sábado, setembro 24, 2005

A Passeata


Inimá de Paula - (Fonte:Casa das Artes). Há na internet uma excelente página, com mais de 1811 obras, expostas deste importante artista mineiro, mantido pela Fundação Inimá de Paula, fundada em 1998.Nasceu em 7 de dezembro de 1918, em Itanhomi, Minas Gerais.Faleceu em Belo Horizonte, em 1999.Pintor, Gravador, Desenhista e Professor.Começou os seus estudos em Juiz de Fora no núcleo Antonio Parreiras, entre 1938 e 1940.Participou do Movimento Modernista de Fortaleza, com vários outros artistas na década de 40. Fundou a Sociedade Cearense de Belas Artes, junto de Antonio Bandeira e Adelmir Martins. Era considerado por muitos, como o artesão das cores, o nosso grande fauvista.Mudou para o Rio de Janeiro. em 1945 e mais tarde foi para Belo Horizonte.Um artista engajado,filiou-se ao Partido Comunista em 1945,foi professor da Escola do Povo, participou de diversas exposições no Brasil e no exterior.Há um livro sobre o artista, de autoria de Frederico de Morais, editado pela Léo Cristiano.Lecionou pintura na Escola Nacional de Belas Artes e na Escolinha Gignard.Seu nome, uma referência obrigatória para na consulta sobre a história das artes brasileira. Posted by Picasa

Olá! Dia de sol, de intensa luminosidade na Cidade Maravilhosa. O povo carioca agradece.Acabei de colocar este texto para secar no varal.É uma versão integral.Desejo para vocês um ótimo sábado.

O que você vai ler neste texto, é a pura realidade, nada foi alterado.O que se segue é o relato feito em off, de duas focas, como testemunhas oculares da história, solicitaram ao amigo quitandeiro para, em furo de reportagem ser publicado neste espaço.As duas focas depois de publicado,me telefonaram avisando que perderam as credenciais para a cobertura jornalistica na Granja do Ovo Virado. Este material por ter sido produzido por duas focas,no entanto, não se trata de fofocas.

Um grupo de carneiros, cabritos, burros novos e velhos, macacos, cabras-machos, galinhas, patos, gansos, marrecos, ovelhas e bodes resolveram organizar um protesto por melhores condições de vida, mais emprego, de amplo atendimento aos segurados do sistema de saúde público; um lar para os bichos abandonados e idosos.
De manhã bem cedo, o galo cantou, convocando a turma do poleiro que entrava no primeiro turno da Granja do Ovo Virado, para que em protesto, voassem em passeata. De megafone no bico, Zé Carijó, tentava organizar a manifestação das penosas, que reivindicam mais creches empoleiradas. Um grupo minoritário radical, reivindicava o desejo de soltar a franga. Para um bando de galinhas malhadas, foram fornecidos alguns cartazes para as galinhas que estivessem, mais exaltadas, que cacarejavam sem parar em busca do pinto ideal. Pleiteavam também , que os galos de crista baixa, tivessem livre acesso a doses de gemadas e uma porção diária de amendoim.A passeata seguia o seu rumo e o seu prumo.
Um peru cambaleante, com bico cheio de farofa e segurando uma garrafa de cachaça, no meio da passeata, começou a endurecer em suas posições, gorgolejava em alto e bom som: Fora com os Moluscos da Granja! Fora com os Moluscos! Parecia um dissidente,comentava um coelho que acabara de sair da Toca, com a poposuda anta, vestida de coelhinha.Os gorilas impecavelmente trajando paletós verdes, estavam vigilantes, prontos para agirem em caso de insubordinação da ordem e se fosse necessário, a orientação era para soltar os cachorros.
Urubus malandros, disfarçados sobrevoavam urubuservando com vôos rasantes para filmarem manifestantes e seus lideres. As bicadas, mordidas, cusparadas e cassetetes eram armas imprescindíveis.
Houve um momento de tensão em que os gorilas mais exaltados, gritavam para os seus semelhantes: “Xô! Xô Chuá! Cada macaco no seu galho.Eu não me canso de falar”. Como resposta, do outro lado, os macacos também gritavam: Atenção! Macacada! Atenção! É chegada a hora! Macaco unido, jamais será vencido! Uma multidão começava a ser formada.Uma cabra vadia passeava tranqüilamente entre os grupos.
Uma perua tonta e em depressão, com panfletos embaixo da asa esquerda segurava-se como podia com a asa direita, em um poste preto. Os porcos ostentavam cartazes, faixas, bandeiras e apitos, do outro lado da pista. No meio da pista, de braços e patas dadas, alguns amassos e enfileiradas estavam: ovelhas, cabras, cabritos e carneiros que começaram a balir cada vez mais alto e prosseguiam em marcha, liderado pelo Bode Velho, um militante trotkista do Partido dos Animais Radicais – PAR.
Um viadinho saltitante, muito alegre, assistente político do companheiro militante, distribuía, adesivos pedindo mais liberdade para as pacas , cutias , cotós e tatus, com a rubrica do Viado Livre, uma ONG em defesa da minoria indefesa.
Um boi solto, era perseguido por uma vaca louca. Estavam bem alheios a esta manifestação animalesca. A vaca não dava sossego ao boi. Uma abelhuda se infiltrara no movimento, para passar informações para o cão-policial. A primeira informação que foi passada, é que havia uma mosca-morta entre os manifestantes; a impressão era de ter sido atingida na mosca por fortes jatos de inseticida. A notícia seguinte, dava conta que alguém andou afogando o ganso. Mas haveria necessidade de confirmação e para isto, teria de se deslocar para o lago. O interessante, era poder contar com a ajuda dos grilos falantes, sempre dispostos a colaborar com as forças da repressão.
Dois cabritos mais corajosos e jovens, começaram a berrar.O Bom Cabrito não berra, anunciava o cartaz carregado pela Cabritinha, encostada em um canto da parede da velha loja falida e abandonada.
Alguns burros, que não ficaram empacados e uns poucos parentes da Jumenta Celestina, antiga ativista sindical, participavam ativamente da manifestação, dispostos mesmo a distribuírem coices pra todos os lados, ficaram constantemente zurrando sem parar. Autoridades como o Delegado Dr. Pardal Sparrow e sua fiel ajudante, Dona Rolinha, apareceram no local. Em momentos de tensão, Dr. Pardal tinha o hábito de segurar Dona Rolinha, por trás, pela asa e não largava enquanto, não sentisse que a situação estava sob controle. Rolinha gemia no ouvido do delegado amigo, ficava inquieta nesta situação, excitada diria alguns companheiros de profissão da lei.
Avistaram duas focas da imprensa-marrom, que eles consideravam como extremamente chatas, preferiam a imprensa cor-de-rosa. DrºPardal, sem piar, percebeu que tinham a intenção de entrevistá-lo, tratou de se esquivar, foi comprar sorvetes na padaria da esquina. Fez o pedido discretamente: dois picolés, de sabor abacaxi na lanchonete americana, que sempre virava alvo de protestos do pessoal ativista. Uma pedra é lançada contra a vidraça da lanchonete, ficaram assustados.
Um cão vira-latas morador de rua, reclamava da difícil vida de cão. Um gato de botas desempregado, assim como os demais membros de sua família e da imensa população da comunidade da Maré e Lua Cheia., dormiam ao relento, próximo a um poste, vizinho ao preto em que a perua tonta tomava conta para não cair. Um papagaio endividado com o banco, ficou convencido pelo papo de jacaré, que recomendava de brigar na justiça dos homens para obter os seus direitos. Duas arapongas em conversas no orelhão, prestavam atenção no papo dos dois. Uma zebra surgida não se sabe de onde, insuflava o gorila para prender um bando de pombos desocupados, que sujavam a via pública. Gatos pingados que se formavam para engrossar o protesto.Um asno da família da Jumenta Celestina, como não estava entendendo nada do que esta acontecendo, além, de sofrer de agarofobia, abandonou a manifestação para fazer a sua fé no jogo do bicho, iria apostar nas dezenas: 09, 10, 11 e 12. Adorava um joguinho, qualquer um, não gostava era de perder, logo era chamado de burro pois, não admitia ser, nem de longe.
Uma cachorra sarada, depois de viver como dois pombinhos, reclamava para quem quisesse ouvir na esquina, lugar onde ela ficou para assistir a manifestação, que o seu atual companheiro; este safado, cachorro, sem vergonha, dou duro o dia inteiro na academia, e agora quer me fazer de gato e sapato. Um tucano desajeitado, com o saco vazio nas costas, tentou participar da manifestação estendendo as asas para arranjar alguns goles de cachaça. Estava com um bafo que afugentava qualquer um que tivesse interessado em ajudar. Não arrumou nada, acabou parando em outra freguesia .
Todos que ali estavam, reclamaram, protestaram, reivindicaram, exigiram, mas não se fizeram ouvir pelo Molusco, habitante da Granja do Ovo Virado.Decepcionados, iludidos, ludibriados com promessas de melhorias do sistema de saúde, da previdência e da distribuição da gemada básica. Melhor distribuição dos tostões, da melhoria da qualidade de vida, dos transportes. Melhoria salarial dos funcionários públicos que trabalhavam na Granja e cercanias.Os relatos foram feitos pelas focas da Gazeta, no entanto, nada pode ser publicado, atendendo ordens superiores. Os animais reunidos naquele momento; dispersados, apenas manifestaram insatisfação com o sistema eleitoral que permite que oportunistas travestidos de algum animal trabalhador, assuma o poder . A ilusão está no poder. Fomos enganados e nem sabemos direito, ao certo, os reais motivos.

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