráulio
Mas, Por quê ?
É o único que se levanta para voce sentar...



quarta-feira, junho 08, 2005

O Poeta Paranaense Leminski


Juan Miro - Pintor e Escultor Espanhol:1893/1983 - "Interior Holandes", 1928 Posted by Hello

No dia de ontem e no ano de 1989, morria um poeta muito interessante e que faz parte do panorama da poesia brasileira, nascido em Curitiba, em 1944. Paulo Leminski, um estudioso e divulgador da lingua e cultura japonesa, através dos haicais. Um dos representantes desta corrente no Japão foi Bashô.Aqui, em nosso país houve além do Leminski, haicaístas com: Alice Ruiz (foi casada com Leminski), Olga Savary, Débora de Castro,Paulo Franchetti, Teruko Oda, H. Masuda Goga e muitos outros.
Estudiosos apontam o escritor baiano Afrânio Peixoto (1875/1947), como sendo o primeiro a divulgar o haiku - a poesia tradicional japonesa. Uma junção das palavras haikai e hokku, construida por Masaoka Shiki (1867/1902). O maior poeta japonês desta arte, considerado o primeiro, foi Bashô Matsuo (1644/1694), houveram outros poetas do gênero no Japão e no mundo..Esta forma poética, é caracterizado por três versos curtos e de conteúdos vinculados à natureza. Pesquei na net, um dos poemas mais conhecidos de Bashô( que significa bananeira em japonês) traduzido por Paulo Franchetti:

O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.

Podemos observar uma outra poesia também escrita por ele:

O silencio
As vozes das cigarras
penetram as rochas

Transcrevo um outro poema:

Primeira chuva de inverno
o macaco também parece querer
uma capa de palha.

Uma que eu encontrei muito interessante:

Porta fechada
deito- me no silencio.
Prazer da solidão.

Outra que achei muito legal:

Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível.

Esta encontrada em site português:

Não esqueças nunca
O gosto solitário
do orvalho.

Achei na net poemas de Paulo Leminski, que penso em mostrar para meus caros dois leitores. Estes poemas são narrados nas chamadas da televisão educativa, TV E, da Rede Brasil:

Nunca cometo o mesmo errro
duas vezes
já cometo duas três,
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez.

Como não tenho nenhuma pretensão analitica da obra de Leminski, quero apenas, lembrar que nesta data, que este poeta paranaense nos deixou, mas que continua vivo, muito vivo, em sua obra e em seus admiradores. Também, são preservados na figura da poetisa, escritora Alice Ruiz e nos três filhos do casal. Finalizando, deixo pregado no varal da Quitanda, este poema:

Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?